Fix Me

62 Revelação Discreta


P. O. V Thomas
— Bom dia, filho. Está pronto para finalmente pegar as rédeas?
Respirei fundo e encarei David que estava sentado ao meu lado e na frente do nosso pai.
— Ainda estou pensando. Por enquanto você tem condições para dirigir a empresa. Então vou ficar apenas para apoio.
— E eu vou voltar para a faculdade semana que vem para voltar aos estudos e fazer direito.
Meu pai deixou a caneta cair na mesa e não se mexeu. Eu virei para David e o encarei surpreso e sem conter o sorriso.
— Direito?
— Sim. Já conversei com o senhor Wayne durante seu casamento e comecei a me interessar com a área.
Encarei nosso pai que ainda estava pálido e parado com uma estátua.
— Meus parabéns, irmãozinho. Você conseguiu fazer uma coisa que tentei por anos.
— O que?
Ele falou inocente.
— Surpreender nosso pai e quase matá-lo do coração.
Apontei para o velho que logo piscou e voltou a si.
Eu comecei a ri e David me acompanhou. Até nosso pai limpar a garganta.
— Então. David, como vai fazer direito?
— Arranjei um trabalho em um restaurante perto da faculdade. Trabalho de dia e estudo de noite. O bom é que o apartamento de Thomas fica perto de ambos.
Falou rolando na cadeira. Sorri e olhei para meu pai, que se segurava para não dar um treco.
— E você Thomas? Está pronto para trabalhar hoje?
— Sim.
— Ótimos, pois tenho muito trabalho para você.
Respirei fundo. James me levou até minha sala, que ficava no andar debaixo com mais alguns funcionários e me explicou a minha tarefa. Resumindo, esse foi meu dia. Consegui arrumar todas as mil papelada e nem percebi o horário passar. Esfreguei os olhos e olhei para o relógio do computador. 19h37min. Pulei na cadeira, fechei a sala e corri para meu carro. Dei partida e fui ao encontro de Alice. Entrei no prédio e ignorei todos indo para o elevador apertando o botão do andar em que a deixei com todas as minhas forças. Ao abri, encontrei a morena de hoje de manhã. Ela era irritante, e seu sorriso mais ainda. Só dei mole para ver a reação de Alice, o que achei fofo. Ela era linda de todos os jeitos, mas brava me excitava.
— Olá, Thomas.
— Oi.
Fechei a cara e respondi grosso. Ela virou para apertar para o último andar e depois me encarou.
— Quer continuar nossa conversa de hoje de manhã?
Ela se aproximava, mas meu orgulho não me fazia afastar, apenas encará-la sério.
— Não, só vim buscar alguém.
— Sua irmãzinha? Ela estava tão fofa perdidinha só seguindo um velho como um cachorrinho de rua.
Fiquei bravo e ri sem emoção.
— Velho?
— Um cara que nunca vi aqui, ele estava de terno e cabelos longos pretos. — Ela me olhou com malícia. — Porque a pergunta? Está com ciúmes?
Ela se aproximou até encostar em meu peito e levantou um pouco o pé do sapato para chegar perto do meu rosto. Logo sorri sabendo que ela vai se dar mal depois, mas o elevador parou e abriu apresentando Alice e Mark surpresos ao me ver colado com Milene.
— Thomas?!
Ela ficou surpresa depois parecia que iria chorar, e assim o elevador se fechou novamente.
— Ops. Será que ela pensou "coisas" de nós dois?
Falou com a mão perto da boca e sorrindo. Aquilo já passou dos limites.
— Já chega, Milene.
— O que foi? Ficou chateado por causa de sua irmãzinha? — Ela fez bico. — Não precisa ficar assim. Ela está com aquele velho, e você pode demorar um pouco comigo, se quiser.
Ela voltou a se aproximar e eu peguei-a pelos braços, me segurando para não machucar; apenas assustar.
— Escute uma coisa, Milene. Nem que fôssemos os últimos humanos na face desta terra, eu nunca na minha vida olharia para você. E vê se respeita a Alice, pois ela vale muito mais do que seus saltos e joias baratas. — Na hora o elevador se abriu no sétimo andar para alguns funcionários e eu aproveitei para sair. — Se me dá licença, tenho que buscar minha mulher.
Ela ficou inerte e eu não virei para trás para vê-la. Corri para as escadas e fui até a sala de Mark, abrindo com tudo.
— Alice!
A sala estava vazia.
— Thomas?
Ouvi uma voz feminina conhecida. Virei e encontrei Mary Anne.
— Mary, Oi. Cadê a Alice?
— Ela acabou de sair com Mark. O que houve? A Alice não parecia muito bem agora. Aconteceu algo?
Passei a mão nos cabelos para tentar distrair a raiva.
— Eu fiz besteira, de novo.
Resmunguei. Ela se surpreendeu, sorriu,e se aproximando.
— Você é mesmo filho do James. Mas diferente dele, você sabe admitir que está errado. Vai atrás dela. Nos vemos mais tarde.
Fiquei surpreso e a abracei indo atrás de minha esposa depois.
Corri para o estacionamento e encontrei o carro de Mark saindo. Parei na frente dele e por pouco não sou atropelado. Alice estava pálida por causa do susto e Mark não parava de me xingar lá de dentro. Dei meia volta e abria a porta de Alice.
— Precisamos conversar.
Ela piscou algumas vezes os olhos para voltar a si e depois me encarou com uma mistura de raiva e tristeza.
— Conversar sobre o que? É só eu sair por um minuto que já vem uma baranga para cima de você. E você dá mole! Estou me cansando disso Thomas, não percebe que isso não está dando certo.
Espera aí. Ela está dizendo que nosso casamento não está dando certo? É isso mesmo?!
— Alice, deixe eu explicar.
Ela saiu do carro e me encarou com a cabeça erguida por causa da diferença de altura.
— Não quero suas explicações, eu quero você, droga! Não aguento mais me sentir abandonada por quem amo. É sempre assim. Mark, Mamãe, Lucas e agora você!
Ela foi para a rua e eu fui atrás com Mark.
— Alice, para!
Ela estava atravessando a rua quando um carro não parou no farol vermelho e quase atropela minha melhor amiga. Por sorte eu corri e a puxei de volta, a abraçado logo em seguida.
— Você está bem?
Perguntei e olhei para ela que estava pálida e começou a soluçar e chorar como uma criança. Mark logo apareceu e ela pulou em seu pescoço. Encarei ele e ambos ficaram surpresos. Ele levou-a de volta para o carro e deixou-a no banco de trás deitada. Ela estava tremendo. Mark fechou a porta e suspirou, virando e me encarando.
— Thomas, o que está acontecendo? Ela não era assim.
— Hormônios.
Resmunguei. Ele levantou a sobrancelha e cruzou os braços.
— Você sabe de alguma coisa e não quer me contar. E se esse for o caso, — Ele esticou as chaves do carro para mim. — é você que vai resolver esse problema. E se não resolver, vai se ver comigo.
Suspirei e troquei de chave com ele. Entrei no carro de Mark e encontrei Alice dormindo com os olhos molhados.
" Qual o meu problema? Porque não consigo fazer ela feliz?"
Virei para frente e encostei a testa no volante enquanto soltava outro suspiro.
— Tommy.
Ouvi Alice sussurrar meu nome. Virei e vi que ela ainda estava dormindo. Liguei o carro e fui para casa. Levei Alice no colo e consegui chegar até em casa, na qual estava vazia, deixando ela na cama. Sentei na ponta e encarei ela dormindo com um semblante triste. Comecei a acariciar seu rosto e ela logo acordou me olhando com uma expressão neutra.
— Oi.
Falei com um sorriso fraco. Ela ficou brava e virou de costas para mim. Já imaginava.
— Me desculpe, Alice. No começo era apenas para te irritar mesmo, mas não queria te magoar. Milene é apenas uma estagiária exibida desesperada por um homem. Não vale a pena nem comparar ela contigo. — Ela se encolheu e eu coloquei a mão em seu ombro. — Eu nunca vou te deixar, por que eu te amo. E sei que sempre posso voltar para seus braços quando precisar. Porque eu te amo e você me ama, e seremos uma família feliz e complicada.
Ela riu fraco e se levantou devagar virando depois com os olhos vermelhos e molhados.
— Promete?
Estiquei o dedinho e ela logo cruzou.
— Eu prometo.
Abracei-a forte e a beije-a com ternura.
— Estou com fome.
Ri um pouco.
— Tome banho e eu farei um lanche para nós, esta bem?
Ela assentiu e levantou, perdendo o equilíbrio e sentando no meu colo.
— Tudo bem?
— Meus pés estão formigando.
Eu ri e ajudei-a a tirar a roupa e ir para o banheiro, onde ela disse que poderia se virar sozinha.
Desci e quando eu ia entrar na cozinha, ouvi a porta tentando ser aberta. Peguei com cuidado a arma que guardava nas minhas costas e me aproximei aos poucos. Logo uma velha que chamo de mãe aparece com inúmeras sacola e gritando pelo apartamento.
— Thomas, preciso de ajuda!
Respirei fundo e guardei a arma sem ela perceber e a ajudei com as compras.
— O que é tudo isso, mãe?
— Comida. Vamos ter um jantar inesquecível hoje. E você vai me ajudar!
Sorri e ajudei a fazer um espaguete com molho branco. Quando estávamos no meio dos procedimento, Alice aparece com uma camisa minha e shorts.

" Linda! "
— Querem ajuda?
— Alice! Pode me ajudar com a sobremesa?
Ela assentiu e começou a pegar alguns ingredientes e foi fazer um pudim gelado e um bolo com nozes e sorvete. Aquilo estava me deixando com água na boca. Após deixar a massa da lasanha no forno, minha mãe resolveu fazer chá e eu sentei ao lado de Alice, respiramos fundo e encostamos a cabeça na mesa da ilha. Olhei para ela e ela para mim com um sorriso que tanto amo.
— Cansou, amor?
Perguntou rindo.
— Imagine. No nosso casamento foi mais difícil te levar até o quarto com aquele vestido.
Ela me bateu no braço e depois riu e levantou indo pegar algumas xícaras. Tomamos chá e sentamos na sala até o pessoal chegar. Arrumamos a mesa e nos sentamos. Mark estava numa ponta e James em outra com suas esposas ao lado. Eu sentei ao lado de Alice, que agora estava de vestido Rose que marcava sua silhueta, e David sentou na minha frente. Por incrível que pareça, Nicolas e Alex também estavam juntos e meu amigo estava radiante enquanto brincava com o bebê. Após o jantar, minha mãe se levantou e pegou sua taça de vinho e uma colher fazendo um eco suave.
— Reuni toda a família aqui hoje pois Thomas e Alice tem uma notícia, e se eu não desse a iniciativa, eles não falaria para ninguém.
Fez careta para mim e todos riram. Ela se sentou e eu respirei fundo me levantando e dando a mão para Alice, que estava radiante com aquele vestido.
— Bom, isso foi inesperado, mas parece que seremos pais.
Todos soltaram os talheres deixando seus barulhos ecoarem no ar. Senti a mão de Alice apertar a minha. Ela estava com medo. Logo Alex começou a gritar assim como Mary Ann e nós dois pulamos. James e Mark se levantaram e foram me dar parabéns enquanto as meninas se abraçavam. Olhei para Alice que finalmente sorriu e começou a chorar de alívio.
— Se não cuidar direito de minha filha e de meu neto, eu acabo com você.
Falou Mark sorrindo e disfarçando a ameaça.
— Desta vez devo concordar, meu filho. Eu também te dou uma lição se algo acontecer.
Abri a boca surpreso pelo meu pai defender Alice e ainda por cima, concordar com Mark.
— Está... bem.
Sorri sem jeito. Minha sogra e minha mãe foram pegar as sobremesas enquanto Alex estava no sofá falando as realidades de uma grávida. Eu estava atrás do sofá, apoiado, com Nicolas.
— Tominho! Você cresceu e finalmente mudou, hein!
Ele falava com o copo de whisky na mão.
— Valeu, ruivo. Mas não fui o único a mudar. Certo?
Ele se assustou e depois riu sem graça.
— Essas mulheres têm um poder sobre nós.
Olhei para o lado onde Alice ouvia Alex com atenção.
— Sim. Elas têm esse poder.
Após a festa, Alex já estava pensando numa festa de chá de bebê daqui alguns meses, no Refúgio na América Central. Seria bom descansar um pouco sem medo de Dragon aparecer. Todos já haviam ido embora, a cozinha estava limpa e David já foi para cama. Sentei no sofá ao lado de Alice e descansei meu braço em seus ombros.
— Até que foi legal ter eles aqui.
Ela olhou para mim desconfiada.
— "até que foi legal"? Você parecia um adolescente conversando com o pai sobre como ser homem.
Eu ri com ela.
— Esta bem. Eu admito, eu gostei muito de ter eles aqui comigo.
Ela sorriu e começou a passar a mão na barriga.
— Finalmente as coisas estão melhorando.
Ela encostou a cabeça no meu ombro e fechou os olhos. Beijei sua cabeça e adormeci ao seu lado.
" Ainda não acabou"