Flames Of Death

9 Capítulo 9 Propriedade Salvatore


Depois de vomitar praticamente a própria alma, Lexi se voltou para mim. Outroramente o máximo de emoção que ela havia me mostrado fora ódio, mas agora era algo pior. Em seu rosto estava estampado fúria, desespero, ela ansiava de forma assustadora por vingança.

Pude ouvir seu coração, ele não batia mais da forma comum, ele seguia um ritmo frenético, que me lembrava de uma sensação estranha que senti uma vez que era humana. Ah sim, a necessidade da maldade, da mais terrível vingança, do mais horroroso temor. Lexi passara da raiva por mim para algo muito pior, algo que estava além de sua humanidade. Além da humanidade de qualquer um.

Ainda de forma controlada ela conseguiu dizer.

-Sai daqui. Vá embora.

Não me mexi, não disse uma palavra sequer, apenas a observei com irônia no olhar.

Desta vez Lexi não suportou, ela gritou, rosnando de uma forma assustadora, sua voz estava grossa e ameaçadora, ela lembrava uma cobra se preparando para atacar a presa, parecia um lobo faminto.

-Eu mandei sair daqui, sua cachorra! Volte para o inferno, que é de onde você veio! Morra!!!!

E para dar um ênfase na frase, ela arremessou um vaso antigo em minha direção, e como eu me abaixei a tempo, este explodiu na parede logo atrás de mim, exatamente onde estaria a minha cabeça se não fosse os meus ótimos reflexos.

Corri para fora antes que aquela louca jogasse mais alguma coisa. Virei-me para a casa e gritei para que ela ouvisse:

-Sua lunática! Você deveria ir para o hospício! Doida varrida....

E sem esperar resposta, sai logo dali, o mais longe que consegui ir daquela casa de loucos, e acabei entrando na floresta.

Me toquei que havia esquecido minha mala na casa de Lexi, mas por nada nesse mundo eu voltaria lá naquele momento. Deixaria para voltar lá quando fosse matar Lexi.

Ignorando tudo o que eu havia aprendido até aquele momento, me sentei no chão sem me importar com o vestido que sujava ou os sapatos enlameados.

Pensei por um tempo no que iria fazer a seguir. Onde Stefan disse que morava mesmo? Não conseguia me lembrar.

Caminhei até a estrada e esperei. A primeira pessoa que passou foi um homem com a filha em cima de um cavalo branco como a neve. Parei-os.

-O senhor saberia me dizer onde fica a propriedade do Sr. Salvatore?

-A propriedade Salvatore? É a maior propriedade da região, fica logo após a estrada, um pouco além na floresta.

-Agradeço-lhe a informação...

Murmurei baixinho, olhando para onde ele havia indicado.

-Se quiser, senhorita, eu te levo até lá.

-Mas papai...

Começou a garotinha, mas o pai logo calou-a.

-Quieta, Jaqueline! E então, a senhorita aceita o meu convite?

-Certamente. Novamento lhe agradeço.

Falei antes de subir no cavalo, tendo ajuda do homem e de sua filha Jaqueline.

Durante todo o trajeto a garotinha ficou me encarando com curiosidade e, sabe se lá porque, raiva.

Por fim o homem parou no meio da estrada, ainda sem nenhuma casa a vista.

-A propriedade é logo em frente, senhorita. Uns poucos metros além da floresta, fácil de se achar.

Olhei desanimada para o monte de mato a minha frente, mas um pouco além eu consegui enxergar um caminho de terra, o que me encorajou a entrar.

E sem nem mais uma palavra de agradecimento ou de adeus, eu adentrei pela floresta fechada. E como o homem disse, a propriedade Salvatore era muito fácil de se achar. Admito que fiquei impressionada com a grandeza e com a riqueza do local. Ao longe havia uma casa enorme, cheia de janelas. A casa havia dois andares mais o telhado e provavelmente o porão que estava submerso na terra. Se não estou enganada, chegava a ser maior que a minha antiga propriedade.

Pendurada no portão havia uma placa de madeira, com os seguintes dizeres entalhados:

"Propriedade dos Salvatores.


Pode entrar, mas isso não significa que irá sair."


Fiquei impressionada com a ousadia da família em colocar uma ameaça para aqueles que se aproximavam.

Avancei pelo caminho de terra, sem desgrudar os olhos da gigante mansão a minha frente.

Estava impressionada; eu que havia passado toda a minha vida em meio a nobreza, a riqueza e a extravagância, logo eu, estava impressionada com tudo aquilo.

Longos campos se estendiam em volta da casa, e eu tentava atravessá-los para chegar na porta, mas admito que estava tendo algumas dificuldades. Era muito longe.

Quando finalmente alcancei o casarão, subi lentamente os degraus que levavam até a grande porta de madeira escura.

Hesitei. Deveria eu bater? E se Stefan não estivesse ali, o que faria?

Mas mesmo assim bati. Um homem alto com bigode atendeu a porta. Vestia roupas caras e impressionantes. Ele me olhou com desprezo, me observando desde meu cabelo bem penteado até o meu vestido um tanto sujo de lama da estrada.

-Quem é a senhora?

No começo apenas o observei, um tanto assustada com o controle e o poder que aquele homem exercia. Mas logo me apressei em responder, ele não parecia o tipo de homem que tem muita paciência com as outras pessoas que aparentam ser inferiores a ele, mesmo eu não sendo inferior a ninguém.

-Katherine, senhor. Katherine Pierce.

-E em que posso ajudá-la, senhorita Pierce?

-Ahh... Estou a procura de Stefan, senhor. Ele se encontra disponível no momento?

-Sim. Espere aqui.

Ele se voltou para dentro da casa, me deixando plantada ali na frente da porta. Um pouco depois Stefan apareceu.

-Katherine? O que faz aqui?!

Ele perguntou com urgencia, olhando para trás um tanto assustado.

-Preciso de sua ajuda, Stefan.

Antes de responder, Stefan olhou mais uma vez para trás e fechou a porta; ficamos os dois para fora da casa.

-O que houve?

-Eu e Lexi tivemos um pequeno desentendimento...

Stefan mais uma vez olhou para trás, desta vez em direção a janela mais próxima, que estava aberta.

-Calma, Katherine. Caminhe comigo, certo?

-Claro, mas há algum problema?

-Não é nada. Venha.

E ele saiu andando, sem olhar para trás. Sem conseguir conter a minha curiosidade, antes de segui-lo, espiei para dentro da janela aberta. Havia alguém lá, nos observando. Não alguém, alguma coisa.

Me aproximei de Stefan e murmurei em seu ouvido, para que apenas ele ouvisse:

-Stefan, tem alguma coisa nos observando.

Ele nada respondeu, apenas agarrou meu braço e apressou o passo, me puxando.

Quando estávamos consideravelmente longe da casa ele finalmente se virou para mim.

-O que houve entre você e Lexi, Katherine? Você contou para ela? Eu pedi para não contar!

-Calma! Eu não contei nada, mas acho que ela já sabia, não sei ao certo... mas ela estava brava comigo, e eu não aceito grosseria para cima de mim!

-Eu sei, eu sei... Será que ela ouviu a gente? Quero dizer, ela estava bem no quarto ao lado.

-É, pode ter sido, mas de qualquer forma agora ela me expulsou da casa e não tenho onde ficar...

Falei com cara de pedinte, esperando que Stefan entendesse minha indireta de primeira.

-Droga, eu sabia que não devíamos ter feito aquilo, coisa boa é que não ia dar!

Me aproximei, ficando a centímetros dele, brincando com a fechadura da calça de Stefan, e sussurrei em seu ouvido com doçura:

-Mas admita, você gostou.

Stefan sorriu para mim achando graça, e me puxou pela cintura para mais perto de seu corpo, beijando me a boca. Escorregou um tanto e começou a me beijar o pescoço.

Aquilo era maravilhoso e extremamente prazeroso, até mesmo excitante.

Ele murmurou baixinho em meu ouvido:

-É claro que eu gostei, minha deusa.

Ele me afastou, observando meu rosto, agora com a expressão séria.

-Lexi te expulsou mesmo de casa, Katherine?

Olhei para ele, estava começando a ficar confusa, em um segundo ele está no maior clima me beijando e coisa e tal, e no segundo seguinte ele está sério de novo.

Agarrei seu cabelo e antes de beijar aquela boca perfeita, respondi:

-Exatamente, mas isso não importa no momento. Eu poderei ficar aqui certo?

Enquanto nos beijávamos pude senti-lo concordar com a cabeça.

De uma coisa estava certa, Stefan era diferente de qualquer homem que eu já havia conhecido. Ele me beijava como se estivesse faminto; me tocava com um controle absurdo, como se a qualquer momento de fraqueza ele pudesse me jogar no chão e rasgar minhas roupas; na cama ele era cuidadoso e romântico, mas de certa forma também era selvagem; e ele era mistérioso, como se guardasse segredos obscuros e tenebrosos; e mesmo sem perceber, até quando parado, ele mantinha a pose sensual. Ele era simplesmente... incrível e perfeito.

Novamente ele me afastou.

-Quer conhecer a casa, Katherine?

-Eu quero é conhecer seu quarto.

Ele riu, pegando minha mão e fomos andando calmamente, voltando para a mansão.

Subimos os degraus da entrada silenciosamente, e ao abrir a porta, esta rangeu. Stefan me guiou para dentro da casa. Era impressionante.

O teto era absurdamente alto, a decoração era antiga. Mas o que mais me chamou atenção é que a casa era composta de cores escuras e sombrias, era como se os moradores se escondessem da luz, pensando assim, isso me era familiar e até um tanto irônico.

Quando já estávamos no pé da escada, alguém falou com Stefan:

-E quem é essa, irmãozinho?

Stefan se virou rapidamente e respondeu indiferente:

-Não sabia que estava em casa, Damon.

-Resolvi vir para cá com Rose.

Stefan não respondeu.

Olhei Damon dos pés a cabeça, ele era quase tão lindo quanto Stefan. A perfeição era um dom que perseguia essa família....

Damon tinha cabelos castanho bem escuros, e seus olhos eram de um azul profundo. Ele não era tão forte quanto o irmão, mas carregava no rosto um sorriso irônico e sexy.

Foi quando a tal Rose que ele havia comentado resolveu aparecer na sala, ela me chamou atenção. Não por ser bonita e exótica, e nem por estar praticamente nua, vestindo apenas a camisa de Damon, mas pelo simples fato de seu coração não bater, pelo fato de ela não ser humana.

Notas finais
Desculpe a demora para postar, espero que gostem ;)