Flames Of Death

1 Capítulo 1 O incêndio


Olhei pela janela de meu quarto o gramado que se estendia por toda a propriedade pertencente a minha família. Como eu odiava aquele lugar...

O mordomo de minha família entrou em meu quarto chamando por meu nome:

-Katherine? Ah, desculpe, senhora, mas sua mãe espera por ti na sala de jantar, e por favor, não demore, ela tem pressa.

-Fale a ela que venha aqui se deseja falar comigo, agora saia de meu quarto.

O mordomo saiu apressado, sem falar sequer mais uma palavra. Dei uma última olhada pela janela antes de fechar as cortinas e sentei-me no canto de minha cama, esperando a mulher que me chamava de filha e que, por obrigação, eu deveria chamar de mãe.

Ouvi os passos vindo da escada, a madeira velha rangia com o peso.

-Katherine, filha, da próxima vez que eu mandar você vir falar comigo, você vem! Entendido?

Ela começou a frase controladamente, mas no fim, ela passou do tom entediante e controlado para um rosnado.

-Não quero falar contigo, muito menos te ver; saia daqui, estou cansada e desejo dormir.

-Enquanto você estiver na minha casa, eu dito as ordens.

-Certo, é o que veremos. Bem, se insiste, fale o que veio falar e depois vá embora.

-Amanhã bem cedo quero você de pé, os integrantes do grupo de seu pai vem aqui, e quero que seja educada e gentil, quem sabe ainda conseguimos um bom marido para ti.

-Aqueles idiotas ainda acham que é um vampiro que tem atacado a vila?

Ela me olhou e pensou bem antes de responder, e por fim sussurrou com firmeza e autoridade:

-Amanhã bem cedo, esteja acordada.

E saiu, batendo a porta atrás de si. Sem que ela ouvisse, sussurrei para a porta fechada.

-Claro, mas talvez o dia de amanhã não exista para você.

***

Quando o relógio deu meia noite, levantei de minha cama, vesti meu vestido preferido, peguei meu chapéu, e comecei a arrumar minhas coisas dentro de uma grande mala que peguei escondida do quarto de meus pais. Lá coloquei todas as minhas roupas, sapatos, joias, perfumes e objetos pessoais.

Joguei a mala pela janela de meu quarto, onde aterrisou em um pequeno canteiro de flores, sem fazer ruído.

Silenciosamente, sai de meu quarto e desci as escadas, tendo todo o cuidado de ver aonde pisava para que as madeiras não estalassem.

Peguei dois gravetos que havia escondido mais cedo dentro de um vaso, roubei o Whisky preferido de meu pai e corri para o porão. Para a minha infelicidade, acabei acordando o mordomo, e este me seguiu até o porão.

-Senhorita Katherine, o que faz acordada tão tarde?

-Nada, volte a dormir, você não tem nada que fazer aqui.

Ele não respondeu, apenas ficou parado me observando. Pensei o que faria com ele, mas logo bolei um plano e comecei a ignora-lo, continuando o que tinha ido fazer.

Posicionei os dois gravetos sobre um pouco de palha e esfreguei rapidamente um no outro, fazendo com que saisse algumas faíscas e botando fogo na palha.

-Senhora! Não faça isso! Pode acontecer um acidente!

-E é exatamente isso que quero, meu caro mordomo.

Ele me olhou apavorado, mas quando começava a virar para sair do porão e ir avisar minha família eu logo lhe disse:

-Saia desse porão e antes que possa piscar estará morto.

Não parei para olhar sua reação, mas estava consciente que ele hesitava, e que resolveu continuar parado me observando.

Abri o Whisky, bebi alguns goles e comecei a jogar para todo lado a bebida, deixando que caísse um pouco sob a palha em fogo. Como esperava, o fogo começou a avançar por onde eu jogara a bebida.

Com o tempo, as chamas ocuparam as paredes e quase todo o chão feito de madeira.

-A senhora enlouqueceu!

Olhei para ele e, antes que ele pudesse entender o que acontecia, corri para a porta do porão e sai, trancando-a. Pude ouvir as batidas desesperadas do mordomo.

-Por favor, me deixe sair! Não quero morrer! Me deixe sair!

Sussurei pela fechadura para que só o mordomo ouvisse.

-Fique quieto, vai acordar a todos.

-Vadia!!! Me deixe sair! Abra a porta! Sua vadia horrorosa!

-Nos vemos no inferno, hahahahaha.

Falei rindo para o homem desesperado. Sai correndo quando as chamas começaram a invadir a sala, após já terem engolido todo o porão.

Rapidamente, sai pelas portas do fundo, peguei minha mala, que tinha jogado da janela de meu quarto e fugi.Corri o mais rápido que podia, e tenho certeza que alcancei uma velocidade que nenhum humano poderia alcançar.

Uma última vez olhei para minha casa, que já estava longe. Esta já não tinha mais salvação, as chamas já haviam chegado nos andares superiores, e agora eu podia ouvir os gritos dos servos, mordomos, empregadas e, principalmente, de minha família.

Com dificuldade, avancei com a mala enorme e abarrotada pelo chão de terra molhado pela chuva, que por sorte, havia parado.