Flames Of Death
11 Capítulo 11 Reviravolta
Notas iniciais
muito obrigada,
espero que gostem!
Quando acordei não abri os olhos imediatamente, eu não queria ter de encarar a realidade. Mas isso não me impediu de ouvir o que ocorria no local.
Duas ou três pessoas andavam pelo aposento, mas não diziam nada.
Não aguentei a curiosidade, abri os olhos, com um pouco de medo do que estava prestes a ver.
Stefan e Damon andavam de um lado para o outro da sala, pensando. Rose estava sentada em um banquinho no canto.
Já eu estava dentro de uma cela. Com barras de ferro enferrujadas que me impediam de passar. Sem pensar duas vezes, me levantei bruscamente e fui em direção das barras, deixando que a raiva e a sede me controlassem. Senti uma pontada de dor onde as garras haviam penetrado em minha pele, mas ignorei.
Eu era forte. Aquelas barras eram feitas para deter humanos, coisa que eu não sou.
Agarrei as barras com força, mas antes que conseguisse arrancá-los do chão, minhas mãos queimaram. Malditos, tinham colocado verbena nas barras. Mas como eles saberiam que um vampiro pode ser ferido com aquela maldita planta, verbena? Ah sim, Rose.
Stefan havia me enganado, me usado e me surpreendido. Estou totalmente ciente de que isso é loucura, e que, como ele me decepcionou eu deveria estar com raiva e ardendo por vingança. Mas não. Stefan era mau, e eu gostava disso. Meu desejo por ele aumentara, e acabara de tornar aquele jogo mais interessante e divertido.
Stefan olhou para mim e falou com frieza:
-Afaste se das barras, imbecil. Assim vai acabar ferida.
Eu queria jogar aquele jogo, portanto entrei na deles e respondi com igual frieza:
-Como se você se importasse...
Stefan não respondeu, ao invés disso, me ignorou. E virando se para Damon, falou:
-E então, o que faremos?
Damon olhou para Rose esperando uma resposta. Por fim ela respondeu com a voz meiga e inocente.
-Por enquanto nada. Vamos esperar.
-E por que exatamente?
Desta vez foi Stefan a falar.
-O que é isso, Stefan? Está me questionando?
-É exatamente o que estou fazendo, senhora.
Eles se encararam por alguns segundos e Rose respondeu:
-Calma, tenha paciência, meu anjo mortal. A senhorita Katherine é uma vampira, ela merece isso.
Aquela cadela... Para encrencá-la, cantarolei rindo:
-Mas eu não sou a única vampira nesta sala, não é mesmo, Rose?
-Claro que não, por favor, senhorita Katherine, não se esqueça de mim. Também sou vampira.
Damon e Stefan a olharam achando graça. Eles sabiam que ela era vampira. E provevelmente Stefan sabia de mim o tempo todo. Ele havia armado para mim! Mas o que ele poderia querer que apenas eu conseguiria lhe oferecer?
-Se não irá acontecer nada no momento, então vamos deixá-la ai e ir para casa, o que achas, Rose? Vamos, irmãozinho?
Stefan olhou uma última vez para mim antes de concordar com a cabeça.
Rose sequer olhou em minha direção, também não aparentou querer sair do aposento escuro, mas mesmo assim ela se levantou e começou a subir por uma escada de pedra.
Stefan e Damon a seguiram, ao chegarem ao fim da escada, fecharam uma porta e o aposento onde eu me encontrava foi tomado pela escuridão e pelo silêncio.
Mais uma vez tentei arrancar as barras de ferro, mas sem ter resultados a não ser mais queimaduras em minhas mãos, causadas pela verbena. Desisti. Sentei em um banquinho (ou seria uma pedra?) da cela e esperei.
Não sabia ao certo o que estava esperando, talvez um milagre quem sabe, mas nada aconteceu. E eu permaneci sentada.
Por fim, cansada de ficar perdida em pensamentos inúteis, levantei e fiz a única coisa que consegui pensar, gritei.
-Socorro! Alguém me tire daqui! Me ajudem, socorro!!!
Devo admitir que senti vergonha por tamanho escândalo, era como se eu fosse uma humana ridiculamente apavorada. Naquele momento, eu parecia tudo, menos uma vampira.
Continuei a gritar por um momento, e aos poucos, o medo foi me invadindo.
De repente a porta começou a se abrir lentamente com um rangido. A luz do sol da tarde entrou, me cegando. Iluminado pelo sol, um homem também entrou no aposento. No começo não o reconheci, mas aos poucos a compreenção do terror que estava a minha frente chegou.
Era meu mordomo. O homem do qual havia prendido no porão de minha casa em chamas. O homem do qual eu havia matado na noite do incêndio.
-Você...
Não pude deixar de cuspir as palavras com raiva, carregadas de um veneno mortal.
-Irônico como a vida é, não é mesmo, senhorita Katherine?
O choque apagara todas as minhas respostas brilhantes ou no mínimo aceitáveis, então ignorei.
-Você deveria estar morto. Eu te matei na noite do incêncio!
-Tem toda razão, senhora. Eu deveria estar morto. Qualquer humano estaria morto. Mas eu não sou humano, e pelo o que pode ver, não estou morto.
-Impossível. Teu coração bate. Tens de ser humano.
-Sabe, para alguém que se diz fazer parte do mundo sobrenatural, a senhorita parece estar muito mal informada. Um coração batendo não significa que o dono de tal coração é um humano. Afinal, como fica os bruxos, lobisomens, anjos, demônios...? Tenho certeza que a senhora já deve ter ouvido algo sobre eles.
-Claro que já, imbecil. Tu és um bruxo?
-Sim, senhora.
Raiva. Tudo o que senti foi pura raiva. Raiva daquele homem inútil que deveria estar morto, e raiva de mim mesmo, por ter me deixado enganar por um truque tão ridiculamente simples.
Tive uma ideia, aquele homem me ajudaria a sair dali.
-Sabe, pensando bem, eu peguei muito pesado com o senhor, mas sem ressentimentos por eu ter tentado te matar, não é mesmo?
-Sem ressentimentos? Mas é claro que sim, senhorita Katherine. Não precisa se preocupar com isso. Mas antes que você tenha de implorar, eu não vou deixá-la sair dai.
A sede me atacou, uma péssima hora para atacar, na minha opinião.
-Vamos lá, seu verme inútil, tire me daqui.
-Acompanhe meus pensamentos, senhorita Katherine. Se eu não te soltaria nem que a senhora fosse doce, meiga e boa comigo, por que iria me convencer sendo grosseira e mal educada?
-Não irás me soltar, não é mesmo?
-É claro que não.
-Maldito seja.
-Mas me diga, senhorita Katherine, uma vez que não aguento segurar minha curiosidade, o que achaste das minhas cartas?
-Mas o qu...
Me interrompi em meio a frase e a verdade veio a tona, me fazendo esfaqueá-lo com minhas palavras cheias de ódio.
-Foi você! Você que me mandou aquelas cartas e bilhetes! Você que roubou os cadáveres de meus assassinatos e os colocou em uma caixa. Seu monstro! Você é pior do que a mim, tu não és um bruxo, é um demônio!
-Sinto muito, minha querida Katherine, mas teremos de discordar. Eu não sou pior do que a ti, com toda certeza você é tão má que não pensaria duas vezes antes de matar um recém nascido, eu precisaria ser mil vezes pior do que sou antes de poder me nomear pior do que a ti, além de que eu nunca matei ou pensei em matar ninguém. E depois que eu sou cem por centor bruxo, se há alguém na sala que pode se chamar por demônio, esse alguém seria a senhora.
Ignorei o monte de porcaria que aquele homem emitia, e o acusei:
-Foi você que deixou Stefan, Damon e Rose contra mim, não é?!
-Hahaha, não me faça rir, querida. Admito que talvez eu tenha dado um empurrão em Rose para ela se virar contra mim, portanto ela estava comigo desde o início, mas Damon e Stefan não foi por minha culpa. Damon foi influenciado por Rose, e Stefan... Bem, Stefan quis se juntar a nós desde que descobriu o plano. Stefan é mau por sua essência, uma mente brilhante a daquele rapaz, isso podes ter certeza, mas que ele é mau, não duvide, pois ele é. Na verdade, ele é muito parecido contigo. Um par perfeito, a única diferença é que ele é humano.
-Sim, ele é. Mas você sabe por que exatamente eles me prenderam aqui?
Controlei minha raiva, eu precisava de respostas, e não seria com ódio que eu ganharia aquele jogo em específico. Na verdade a última coisa que me ajudaria seria o ódio, uma vez que estava presa em uma cela pequena e suja, que com o mísero toque em suas barras de ferro já feriam minha pele.
-Na verdade, senhorita Katherine, foi minha ideia prende-la aqui, eles apenas seguiram o meu plano.
-E por que?
-Porque eu gosto de vê-la presa e sem saída dessa forma. Devo admitir, eu gosto de domá-la.
-Fique quieto, seu verme imbecil.
-Bem, se não se importar, estou de saída. Adeus, senhorita Katherine.
Ele não esperou resposta, mas eu também não pretendia lhe responder. Mas uma coisa que não pude evitar foram suas palavras que ecoaram por meus ouvidos: "Adeus".
Novamente a escuridão tomou conta do aposento. O local era quente, abafado e úmido, eu conseguia ouvir gotas pingando no chão sujo e coberto por uma fina camada de lama suja da chuva.
Pensei em chorar, mas as lágrimas não vieram. Eu não era mais humana, as lágrimas já não me pertenciam.
Deixei me cair no chão imundo, molhando o meu vestido com lama. Isso já não importava mais.
Olhei para a frente, em uma tentativa de enganar a mim mesma que eu conseguiria ver alguma coisa naquela escuridão. Eu não podia ver, mas podia sentir e ouvir.
A sede me controlava, mas não foi o suficiente para me fazer levantar. O desejo por sangue me possuia, mas não havia como realizar aquele desejo nas condições em que me encontrava.
Fiquei um longo tempo parada na escuridão. Não sei dizer se alguma hora eu adormeci, mesmo que fosse apenas um pouco. Também não sei dizer quanto tempo se passou, poderia ser segundos, horas, anos ou até séculos. Para mim não fazia grande diferença.
Eu poderia dizer que estava com a sensação de imenso vazio, mas não seria a verdade. Eu não estava vazia. Na verdade, estava tudo, menos vazia. Estava repleta de ódio, sede e de um desejo incontrolável. Eu tinha apenas algumas certezas. Eu mataria o mordomo, e desta vez faria serviço completo. Também mataria toda a minha sede por sangue. E mataria meu incontrolável e intenso desejo de ter Stefan só para mim. Sim, ele era mau, mas e dai, eu também era.
A porta do aposento novamente se abriu, me distraindo de meus pensamentos vingativos e maliciosos.
Era Stefan. Ele trazia consigo uma garrafinha com um líquido vermelho escuro que me chamou atenção. Todos os membros de meu corpo despertaram e voltaram a ação. O líquido contido na garrafinha era sangue.
Stefan jogou a garrafa na minha direção e se apoiou nas paredes, me observando.
Levei o bico da garrafa a boca e deixei que o sangue escorresse para minha garganta, provocando me uma sensação de renovação e prazer. Antes que me desse conta a garrafa já estava vazia.
Amassei-a e jogando a garrafa no chão, longe de mim, olhei para Stefan, que permanecia parado. Por fim cortei o silêncio.
-Você me usou.
-Não diga como se fosse uma decepção, você gosta de ser usada.
Meu rosto era uma máscara séria e indiferente, que escondia um sorriso incontrolável e divertido. Algo dentro de mim gritou "sim, sim! Eu gosto de ser usada! Por favor, Stefan, me use! Faça de mim o que você quiser!", mas consegui controlar essa voz.
Como eu não soube responder, apenas estendi o assunto.
-Você me levou para a cama, e me iludiu. Era tudo mentira.
-Sim. Mas não se faça de coitadinha, você adorou. Só não quer admitir.
Ele falou com frieza e graça. Diferente de mim, Stefan não tentava esconder o sorriso estampado em seu rosto magro e perfeito.
Olhei para ele desafiadoramente. Mas a sede voltou a queimar minha garganta e fui obrigada a perguntar:
-Tem mais sangue?
-Tem.
Esperei um tempo, mas ele nem fez mensão de pegar mais.
-E então... Onde está?
-Onde está o que?
-O sangue!
-Eu disse que tinha mais sangue e não que eu iria te dar mais.
-Idiota.
Stefan riu, deu meia volta e saiu do aposento. Mas desta vez ele não fechou a porta corretamente, permitindo que um filete de sol intruso alcançasse minha cela.
Aproveitei para tentar escutar algum barulho do lado de fora e tentar descobrir minha localização ao certo. Se não estou enganada, eu estava dentro ou próximo da floresta, talvez no porão de uma casinha...
Me lembrei de repente de quando eu e Stefan havíamos vindo a floresta, antes de irmos para a cama, quando tivemos nosso primeiro beijo e Stefan impediu. Como eu não pensara isso antes?! Eu estava dentro da igrejinha, acho que no subsolo!
Concentrei me mais profundamente no barulho de fora. E logo percebi que em meio aos pássaros e animais havia os passos de alguém no chão enlameado da floresta. Uma pessoa se aproximava. Pensei em gritar e pedir ajuda, mas não era preciso. A pessoa caminhava determinada em minha direção, ela sabia onde eu estava, e se aproximava com rapidez e um sentimento de fúria no coração.
Quem quer que fosse se aproximava rapidamente, e em cerca de segundos eu já conseguia ouvir seus passos no piso de madeira da igreja. Parecia que ela andava em cima de mim.
Os passos silenciaram, mas era possível deduzir que a pessoa descia as escadas de pedra.
O corpo ainda sem rosto tampou o sol, o que lhe dava uma impressão sobrenatural.
Por fim, acabando com o mistério, a pessoa ganhou uma forma física humana e reconhecível.
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