Flames Of Death

4 Capítulo 4 A carta


Voltei para a casa sem que ninguém percebesse, se me vissem, com toda certeza desconfiariam, uma vez que novamente eu estava toda suja de sangue.

O problema que mais me incomodava naquele momento era que, apesar de eu ter sugado cada gota do sangue daquele homem, feito ele praticamente murchar, totalmente seco, eu ainda estava sedenta. Não deveria ser assim. Na verdade, eu sabia exatamente o que eu queria. A única coisa que satisfaria minha sede era o sangue de Stefan. Mas não queria mata-lo, afinal, porque desperdiçar uma coisa tão maravilhosa. Para que usa-lo para satisfazer minha sede, quando eu queria era usa-lo para outras coisas?

Aquele homem certamente estava me enlouquecendo. Com seus músculos enormes, seu olhar belamente esverdeado e seus cabelos castanho claro rebeldes.

Nem que eu tivesse tomado uma poção para me apaixonar por ele meu desejo seria tão enorme e intenso.

Eu o desejava, desejava seu sangue, seu corpo. Queria ele na minha cama. Queria ele só para mim.

Me tranquei em meu quarto e sentei na cama, com as mãos na cabeça. Respirando fundo, levantei-me e fui até o espelho.

Me observei da cabeça aos pés. Aquela não parecia eu. Meus delicados sapatos estavam enlameados, havia algumas folhas presas em meu vestido, e este estava sujo de sangue. Meu cabelo caia desordenado em minhas costas, e minha boca carregava um batom vermelho e poderoso. Não, não era batom, era sangue mesmo.

Desesperada com a imagem que via, quebrei o espelho. Olhei em volta para ver se alguém viria se certificar o que fora aquele barulho, mas ninguém veio.

Fui para o banheiro e me lavei, coloquei meu melhor vestido, troquei as joias, e pentiei os cabelos com paciência. E por fim, deitei na cama por cima dos grossos cobertores, apenas para descansar um pouco.

Alguém passou por trás da porta e jogou por baixo dela um papel de carta. Prestei atenção para ver quem era, com o profundo e idiota desejo de que fosse Stefan. Mas para a minha surpresa, o coração dessa pessoa não batia. Isso me chamou atenção o suficiente para me levantar da cama e ir ver quem era. Abri a porta de meu quarto, mas não tinha ninguém ali, tanto o andar de cima quanto o debaixo estavam vazios, eu estava sozinha na casa.

Corri para a janela e espiei por ela, cheguei a tempo de ver ao longe, entrando na floresta, a criatura que eu encontrara na madrugada anterior. A criatura que havia roubado os cadáveres dos homens que havia matado na estrada. Fora aquela criatura que deixara a carta! E pelo jeito era uma criatura muito rápida...

Peguei a carta do chão, sentei na cama, e abri. As palavras que nela continham me provocaram uma sensação que a muito eu não sentia: medo.

Estava escrito o seguinte:

"Eu sei quem é você,

eu sei o que você fez,

você está nas minhas mãos, vadia"

Tremendo, deixei a carta escorregar das minhas mãos, de certa forma, eu sabia que a carta se referia ao incêndio e a eu ter matado minha família e criados. Mas como? Eu havia matado o único que sabia que eu era a culpada. O meu mordomo era o único que sabia que eu ainda estava viva. E eu o matei! Matei meu mordomo e destrui tudo o que pudesse provar que eu ainda estava viva, então quem poderia saber a verdade? Todos os que me conheciam estavam mortos.

Sai correndo em direção a floresta com objetivo de achar aquela criatura, mas antes de conseguir sequer chegar nas árvores, deparei-me com Stefan.

-Katherine! O que faz aqui?

-Nada!

Falei da mesma forma que uma criança fala quando tenta mentir aos pais quando estes perguntam o que estão aprontando.

Odiando a mim mesma, tentei reparar meu erro.

-Quero dizer, nada de mais, só andando pelas redondezas. E você?

-Também nada.

Senti que ele estava escondendo alguma coisa de mim, mas deixei passar.

-Hã, Stefan? Você mora aqui?

-Não.

Ele corou ao dizer isso, mas rapidamente se controlou, e tornou a falar.

-Moro logo após a floresta, mas vai perceber que eu passo mais tempo aqui do que em minha própria casa.

-Por que?

-Não sei.... gosto daqui.

Sorri ao ver a oportunidade perfeita.

-Então você poderia me levar para conhecer as redondezas.

-Claro! Mas onde exatamente você deseja conhecer?

Respondeu ele surpreso, não devia ser todo dia que alguém lhe pedia para ser guia. Mas era ótimo para mim ele ter aceitado. Assim poderíamos passar mais tempo juntos, além de provocar inveja em Lexi.

-Aonde você quiser.

-Bem, tem uma igreja aqui perto, na floresta. Se quiser....

-Sim! Seria perfeito!

Com esse papo de entrar na floresta ele me lembrou da carta de "intimidação" que eu recebera mais cedo, e o medo voltou à tona. Sem demonstrar o que eu verdadeiramente sentia, sorri para Stefan e comecei a andar em direção a floresta. Ele me acompanhou, um pouco atrás de mim.

-Você é o guia, Stefan, não deveria andar na frente?

Perguntei rindo de leve, jogando todo o meu encanto nele.

-Claro, senhora, estou indo.

Falou ele, abaixando um pouco a cabeça, com um sorriso bobo no rosto.

-Por favor, me chame de Katherine.

-Certo, senh.... Katherine.

Sorri para ele, mas na verdade queria mesmo era chorar. Estava com medo, e se a criatura da floresta me achasse e tentasse me matar, ou coisa pior?

Fomos andando em silêncio, um do lado do outro, até a igrejinha. Era bem no meio da floresta, e o tempo todo eu olhava para trás, me certificando se a criatura não nos seguia. Stefan chegou a me perguntar se eu estava bem umas quatro vezes.

A tal igrejinha era pequena, com algumas janelas cheias de vidros coloridos, alguns bancos de madeira e um santo no fim da igreja. A construção em si não era nada de mais, na verdade, era bem velha, e dava a impressão de que iria desabar a qualquer momento.

Stefan e eu sentamos em um banco de madeira; Stefan juntou as mãos, abaixou a cabeça, fechou os olhos e começou a sussurrar uma oração rápida. Ao invés de imitá-lo, observei-o.

Quando ele terminou, olhou para mim, e pareceu meio incomodado ao ver que eu observava-o.

-Não vai orar?

-Não vou pedir perdão a nada.

-Achas que não tem nada a ser pedoado?

-É claro que tem muita coisa a ser perdoada que já fiz, a diferença é que não vou gastar meu tempo pedindo um perdão do qual não mereço receber, e sei que não vou ganhar.

-É tão ruim assim?

-Você nem imagina.

Sussurrei me aproximando dele, cada vez mais perto daquela boca carnuda, rosada e extremamente atraente. Para a minha sorte, Stefan não recuou, e sim se aproximou de leve.

Quando nossas bocas se tocaram, senti como se nada mais no mundo importasse, eu poderia ficar beijando-o ali para sempre.

Joguei o peso de meu corpo contra o dele, fazendo com que deitássemos no banco. Escorreguei minha mão para dentro de sua camisa.

Mas Stefan me afastou, olhando para mim com seriedade.

-Desculpe, mas não vai dar, Katherine.

Levantei-me totalmente envergonhada. Ele acabara de fazer uma coisa que não perdoo, me humilhara. Mas mesmo sendo humilhada, eu ainda sentia algo muito forte por ele. Ou era ódio, ou, que minha raça me perdoe, amor.

Tremendo de humilhação, perguntei com a voz fraca:

-Por que?

-Venha. Katherine, está ficando tarde, melhor irmos para casa, tenho certeza que você não quer ver o tipo de criaturas que habitam essa floresta de noite.

Esquecendo-me totalmente da humilhação, da raiva e do amor, me interessei pelo o que ele disse. Será que a criatura que havia visto mais cedo era uma dessas criaturas noturnas que habitavam a floresta?

-Verdade, vamos voltar. E... Stefan?

-O que?

-Desculpe.

Ele não respondeu, apenas saiu da igreja e começou a fazer o caminho de volta.

Eu ainda o teria, de uma forma ou de outra. Agora eu sabia exatamente o problema, um vez que, sem ter a intenção eu entrara na mente dele e lera seus pensamentos. Stefan era apaixonado por Lexi, e ele jamais seria meu enquanto ela vivesse.