Flagrant

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Yoooo! Aqui estou eu com a continuação de uma das fics que mais amei escrever na vida! :3 Lembrando que Luffy pode estar um pouco OCC, caso esse seja seu ponto de vista. ^^
Espero que todos nós possamos surtar muito com todas as fanfics que serão postadas durante esse final de semana! ♥

Boa leitura! ;)

O dia havia abandonado os mares do Novo Mundo há algumas horas. A lua cheia preenchia o céu azul escuro, completando a paisagem bela e estrelada. O Thousand Sunny Go se encontrava anormalmente silencioso, pois seus tripulantes já haviam se recolhido para seus quartos, preparando-se para dormirem, já que no dia seguinte deveriam despertar cedo para levantarem âncora em direção à ilha da qual se aproximavam.

Os únicos que ainda perambulavam pelo navio eram Sanji, que terminava de arrumar a cozinha do jantar movimentado algum tempo antes e o capitão dos Mugiwaras, que se empenhava em caminhar cauteloso pelos corredores sem que ninguém o percebesse. Seu objetivo? O quarto feminino que lhe parecia muito mais atrativo do que o seu próprio, ao lado de outros marmanjos barulhentos.

Luffy seguia para o quarto de Nami, onde provavelmente iria passar boa parte da noite, sem que ninguém nem mesmo sentisse sua falta. Arriscado? Talvez, considerando as inúmeras possibilidades que existiam deles serem descobertos no normal da vida. No comum do dia-a-dia do Sunny, no entanto, a possibilidade era mínima. Havia muito tempo, os rapazes já estavam acostumados com o fato de seu capitão ir dormir muito mais tarde que eles mesmos. Esse era um hábito que o moreno pegou depois de alguns anos; sob a visão dele, eram momentos realmente preciosos os que ele podia aproveitar o silêncio da noite enquanto observava o mar que havia conquistado com tanto custo e após tantas batalhas.

Não se engane, ele continuava festeiro, bagunceiro e agora muito interessado em dividir o sakê com Zoro, mas descobriu que também gostava de momentos como esses descritos. Sendo assim, o fato de Luffy não estar no quarto junto dos outros àquela hora não era surpresa ou algo anormal. O fato de Nami dividir o quarto com a arqueóloga do navio também não fazia muita diferença, considerando que há muito Robin decidira trocar o cômodo pelo ninho da gávea, onde tinha companhia muito mais interessante durante a noite, ademais, a morena já havia descoberto o relacionamento às escondidas dos companheiros há algumas semanas.

Visto isso, Luffy tinha total liberdade de invadir o quarto da ruiva sem ser pego no flagra.

Depois de atravessar os corredores do Sunny sem ser visto por nenhum de seus companheiros, o Rei dos Piratas finalmente havia chegado ao “local proibido” e nem mesmo se preocupou em chamar quem lhe interessava. Sem esperar abriu a porta que dividia ele de seu interesse maior e entrou, pegando a navegadora de surpresa, a qual naquele momento saía do banheiro somente de toalha.

— Luffy! Já disse pra não ir entrando desse jeito! – ralhou, repetindo a advertência pela milésima vez.

— Posso esperar no corredor e então quando alguém perguntar o quê estou fazendo ali, eu respondo que estou esperando você terminar de se vestir para que então eu possa entrar e te despir. – respondeu naturalmente, como se não fosse nada de mais.

— Você é um verdadeiro pervertido! E se finge de inocente na frente de todo mundo! – acusou, começando a se irritar com a cara de pau do rapaz, fazendo-o rir gostosamente.

A ruiva tinha intenção de ir em direção à sua cômoda, pegar uma de suas camisolas, mas, após fechar a porta, Luffy a impediu de seguir o percurso pensado.

No instante exato em que Nami deu o primeiro passo, o moreno a agarrou pelo braço, puxando-a contra si, fazendo com que seus corpos se chocassem bruscamente, embora ele não deixasse de trata-la com gentileza. O sorriso sapeca nos lábios dele deixou bem claro à garota que ela não escaparia daqueles braços tão cedo.

— Não vai deixar nem eu colocar uma única peça? – fez bico, fingindo ficar emburrada.

— Me diga, qual o objetivo disso? Eu vou arrancá-las de qualquer jeito. – explicou, voltando ao tom natural.

— Não torna as coisas mais... interessantes? – fez uma curta expressão pensativa, buscando o adjetivo que melhor se adequava à frase.

— Depois eu sou o pervertido! – brincou, retirando a toalha branca que cobria os cabelos alaranjados limpos e cheirosos, deixando-os cair em cascatas onduladas sobre os ombros da mulher.

— Você é que quer me atacar! – retrucou.

— Como se você quisesse fugir... – sorriu malicioso, levando sua mão direita até a nuca da companheira, enquanto a esquerda permanecia segurando firme a cintura dela.

— E se eu fugisse? O que faria? – testou, circundando o pescoço do Monkey com seus braços.

— Te capturaria. – sussurrou, se preocupando em abandonar diversos selinhos pela pele branca e macia sob os longos cabelos. — Te seduziria e depois te amarraria à cama para não fugir mais. – completou, ainda ocupado com os beijos que a faziam ofegar levemente.

O capitão sorriu. Adorava saber que o corpo da mulher reagia de forma tão eficiente ao mínimo toque seu.

— Isso não foi muito possessivo, capitão? – sorriu divertida.

— Sou um pirata, querida. – devolveu o sorriso de forma sapeca, já enfiando uma de suas mãos sob a toalha que circundava o corpo esbelto da navegadora, prestes a se desfazer do pano que só o atrapalhava a apreciar o que era seu. — Faço qualquer coisa para manter meus tesouros mais preciosos sob minha guarda e posse.

Nami sorriu, agora de forma encantada. Ainda estava se acostumando às pequenas declarações subentendidas que seu capitão soltava de vez em quando. Às vezes, até mesmo enquanto estavam entre seus amigos, frases escondidas e indiretas que ela reconhecia sem dificuldade alguma quando era pra ela a pegavam de surpresa. Havia momentos em que até mesmo se preocupava com tal ato, já que seus companheiros podiam perceber algo, mas logo se sentia aliviada quando via que nenhum deles (além do outro casal, é claro) dava a atenção necessária aos comentários.

Depois de Nami ter descoberto aquele lado de Luffy que ela nunca imaginara existir, os dois engataram em uma espécie de relacionamento que até aquele momento ela ainda não sabia definir muito bem, mas que era o suficiente para os dois. Não sabiam ao certo porque preferiram manter o romance escondido dos outros. Simplesmente acharam melhor que fosse daquela forma, talvez por receio de algo mudar em meio ao convívio entre os piratas ou que algum deles não aprovasse. O fato é que até então, somente Robin havia os pego no flagra e Zoro tinha acabado descobrindo por meio da morena.

De qualquer forma, ela tinha que admitir, Luffy a fazia entrar em um mundo completamente diferente enquanto estavam a sós naquele quarto.

― Então é bom guardar muito bem esse tesouro, Mugiwara no Luffy. Porque ele é precioso demais para deixar solto por aí. – advertiu, enquanto era jogada na cama pelo homem.

― Agora vai ficar se achando? – fingiu indignação.

A resposta de Nami, porém, só veio depois de mudar a posição de ambos, ficando ela por cima, sentada sobre a cintura do moreno.

― Eu me acho, porque posso. – sorriu lateralmente, sedutora e convencida de uma vez só, arrancando a toalha que ainda cobria seu corpo.

Não precisou de muito mais para que seus lábios fossem tomados com voracidade por seu capitão, apenas iniciando a noite que prometia render muitas horas.

(...)

Sanji terminava de arrumar seu ambiente preferido do Sunny. A cozinha estava impecavelmente limpa e organizada, digna do cozinheiro do Rei dos Piratas. O loiro naquele momento secava suas mãos com o pano de prato, quando lembrou-se o porquê havia guardado parte do jantar na grande geladeira. Sua deusa ruiva sagrada não havia jantado junto dos outros, já que ficara a tarde e parte da noite inteira terminando um de seus mapas. Assim, preocupado com o bem-estar de sua mellorine, o cozinheiro decidiu ir chama-la para comer, não aprovando a possibilidade dela ir dormir sem se alimentar.

Após ter percorrido a não tão grande distância entre a cozinha e o quarto feminino, Sanji finalmente chegou à porta desse e se preparava para bater nela. No entanto, ao pensar em fazer isso, ouviu algo muito suspeito de dentro do cômodo.

— Luffy! Me solta! Deixa eu levantar. – reclamou em tom manhoso, mas alto o suficiente para que sua voz fosse ouvida no corredor.

Sanji esperou a resposta do rapaz, mas não a ouviu, provavelmente porque havia sido mais baixa que a reclamação.

— Eu vou te bater! Me solta de uma vez, idiota. – repetiu, fazendo o homem rir divertido.

A verdade era que o Perna Negra não estava gostando nada daquilo. O que diabos Luffy estava fazendo no quarto das garotas?! Mais uma vez pensou em bater, querendo tirar aquilo a limpo. O gritinho feminino que ouvira, entretanto, (um Kyah muito fofo, diga-se de passagem) o impediu de agir dessa forma, fazendo-o chutar a porta com toda a força que possuía, estrondando o quarto e levando o barulho ao resto do navio.

A cena que encontrara à sua frente o fez esbugalhar os olhos em surpresa, sem saber como reagir ou o que falar.

Enquanto isso, Nami olhava em sua direção, espantada, vestida apenas com sua lingerie, caída de lado na cama. Luffy, por sua vez, também encarava a porta escancarada, vestido somente com sua calça, enquanto segurava a ruiva pelo braço esquerdo, o qual utilizou para puxá-la de volta para cama quando ela tentou se levantar.

— Sanji-kun! O que está fazendo?! – gritou, ainda pasma pelo flagra.

Não teve resposta, entretanto.

— O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO SEU DESGRAÇADO?!!! – no mesmo momento correu em direção à cama, voando em cima do moreno.

— Sanji-kun! – exclamou enquanto catava a primeira muda de roupa que tinha jogada por ali, que aliás era um vestido azul bebê. — Pare com isso! – pediu tentando segurá-lo.

— Mas o que ‘tá acontecendo aqui? – a voz de Usopp surgiu na porta, trazendo o espanto de todos os outros Mugiwaras junto.

— O Sanji enlouqueceu. Foi isso que aconteceu. – Luffy reclamou se levantando da cama, após conseguir se libertar do companheiro que o agarrava com força pelos ombros.

— Eu enlouqueci?! Você estava tentando agarrar a Nami-san à força, seu infeliz! – acusou, completamente irritado.

A risadinha contida de certa morena ecoou no ambiente.

— Parece que foram pegos no flagra, mais uma vez. – sorriu travessa para o casal.

Àquela altura Nami estava completamente constrangida, muito além do que havia ficado quando fora descoberta por sua amiga. Luffy, por sua vez, permanecia de cara feia no canto do cômodo, não gostando de ter sido atacado por seu companheiro.

— Do que estão falando? – Chopper pronunciou-se, inocente, sem entender nada do que estava acontecendo.

— Você não deveria estar aqui. Não é conversa pra crianças, Chopper. – Zoro alertou desinteressado, embora se divertisse com a desgraça alheia.

— Vocês estavam SUPER se pegando? – o ciborgue questionou ao seu modo.

— Franky! – Nami ralhou, ficando da cor de seus cabelos. O capitão, contudo, riu da forma direta do quase-robô. — Não ria, seu idiota! Olha a situação em que estamos! – brigou, batendo de forma constante nos braços do pirata, querendo fugir dali para um lugar bem distante.

— Espera aí! Então vocês estavam mesmo... hum... vocês sabem...? – o atirador perguntou finalmente compreendendo a situação, fazendo a arqueóloga soltar mais uma de suas risadinhas, agora acompanhada de Brook e Zoro.

— Não no momento em que o quarto foi invadido. – o capitão comentou de forma natural, vestindo sua camisa.

— Luffy! – a ruiva ralhou mais uma vez.

— O quê? – fez-se de desentendido. — Eles já descobriram mesmo. – deu de ombros.

— Ora, seu! – o Vinsmoke partiu pra cima do amigo novamente. — Você esteve se aproveitando da Nami-san!

— Ero-cook idiota! Acha que a bruxa não fez tudo por vontade própria? – resmungou implicante o de cabelo verde.

— Não admito isso! – o loiro exaltou-se. — A Nami-san é linda demais pra se envolver com esse paspalho! – argumentou.

— Oe! Ainda sou seu capitão, idiota! – reclamou, começando a se aborrecer.

— Sanji-kun. – Robin soou gentil. — Não tenho dúvidas de que o capitão faz a nossa navegadora muito feliz. – sorriu insinuante.

— Isso aí. – concordou o do chapéu de palha em um meneio de cabeça, cruzando os braços, convencido. Nami suspirou, derrotada.

— Ok, pessoal. Vamos resolver isso de uma vez. – chamou a atenção de todos. ― Eu e Luffy estamos juntos e pronto. Final de conversa. – limitou o assunto, dando fim a confusão.

A reação dos companheiros foi bastante diversa, sendo que Sanji se jogou ao chão em depressão e Usopp e Chopper começaram a comemorar animados, juntos de Franky e Brook, que felicitavam o casal. Nami ainda tentava lidar com o constrangimento da melhor forma possível, enquanto Luffy se divertia com a situação como um todo.

Robin e Zoro observavam tudo com um sorriso divertido nos lábios, quase debochado. Não perceberam, porém, que haviam chamado a atenção de certa ladra.

— Ah, pessoal! – chamou a atenção de todos, sorrindo maldosa. — Não podemos comemorar apenas um dos casais do navio. Seria muito injusto, não acham? – comentou, fingindo reprovação em suas expressões.

Zoro parou estático no mesmo lugar, enquanto Robin era pega de surpresa, embora já devesse imaginar que sua amiga iria fazer isso.

— Naniii? – questionaram em uníssono.

— Como assim? – perguntou a pequena rena, confusa. — Quem?!

— Por que não se pronunciam, Robin? – olhou para a morena, ainda sorrindo. — Acho que você e Zoro deveriam se assumir de uma vez, já que eu e Luffy também acabamos de fazer isso. – terminou, como se não fosse nada.

— COMO É?! – o grito do cozinheiro estrondou pelo navio. — QUE HISTÓRIA É ESSA?! MARIMO!!! – rugiu antes de iniciar uma luta caótica contra o espadachim.

O Roronoa não teve tempo de tentar pronunciar uma única palavra. Passou a se defender e atacar no mesmo instante. Uma parte do quarto já estava destruída quando Nami enxotou os dois para fora.

Usopp e Chopper gritavam desesperados que o mundo iria acabar se alguém não os parasse, enquanto Luffy gargalhava alto da confusão e Nami se jogava emburrada sobre a cama, completamente contrariada pelo fato de Robin não ter se constrangido em momento algum com a revelação. Franky e Brook conversavam animados com a arqueóloga sobre o romance do casal, curiosos com toda a história já que nunca haviam desconfiado dos amigos.

Em meio a toda perturbação, o céu permanecia estrelado e iluminado pela lua, observando a agitada rotina dos Mugiwaras, que agora seria ainda mais confusa, divertida e romantizada.

Sem dúvidas.

Notas finais
Comentários são muito bem-vindos! Críticas construtivas tmb. :3
Vou aparecer mais vezes aqui esse fds, viu? :p Então até mais. ;)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!