Fix You
4 Intimidade com um desconhecido.
Notas iniciais
Eu entrei no carro do Alex um pouco insegura. Não sei porque. Acho que eu não confio muito nele. Eu conheço ele há um dia, e ele não foi lá, muito agradável.
Ele ligou o rádio. Um rock pesado começou a tocar, e ele deixou. Eu não reclamaria, se eu não tivesse com uma puta dor de cabeça.
— Pelo amor de Deus! Abaixa isso! — eu disse colocando as mãos contra o ouvido.
— Não. — ele sorriu aumentando o som.
— Filho da...- ele aumentou mais e o som abafou a minha frase.
— Olha a boca garota. Você é fofinha demais para falar palavras tão feias.
— Fofinha? Está me chamando de gorda? — eu perguntei cruzando os braços.
— Não. — ele disse sorrindo. — Você por acaso se acha gorda? — agora ele não estava mais sorrindo.
— Não.
-Luce, posso perguntar uma coisa?
— Depende.
— Porque os cortes?
Eu olhei pela janela. Fique um tempo calada. Esperei até que ele desistisse da pergunta. Mas ele não desistiu.
— Porque você faz isso Luce? — a voz dele estava séria.
— Porque você está tão preocupado? O braço que está cortado é o meu! Não o seu. Cuide da sua vida! — eu explodi.
— Minha irmã dizia a mesma coisa.
Um silêncio tenso foi feito. Eu olhei para o rosto dele enquanto dirigia. Ele não estava mais divertido. Estava sério. O que era muito estranho. Alex Harvey, calado e sério. Isso não se vê todo dia.
— Sua...irmã? — eu perguntei tentando não ser invasiva.
-É. — ele suspirou. — Ela fazia o mesmo que você. Ela se achava gorda...e começou a se cortar, vomitar o que comia...era horrível. Então ela se foi. — eu não conseguia ler a expressão em seu rosto. Aquele garoto do meu lado, era o Alex. E não "O Alex Harvey". E eu fiquei feliz por saber que ele resolveu se abrir para uma estranha.
— Ahn, se você quiser, não precisa falar sobre isso. — ele assentiu. — E...eu sinto muito pela sua irmã.
— Obrigado. Será que você vai parar com isso Luce? — eu abaixei o olhar. — Isso matou a minha irmã. Pode matar você também. E eu não quero que isso aconteça. — eu corei.
— Se eu já não estiver morta...- eu murmurei para mim mesmo. Mas ele escutou.
— Não acho que esteja. Pessoas mortas não coram.
[...]
— E aquela casa ali. — eu disse apontando para a mansão da minha tia. Ele jogou a cabeça para trás e riu. — O que foi?
— Sua tia é Emma Mason? — eu assenti. — Minha mãe adora ela, são tipo, melhores amigas. Sua tia é estilista não é? — assenti outra vez. — Minha mãe também. Eu já vim na sua casa várias vezes...- eu riu.
— Acho que não vai querer vir de novo, vai?
— Isso é um convite? — ele levantou uma sobrancelha.
— Sim. — ele sorriu. — Mas...é um convite para fazer o trabalho de história, apenas.
— Ah, que pena. — eu corei. — Mas, aceito. — ele sorriu de novo.
Nossa, como esse garoto gosta de sorrir. (N\\\\a: E que sorriso *---*)
[...]
Entramos em casa. Minha tia estava na cozinha e Ally estava no sofá dormindo. Eu entrei e fechei a porta. Ouvi uma voz masculina que eu não conhecia.
— Lu? — perguntou minha tia da cozinha.
— Oi, Emma.
Ela saiu da cozinha e uma homem alto, de olhos verdes e cabelos bem pretos saiu da cozinha. Ele sorriu para mim.
— Ah, Lu, esse é o Tyler. Ele é um....amigo. — ela sorriu.
— Mentira, é o namorado da mamãe. — disse Ally que tinha acabado de acordar.
Minha tia corou. Eu, Tyler e Alex rimos.
— Vejo que não sou a única que está acompanhada, não é Lu? — minha tia sorriu vitoriosa.
Minha vez de corar.
— Oi, Emma. — disse Alex piscando.
— Oi, Alex. Como vai a sua mãe? — perguntou minha tia sorridente.
— Bem. — ele sorriu. — E...quem é essa? — ele apontou para Ally.
— Ah, você lembra que ano passado, antes da sua mãe ir para a Rússia, eu disse que ia adotar uma menina? — Alex assentiu. — Bem, é ela. O nome dela é Ally.
— Hey Ally! Sou o Alex. — ela corou. — Quantos anos você tem, princesa? — ela sorriu envergonhada.
— Oito.
— Oito? Serio? Eu tenho um irmão de oito anos. — ele sorriu para ela.
— Ele pode vir aqui qualquer dia? — os olhos de Ally brilhavam.
— Claro. Mas ele não pode vir sozinho.
— Mas...ele pode vir com você. Ele vem me ver, e você vem ver a Luce. — Alex sorriu. E eu corei pela décima vez no dia.
— Okay, vamos fazer o trabalho logo. — eu disse para Alex.
— Claro. — ele piscou para Ally.
[...]
— Não Alex, vamos fazer com cartolina azul. Nada de cartolina preta, qual é o seu problema? — eu perguntei enquanto ele mexia na minha estante.
— Todo mundo faz o trabalho em uma cartolina branca, ou rosa, ou azul. Por isso eu quero fazer na preta. — ele disse sem me encarar, passando as páginas de um dos meus livros.
— Quer ser do contra? — eu perguntei. Ele me fitou.
— Não, quero ser diferente da maioria.
— Ah, não está fazendo isso muito certo. — eu brinquei.
Ele colocou o meu livro na estante e sentou do meu lado na escrivaninha e fitou a tela do notebook.
— Ah, é? — assenti. — E porque eu não estou fazendo isso muito certo?
— Porque sendo um bad boy, que vive no limite e namora lideres de torcidas anoréxica, você não está sendo diferente dos idiotas lá da escola. — eu disse enquanto lia sobre mitos romanos.
— Então eu sou um idiota? — ele disse rindo. Que tipo de pessoa ri quando é chamada de idiota?
— Talvez. — eu falei sem olhar para ele. Mas sabia que ele estava me encarando. — Só te conheço a um dia.
— E mesmo assim, me chamou para vir para a sua casa. — ele fez questão de me lembrar.
— Sim, porque infelizmente você é a minha dupla no trabalho.
— Você não queria fazer o trabalho comigo? — ele fez um biquinho, fingindo estar magoado. — Como assim você não queria fazer o trabalho com o cara mais legal, bonito, e idiota da escola?
Essa eu tive que rir.
— E narcisista.
— Um pouco. Mas sério, eu sou um idiota?
— Sim — eu sorri.
— E se eu disser que você é a garota mais legal e bonita da escola? — ele sorriu e eu corei mesmo sabendo que era brincadeira.
— Vai continuar sendo um idiota.
[...]
— Acabamos. — eu disse me lançando na cama e suspirando. O trabalho ficou perfeito. Demoramos o dia todo para fazer uma simples pesquisa.
— Amém. — eu ri. — tenho que ir embora. Ainda tenho que ir a uma festa que vai durara até amanhã. — eu revirei os olhos. — Me acompanha até a porta? — ele estendeu a mão.
— Claro. Eu não deixaria você descer sozinho. Vai que se perde. — eu disse descendo as escadas.
— Desculpa, esqueci que eu sou um idiota. — eu sorri.
Minha tia estava sentada ao lado de Tyler, assistindo TV. Enquanto Ally brincava com uma das suas bonecas. Ela sorriu quando viu o Alex.
— Você vai trazer o seu irmão aqui? — ela perguntou animada.
— Hoje não vai dar, já está tarde. Mas eu vou trazer ele aqui algum dia, prometo. — ele sorriu para ela.
— Seus olhos são bonitos. — disse Ally.
— Obrigado. Mas eu acho os seus bem mais bonitos. Olhos de princesa. — Ally corou e voltou a brincar com a boneca.
— Alex, já vai? — perguntou minha tia. Ele assentiu. — A o Tyler vai também, tem como dar uma carona para ele? O carro dele quebrou.
— Claro. — ele olhou para Tyler. — Vamos?
— Vamos. Tchau Emma. — ele beijou minha tia e Ally fez uma careta enquanto eu sorria. — Tchau Ally, tchau Luce!
— Tchau Tyler. — eu disse sorrindo para ele. — Tchau Alex. — ele sorriu.
Ele me deu um abraço e depois olhou nos meus olhos. Que tipo de poder é esse? Olhe no meus olhos e nunca mais pare. Os olhos dele eram tão lindos, que quando você olha para eles, parece que mais nada tem sentido.
— Tchau Luce. Até amanhã. — ele me deu um beijo na testa e meu corpo todo se arrepiou. Me amaldiçoei por isso.
— Tchau. — eu disse fechando a porta. Minha tia me encarava sorridente.
— O que? — eu perguntei.
— Alex Harvey...- ela disse pensativa.
— O que tem ele? — eu perguntei.
— Nada...- ela disse entre risinhos.
— Okay...- eu subi as escadas e fui para o meu quarto.
Dormi bem rápido, mas sempre com os pesadelos.
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