Flor da meia-noite

31 Que bom que voltou, porque temos muito a fazer


Notas iniciais
Helloukitos, que é uma junção de hello + loukitos, mas não tem nada a ver com Hello Kitty, certinho? Ótimo. Então OPA, TUDO BOM?

A nostalgia é tudo aquilo que espontaneamente nos fazem relembrar de algo que não temos mais. Eu considero a nostalgia a saudade do coração, pois quando ele relembra, ele sente… E por ele sentir isso, eu também sinto.

Era incrível o modo como conseguíamos qualquer coisa apenas no concentrando e escolhendo as palavras certas. Eu e Miriel “compramos” duas passagens de primeira classe e umas roupas pra desembarcar já que seria muito estranho chegar, e até mesmo entrar no avião com roupas tão sujas. Mas não estou reclamando, afinal, tudo o que o clã de Kaleesa tinha feito por mim vai além de qualquer coisa. Eu ainda tinha uma imagem a zelar em Ellicot, em toda East Bay na verdade.

Chegamos à minha casa de noite, então não tive tempo de falar com ninguém, e nem sei se queria, nem mesmo a Hazel, ou a Clove, ou... David. Eu não sabia o que tinha acontecido com ele, um dos seus sonhos era conseguir uma bolsa em Berkeley, será que ele tinha conseguido?

Voltar à Ellicot era estranho, estranho demais, rever as ruas asfaltadas, os carros indo de um lado pra outro, sempre apressados, as pessoas eufóricas, trabalhando e estudando sem ter a menor noção do que acontece à volta delas, era desesperador.

Estava terminando de arrumar o quarto quando meu pai entrou, se apoiando nas paredes. Ele estava magro demais, e com sombras escuras ao redor dos olhos, o peso da doença estava esmagando ele aos poucos.

—Oi – Digo com peso na consciência e ele sorri, sabendo muito bem o que se passa na minha cabeça.

—Oi querida – Meu pai olha pra algo além de mim e eu me viro pra saber o que é, encontro um troféu na parte do meio da enorme estante que ocupa boa parte da minha parede – Sua primeira final estadual.

—É – Rio pelo nariz e cruzo os braços – Eu estava com medo de entrar, mas você me convenceu.

—Ah, você não tinha nada a temer porque era muito melhor do que todas as outras.

—Fala isso porque é meu pai – Me sento ao seu lado e toco meu ombro no seu, com o maior cuidado do mundo pra não machuca-lo, mais do que eu já tinha machucado, fisicamente dessa vez – É sua obrigação me bajular.

—Aquele troféu diz isso pra mim – Ele diz rindo e eu pouso minha cabeça na curva de seu pescoço.

—Como você tá?

—Cansado – Meu pai respira fundo – Bem cansado.

—Eu sinto muito, pai, sinto muito por ter ido embora sem avisar, por não ter voltado quando a mamãe contou que você estava doente, eu sinto tanto.

—Foram seis meses, Ally – Ele passa a mão pelo meu cabelo e me sinto com sete anos de novo, prestes a chorar – É tempo suficiente para termos perdoado você. E acho que sabíamos das consequências quando te adotamos.

—Eu sou um pé no saco e um peso enorme né.

—Sim – Ele sorri e finjo estar ofendida – Mas eu te amo mesmo assim – Fecho os olhos apreciando aquele momento de paz – Vá dormir, você deve estar exausta, amanhã conversamos sobre aquele menino loiro no meu quarto de hóspedes, e as histórias de Riverland e... tudo mais.

Não me lembro de quando peguei no sono, mas o cheiro salgado me desperta na manhã seguinte. Alguém abriu a janela da minha sacada e deixou a brisa fresca do outono e a luz brilhante do sol entrar, junto com o mar, nossa, como senti falta da sensação do mar. A tempestade da noite anterior passou.

Antes de abrir os olhos, tento fingir que a única escolha é ir ou não ir à escola, qual roupa usar, e que daqui a pouco vou ouvir minha mãe me gritando, mas o chamado não vem, e imaginar isso não traz conforto. Não retornaria pra essa vida, apesar de ser mais fácil.

Tenho coisas a fazer. Preciso continuar a cuidar da lista de Kaleesa, preciso encontrar Kaleesa, e começar os preparativos para essa empreitada colossal. Se eu for até o Peter, quem vai me impedir ou negar? Quem seria capaz de dizer não à Filha da Profecia? Tá aí uma coisa que aprendi com as bruxas, me portar como uma princesa de gelo, como Adina foi.

Visto uma roupa qualquer depois de fazer minha higiene matinal e um banho quente bem longo, há quanto tempo eu não tomava um banho quente na banheira? Vou até a escrivaninha procurando pelo meu pente quando me deparo com um porta-retratos: Estamos todos ali na sala de casa, uns dias depois da formatura, talvez um dia antes de Jason decidir sair da minha vida, mas mesmo com tudo aquilo acontecendo, estávamos felizes. Eu e Clove espremidas na solfrona, Hazel e Zack no sofá ao lado de Kyla revirando os olhos. Kaleesa estava sentada no chão. David sorria pra mim enquanto eu fazia careta e Jason de braços cruzados no canto, tentando esconder um sorriso, ele falhou miseravelmente.

Uma saudade avassaladora me invade, penetra cada osso e cada músculo, me lembrando de como éramos bons juntos, cada um com seu “dom” ajudando de alguma forma, e eu deixei tudo isso pra trás. Olho pro teto a fim de interromper as lágrimas que insistem em querer chegar e desço as escadas.

—Como é o nome disso? É fantástico – Miriel diz animado e eu rio com a careta que minha mãe faz, atraindo a atenção dos dois.

—É panqueca.

—Panqueca – Ele repete como se estivesse testando a grafia da palavra – Por que não temos isso em Riverland?

—Preciso mesmo responder?

—Não – Ele sorri e volta a comer.

—Bom dia, mãe – Lhe dou um beijo no rosto e trato de pegar minha caneca no armário, me sentando logo em seguida.

—Bom dia – Eu coloco leite quente e a mistura pra cappuccino na caneca e ela suspira – Tô indo pra Ballard daqui a pouco, se quiser ir comigo...

—Não vão me aceitar de novo, mãe – Tomo um gole do meu leite e me viro – E mesmo que me aceitem, eu não estava na Grécia de férias, e também não voltei pra ficar de férias, nem relaxar depois de um semestre duro de “trabalho”, tenho coisas a fazer, coisas importantes, que não envolvem Cálculo I. Tenho que encontrar Kaleesa.

—Mas você acabou de voltar – Mamãe diz completamente chateada – E já vai embora de novo? Você é a minha filha, Allyson, não quero você arriscando sua vida a cada segundo. Eu preciso de você, seu pai precisa de você – Aquela acusação me acertou em cheio, e eu parei de colocar calda nas minhas panquecas me sentindo extremamente culpada. Lanna estava ficando boa na chantagem emocional.

—Vai, Allyson – Miriel incentiva sem parar de comer – Pela primeira vez nós temos um tempinho sobrando, vai se arrepender se não for e viver um pouco.

—E também achei que quisesse ver o David – Minha mãe diz como quem não quer nada.

Mas meu corpo todo se acende ao ouvir aquelas palavras, aquele nome. Meu olho adquiriu um brilho que há muito tempo não aparecia por ali, e um sorriso escapa de meus lábios.

—Ele está na Ballard? Mas e Berkeley?

—Muita coisa aconteceu desde que você partiu, ele ficou te esperando, por muito tempo, na verdade.

—Vou pegar a minha bolsa, Kaleesa pode esperar.

A universidade ficava a mais ou menos cinquenta minutos da minha casa, e era o único campus local que valia a pena, por isso, quem não saía do condado pra se aventurar em outras faculdades pelo país, acabava indo pra Ballard.

No caminho pra lá nós passamos pelo café e pela janela eu vi a Clove com um menino lá dentro. Ela estava tão diferente, com o cabelo mais curto, sorrindo e... feliz. É claro que com a minha partida todos ficaram melhores, nada de dramas, brigas, sangue, só normalidade.

Aparentemente eu fui tirar um semestre sabático no Havaí, pelo menos foi o que a minha mãe disse a todos os que perguntaram sobre mim, descobri isso quando Olivia perguntou se eu tinha pegado muitos homens bronzeados por lá, então imagine a minha cara de surpresa quando tive que responder que sim, peguei muitos. Entendo que falar que sua filha foi pra Grécia combater caídos e deixar seu próprio sangue nas mãos de bruxas seja um pouco demais.

Mamãe me deu a chave do carro e me deixou perto da ala masculina antes de seguir pra dar sua aula. Quarto 22B. Eu já conhecia cada canto daquele lugar, então não foi difícil chegar ao bloco B, nem ao dormitório 22, o difícil foi criar coragem pra bater na porta.

E juro, eu estava quase conseguindo, aí tive que abaixar o braço porque ouvi uma voz de menina.

—Tudo bem, eu tenho mesmo que ir agora – A garota diz com voz manhosa – A senhora Hale é incrível, mas não gosta de atrasos.

—Ah, tudo bem então – David, como senti falta da sua voz – Falo com você mais tarde.

Começo a andar em direção oposta às salas. A porta é aberta e ando um pouco mais rápido.

—Allyson?

Ah merda.

Em sua única carta, David queria saber se ainda havia alguma chance pra nós, eu queria saber se ainda havia alguma chance pra nós. Eu pensei que afastá-lo seria algo nobre a se fazer depois de tudo. Mas e se ainda houver esperança? Mesmo que seja mínima e esteja em um futuro distante. Eu preciso de esperança pra sobreviver.

Mas o que o David precisa? Posso pedir que ele espere por um dia que pode nunca chegar?

Desistir do sonho de ser geneticista era deprimente, voltar pra Ellicot vendo todos finalmente seguindo em frente sem você era mais deprimente ainda. Mas ver o David seguindo em frente com outra pessoa era... um suplício.

—Sim? – Me viro e faço minha melhor expressão de surpresa – David! Meu Deus, eu não sabia que estudava aqui – Começo a andar em direção a ele, mas minhas pernas travam e eu volto pro lugar. Ele percebeu.

—Você voltou — Nunca houve um espaço tão grande entre nós, e não, não estou falando apenas do espaço físico entre nossos corpos – Quando?

—Ontem à noite.

—E por que não me ligou?

—Bom, as bruxas não acreditam muito em celular – Sorrio e cruzo os braços, a fim de aumentar ainda mais a distância — Então ele ficou pegando poeira por um bom tempo, até eu jogá-lo de uma torre.

—Ah – Ele ri – E como é Riverland?

—É incrível, nossa, muito incrível, apesar das circunstâncias e... sei lá.

—Legal.

—É... legal – Limpo a garganta e coço a cabeça – Foi bom te ver, mas eu tenho que ir encontrar a minha mãe.

—No corredor masculino?

—É, eu me perdi, acredita? Fiquei tanto tempo sem vim aqui.

—Com certeza foi isso – Fico desconfortável e David apenas cruza os braços – Sabia que eu estava aqui. Porque ia se afastar de novo?

—Eu não sei.

—Sabe, Allyson, eu sempre me esforcei pra ser o cara que mudaria seu jeito de pensar, mas acho que eu fiquei mais pro cara que reforçou sua teoria de nunca se entregar totalmente. E quando eu percebi que você realmente tinha ido embora, pra mim, aquilo foi como se eu tivesse levado um tiro.

E era verdade, seu rosto parecia marcado por mil ressacas e mil tragédias.

Encontra-lo foi como encontrar alguém que eu não sabia que estava procurando. Ele entrou na minha vida tarde demais, e partiu cedo demais. Lembrei-me de quando ele me contou que desistiria de tudo por mim, e já tinha desistido.

—Caramba, eu disse pra você não fazer nada sem me falar antes.

—Eu precisava de um tempo pra mim mesma, entende? Sair completamente daquele passado cheio de dor e mágoas. Precisava me permitir viver outra vez, mesmo que isso significasse ter que deixar você. Eu precisava aprender um pouco mais sobre mim, sobre o que eu era.

—Qual é Allyson, o que você esconde tanto de mim?

—Eu sinto muito – Abaixo a cabeça e começo a andar.

—O seu cabelo cresceu, tá bonito assim.

—Obrigada, agora eu tenho mesmo que ir.

—Espera.

Mas eu já tinha me virado novamente, pronta pra correr pra bem longe daquele turbilhão de sentimentos ruins que me perseguiam mesmo tendo passado tanto tempo fora.

O que eu tinha na cabeça ao pensar que ele realmente me esperaria o tempo que fosse ou o tempo que eu estipulasse? Era cruel ao estilo Allyson Hale, a rainha do baile. Que ele estava tão apaixonado por mim a ponto de passar todos os dias pensando quando eu voltaria. É tempo demais, até para os padrões do David.

Parti da universidade com lágrimas nos olhos e passei o caminho todo me culpando, mesmo tentando afastar tudo, sabia que finalmente as coisas estavam em ordem pra todo mundo, e nada do que eu fizesse podia mudar isso.

Passo em frente ao café e freio bruscamente ao perceber que tem sim o que fazer, eu ainda tenho amigas, elas nunca me dariam as costas ou desistiriam de mim.

O cara atrás de mim buzinou e dei dedo pra ele da forma mais indiferente possível. Manobro o carro e estaciono perto do estabelecimento que eu conhecia tão bem.

Entrei e vi Hazel e Clove sentadas no nosso sofá, de costas pra mim, as duas conversavam animadas sobre alguma coisa. Sorri e coloquei as mãos sobre os olhos da morena.

—Adivinha?

—Ai meu Deus!

Hazel se levanta correndo do sofá e me dá um abraço que sufocaria qualquer um. Bom, sufocou. Mas a sensação era boa, a que eu tanto procurava, de finalmente me sentir em casa, e o abraço dela foi exatamente isso.

—Arrumem um quarto – Clove diz rindo e eu a abraço também.

—Um bem grande – Ouço a voz de Kaleesa e me viro pra porta – Oi Allyson – Sinto vontade de chorar de novo, mas dessa vez as lágrimas são de alegria. Vou até ela e a envolvo com os braços – Tô impressionada com o modo que as notícias correm por aqui.

—Eu senti tanta saudade dessa sua cara mandona – Suspiro e as três sentam no sofá, eu na poltrona de frente pra elas – Clove, o que diabos você fez no cabelo?

—Sabe como é, fiquei com inveja de você – Rio e entrelaço nossas mãos – E como é a Grécia? Os nephilins? Tudo!

—Ah, eu fiquei no castelo da Adina, no que restou do castelo Dunluce. Foi estranho no começo, mas acabei me acostumando, sabe aquela sensação de estar no lugar certo? Mesmo com as irmãs da Kaleesa me torturando todo dia – Rio meio desconfortável e continuo respirando fundo – Até... escutem, há uma razão pra eu ter voltado.

—Conseguiram trazer ele pra cá – Kaleesa diz apreensiva – Eu soube, também soube do que houve em Doonagore, você foi muito forte.

—Tão forte que não consegui impedir.

—Você tá viva, Allyson – Hazel insiste eu sorrio.

—Ah, eu trouxe o Miriel.

—Bom – A bruxa sorri e eu me endireito na poltrona, soltando a mão da Clove.

—Miriel? – A mesma questiona – Quem diabos é Miriel?

—Ele é como eu – Respondo e minhas duas amigas me olham com dúvida.

Espalmo as mãos e me concentro fechando os olhos. Linhas brancas lotadas de energia saíam delas. Formo uns desenhos tomando cuidado pra ninguém ver, mas por sorte estávamos escondidas o bastante.

Hazel e Kaleesa me olhavam com orgulho, mas Clove me encarava como se eu fosse de outro planeta.

—Que porra é essa?

—Poder – Respondo fechando as mãos – Como estão as coisas por aqui?

—Do jeito que você deixou, e um pouco pior – Hazel cruza as pernas e assume sua expressão séria – Descobrimos que eles estão em Ellicot por causa de um vórtex, acho que todo esse farol sobrenatural os atrai pra cá. Ainda não sabemos onde é, mas temos tudo pra acreditar que os adolescentes estão escondidos lá, e Darko precisa estar no ponto exato do vórtex pra acordar.

—Vocês estiveram ocupadas – Sorrio – Mas ainda não acharam os nephilins desaparecidos?

—A polícia local tá meio que desistindo.

—Desistindo?!

—Foram seis meses, Ally, acreditam que já estejam mortos.

—Não estão, eu sinto – Cerro os punhos pra conter a ansiedade e controlar os raios. Fiz uma promessa à Ruth.

—E não é isso – Clove resmunga – Os nephilins estão perdendo a fé em você e indo pro lado do Adam, ele tá prometendo guerra, Ally, a situação tá ficando fora de controle.

—Que bom que você voltou – Me viro pra Kaleesa – Porque temos muito a fazer.

Hazel tinha que ir pra casa do Zack e Kaleesa ia tentar fazer contato com as bruxas de Dunluce pra saber da baixas, então Clove e eu fomos pra praça. Sento nas escadas de frente pro prédio da polícia e coloco o casaco.

—É como se eu nunca tivesse ido embora — Cruzo minhas mãos e giro meu anel no dedo diversas vezes.

—Eu sei — Clove finalmente se senta ao meu lado.

—Por que não podemos ser uma daquelas pessoas? — Encaro o mar de gente sentada na grama, ou andando pela praça, casais, famílias, amigos — Não digo que a vida deles é perfeita. Não preciso de perfeição, ficaria feliz com o tédio. Bem funcional.

—Você não seria entediante, nem se tentasse — Ela diz e sorrio, mas isso não é o bastante.

Minha casa estava silenciosa quando cheguei, e continuou assim o dia todo. Miriel estava no seu novo quarto, concentrado nos livros que achou no escritório da minha mãe. Meu pai dormia a cada cinco minutos, e quando estava acordado ficava andando de terno pela casa inteira, ele sentia tanta falta do trabalho que coletava tudo o que encontrava e ia direto pro microscópio, até deixei ele pegar um pouco do meu sangue. E depois dormia de novo.

Eu ficava na escada observando tudo com os olhos marejados, vê-lo assim era triste, um homem com tanto ainda pra fazer, pra descobrir. Meu pai ficou escravo de uma coisa que ele passou metade da vida estudando.

Penso no que eu me tornei, no que desisti pra me doar a uma causa que agora parecia perdida antes mesmo de começar. Estive tão disposta a morrer pelas pessoas que eu amo que mal percebi que as pessoas que eu amo já estavam morrendo por mim, a cada segundo.

—Allyson! Você tem visita.

Estava tão absorta em meus pensamentos que nem ouvi a campainha tocar. Da escada eu tinha a visão perfeita da porta. E ainda assim arfei quando vi quem estava me esperando. Lá estava ele com os cabelos escuros bagunçados e capacete na mão.

—Hazel me contou que você tinha voltado – Jason sorri – Tive que vim comprovar com meus próprios olhos. Oi Flor.