Flames Of Death

2 Capítulo 2 a estrada


Com raiva fui puxando a mala que era quase maior do que eu. Admito que sou bem mais forte do que aparento, mais rápida e com certeza, mais esperta, mas eu estava no meu limite. Meu vestido estava sujo de lama, meu chapéu já havia se perdido pelo caminho e eu estava completamente molhada e muito cansada.

A algum tempo eu havia parado de ouvir os gritos vindo de minha antiga mansão, que já deveria estar destruída pelo fogo.

Enquanto eu incendiava tudo o que tinha e matava o único que sabia que havia sido eu a começar o incêndio, eu esquecera de um pequeno detalhe: e depois? Para onde eu iria? Não tinha nenhum objetivo em mente, e não poderia aparecer na casa de algum conhecido, queria que pensassem que morri no incêndio junto aos outros.

Olhei de um lado para o outro da estrada deserta, esta parecia ser infinita. Dava a impressão que não importa o quanto eu andasse, corressem ou rastejasse, nunca chegaria em lugar algum.

E a floresta que beirava a estrada também não ajudava muito, dela saia alguns barulhos esquisitos, além de que era muito escura para se ver qualquer coisa. Às vezes, quando olhava fixamente para a escuridão da floresta, parecia que um par de olhos brilhantes e vermelhos apareciam, era como se eu estivesse sendo observada por uma criatura maligna.

E, só para piorar tudo, uma sede intensa me consumia, arranhava minha garganta e secava minha boca.

Mas não era uma sede comum, não. Não era sede de água, era sede de sangue. Tive certeza de que se visse um humano naquele momento, eu arrancaria sua cabeça e sugaria cada gota do líquido maravilhosamente vermelho de dentro de seu corpo. Pensar nisso não ajudava em nada naquele momento.

Ao longe ouvi o som dos cascos de cavalos pelo chão enlameado, também ouvi dois corações batendo forte, com o sangue pulsando pelas veias dos humanos que se aproximavam. Não tive dúvidas, me escondi atrás das árvores mais próximas da estrada e esperei. Quando os cavalos vinham se aproximando, corri para o meio da estrada, fazendo com que os homens puxassem bruscamente as rédeas de seus cavalos.

-Mas o que?

-O que pensa que esta fazendo, senhora?! E o que uma jovem tão bonita como tu está fazendo a esta hora no meio da estrada?

Fazendo a minha voz mais doce e inocente que consegui, respondi:

-Senhores, por favor, me ajudem. Tem um homem muito cruel que está me perseguindo nessa floresta, lhes imploro, matem-no!

-Eu o matarei, senhora. Ei, você, fique aqui e cuide dos cavalos!

O homem se decidiu, enxendo o peito de coragem, e ordenando ao amigo que esperasse.

-Venha, lhe mostrarei onde ele está.

Fui guiando o homem até estarmos longe o suficiente do amigo.

-E então, senhora, cade esse homem do qual você se refere com tanto medo?

-Ele deve estar logo ali na frente, siga reto.

O homem se postou a minha frente e foi andando de forma protetora até onde eu havia apontado.

Por trás dele, me aproximei sem que ele percebesse, e o mordi no pescoço com força. Ele tentou se afastar, e chegou a gritar por ajuda, mas ninguém veio socorre-lo. Por fim, soltei-o, e ele caiu no chão da floresta, morto.

Suja de sangue, voltei correndo até o amigo que esperava junto aos cavalos.

-O que acontec... você está ferida!

Ele atropelou uma frase na outra, com cara de preocupado.

-Não estou, mas seu amigo está.

-O que aconteceu?

Perguntou ele com urgencia, descendo do cavalo e correndo em direção da floresta. Segurei, impedindo-o de continuar.

-Seu amigo está morto, e você também vai morrer.

Falei antes de ataca-lo.

Carreguei o corpo morto e o postei junto ao cadáver do amigo, longe o suficiente da estrada para que ninguém visse.

Tentei montar um dos cavalos, mas este tentou me dar um coice, deixando claro que ninguém além do dono subiria nele. Com ódio do animal, matei-o, e também sumi com seu corpo.

Cansada, continuei andando pela estrada, carregando a mala, que ia arrastando pelo chão, de vez em quando atolava.

Desisti de seguir em frente, sentei-me sob a mala cheia e esperei.

De repente, ouvi um barulho estrondoso vindo da floresta; com medo de que fossem os homens dos quais eu provavelmente não matara direito, fui conferir.

Arrastando a mala entre as raízes das árvores, fui me aproximando do local em que abandonara os corpos. Como temia, eles não estavam mais lá. Novamente ouvi aquele barulho estranho.

Ao longe, vi uma sombra grande carregando os cadáveres. Tentei correr para impedi-lo e, com intenção de mata-lo também, mas tropecei em alguma coisa e rolei junto com a mala morro abaixo, caindo no meio de outra estrada.

Mas bem na hora que cai no meio da estrada, vinha passando uma carruagem, que, para me deixar mais brava ainda, passou por cima de mim.

A carruagem parou logo a frente, e uma jovem de cabelos loiros sai preocupada, dizendo assustada:

-Me desculpe! Não havíamos te visto! Você está bem?

O motorista também desceu do carro, igualmente preocupado.

-Estou bem.

Falei curta e mal-humorada.

-Oh, você está sangrando! E está todo suja de lama, por favor, acompanhe-me, venha para a minha casa, onde poderá se lavar e tomar algo quente.

Apenas a olhei. Ela interpretou como um sim, então virou para o motorista e ordenou:

-Prepare um lugar para ela na carruagem, e não demore, temos uma convidada.

E depois voltou a falar comigo:

-Por favor, suba.

Me ajeitei rapidamente, tirando toda a lama que conseguia do meu vestido, peguei minha mala e subi na carruagem, onde o motorista ainda tentava encontrar espaço em meio a várias malas.

-Desculpe-me a bagunça, estou voltando de viajem. Pelo que vejo, você também. Motorista! Arranje um lugar para a mala dela!

Ela sorriu de leve para mim, mas ao não ser retribuida, apagou o sorriso. E, desta vez, com frieza, me perguntou:

-Ainda não me disse seu nome. Quem é você?

Pensei se deveria falar quem eu realmente era, mas resolvi falar, afinal, se ela arranjasse problemas para mim, era só mata-la.

-Me chamo Katherine Pierce.

-Hum, me chame de Lexi.

O motorista voltou para seu lugar e novamente fez com que os cavalos voltassem a andar.

Lexi se manteve em silêncio durante o resto da viajem. Aproveitando o silêncio, fui observando a janela à fora, tentando encontrar o que eu havia visto carregando os corpos na floresta a segundos atrás.

Por fim, o motorista se virou para Lexi:

-Chegamos, senhora, eperem aqui, vou chamar o mordomo para pegar as malas.

-Muito obrigada.

Falou Lexi educadamente para o homem, sorrindo para ele.

-Vejo que é muito educada com seus criados.

-Prefiro pensar neles como ajudantes, e não como criados, afinal, conheço-os desde pequena, nao seria certo trata-los como inferiores.

Sorri de leve, com uma certa frieza, não importa que esse garota tenha me ajudado, eu não gostara nem um pouco dela.

Entramos na casa enquanto o mordomo pegava as malas. A casa era bem menor do a minha antiga mansão, mas é claro que eu era muito mais rica que a garota, e visivelmente mais nobre.

Só havia uma empregada e um mordomo na casa, além do motorista.

-Sua família está em casa?

Perguntei para Lexi enquanto observava o andar superior.

-Eles só chegam semana que vem. Venha, quer tomar um chá?

-Aceito.

Segui-la até uma pequena sala, onde havia duas confortáveis poltronas envolta de uma lareira.

A empregada me trouxe roupas limpas e o mordomo nos serviu chá.

-E então, Katherine, o que fazia uma hora dessas em meio a estrada, sozinha, e perambulando a pé?

-Nada demais, me perdi, só isso.

-Certo, bem, eu vou me deitar, estou cansada da viajem, o mordomo te mostrará onde pode pernoitar. Boa noite.

-Certo.

Falei, engolindo rapidamente o resto do chá e me virando para o mordomo. Não precisei dizer nada, ele me levou até um quarto do andar superior e fechou a porta.

Me lavei no banheiro e deitei na cama, como estava cansada, dormi rapidamente.