Flor
1 Flor
Notas iniciais
Já haviam se passado várias horas desde que Roger abriu a primeira garrafa de rum. Toda a tripulação do velho navio bebia e fazia algazarra, apesar do dia não ter proporcionado nenhum motivo específico para comemorações. Mas quem disse que piratas precisam de motivos para encher a cara? Esse tipo de atividade faz parte da profissão, afinal de contas.
O capitão já havia bebido o suficiente para sentir dormência nas extremidades do corpo, mas ele não se importava nem um pouco. Estava decidido a tomar outra dose, a despeito dos comentários de seu imediato que insistia que ele já estava bêbado.
– Ah, qual é Ray! Eu não estou tão mal assim! – protestou Roger, com uma voz pastosa.
– Estou avisando. Se você tomar outra dose de saquê, nem o Crocus terá capacidade para te tirar de um coma alcoólico.
– Você por acaso está subestimando as habilidades do nosso médico? Quero ver falar isso na cara dele, hein! – O capitão brincou, pegando uma garrafa do estoque, que foi logo em seguida tirada da sua mão. – Porra Ray, dá um tempo!
– Acho melhor você parar de falar essas besteiras de bêbado; – Ray disse simplesmente, se aproximando para falar no ouvido do companheiro – Rouge não tira o olhar de você, e eu sei que você não quer fazer papel de ridículo na frente dela.
O imediato não pode evitar rir quando viu os olhos de seu capitão aumentarem duas vezes em tamanho, com o rosto vermelho de ambos vergonha e álcool.
– Que...ela está olhando pra mim?! – Roger virou o pescoço quase em 360º para encontrar os olhos da moça, que não estava tão longe dali.
– Ei! Seja mais discreto, idiota!
Roger não ouviu. Deu duas palmadinhas no ombro do amigo e correu ao encontro da loira, com um sorriso largo e retardado no rosto. Rayleigh apenas suspirou, desejando que seu capitão estúpido não fizesse besteira...quer dizer, mais besteira do que já fez hoje.
– Eiiiiii Rougeeee!! – Roger chamou, ajeitando toscamente o cabelo com a mão direita – Já disse que você fica incrível com esse vestido azuuuulll?
Ele olhou para trás, e viu seu imediato batendo a palma da mão contra o próprio rosto. Mas ele ouviu a risadinha de Rouge, e isso o deixou mais confiante.
– Agradeço o elogio, Rei dos Piratas. – ela sorriu docemente, ato que sempre fez com que Roger sentisse vontade de rir também.
– Mas... acho que tem algo faltando! – Constatou o capitão, se afastando da mulher por alguns segundos enquanto a enquadrava com as duas mãos.
– O que, por exemplo?
– Hmmmm...eu não sei... – Roger admitiu, enquanto observava a moça de cima a baixo, fazendo uma careta de concentração. Nunca achou que Rouge precisasse de roupas e acessórios para ser bonita, para ele a beleza da mulher era a única que de fato apreciava, nunca sentiu admiração por outras moças antes. Antes dela sua única amada foi o mar.
Demorou alguns instantes observando os longos cabelos loiros da moça, para então soltar um “Oh!” e correr em disparada para dentro do navio, deixando ambos Rouge e Rayleigh (que observava a cena de longe) confusos. Antes que a loira e o imediato se entreolhassem, ouviu-se muito barulho vindo da cozinha, para logo em seguida Roger retornar, ofegante, segurando algo em suas mãos.
– Feche os olhos, Rouge.
– Que...?
– É surpresa! – Ele afirmou, inflando as bochechas.
Rouge riu, cerrando os olhos em seguida. Sentiu as mãos desajeitadas do capitão mexendo em seu cabelo. Quando as mãos a soltaram, ela abriu os olhos, se deparando com um sorriso estupidamente grande entre as bochechas vermelhas do pirata.
– Bem melhor! – Roger comemorou, entregando uma garrafa para que a moça pudesse ver seu reflexo no vidro. Lá, entre os fios loiros de seus cabelos, estava uma flor vermelha.
– Tirei do vaso de flores da cozinha! – ele explicou, sem parar de sorrir por um segundo – Acho que ficou muito maneiro, não é? Você deveria usar flores no cabelo sempre, hahahahaha!
Rouge passou um tempo contemplando-se no reflexo, e aparentemente gostou do que viu, pois após esboçar um sorriso doce de satisfação, ela deu um rápido beijo na bochecha do Rei dos Piratas.
– Você tem razão, eu deveria usar sempre. Muito bom gosto, capitão.
– Vocês ouviram, pessoal?! Eu tenho bom gosto! – Gritou Roger para todos os piratas do convés, que voltaram suas atenções para o capitão – Tragam mais rum, vamos comemorar!
E, após os gritos de euforia de toda a tripulação, Roger saiu em disparada com uma garrafa de saquê a tira-colo, deixando Reyleigh e Rouge se encarando e concordando com o olhar que o capitão deles era um idiota irremediável.
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