Fix You

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Oi amores, espero que gostem do primeiríssimo capítulo de muitos. Beijo!

Eu havia acabado de brigar com Victor, na verdade, eu o achava um pouco careta demais pra mim. Ele queria que eu frequentasse um psicólogo, além do grupo de apoio, como se isso não fosse quase a mesma coisa.

Enfim, Victor apenas disse que não haveria mais nós caso eu não fosse nesse psicólogo, e eu como não vou, tivemos que terminar. Na verdade eu o amava, mais que a mim mesma, mas nem sempre as coisas são como esperamos. Peguei o carro da minha mãe e saí. Meu destino? O depósito que eu e Victor nomeamos como Nosso cafofo. A cama ainda estava desarrumada, em consequência da noite que passamos aqui e a louça na pia continuava intacta.

Meu coração doeu, e pela primeira vez desde o término do meu namoro com Victor eu tive vontade de chorar. E foi isso que eu fiz. Chorei. Muito.

Porém, eu ainda sabia — sempre soube — o que me tirava da depressão. E eu fui até elas. Liguei para Andy, que me forneceu o que eu precisava. Pedi apenas heroína.

Enfim, eu comecei a usar e as lágrimas simplesmente desapareceram. Eu não sentia mais nada. Era uma sensação muito boa. Fiquei muito tempo me drogando, muito tempo mesmo. Até...

Eu estava com raiva, muito raiva do que havia acontecido. Me lembrei de toda a minha vida e meu desejo era sumir. Mas deixaria a minha marca... sempre deixei.

Quebrei tudo o que tinha direito, tudo mesmo. Não deixei nada intacto no depósito. Uma dor percorreu a minha cabeça e queimou meu corpo. Acompanhada por uma ânsia de vômito.

Me apoiando no que restou no depósito, disquei o número de Victor. Enquanto o telefone chamava, eu comecei a sentir falta de ar. Coloquei a mão na garganta e tentei puxar ar pra dentro, mas não vinha nada.

Victor atendeu ao telefone, para minha salvação. Ele sempre foi a minha salvação.

– Ariane, é você? — Victor perguntou. Seu tom de voz era preocupado e infeliz. Uma pontada no meu peito fez meus olhos se encherem de lágrimas.

– Me ajuda. — Foi a única coisa que eu consegui dizer, antes de fechar os olhos perdendo a consciência. Antes disso, visualizei os belos olhos de Victor. Os olhos que eu sempre amei. Mas tudo se escureceu pra mim.

...

Acabamos de chegar em Nova York. Estamos indo em direção ao nosso novo apartamento. Eu olhava a cidade pela janela do carro, e ouvia Ain't It Fun no celular. Clara, minha irmã, fazia o mesmo.

Eu nunca havia vindo em Nova York, e se mudar pra cá seria a maior realização das garotas chatinhas com voz de passarinho da minha antiga cidade. Eu não estava nenhum pouco entusiasmada com a mudança, nem mesmo Clara.

Olhei para ela novamente, e seus olhos estavam molhados. Seu cabelo escuro e longo escorria pelas costas e seus olhos azuis, inchados.

– O que houve? O que você tem? — Perguntei, acariciando-lhe o rosto suavemente avermelhado e molhado pelas lágrimas.

– Eu não queria ir pra um lugar onde eu não tenho amigos, Ary. — Clara secou as lágrimas. Eu fingi que estava ofendida.

– Então eu não sou sua amiga, Clara? — Fingi estar magoada.

– Não foi eu que eu quis dizer. — Clara riu.

– Eu sei. Também vou sentir falta dos meus colegas. — Eu me sentia incapaz de dizer "amigos". Era uma palavra forte demais, uma emoção forte demais, um sentimento forte demais. Em toda a minha vida, eu só tive dois amigos — Clara e Taylor — Ambos me entendiam muito bem. Clara, apenas de ser três anos mais nova que eu, me entende melhor que qualquer outra pessoa da minha própria idade, e Taylor, sendo 4 anos mais velho, tem os mesmos problemas que eu, os mesmos motivos para chorar, e os mesmos para continuar vivendo. Ele também sabe sobre o que eu jamais, contaria para Clara, aquilo que me dá a liberdade e que me faz mal. Afinal, todos querem um lado obscuro, a qual não queremos que alguém saiba. Mas o Taylor conhecia meu lado obscuro, e fazia parte dele.

Paramos em frente um prédio, moraríamos no 5º andar. Subimos pelo elevador e um homem levaria nossas bagagens e móveis pela escada. Paramos em frente a nossa nova casa, minha nova casa. E mal sabia eu, quantas coisas aconteceriam de boas, e ruins, assim que pisei os pés em Nova York.

...

Até o resto do dia, nada de visitas inesperadas e vizinhos com bolo, ou um jarro de flor desejando boas-vindas. Minha mãe sempre diz que isso é essencial, mas estou começando a gostar daqui por não ter isso.

Tomei um banho quente, lavei o cabelo e deixei-o solto para secar. Coloquei uma blusa de manga comprida com uma caveira, uma calça jeans escura e uma meia. O tempo em Nova York não estava muito bom, pra falar a verdade. Desde que cheguei eu nem ao menos havia apreciado o lugar onde eu moraria, fui até a varanda do meu quarto e olhei ao redor. Como sempre, prédios e prédios. Eu preferia o campo, sempre preferi o campo. Quando eu ia para a casa da minha avó com o meu pai,a noite, deitávamos no chão e sentíamos a brisa do verão enquanto apreciávamos as estrelas e criávamos formas geométricas juntando aqueles pontinhos reluzentes. Brilhavam tanto quanto os meus olhos. Mas isso tudo é passado, eu preferia deixar essas lembranças no fundo da mente, pra não sofrer tanto quanto eu sofri na infância, afinal, já se passaram cinco anos.

Olhei para a varanda do lado e um garoto me observava, seus olhos eram azuis, como o mar do caribe. Bom, eu não tenho muito o que falar pois os meus eram quase iguais. O cabelo era liso, e penteado para cima num corte moderno e seu corpo, maravilhoso. Mesmo por cima do casado, era muito visível. Ele me olhou de cima a baixo e parou em meus olhos, fixando-os.

Era só o que faltava. Pensei.

– O que foi? O que você perdeu? — Perguntei, me apoiando na grade e fazendo cara feia.

– Estou... apreciando a paisagem. — O garoto respondeu, sorrindo.

Cara de pau.

Olhei para ele, da pior forma possível e me virei para sair. Ouvi um psiu e me virei de novo para ele.

– Qual é o seu nome? — ele perguntou com o mesmo sorriso.

Mostrei dedo para ele e sai. Ao fechar a porta de vidro, ainda pude ouvir a risadinha daquele cretino. Algo me diz que eu e ele, sendo vizinhos, não vai prestar.

No outro dia de manhã, acordei com os gritos da minha mãe batendo na minha porta.

– Eu sei que você já acordou, Ariane. Abra logo essa porta, você tem aula. — Minha mãe batia na porta.

– Ah, qual é né. Chegamos aqui ontem. — Abri a porta e deixei-a entrar.

– Vai pro banho, filha. Um amigo vai vir buscá-la pra levá-la ao colégio. Você tem 20 minutos para tomar banho, se arrumar e tomar café.

Fui pro banheiro me arrastando e tomei banho, sem molhar o cabelo. Coloquei uma saia preta rodada cintura alta com ossos brancos e mínimos. Uma meia calça grossa preta, uma blusa branca de manga comprida por dentro da saia, um casaco preto, um lenço no pescoço e finalizei com uma bota de couro e deixando meu cabelo solto. Passei um pouco de maquiagem para esconder as orelhas que habitavam embaixo dos meus olhos. Enfim, eu passava a imagem de uma garota normal.

Mesmo não sendo.

Agora eu tinha apenas cinco minutos para arrumar meus novos materiais na mochila e tomar café. Fiz isso tudo o mais rápido que pude e desci com a minha mãe e com Clara até o estacionamento do prédio.

– Quem vai levar a gente? — Clara perguntou.

– O filho de um casal de amigos da família. Vocês vão gostar dele. — Assim que a minha mãe disse, minha ficha caiu quando eu vi o animal do meu vizinho encostado num Volvo preto.

– Victor, que bom ver você. — Minha mãe o abraçou.

– É um prazer vê-la também. — Victor respondeu.

– Corram, ou vão se atrasar. — Mamãe disse.

Clara, toda a vontade abriu a porta de trás do carro, entrou, abriu a janela e deu tchau pra minha mãe.

Vadia. Devia me apoiar.

Victor abriu a porta do passageiro e disse

– Ariane?

– Como é que você sabe meu nome? — perguntei, incrédula. Entrei no carro e olhei-o.

– Eu sei tudo sobre você, sua irmã fez o favor de me contar.

Olhei para Clara, que sorria.

Vadia mil vezes.

Seguimos para a escola e silêncio. Apenas Clara tagarelava sobre a banda preferida dela. Victor me dava umas olhadas disfarçadamente, que eu pude perceber pela minha visão periférica.

Ah, qual é né? Que cara idiota.

Chegamos á escola e Clara se despediu da gente, dizendo que ja sabia onde era sua sala e que nos encontraria no intervalo.

Como assim, NOS encontraria? Ela vai ME encontrar. Apenas a mim. Mas que merda aconteceu com ela?

– Estamos com sorte, não? Vamos estudar juntos este ano.

Com toda certeza, isso é ótimo. — Entendam a ironia. -

Olhei para ele com cara de "Isso tudo é armação sua".

– Não me olhe assim , não tive nada a ver com isso.

Entramos na sala de aula e um grupo de amigos pararam de conversar para nos olhar.

– Aqueles são os meus amigos, que serão seus também se você quiser.

Tinha gente de todo tipo naquele grupo.

O Cara com cara de surfista, e a namorada dele.

A garota que pulava mais que bolinha de ping-pong.

O cara de festeiro.

O cara de drogado.

O nerd.

O cara de lesado.

A patricinha.

A nerd.

A emo.

E por fim... O modelo. Mas nesse caso, era o Victor.

Já vi que esse ano vai ser uma merda.

Notas finais
Desculpem a demora, mas ta aí. =D