Flames Of Death
17 Capítulo 17 O reencontro
Notas iniciais
bjus e boa leitura!
Andei pelas ruas despreocupadamente, olhando tudo e prestando atenção em nada. Meus pensamentos voavam longe.
Admirei as pessoas que passavam, ouvi suas conversas, observei suas roupas. E logo percebi que quanto mais eu prestasse atenção nos humanos, mais minha garganta rasgava de uma sede incontrolável que somente seria saciada com o poderoso e delicioso sangue humano. Mas a verdade é que naquele momento, milagrosamente, eu não tinha a mínima intenção de me alimentar.
Voltei minha atenção para as ruas. Olhei para as lojas que me cercavam, os carros estacionados e os que passavam em alta velocidade pela rua cheia. Não consegui deixar de notar, muita coisa havia mudado desde o século XV (15). Mas isso já era de se esperar, em pleno século XXI (21) o melhor seria que as coisas houvessem sofrido uma série de mudanças, embora eu internamente continuava com a rebelde opinião de que os séculos passados haviam sido melhores. Aquele não estava sendo um bom século para mim...
Mas isso não vem ao caso.
Eu andei pelas ruas pensando em uma semana em específico, que ocorrera no século XV (15). Uma semana sangrenta e excitante. A semana em que conheci o único homem que já realmente amei um dia, porém tal homem era tão cruel quanto eu, talvez ele fosse até pior do que eu.
Eu sentia falta dele, sempre senti. O pior erro de toda a minha vida foi ter fugido sem correr atrás de meu amado. Mas eu nunca o havia esquecido, afinal, quando você ama uma pessoa mais do que a si próprio, fica difícil esquece-la.
Naquela mesma semana do século XV (15), ouve muito sangue correndo pelo chão e sujando minhas mãos, pois minha vingança e meu amor foram escritos com sangue fresco.
Uma história dramática de amor, traição e ciúmes, do tipo que se alguém me contasse eu acharia ridícula, patética e provavelmente imatura. Mas eu participara dela.
Uma semana que assombraria meu passado para sempre.
Balancei a cabeça tentando afastar os maus pensamentos, eu havia de esquecer os fantasmas do passado, não sou o tipo de mulher que se arrepende. Eu faço o que quero fazer, tomo aquilo que desejo. Sou eu quem traço meu caminho, decido meu destino.
Desistindo de continuar com aquela direção de pensamentos, me concentrei nas pessoas a minha frente.
Foi quando eu o vi.
Minha visão se focalizou em um homem que andava a minha frente, não tão distante.
Seu jeito de andar era inconfundível, além de que eu reconheceria a cor daquele cabelo em qualquer lugar.
Dei uma pequena corrida pela rua, empurrando nos carros estacionados qualquer um que se atrevesse cruzar meu caminho.
Pousei minha mão no ombro do homem, desejando a todo vapor que fosse quem eu achava que era, e não apenas mais um engano de minha visão ou ilusão de meu coração bobo e fraco.
O homem se virou. E ao fazer isso, perdi todo o pouco ar que ainda me restava, eu fora novamente pega de surpresa.
Eu estava certa, era ele. Perfeito e angelical como sempre.
Olhei para aquele rosto, maravilhada. Ele não havia mudado muito, o máximo era que seu corte de cabelo estava diferente; o perfume também fora trocado, mas isso já era de se esperar, ninguém usa o mesmo perfume durante literalmente séculos.
Mas em geral ele continuava igual, com o olhar provocante; com um brilho sobrenatural nos olhos esverdeados; a boca rosada que provocava um desejo ardente. Seu corpo musculoso e excitante que, sinceramente, ficava muito melhor quando sem roupas alguma, mas ainda devíamos fazer nosso papel de cidadãos civilizados, não se pode arrancar as roupas no meio da rua.
Ele continuava tão lindo, parecia até mesmo um anjo, embora aquele seu sorriso selvagem lhe desse uma expressão diabólica e provocadora, contrariando qualquer impressão de criatura divina.
Se cabelo continuava rebelde, mas assim como seu sorriso, também lhe passava uma imagem provocadora.
Tudo nele provocava um desejo ardente e consumidor que vem lá do fundo da alma.
Seu perfume novo era doce e gostoso, incentivando me a chegar mais perto para deixar que aquele maravilhoso cheiro me possuísse.
Dei um passo a frente, esquecendo me completamente de ter algum controle sobre meu corpo. E sem perceber o que fazia, levei meus dedos até seus lábios, desejando arduamente encostar meus próprios lábios nos dele.
Queria sentir sua língua na minha boca novamente, sua mão em minha cintura me incentivando, seu abraço macio e protetor. Queria ouvir sua risada angelical novamente, rir de bobagens como um dia nós fizemos juntos.
Queria que ele deixasse seu cheiro em minhas roupas novas e depois que nós fossemos para algum quarto, matar a saudades de meu corpo nu junto do dele. Mas isso já fazia muito tempo, e as coisas nem sempre funcionam como nós desejamos.
Ele me olhou surpreso por realmente estar me vendo, nenhum de nós pensara que um dia nos encontraríamos de novo.
Apenas me pergunto se ele realmente queria me ver novamente, me tocar novamente. Afinal, durante tantos anos, esse era meu maior desejo. O desejo mais ardente e puro de todos.
Ele abriu levemente a boca e ouvi sua respiração aumentar. Também reparei que seu coração não batia mais, e isso era totalmente minha culpa. Percebi que sentia falta daquele coração batendo, mas de qualquer forma, era a presença dele que realmente importava, o resto era irrelevante.
Ele deu um passo a frentem chegando teu corpo próximo do meu, o que causou um arrepio que percorreu por todo o meu corpo.
Ele pegou minha mão, entrelaçando seus dedos nos meus. Naquele instante eu sentia como se estivesse segurando todo o meu mundo naquela mão. Ele não estava apenas segurando minha mão, ele acorrentava minha alma na dele.
Um sonho.
Lembrei me de um sonho. Um desejo. Um gemido. E acima de tudo, um amor.
Não tinha mais como negar, há quase 6 séculos atrás minha alma morta havia se acendido, porém na época eu a deixara apagar. E depois de anos se passarem, aqui estava eu novamente, com a alma pegando fogo, com chamas que dançavam por todo meu corpo e me incendiavam. Chamas de amor. Chamas da morte.
E naquele momento eu só consegui pronunciar uma palavra. Um única e mísera palavra, porém tão poderosa que poderia resumir uma vida. A minha vida.
Os sons que escaparam pelos meus lábios formaram um nome.
Com a garganta arranhando de sede e dor, com o coração gritando a plenos pulmões, só consegui dizer uma única coisa:
-Stefan.
Notas finais
bjus e abraços ♥
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