Fix Me
25 Águas
Notas iniciais

Eu não acredito que eu estava abraçando minha mãe, aquela mulher que me fez, me criou e cuidou de mim com tanto carinho. A mulher que foi e sempre será minha melhor amiga. Corri para abraçá-la com força e senti o retorno.
— Como senti sua falta! Desculpe te deixar com tantos problemas em casa.
— Eu não me importo agora, pois você está aqui comigo.
Senti seu abraço apertar mais um pouco.
— Meu amo, infelizmente não ficarei por muito tempo.
Me afastei para encara-la.
— O que? Porque? !
Ela suspirou.
— Seu pai.
— Mãe, por favor. Não vá. — Cheguei perto de seu ouvido. — É muito perigoso.
— Eu sei. Por isso mesmo. Preciso resolver esse problema de seu pai de uma vez por todas. Ele passou dos limites.
— Mãe, por favor, não vá. Não quero te perder.
Falei escondendo as lágrimas em seu peito.
Ela acariciou meus cabelos.
— Minha criança. Faço isso em busca de um mundo melhor para você e, no futuro, para meus netos. A intriga que seu pai tem é problema dele, mas agora afetou seu modo de viver. E não vou deixar isso ficar assim.
Me afastei limpando as lágrimas e olhei para seu rosto e percebi que ela estava determinada a fazer algo.
— Tenha cuidado. Por favor.
— Terei. Mas não vamos ficar assim agora. Só irei semana que vem, pois quero aproveitar cada segundo com você.
Ela colocou suas mãos quentes em seu rosto e passeou pelas minhas bochechas.
Sorri e logo voltamos à terra quando Lucas parou ao nosso lado e limpou a garganta.
— Então, já acabou o drama?
— Você tinha que estragar o clima, não é?
Falei cruzando os braços. Ele apenas sorriu e apresentou todos para a mamãe, que deu um sorriso e se apresentou formalmente para todos. Após as apresentações, fomos todos para a saída do aeroporto em busca do carro de minha mãe, mas puxei Lucas para trás e sussurrei em seu ouvido.
— Ei, vai caber todos no carro?
— Lógico que não, por isso aluguei um carro para eu levar Alex comigo e você vai com seus amigos no carro da mamãe.
— Agora faz mais sentido, pois não estou a fim de ficar apertada novamente.
Ele riu e voltamos a caminhar. Eu sabia que meu irmão não era muito humilde, mas agora sei que ele não tem nem um pouco de humildade. Quando saímos, havia uma ranger preta parada chamando minha atenção. Lucas pegou a mala de todos e colocou no carro. Minha boca não fechava pela surpresa. Quando ele foi pegar minha mala, eu precisava comentar.
— você tem sérios problemas em guardar dinheiro!
Ele simplesmente sorriu e continuou.
Entrei no carro com o todo mundo e começamos nosso caminho. Durou mais ou menos uma hora e meia de viagem até chegarmos ao condomínio mais lindo do bairro. Lauren e Evan estavam de boca aberta, assim como eu.
— Mãe, aqui é lindo! Como você encontrou esse lugar?
— Uma amiga minha tem alguns contatos e consegui um casa aqui rapidamente.
Ela virou e sorriu para mim mas logo voltou sua atenção para o volante.
O condomínio era fechado por ser de classe alta e bem bonito. Em todas as casas havia um gramado verde bem cortado e uma varanda tranquila. Após umas duas ruas chegamos a uma casa que era igual as outras, grande e branca. Lucas estava bem atrás de nos, e aposto que ele também estava surpreso. Saímos do carro e descarregamos o mesmo pegando todas as malas e entrando no Hall bem receptivo. Havia uma sala de estar no lado esquerdo e uma sala de jantar no lado direto com uma passagem para a cozinha. Na frente havia uma escada com corrimão de madeira branca que nos levou ao corredor dos quartos. O primeiro era a suite de minha mãe, na frente o quarto onde Lucas e Evan iriam ficar e ao lado o quarto das meninas. Minha mãe deixou bem claro que não quer casal juntos à noite, deixando isso bem claro para Lucas, que ficou triste mas assentiu do mesmo jeito.
Quando abri a porta do nosso quarto, vi que havia apenas duas camas, como o quarto dos meninos. Virei para minha mãe.
— Mãe, quem vai dormir no chão? Somos em três meninas, lembra?
— Ninguém. Você, minha querida, vai ficar comigo!
— Oi?
Falei sem entender.
— Pegue sua mala e coloque no meu quarto. Já arrumei um lugar para suas coisas.
Não sabia o que dizer, olhei para Alex e Lauren e percebi que até as duas estavam surpresas. Como uma senhora de quase 40 anos quer que uma adulta como eu durma com ela? Simplesmente não questionei, peguei minhas coisas e levei ao primeiro quarto. Quando abri, me senti na Grécia nos tempos antigos. Era um quarto luxuoso e ao mesmo tempo confortável, com uma cama enorme no meio, um closet com portas de espelho no meu lado direito e a porta para o banheiro (que tinha uma banheira) no meu lado esquerdo. Minha boca caiu ao olhar algo tão maravilhoso.
— Meus parabéns ao designer desse quarto.
Falei para mim mesma.
Entrei no closet e olhei que metade dele estava vazio, com certeza era a minha área, mas não imaginava que seria tão grande. Tanto que sobrou espaços para uso futuro. Tomei um banho bem gostoso e fiquei de molho na banheira enquanto encarava o teto branco. Fiquei ouvindo os pingos caindo na água e minha respiração indo e vindo até fechar o olhos e mergulhar por um segundo.
"Alice"
Ouvi um sussurro de alguém me chamando.
"Alice, me perdoe. "
Era um garoto. Minha visão estava preta, apenas deu para ouvir sua voz que se aproximava cada vez mais.
"Eu estraguei tudo"
Senti um abraço forte e o cheiro de menta.
Thomas.
A visão estava voltando, consegui ver a versão mais nova de Thomas na minha frente com um semblante triste.
— O que houve?
— Eu tentei encarar nosso inimigo, mas piorei a situação. Agora não podemos mais nos ver.
Me perdoe.
Falou encostando nossas testas e libertando uma lágrima que caiu rapidamente. Eu o abracei forte.
— Eu sei que você vai me achar, novamente. Só não se esqueça de mim.
Ele se afastou com um sorriso forçado no rosto.
— Eu nunca vou te esquecer. Você foi a primeira pessoa a conquistar minha confiança e meu coração. Nunca vou esquecer isso.
Ele me abraçou novamente. Nesse momento senti um tremor e barulho de tiros. Aquilo estava me assustando, olhei em volta, e percebi que era um lugar pequeno com roupas e sapatos espalhados. Estávamos dentro de um armário. Thomas me beijou e se afastou. Me surpreendi, foi meu primeiro beijo.
— Adeus... minha amada.
— Adeus... amigo.
Ele sorriu, se levantou, abriu um pouco do armário apresentando a forte luz que me obrigou a fechar um pouco os olhos e sumiu.
Levantei rapidamente da banheira em busca de ar. A água escorreu em meu corpo, mas meu rosto estava quente. Lágrimas se misturaram com a água e juntas passeavam até meu peito que ardia. Soluços incontroláveis começaram e minha mão já não conseguia mais abafadas.
Mergulhei com um único pensamento.
"Porque nos esquecemos? "
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