Fix You
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Para a Vic ♥
Ela andava desesperadamente rápido pelos corredores largos do castelo de Arthur. Precisava apagar aquelas memórias de sua cabeça, precisava arrancar a dor que repentinamente voltou para dentro dela. Ver o seu amor, o seu primeiro amor, sendo morto pelas mãos de sua mãe a deixou sem rumo, sem amparação. Completamente desnorteada e triste. As memórias nunca foram embora, claro que não. Mas elas estavam apagadas e jogadas no fundo de Regina. O que antes a assombrava todas as noites, a ponto de a fazer passar horas e horas, focada em matar Branca de Neve, estava adormecido. Rever a morte de Daniel trouxe à tona não só a tristeza, mas também a raiva.
Deixou mais algumas lágrimas escaparem de seus olhos, no seu percurso que parecia interminável. Ela segurou a barra do vestido e virou o corredor. Se colidiu com alguém, e sem nem olhar para o rosto dessa pessoa, Regina começou a se desculpar.— Desculpa, eu estava tão distraída, acabei nem vendo que vinha alguém. — Ei, calma. Sou eu. — ela reconheceu o sotaque de seu ladrão e logo olhou para seu rosto. Ele deu um sorriso e segurou em sua cintura, a trazendo mais para perto. Todas as lágrimas que ela estava lutando para deixar dentro de si, voltaram, a fazendo entrar em um choro compulsivo. — Vem cá, minha rainha. — Ele estendeu os braços e ela se acolheu ali. Regina enterrou a cabeça na curva do pescoço de Robin, enquanto chorava silenciosamente, abraçada a ele. Robin apenas acariciava suas costas, e dizia que tudo ficaria bem, enquanto intercalava beijos na sua testa e no seu cabelo. — Quer sair daqui? — ele sussurrou perto do ouvido dela. Regina mexeu a cabeça dizendo que sim, e quando Robin fez a menção de se separar do abraço, ela se apertou mais a ele. — Tudo bem, meu amor. Robin suspendeu o corpo pesado de Regina, e começou a se locomover com ela. O quarto dos dois não era muito distante, dava para levá-la facilmente. Ele sentiu as pernas dela fecharem em sua cintura, para firmar o lugar quente e macio que ela se encontrava. Robin sorriu com isso, embora estivesse muito preocupado. Durante todo o caminho ele continuava a acariciar as costas dela, numa tentativa de acalmá-la. Regina não chorava muito, mas Robin ainda podia sentir lágrimas pesadas chegando em seu pescoço, esse, que agora havia virado o refúgio dela. — Chegamos. — ele disse e colocou o corpo dela no chão, só para que conseguisse abrir a porta do quarto. Eles entraram no aposento, e Robin fechou a porta. Logo depois, a suspendeu pela segunda vez e a levou para a cama de dossel. Ele deitou o corpo dela com cuidado, e depois deitou-se ao seu lado, a puxando para perto. Tão perto que não tinha um espaço. Regina mais uma vez escondeu o rosto no pescoço de Robin, ela não queria que ele a visse chorando, e ela não sabia se conseguiria ficar sem chorar. Robin não disse uma palavra. Não queria invadir o espaço da rainha, portanto, esperou até que ela estivesse pronta para falar. Depois de vários minutos, Regina finalmente levantou a cabeça e o olhou. A imagem partiu o coração do ladrão. Ela tinha a ponta do nariz bem vermelho, e os olhos manchados de maquiagem e lágrimas. Ele odiava vê-la assim, quebrada, machucada. Ele odiava pensar que por culpa dele ela já tinha ficado daquele jeito, tinha calafrios só de imaginar. O machucava vê-la assim. Odiava pensar que ela sofria pela gravidez da irmã, que bem… Era sua culpa. Uma grande parcela de culpa era dele, Zelena poderia ter manipulado tudo, mas… Se ali fosse realmente Marian, ele faria o mesmo. Ainda que com o coração pertencendo inteiramente a Regina, ele faria novamente. E ele se sentia um lixo por isso, sentia nojo de si mesmo, porque… Porque ele machucou a mulher que amava, e ele odiava vê-la chorando. Robin passou a mão bem de leve no rosto de Regina, limpando as lágrimas e boa parcela da maquiagem borrada. Ele se aproximou e beijou o topo da cabeça da rainha, e depois deu um beijinho no nariz avermelhado. — Você está bem? — Eu tô melhor. — disse baixinho, com a voz falha. Robin a olhou querendo respostas, mas de qualquer maneira, ele não invadiria o espaço pessoal dela. Regina suspirou, e o olhou. Abrindo a boca para começar a falar e logo fechando novamente. — Hoje… Eu e Emma descobrimos como tirar Merlin da árvore. Um dos ingredientes era uma lágrima, mas não uma lágrima qualquer. Uma lágrima da primeira decepção amorosa. — os olhos dela já transbordavam de lágrimas. — Você não precisa dizer. — Sim, eu preciso. Eu quero, Robin... Eu tive que assistir a morte de Daniel pela segunda vez! Tive que ver minha mãe arrancando seu coração e esmagando, como se aquilo fosse bom para mim! Não foi, droga! E agora tudo está de volta. Nem para Branca eu consigo olhar sem sentir raiva! Robin… Eu passei anos tentando matá-la por causa disso. Isso trouxe à tona, coisas que eu não queria lembrar, sentimentos que eu não queria sentir. — Regina, você superou isso. Sua mãe não está mais aqui, você e Branca ultrapassaram tantas barreiras juntas. Olhe para você agora, tão admirada por tantas pessoas. Daniel, onde quer que esteja, está orgulhoso de você. Eu estou orgulhoso de você! — ele encostou a testa na dela. — Daniel te ama, ele não quereria te ver chorando, assim como eu não quero.
— Eu sei… Mas dói. — ela sussurrou, e o olhou com os olhos suplicantes. — Tira essa dor de mim. Por favor. Robin abriu os braços em um convite mudo para ela ir pra ele. E ela o fez. E o abraçou com toda a força que seus braços permitiam. Ficaram alguns segundos daquele jeito; se aquecendo e confortando. Depois de um tempo, ela sentiu as mãos de Robin descendo para sua cintura, ele instalou as duas mãos ali e após uns segundos, fez cócegas na morena. Regina não se aguentou, teve que rir. Riu como se dependesse daquilo. Ela se jogou na cama e Robin a atacou com as mãos, pegando em seus pontos mais sensíveis e a fazendo se contorcer. As risadas gostosas dela ecoavam por todo o recinto, aqueles minutos anteriores pareciam apenas uma vaga memória. — Para, por favor… — disse em meio as risadas. — Eu imploro. — Robin foi parando, e as risadas foram cessando, até que apenas um sorriso sereno ficou em seu rosto. — Obrigada, meu ladrão. — ela tocou o rosto de Robin e acariciou a bochecha do homem. — Você me pediu para tirar a dor de você. Consegui? — e com os olhos marejados ela balançou a cabeça, afirmando. Ela se inclinou ficando de joelhos na cama, e capturou os lábios de Robin. Era leve, suave e sem pressa, afinal, eles tinham todo o tempo do mundo. As bocas se movimentavam em perfeita sincronia, num desejo mudo de felicidade. Separaram as bocas somente para sorrir, aquele sorriso brilhante e elusivo repleto de amor. Finalizaram dando um selinho, como de costume. E foi então que aquele som quase inaudível saiu da boca de ambos em um uníssono. Foi então que os dois sorriram, e retomaram pela segunda vez o beijo. Só que agora era diferente, aquelas três palavrinhas que tinham acabado de trocar, encheu o coração de ambos com amor.
Notas finais
Hey, babies, me digam o que vocês acharam. Sempre um prazer tê-los aqui comigo. Até a próxima, xoxo ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
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