Flames Of Death
6 Capítulo 6 A caixa
Lentamente, um tanto assustado com a agressividade da criatura ao bater na porta, Stefan se levou e andou em direção da porta.
Fui me levantando, com medo do que estava por trás da antiga porta de madeira. Tive certeza de que era a criatura da floresta, que roubara os cadáveres e me entregara a carta.
A sombra por trás da porta a ocupava por inteira. Pude ouvir o coração de Stefan e de Lexi acelerarem. E me peguei pensando com dó em Stefan, por que ele que iria abrir a porta? Provavelmente a criatura o mataria sem hesitar, e se alguém tivesse que morrer naquela sala, esse alguém era Lexi.
Stefan abriu a porta com cuidado, se preparando para o que estava por vir. Ele poderia ser humano e não fazer ideia do que estava por trás da porta, mas era esperto o bastante para saber que se não fosse rápido e cuidadoso, provavelmente morreria.
Após abrir a porta, suspirou aliviado. Não havia ninguém ali, nenhuma criatura assustadora e aniquiladora. Apenas uma caixa. Mas não era qualquer caixa, era uma caixa grande, toda de madeira e muito pesada.
Stefab correu para a cozinha e pegou uma faca. Voltou para a porta e começou o trabalho de abrir a caixa.
Quando ele conseguiu abri-la, um cheiro podre de carne estragada invadiu o local, fazendo com que Lexi saisse correndo para vomitar no banheiro.
O cheiro de carne podre não se dissipou, e junto com aquele cheiro horrível e enjoativo, também pude sentir o cheiro doce de sangue.
A sede arranhou minha garganta, mas a última coisa que consegui pensar foi em sangue fresco, se o cheiro de carne humana podre continuasse, eu teria de fazer o mesmo que Lexi, logo correria para vomitar no banheiro.
Mas a curiosidade me venceu, me aproximei da caixa e de Stefan, mas quando olhei para a cara de Stefan, percebi que havia alguma coisa muito errada. Ele estava paralisado, com expressão de puro pavor. Espiei para dentro da caixa, e todo o medo que eu estava sentindo até agora não parecia nada em comparação com o pavor que me encheu. Dentro da caixa estava os corpos dos homens que havia matado na floresta, e também havia um bilhete todo sujo de sangue. Apanhei o bilhete antes que Stefan ou Lexi pudessem perceber e sai correndo.
Ninguém tentou me impedir, na verdade, aquele era um comportamento muito aceitável, levando em conta a situação.
Cai no pé de uma árvore, longe de todos, e li o bilhete. Tive um tanto de dificuldade em identificar algumas palavras, uma vez que estas estavam indecifráveis por causa do sangue.
Mas, pelo o que consegui entender, estava escrito algo como:
"uma vez suja de sangue inocente, sempre marcada com o mesmo sangue estará. Cuidado com seus atos, vadia. Eu sei de tudo. Eu vejo tudo."
E, naquele mesmo momento, percebi que eu cometera um erro terrível naquela noite do incendio. Eu não me certificara se alguém estava observando.
Não importava o quanto eu queimasse e enterrasse as provas, antes de me preocupar com os objetos que serviam de provas, eu teria de matar as provas vivas, o único problema é que eu não sabia quem eram tais provas vivas.
Me recusei a voltar para a casa de Lexi, não sei dizer se foi por teimosia ou por medo, mas decidi que só iria voltar mais tarde.
Deitei-me sobre a grama, e fechei os olhos, agradecendo pela sombra da árvore que impedia o sol de me alcançar, desde que eu era humana, nunca gostei do sol.
Fechei os olhos pelo o que me pareceu alguns segundos, mas quando acordei de meu sono profundo o céu já estava escuro, nenhum humano conseguiria ver alguma coisa em tamanha escuridão, mas por sorte não era meu caso.
Ao longe, consegui ver uma luz que se aproximava. Apurei os ouvidos e escutei Lexi e Stefan gritando por meu nome, andando meio desnorteados pela propriedade, graças a escuridão. Eles estavam praticamente implorando para que alguma criatura da floresta os atacasse.
Devo admitir que até eu me senti tentada em atacá-los.
Agora mais próximos, Stefan conseguiu me ver com a luz fraca da vela.
-Katherine, é você?
Lexi ainda olhava para o lado errado. Sem chamá-la, Stefan se aproximou de mim cauteloso, ainda não havia se decidido se realmente era eu.
-Claro que sou eu, idiota.
Falei friamente sem saber direito o porque. Mas o que mais me surpreendeu foi a reação de Stefan. Ao invés de se ofender com meu comentário desnecessário, ele se ajoelhou no chão ao meu lado e me abraçou.
-Aonde você esteve? Eu e Lexi te procuramos por toda parte, desde de manhã, você sumiu depois de ver a caixa!
Ele não se afastou, e admito que preferi assim. Stefan tinha um cheiro gostoso, não consegui decifrar muito bem do que.
Ele tremia de frio e, pelo o que consegui captar, medo. Ao resolver não voltar para a casa, me esqueci de alguns detalhes, como o que Stefan e Lexi pensariam. Imagino o quanto ficaram preocupados de eu sumir logo após encontrarmos cadáveres dentro de uma caixa na nossa porta. Tenho certeza que muito mais do que Lexi desaparecesse, que é exatamente o que ela fará em breve..... eu só gostaria de me vingar antes de matá-la.
Stefan nem sequer ameaçou me soltar, na verdade, ele parecia muito feliz em me ter nos braços, mas quando Lexi se aproximou, ele me largou mais rápido do que a luz. Coisa que intensificou mais ainda minha raiva por Lexi.
-Vamos, Lexi e Katherine, melhor voltarmos para a casa, não gosto nada de ficar perto dessa floresta depois do anoitecer.
Lexi, ainda meio triste e assustada, olhou para Stefan, os olhos preenchidos de lágrimas.
-Não. Tenho medo de voltar para lá, e se ficarmos apenas eu e Katherine, como nos defenderemos caso algo acontecer?
A única coisa que poderia acontecer seria se eu perdesse o controle e a matasse, pensei mesmo sabendo que coisas muito ruins poderiam acontecer.
Mas como ninguém falou nada, Lexi continuou:
-Stefan, você não poderia dormir lá em casa hoje?
Ela perguntou com a maior inocencia, mas eu sabia muito bem as intenções daquela idiota safada.
-Lexi, você sabe que não posso, meu pai me mataria.
-Pensei que ele estava viajando....
-Ele já voltou.
-Mas, Stefan, tenho medo!
Stefan pensou um pouco, olhando de mim para Lexi, suspirou fundo e se rendeu.
-Bem, uma noite não faz mal a ninguém, acho que não terá problema algum...
Lexi sorriu para ele, mal sabia ela que esta noite Stefan ficaria comigo e não com ela, daria um jeito de isso acontecer.
Eu, Lexi e Stefan voltamos lentamente para a casa, em silêncio.
Quando chegamos, já era tarde, então Lexi mostrou um quarto para Stefan e foi para o seu.
Esperei, e depois de um tempo, bati de leve na porte de onde Stefan estava, sem esperar resposta, entrei no quarto.
-Stefan?
Perguntei com voz inocente.
No escuro, consegui ver a sombra, que era Stefan, se sentar, ainda embaixo das cobertas. E, meio grogue, respondeu:
-Hã?
-Sou eu, Katherine.
-Ah, oi. Posso ajudá-la?
-Estou com medo, posso ficar aqui essa noite?
Para me ajudar, um raio riscou o céu negro, acompanhado de um trovão, e começou a chover forte.
Stefan olhou para fora e, sem responder, abriu espaço para mim nas cobertas.
Sem conseguir controlar meu sorriso, entrei lá embaixo, enroscando minhas pernas nas deles. Stefan deitou novamente e voltou ao seu estado de quase dormir.
Ouvi a porta se abrir, era Lexi. Ela havia tido a mesma ideia do que eu, mas desta vez sai ganhando.
Ao me ver na cama dele, pertinho de Stefan, Lexi fechou a porta e correu para seu quarto, pude ouvir ela choramingando de lá. Por sorte, Stefan não ouvira, ele já havia caído no sono.
Minha vingança com Lexi acabara de começar.
Stefan, inconsciente no sono, se virou e me abraçou, passando a perna por cima de mim.
Sorri, finalmente acontecera algo da forma que queria.
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