Flamma Nigra
2 Capítulo 2
Notas iniciais
-Hoje é a entrega dos trabalhos, espero que tenham lembrado.- anunciou sr. Geens, o professor de Mitologia, entrando na classe.
Alguém me cutucou nas costas e me entregou um bilhete. Já sabia que não era um bilhete do tipo “Você está linda hoje, Katherine. Vamos sair hoje de tarde?” quando vi Greta e algumas de suas amigas rindo, esperando que eu abrisse o bilhete. Revirando os olhos, desdobrei o papelzinho.
Minha reação não foi de surpresa, nem de raiva quando li as belas palavras (tenho certeza de que não devo menciona-las aqui) que haviam me escrito. Apenas fiz uma bolinha com o papel e a arremessei no lixo.
-Oh, me parece que Katherine está bem interessada na aula- o professor resmungou, provocando risinhos nos demais alunos.- Por que não nos conta sobre o que andou pesquisando, Katherine?
-Eu adoraria.- respondi friamente- Mas vou dar uma chance para nossa querida Afrodite falar.
Indiquei Greta com a cabeça
-Obrigada pelo elogio.- ela disse de um jeito seco, pegando alguns papéis e indo até a frente da sala.- Bom,como minha querida amiga parece ter previsto, resolvi pesquisar sobre Afrodite,a deusa do amor.
-Poderia nos contar o motivo de ter escolhido Afrodite, Greta?- sr. Geens parecia bem interessado em analisar uma caneta
-Talvez porque eu tenha tudo a ver com ela. Beleza, principalmente.
Sem querer deixei escapar um risinho de deboche. Foi sem querer,sério.
-Parece que você não concorda comigo, Katherine?- Greta me olhou com desdém. –Aposto que você escolheu Hades.
-É claro,como adivinhou? – continuei sentada com os braços cruzados, mordendo a bochecha. Era uma mania.
-Bem,a julgar por essa sua cara de demônio...
É necessário dizer que a classe toda riu? Não,acho que não.Foi nessa hora que me levantei.
-Tudo bem. Vamos começar a discutir sobre porque Hades é alguns milhões de vezes mais interessante do que Afrodite.
Greta fez uma careta.
-Eu acho que não. Qual a graça de um homem esquisito e sozinho como ele?
-Qual a graça de uma mulher que só...
-Meninas. – o professor parecia animado agora- Tenho que admitir que estou surpreso com o, hum, interesse das duas, mas infelizmente não posso permitir que briguem. Peço que as duas se sentem.
Virei para me sentar e meu olhar pousou em um garoto ruivo de cabelos encaracolados cobertos por um boné, que me olhava parecendo assustado. Ele sempre estava me olhando.
-Muito bem, alguém mais gostaria de...- a voz do professor foi interrompida pelo sinal que indicava o fim das aulas.
Peguei minhas coisas e sai da sala o mais rápido que podia, tentando não ser atropelada pelo restante da sala.
-Ei, Katherine! Katherine!
Virei-me para ver quem me chamava e percebi que se tratava do garoto ruivo.
-Hum...Sim?- respondi desanimada
-Você...bem...acho que precisa vir comigo.
-Eu nem sei seu nome e você quer que eu “vá com você?”
-Bom,eu já tentei falar com você várias vezes sobre isso,mas você sempre dá um jeito de fugir de mim...
Era verdade. Eu tenho medo de me aproximar das pessoas. Sempre que alguém tentava vir falar comigo eu dava um jeito de não ser obrigada a passar por uma conversa.
-Desculpe...hum, pode me dizer seu nome?
-Tairon.- ele disse nervoso,roendo as unhas
-Ok,Tairon, me desculpe mas eu preciso ir agora.
Ia me virar e continuar andando quando ele me disse algo que me fez parar.
-Preciso falar com você! É sobre seus pais.
-Meus pais?- pareci confusa. O que ele sabia sobre meus pais?
-Sim, mas você tem que vir comigo para ficar em segurança.
-Na verdade...- baixei a cabeça-Não tenho certeza se quero falar sobre meus pais. Tchau, Tairon.
Sai correndo para fora de escola. Tairon tentou me seguir, mas falhou. Esqueci de mencionar que ele era meio manco.
Quando estava a uma distância segura da escola, diminui meu ritmo. O que aquele garoto sabia sobre meus pais que parecia ser tão importante? Bom, acho que nada. Greta deveria ter forçado o pobre Tairon a me dizer isso, só de maldade. Todos sabiam que minha mãe era um assunto do qual eu não gostava de falar muito.
Percebi um homem de terno preto caminhando logo atrás de mim. Parecia um segurança, com a calça bem passada e óculos escuros. Logo outro homem se juntou a ele.
Epa.
Tentei não ficar nervosa com a situação. “Nada de pânico, Katherine.”, uma voz dizia dentro de minha cabeça. “Mantenha a calma e tente despista-los.”
Apertei os livros que estava segurando com força. Correr não seria boa ideia. De repente, tropecei em meus próprios pés e derrubei todos os livros no chão. Droga, excelente momento para meus pés decidirem se enroscar. Agachei e tentei pega-los desesperadamente, mas quando levantei minha cabeça eu os derrubei mais uma vez, assustada. Agora tinham outros dois homens de terno parados na minha frente.
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