Flor De Lís.
2 Chapter II.
Notas iniciais
Desculpem os erros, tentarei minimizar todos.
Comentários são essenciais.
Espero que gostem, carinhosamente, Sweetta. ♥
Chapter II.
***
Dias atuais, Seattle.
– Touché! – Eu sorri por debaixo da máscara assim que meu sabre atingiu o peito de Johan. Ele levantou a máscara e eu imitei seus movimentos, fitando meu emburrado treinador. — E o aluno supera o professor. — Cantarolei levando as mãos a cintura. Johan somente revirou os olhos e saiu, mas eu ainda pude ver um vislumbre de sorriso em seus lábios, já me acostumara com isso. Desde que tinha seis anos, Johan era meu treinador e eu não o tinha visto sorrir nem quando ganhara uma competição de esgrima aos 12 anos. Meu treinador era um belo inglês de cinquenta e poucos anos, muito bem conservado e amigo fiel da família, passou bastante tempo perto de mamãe e papai, mas ultimamente a única companhia que ele vinha tendo dos Hughness era eu, obviamente porque papai estava ocupado demais com reuniões milionárias para dar atenção a quem quer que fosse.
– Parabéns Summer. — Yvanna voltou com uma garrafinha de água e um sorriso radiante. Yvanna era minha governanta e babá, desde que tinha sido chutada da barriga de Marion. Com seus 60 e poucos anos, 1,62 de altura e cabelos loiros milimetricamente presos em um coque perfeito, Yanna era a melhor amiga e melhor mãe postiça que alguém podia ter na vida.
– Obrigada nanny. — Sorri entregando a água de volta para ela. — E Lucy? — Perguntei enquanto pegava minhas coisas espalhadas pela sala de treinamento e jogava tudo sobre os ombros.
– Acabei de arruma-lá para a escola. — Yvanna me ajudou a pegar algumas espadas e floretes e nós levamos tudo para dentro do quarto das armas.
– Acha que ela ficou muito chateada com a apresentação? — Sussurrei para a nanny e ela me olhou de um jeito estranho e suspirou. Semana passada, Marion e Andrew perderam uma das apresentações de balé da Lucy, claro que para mim isso é totalmente patético, quero dizer, esperar alguma coisa daquelas pessoas. Mas para Lucy, bem, Lucy só tem sete anos, para ela, o mundo ainda se resume ao seu tutu cor de rosa.
– Provavelmente menina. Mas ela vai superar, estávamos todos lá, e ela sabe que nós a amamos. — Yvanna me confortou com dois tapinhas no ombro e se retirou me dando um beijo na bochecha. — Irei preparar algo para vocês duas, suba e tome um banho querida.
Eu assenti e fiz o que ela disse, voando para o meu enorme banheiro, com uma enorme — e desnecessária — banheira. Desnecessária claro, quando eu estava revoltada com o a vida, meus pais, e o dinheiro dele, mas era muito aproveitável na verdade quando eu decidia ser um pouquinho — pouco mesmo -, superficial e aproveitar de todo o luxo que a família de negócios oferecia.
Depois de tomar banho, escolhi uma roupa apresentável para ir para a faculdade, segundo ano de medicina, dei um suspiro ao me lembrar das últimas aulas, é claro que Marion e Andrew não eram ruins, então não me obrigaram a cursar aquilo que eles queriam e todo aquele drama, eles só eram... Terrivelmente ocupados. Não foi á toa que eu fui criada por Yvanna desde saí da barriga de Marion, literalmente.
Quando finalmente parei de encarar o enorme closet, optei por uma calça jeans escura, uma regata branca e meus inseparáveis all star, joguei a mochila sobre os ombros e desci as escadas encontrando Lucy sentada no sofá com um prato de cereal e assistindo Barney.
Revirei os olhos me jogando no sofá e pegando o controle do colo de Lucy.
– Ei Sum! — Reclamou com um gritinho estridente.
– Foi mal pirralha, sou mais velha, mais direitos. — Balancei o controle enquanto mudava no Discovery Channel.
– Samantha, você é uma idiota! — Bufou se levantando do sofá e jogando a almofada em minha direção.
– Quem liga? — Gritei de volta me ajeitando melhor no sofá, possivelmente eu levaria essa televisão para a sala de visitas, esse sofá era o cão de duro. Simplesmente desnecessário com tanto dinheiro sobrando nessa família. Voltei a prestar atenção no programa e notei que eles falavam sobre faraós e lendas egípcias e suspirei tristemente, o assunto era interessante, mas não o bastante para me prender na frente da tevê. Voltei para o desenho idiota de Lucy e chamei por ela. Lucy me olhou com aquele olhar assassino e mostrou a língua.
– Mimada. — Dei a língua para ela também.
– Feiosa. — Resmungou.
– Nanica.
– Olha quem fala, vou ser maior que você aos 19. — Revirou os olhos e eu sorri. Lucy era tão eu! Minha irmã sorriu de volta e se sentou no sofá, dei as costas para ela indo até a cozinha para beliscar alguma coisa. Faltavam exatos quinze minutos para o motorista chegar e me levar para a faculdade, fazer medicina era simplesmente muito interessante, quer dizer, todos os espetáculos esqueléticos e todas aquelas coisas sinistras cortadas mostrando os órgãos e as possibilidades de salvar vidas, era completamente excitante. Quando eu pensei na possibilidade falha de mudar de horário e disse sobre isso a Marion, ela simplesmente surtou, é claro que ela não concordou com isso, ainda que papai tentasse faze-lá mudar de ideia dizendo que eu teria mais tempo para outros estudos. O que significava que eu passaria a parte da manhã fazendo um estágio no Seattle Central Medical, — inicialmente por influência da minha família, mas depois de algumas semanas eu realmente peguei gosto e prazer em trabalhar na área pediatra do hospital. O que agora por culpa da mamãe, eu fazia durante a noite. E significaria também, que eu fazia aulas de alemão e russo durante a noite e treino todos os dias, sinceramente, acho que Marion e Andrew estavam treinando uma espiã e não uma filha, o que é completamente absurdo, a não ser que eles tenham algum negócio ilegal de armas e algum dia sejam mortos por mafiosos super poderosos que então viriam atrás de Lucy e eu teria que deixa-lá com Yvanna para poder ir atrás dos mafiosos e vingar o nome dos Hugness...
– MON DIEU! — Dei um pulo ao ter meus pensamentos absurdos interrompidos pelo grito de Fleur.
– Meu Deus Fleur! — Coloquei a mão no coração enquanto controlava a respiração e fuzilei minha melhor amiga. — O que você tem na cabeça sua francesa louca? — Grunhi pegando a maça em cima da bancada e saindo da cozinha com Fleur me seguindo.
– Foi mal amiga, mas eu te chamei umas quinhentas vezes e você estava com aquela cara de Sherlock, e eu fiquei preocupada. — Sorriu inocentemente e eu estreitei os olhos. Parei de andar e Fleur quase bateu em mim. Fleur não era muito mais alta que eu, visto que nós duas não passávamos do 1,60 de altura, mas ela pelo menos tinha um corpo que deixava todos os meninos do campus babando por ela, infelizmente para eles era apaixonada por Guilhermo, — meu melhor amigo — então ela ignorava qualquer um que não fosse ele. Os cabelos de Fleur eram castanhos claros em cachos perfeitos, era branca como papel e olhos puramente azuis. Fleur era a encarnação da francesa perfeita. Enquanto eu, é claro não passava de uma ruiva com sardas.
– Tá, tudo bem. — Resmunguei e peguei a bolsa sobre o sofá, beijei o rosto de Lucy e ela se despediu de mim e Fleur com um simples aceno de mão. A pirralha estava concentrada demais em seu desenho para se despedir da irmã mais velha com decência. — Vamos logo francesa louca.
– Sabe Summer, qualquer dia desses, você terá que encontrar outra melhor amiga que te aguente, sua ingrata. — Fleur jogou o cabelo sobre os ombros e entrou no carro agradecendo Marcos com um sorriso.
– Você não viveria sem mim francesa. — Sorri lindamente e Fleur revirou os olhos. — E aí Marcos. — Cumprimentei Marcos com um toquinho e ele sorriu. Marcos era jovem, por volta dos 25 anos, era noivo e cursava Engenharia, o que significava que em breve eu perderia meu motorista favorito. Pois é. Papai daria um lugar para ele na empresa quando isso acontece, de um jeito ou de outro, o velho era justo e legal.
– Summer, gostaria que eu levasse seu carro mais tarde?
– Por favor Marcos. — Sorri e concordei depois de um momento, Marcos assentiu e eu entrei no carro me sentando ao lado de Fleur.
– Sum? — Ela chamou baixinho.
– Hum? — Perguntei docemente.
– Falou com seus pais? Sobre nos mudarmos para o campus? — Perguntou enquanto digitava algo em seu celular.
Sorri como desculpa. — Na verdade não Fleur, eu ainda não consegui uma oportunidade. — Dei de ombros e ela sorriu assentindo, depois disso Fleur passou a tagarelar sobre os apartamentos ao lado da faculdade que ela já estava vendo para nós. Fleur e eu não gostávamos muito de depender dos nossos pais, por isso enquanto eu trabalhava no hospital, Fleur tinha um boutique com suas próprias roupas, ela seria estilista e era uma das boas, apesar de que eu jamais, em hipótese alguma usaria qualquer das suas roupas.
Eu assenti, sorri e comentei nas horas certas, simplesmente para não decepcionar minha melhor amiga, decoração e moda eram duas coisas para as quais eu não estava nem aí. Mas em uma amizade, você é obrigada a fazer sacrifícios.
Quando Marcos parou em frente ao estacionamento da faculdade, notei uma grande fofoca rolando solta por aquelas pessoas, elas comentavam animadas coisas entre si, e não era simplesmente aquela coisa de faculdade, em que todos falavam e falavam sobre várias coisas, definitivamente não, isso parecia mais com o colegial. Com certeza bizarro. Eu e Fleur nos encaramos e andamos em direção a multidão, abrindo espaço por entre as pessoas. Ficamos ainda mais curiosas assim que ouvimos os gritos de dois homens.
Bom, na verdade, um deles gritava. Um novato, o outro era David, o garoto da biblioteca, ele cursava engenharia da informática, era um nerd louco por livros, e por isso gostava de trabalhar da biblioteca, eu conversava com eles as vezes, mas ele era realmente uma pessoa na dele, muito mais que eu. A cena que se desenrolava na minha frente, era exatamente essa: David Halerson, o nerd sendo agarrado pela gola da camiseta pelo novato, extramente lindo e gostoso. David estava branco — provavelmente de medo — e o novato parecia furioso, notei com pesar a linda moto jogada no chão e alguns arranhões em David, presumi que talvez ele tivesse sido atropelado e que podia estar ferido, por via das dúvidas resolvi checar.
Dei um passo a frente e Fleur segurou meu pulso com um olhar de alerta, assenti para ela e segui até os dois.
– Ei! Novato! — Estralei os dedos em sua frente e ele desgrudou os olhos de David para me encarar. Engoli em seco assim que seus olhos caíram sobre mim, olhos negros e profundamente irados, — acompanhados de belos lábios vermelhos e cabelos escuros sensualmente bagunçados, mas isso era detalhe, claro.
Me perguntei se a moto era tão valiosa assim, ele soltou David e eu instintivamente dei um passo para trás, seus olhos ainda estavam fixados em mim, ele arqueou uma sobrancelha e abriu um sorriso mínimo de deboche, eu teria reagido e o mandado a algum lugar inadequado se não estivesse chocada demais para reagir. Eu não conseguia compreender bem o que me paralisava, mas algo o fazia, eu estava totalmente sem reação, tudo o que eu fazia era encarar a beleza perfeita e atordoante do homem a minha frente.
– Posso ajudar? — Perguntou duramente, e a voz rouca soou como um choque de realidade. Pisquei duas vezes e engoli em seco me recuperando da momentânea paralisação.
– David... — Apontei para o nerd, minha voz soou baixa e mais segura do que eu esperava, agradeci por isso. — Pode estar machucado sabe? Pode me explicar o que aconteceu? — Tentei não soar tão autoritária, mas não objetive sucesso algum.
E a julgar pela reação do novato, ele odiou minha petulância.
Ele me encarou por um minuto inteiro e então estralou a língua em descaso e nem mesmo se deu ao trabalho de me responder, somente virou as costas e se abaixou tirando a moto do chão sem dificuldade nenhuma, encarei seus movimentos chocada, meu queixo caiu quando o vi por o capacete e montar na moto como se nada tivesse acontecido. Senti meu rosto esquentar de raiva, como ele podia ser tão indiferente e idiota? Por baixo da capacete ainda pude ver seus olhos divertidos me encarei. Mordi o lábio inferior respirando fundo duas vezes, e então ele arrancou com a moto, fazendo gritinhos estúpidos saírem da multidão.
E mais uma vez minha mente faiscou em letras vermelhas e verdes neon o quanto o novato era um imbecil.
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