Flor Da Noite
1 Me leve para casa
Notas iniciais
Personagens inspirados em pessoas, apenas mudei o nome e a aparência, as personalidades são as mesmas.
Agradeço á minha melhor amiga pela capa da fic.
Boa leitura!!!!
PS: caso apaixonem-se pelo cara da capa, ele ja tem dona. Não sou eu. É a minha melhor amiga.
MEU PAI IMPLICAVA COMIGO PORQUE EU ERA NOVA DEMAIS, E PORQUE não poderia morar longe dos pais na minha idade. Mas a culpa não era minha. Quantas vezes eu dissera que Sarah – minha mãe – era quem implicava comigo para morar longe de casa. Meu pai só queria que eu ficasse ao lado deles na mesma escola em que estava havia poucos meses antes das férias. Eu tinha certeza de que eles queriam que eu não ficasse tão longe. Mas, minha mãe não queria que eu ficasse burra. Afinal, qual pai não quer ver seu filho “bem de vida”?
Há uma escola muito boa que minha mãe escolheu para eu cursar os últimos anos do ensino médio. Fica a 424 km de minha cidade, um pouco longe pra se dizer a verdade. Achei uma grande besteira. Para que mudar de escola? Não vai mudar minha vida, de nenhum jeito. Talvez tenha aquele tal de ensino superior, e blah, blah, blah... Realmente uma grande besteira da parte de minha mãe. Pensei que ela fosse mais tolerante nessa coisa de ensino. Quem me dera ter uma mãe normal...
Minha família é muito presente. São meus pais e meu irmão que são os meus melhores amigos também. Sarah e Antonio são do tipo eufórico. Quando eles percebem que há um garoto me olhando, fazem um relato completo de todos os detalhes da pessoa. Eles falam e pronto. Tudo fica esclarecido do melhor jeito. E eu gosto disso neles. Minha mãe não era desse jeito, mas aprendeu com meu pai depois de muitos anos de casamento.
Meu irmão, Carlos, é que é diferente de nossos pais. Calmo, atencioso, atleta e dentista, que tem vinte e cinco anos. É jovem e bonito, e ― o melhor de tudo ― não faz muito sucesso com as mulheres. O que eu gosto muito, porque, isso significa que eu ainda poderei aproveitar minha vida sem uma cunhada.
A minha nova casa é bem bonita. É uma casa definitivamente perfeita, que não tem muitos badulaques do mau e coisas indecentes. É apenas mais uma casa normal que pertence á pessoas normais. Não sei por que gosto tanto dela. Me trás boas lembranças de minha avó, Clara. Antigamente, quando Carlos foi fazer faculdade numa universidade daquela cidade, ele teve de ficar com a vovó. Isso era bom.
Na minha antiga casa não era assim. Era tido meio triste e claro de mais. Aqui não. Aqui as paredes são azuis e dão um ar de escuridão e conforto. Uma casa bem quente que aconchega as pessoas e deixa a família mais junta, mais unida. É o tipo de casa que eu sempre quis ter e agora tenho. Não chega a ser a maior casa em que já vivi, mas é melhor que todas as outras.
Eu gosto de ficar sozinha. Não é algum tipo de fobia, e não fico sozinha ao ponto de me isolar do mundo. Eu gosto de ficar na minha, sem ninguém para atrapalhar. Existem coisas que eu gosto de fazer sozinha, sem mais ninguém. É o tipo de coisa que não precisa de um acompanhante e me deixam feliz, mesmo estando sozinha. Nessa casa, é possível fazer isso.
Mas eu também gosto de ficar perto de muita gente. Ir á festas, conversar me deixa um pouco tensa, mas feliz por estar com pessoas e me divertir.
Tive muita angustia quando me despedi dos meus amigos. Eles são muito carinhosos. Não excessivamente, na medida perfeita.
Era difícil para alguém como eu fazer amigos. Nunca encontrei uma pessoa perfeita para uma amizade legal, mas teve uma época em que mudei de escola. Aquela foi a primeira vez, essa foi a segunda. Naquela época eu tinha nove anos, e passei um bom tempo, inteiramente sozinha, sem amigos de verdade. Até que um dia conheci um novo menino que mudara de escola. Nessa época eu já tinha onze anos; ou seja: fiquei lanchando sozinha por dois anos.
Quando cheguei à casa do meu irmão, junto com meus pais, ele estava nos esperando com um bolo de chocolate – meu favorito. Ele me conhecia bem, sabia o que eu ia querer quando chegasse: comida calórica. Apesar de nunca ter engordado o suficiente para me chamarem de obesa, eu comia muito, mesmo sendo magrinha.
Carlos era do mesmo jeito. Talvez um pouco pior. A diferença era que a vovó o fazia correr depois das refeições para não criar aquela barriguinha indesejada e ter músculos saudáveis. E ele corria. O suficiente para queimar noventa por cento das calorias que ele comia todos os dias. Eu também corria, mas pela manhã, para acumular energia e também para admirar a paisagem da minha antiga cidade. Era bom descontrair um pouco. Correr me dava tempo para pensar em todas as coisas que fizera errado no dia anterior para fazê-las certo no dia seguinte.
Tirei todas as malas do carro sozinha e sem esforço. Eu era bem forte para uma menina de dezesseis anos. Levei-as para dentro do antigo quarto da vovó Clara que falecera há dois anos. Sentia falta dela. Desde sua morte Carlos se sentia solitário, e com minha chegada, essa solidão era uma cicatriz em seu peito.
― Eu vou ficar com o quarto da vovó? ― perguntei.
― Vai. ― respondeu minha mãe ― De que cor vai ser a decoração?
― Não me importa.
O quarto da vovó era cor-de-rosa bem claro. Ela adorava essa cor, adorava tudo que tinha um rosa no meio. Mas aquele quarto dava um ar de menininha sabendo que uma garota de quase dezessete anos estava dormindo lá. Falei para o Carlos que precisava mudar e ele concordou. Pois, se falasse para minha mãe ela faria um escândalo e mandaria Carlos comprar duas latas de tinta da cor que eu quisesse. Preferi deixar quieto.
Graças a Carlos, eu comi bem naquela noite, mas graças a ele, eu não comeria bem para o resto do ano. Enquanto fui à cozinha pegar um copo d’água e me servir do bolo de chocolate, meus pais ficaram conversando. Subi novamente e eu pude escutar quase tudo. Peguei uma pequena parte da conversa.
― Ela é muito nova pra morar sozinha ― falou Antonio.
― Ela não vai ficar sozinha! Vai ficar com o irmão. ― respondeu Sarah.
― Mas e daí? É a mesma coisa que ficar abandonada. Sabe como o seu filho é.
― Nosso filho. E ele é bem responsável. Eu prefiro deixar ela com o Carlos a deixar com velhinha do prédio ao lado.
Sinceramente, eu preferia a velhinha.
― Bem, pelo menos a Ally é bem responsável. Se não fosse o Círculo, ela seria igual ao Carlos. — ele falou bem assim, com ênfase para a palavra Círculo.
― Fala baixo, se não ela vai ouvir.
Foi nesse momento que eu entrei pela porta com o copo na mão e as feições assustadas.
― De que Círculo vocês estavam falando? ― perguntei. Eu tinha certeza de que estavam escondendo alguma coisa de mim.
Meus pais se assustaram. Ficaram perplexos. Eles realmente não deviam ter conversando muito alto. Naquela casa tudo o que você falava se escutava em qualquer lugar. Era só falar no andar de cima e se escutava na garagem. Mas eles mentiram. Estavam guardando algum segredo que eu não podia saber o que era. E fingi que acreditei nessa história.
― De que círculo vocês estão falando? ― repeti, com um tom mais bravo ainda.
― É que... se não fosse o... círculo do... Nada, filha, nada. ― disse minha mãe e lhe lancei um olhar bravo.
― Tá legal. Eu preciso ir lá pra baixo buscar uma sacola. ― fale pra distrair eles um pouco.
É claro que eu não falei a verdade. Fiquei atrás da parede de novo tentando escutar alguma coisa que os meus pais conversavam. Já estava tentando descobrir alguma coisa sobre aquele assunto há muito tempo. Eles já haviam falado disso algumas vezes, sem que ninguém soubesse. Mas por enquanto era um mistério. Falara que o tal do círculo estava precisando ser protegido pelo guardião e que eu estava correndo perigo... Mas essas histórias eram inacreditáveis. Por que eles falavam de um círculo sempre que eu não estava os escutando?
∞
Fale com o autor