Flightless Birds

6 Capítulo 6 - Tortura (Kaya)


Notas iniciais
Primeiramente, ME DESCULPEM. Eu passei 5 meses sem postar, eu sei... De verdade, me perdoem, me odeiem, mas não deixem de ler a história haahha. Eu estava fazendo tanta coisa, eu fiquei ocupada com coisas particulares, e da escola, e de outras atividades... E acabei deixando a fic de lado. Mas tentarei atualizar com o máximo possível de frequência.

Eu irei fazer mais alguns capítulos da Kaya, e ao decorrer da história vou mudar de novo o ponto de vista.

Eu não sei o que está acontecendo. Eu só sinto que tudo isso tem que acabar. Não sei como. Mas tem. Eu não entendo o que eu sinto,e por consequência, não consigo explicar para ninguém. E acaba sendo tudo em vão, os questionamentos, a preocupação. E agora tudo está desabando. E eu quero me matar, eu quero me machucar… Quero tanto…

"Não, eu não entendo o que está acontecendo. Como uma pessoa pode estar assim? Como ela pode ignorar o que a gente sente? Eu sei que ela está numa fase ruim, mas agindo assim ela nos fere mais ainda" minha irmã sussurra para minha avó, Rose, um sussurro bastante alto, aparentemente.

"Essa fase ruim tem nome: depressão. Acho que devíamos leva-la para um medico" disse minha avó. Ela fazia tanto esforço para me entender... Até conseguia pegar a essência das coisas, mas ninguém nunca conseguiria me entender. "Ela tem que saber que vamos apoiá-la"

"Não quero minha irmã internada junto com aqueles loucos"

Sabe, é verdade o que dizem, ninguém se suicida porque quer morrer. Que idiotice. “Nossa, como deve ser a morte? Meu deus, estou tão curioso, acho que vou me matar”. A pessoa só quer parar de sofrer, parar de acordar e sentir que esse ato é errado. Ela só quer parar de sentir a toda hora que tem alguma coisa, ou mais de uma coisa super errada, e não saber o que, e não saber o que fazer, e continuar sofrendo. E tudo só piora quando ela começa a achar que tudo isso é culpa dela. Não tem motivo para ela estar se sentindo assim, a pessoa simplesmente se sente assim. Então é culpa dela, são os sentimentos dela, são os pensamentos, os delírios dela, é tudo culpa dela. É tudo culpa minha.

"Kaya?" minha avó me chamou. "Está na hora do almoço."

"Vó, não adianta, ela não vem" minha irmã disse.

"Sabe, eu vim aqui cuidar de vocês, porque eu amo vocês duas. Mas para eu conseguir cuidar de você, meu amor, você precisa deixar que eu cuide." dito isso, ela fechou a porta.

Outra coisa que eu odeio é dizerem que suicídio é covardia. Você, a mesma pessoa que se estivesse sendo torturado por sei lá, traficantes, sequestradores ou o que for, iria preferir morrer. Porque se por acaso alguém for parar para pensar, nessas horas de tortura, qualquer um pensaria em morrer. Não importa o cachorro, o gato ou o papagaio. Claro que existem aquelas pessoas com uma força de vontade admiráveis que pensam “ai minha filhinha, minha mãezinha, tenho que aguentar por elas”. Mas a maioria de nós, seres humanos, escolheríamos a morte. Não porque somos fracos, mas porque… Com uma dor imensa você não consegue pensar em outra coisa a não ser acabar com ela. E você não consegue lembrar direito como é não sentir dor nenhuma, e por isso parece impossível você voltar a ser “normal”. E por isso a morte. Porque isso tudo acabaria. Você não teria pesadelos com a tal tortura. Você não teria medo de sentir dor, apesar de a tortura ter acabado. Você não quer ser torturado aos poucos, até que absolutamente nada sobre de você. Melhor acabar lúcido. Enquanto você sabe que isso doí, do que viver essas dores dia após dia, sem nem imaginar o que é uma vida sem dor, do que nem imaginar quem é você.

"Não sei mais o que fazer com ela. Estou farta disso. Como ligar para alguém que quer se tornar invisível, quer que a gente aja como se ela nem existisse? Eu amo a Kaya, vó. Mas assim fica difícil." minha irmã exasperou.

Essas paredes precisam ser mais grossas. Cansei de ouvir essas conversas

"Tenha paciência, por favor. Olhe como ela está."

Minha irmã tinha toda razão, ninguém precisava ligar pra mim, ninguém precisava cuidar de mim. Tudo que eu podia causar era preocupação, tudo que eu seria para todos era um peso. Eu só poderia causar mal para todos a minha volta.

Então por que continuar viva?

A morte estava apenas à alguns passos de mim.

Notas finais
Comentem o que acharam, e podem me dar uns puxões de orelha pela demora, me digam se valeu a pena ;)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.