Fix Me
14 Jardim Secreto
Notas iniciais

David Cameron
— Irmão?!
Após um breve susto (estava mais para desespero de não morrer), encontrei Thomas e ele me explicou tudo, além de pedir desculpas pelo seu irmão mais novo, David Cameron. Um garoto dois anos mais novo que nós que tinha um jeito misterioso de viver, seus olhos azuis claros chamava a atenção de todos em sua volta, mas seu mal humor os afastam depois de um tempo, diz Thomas.
— David, pede desculpa!
O garoto que estava de jaqueta verde toda amassada, revirou os olhos e me encarou com a cara fechada.
— Foi mal.
Colocou as duas mãos no bolso de sua calça jeans e virou para o lado, ainda mal humorado.
“De algum jeito, ele me lembra o papai.”
— Tu-tudo bem.
Falei dando meu melhor sorriso falso. Entramos no carro e seguimos em frente, deixando David no colégio. Ele simplesmente sai e acena de costas para nós. Sorri pensando que ele era diferente de Mark. Mostra ser uma coisa, mas por dentro é outra, bonita e fofa. Ri com isso.
— O que foi?
— Apenas pensei que seu irmão só finge ser mal -humorado, mas acho que ele é bonzinho por dentro. Apenas precisamos dar uma chance de ele mostrar isso.
— Você sempre vê o bom nas pessoas ou tem problema com meu irmão?
— Com certeza o problema é seu irmão.
Falei rindo, mas logo parei e me lembrei do hospital, quando eu estava conversando com James, e falei quase a mesma coisa para ele. Voltei a olhar para a janela e senti que ele deu partida indo em direção a faculdade.
“Que saudade que sinto do James. O conheci a pouco tempo, mas queria saber se ele estava bem, se está fazendo exercícios para voltar a andar. Se algum dia verei novamente aquele sorriso meigo que tanto amei...”
— Alice?
Sai de meus pensamentos ao sentir o carro parar e Thomas me chamando.
— Desculpe, você disse alguma coisa?
Ele deu uma pequena risada.
— Perguntei se você está bem. – Percebi ele se aproximando, e vi sua mão vindo para meu rosto, logo senti meu coração saindo do ritmo. — Bom... Com febre você não está.
Olhei para frente e tentar controlar meu coração de novo. Se não estou com febre, daqui a pouco estarei, se eu continuar nesse carro.
— E... eu estou bem.
Já estávamos no estacionamento da faculdade, logo sai e gritei um “obrigada” enquanto corria para o prédio de línguas. Quando virei para o corredor da sala que teria aula agora, bati em alguém e cai no chão, sentindo uma pequena dor na barriga.
— Des...desculpe. Eu não vi.
Abri os olhos e percebi que era um menino magrelo de touca e uma roupa elegante. Ele estava procurando os óculos com a mão pelo chão. Eu ri e peguei-os ao seu lado colocando de volta em seu rosto.
— Sabia que você não enxergava, mas não sabia que você era cego, Evan.
Ele arrumou os óculos e piscou algumas vezes antes de me identificar.
— Alice!
Falou alegre e indo me abraçar.
— Oi. Tudo bem? Porque está vindo para cá? A aula é do outro lado.
Falei apontando para atrás dele. Ele se levantou e me ajudou a levantar também, mas senti fraqueza por um momento e quase cai de novo, mas Evan me segurou. Mesmo parecendo magrelo, até que ele era forte. Recuperei as forças no momento seguinte e fiquei em pé, sem graça.
— Você está bem?
Falou colocando a mão em minha testa. Segurei seu pulso e o abaixei dando um sorriso.
— Sim, apenas não comi direito hoje.
Ele abaixou para pegar meus livros e me entregou. Ele estava sério.
— Foi por causa de ontem a noite na lanchonete?
Fiquei assustada por um minuto, pois já havia me esquecido. Abaixei a cabeça e assenti.
— Pode ser.
Evan deu uma pequena risada e levantou minha cabeça.
— Não fique assim. Todos nós temos problemas na família.
— Mas aquilo foi humilhação demais.
Falei baixou, quase sem voz. Ele olhou para mim de um jeito tranquilo e me abraçou.
— Pense que foi apenas passado, e que hoje é um novo dia. Uma chance de recomeçar.
Aquele abraço era gostoso, macio e quente. Parecia com o de Lucas. Ele se afastou e limpou a lágrima teimosa que havia saído de meu olho esquerdo.
— Obrigada, Evan. Mesmo nos conhecendo a pouco tempo, já te considero muito.
— Eu faço isso com as garotas.
Falou fazendo pose de macho. Eu ri com aquilo até ouvir alguém gritar no corredor, fazendo-nos pular de susto.
— EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ FUGIU PARA FICAR MELOSOS COM A ALICE!
— Lauren?
Falei olhando para trás de Evan. Encontrei uma loira de saia curta, camisa de manga cumprida e uma bota com salto que fazia eco no corredor vazio.
— Eu já disse, vim buscar o livro. Porque você fica toda grudada comigo quando está naqueles dias, hein?!
— Porque sim! Agora vai logo antes que o professor nos veja e nos leve fazer uma visita ao diretor! Vem Alice! — Ela pegou em meu pulso e me puxou até a sala. Olhei para trás e vi Evan acenando e rindo da nossa cara.
— Lauren, você está bem?
— Estou ótima! Melhor impossível!
Entramos em silêncio e sentei numa cadeira vazia que tinha ao lado de minha amiga. Eu a encarei, sem prestar muita atenção na vida social que o professor contava, e cutuquei Lauren, que virou para mim com cara de quem acabou de acordar.
— Desembucha.
— O que foi?!
— Você está estranha. Ou você é bipolar, ou está gostando de alguém.
Ela olhou para mim assustada e virou para frente. Ri baixinho e comecei a arrumar meu material, até se assustar com um papel dobrado que apareceu do nada na minha frente. Olhei para o lado e vi Lauren balançando a mão e mexendo os lábios. “Lê logo!”. Abri o papel e li.
“Sim! Estou mesmo gostando de alguém, mas vi ele beijando uma quenga de cabelos curtos e negros. Agora não sei o que faço!”
Li tudo com a boca aberta. Peguei um lápis e respondi.
“ Quem é?! Eu conheço?”
Devolvi o papel. Ela leu e fez careta.
“Acho que ela não quer dizer... “
Recebi a resposta.
“Sim, você conhece.”
“Então quem é?!”
Quando ela leu, olhou para mim, mas quando iria falar, Evan entrou pedindo licença e indo até uma mesa do outro lado da sala. Voltei a olhar para Lauren e ela simplesmente apontou para frente e sussurrou.
— Ele.
Eu simplesmente gritei automaticamente um “What?!”, fazendo todos olharem para este lado da sala. Quando o professor virou para nós, já estávamos no a cara nos livros, fingindo que estava lendo, mas sabia que nós duas não parávamos de rir.
As aulas passaram e finalmente o almoço chegou. Lauren quase me carregou no colo e me puxou para fora da sala e indo até um dos jardins que havia lá. Eu já não conhecia muita coisa, agora estava completamente perdida. em compensação, o jardim era lindo e não havia ninguém lá. Olhei cada canto, cheio de flores e um pequeno chafariz no meio. O jardim era praticamente escondido de tantas árvores e um mini labirinto de mato que passamos.
Paramos e sentamos num banco de madeira pintada de branco, o que dava mais charme ao ambiente. Recuperamos o fôlego e almoçamos ali mesmo.
— Pronto. Agora me explica isso direito. Você gosta do Evan?!
Ela suspirou, ainda encarando a comida.
— Olha, esquece o que falei, tudo bem? É provável que você me xingue agora.
— Não nenhum direito de te xingar por algo que o coração escolheu.
Falei encarando o céu branco.
— É sério?
Olhei para ela, que estava me encarando surpresa e com brilho nos olhos. Ri e assenti.
— Você é minha amiga, boba. Esse é meu papel. Mas você sabe a realidade, não é?
— Se você está falando sobre o parentesco, isso não é problema. Sou adotada. Não temos o mesmo sague, mas sempre senti algo por ele.
Aquilo foi novidade.
— É sério?!
Foi a vez de Lauren rir.
— Sim, boba. Mas não me importo, pois o amo como primo, e agora... deste jeito. — Ela colocou o prato ao seu lado e abaixou um pouco a cabeça, apoiando-a nas mãos. — O que está acontecendo comigo?! Não sou assim.
— Isso se chama, paixão. Um problema no coração que pode te matar. É grave. Você deveria ir ao médico. — Ela se levantou e me deu um tapa no braço, enquanto eu ria. — Desculpa, parei.
— Boba. Mas o que eu faço agora? Como vou encará-lo agora?
Coloquei minha mão em seu ombro e falei a verdade.
— Seja você mesma. Se ele sentir o mesmo, ele virá falar. Mas nunca corra atrás de homem! Isso é ridículo.
Falei imitando uma mãe. E rimos juntas. Após jogar os pratos plásticos no lixo, senti Lauren me abraçar pelas costas.
— Obrigada, Alice.
— De nada, boba. Amigas é para isso.
— Eu achei estranho. Você ainda não falou de você, e do jeito que você dá conselhos, parecia me entender. — Me assustei com a pergunta, então ela se afastou e eu me virei para vê-la. Ela estava com uma cara maliciosa. — Está apaixonada, senhorita Wayne?
— E-eu. Não. Besteira sua pensar isso.
Deu uma risada falsa, mas Lauren percebeu. Se virou e voltou a sentar-se no banco novamente, dando uns tapinhas de onde eu estava, para eu sentar também. Suspirei e sentei.
— Desembucha.
Falou com um sorriso bem grande no rosto.
— Está bem. Mas é uma novela, e não tem final feliz. Beleza?
Ela se surpreendeu e assentiu. Suspirei e expliquei.
— Ano passado eu e meu irmão fomos atacados por uns estranhos, isso fez com que eu ficasse no hospital com um corte feio na barriga. Lá, por acidente, conheci James. Ele era estranho e mal-humorado, essa foi minha primeira impressão dele. Mas ai começamos a conversar e senti uma forte atração por ele. Mesmo não o conhecendo muito bem, eu não paro de pensar nele, se ele está bem, se está saudável, se está comendo direito, se já saiu daquele lugar e se um dia irei encontrá-lo novamente.
Falei e vi a expressão de surpresa e brilho nos olhos de Lauren.
— Que lindo! Um amor platônico!
A encarei séria, mas sabia que aquilo era verdade.
— É verdade. Agora que você falou, parei para pensar. Mesmo se eu o visse, não poderia ficar com ele.
— Porque?
— Porque ele adotou uma... vaca como namorada.
Lauren começou a rir alto com meu comentário.
— Vaca? Não sabia que você xingava os outros. Quem é a estranha?
— O nome dela é Cameron, e por causa dela eu fiquei mais tempo no hospital, e vi ela traindo James na minha frente. Mas mesmo se eu contasse para ele. Em quem ele acreditaria, na namorada ou na estranha?
— Você tem razão. E como é essa “vaca”?
Ela fez aspas com o dedo.
— Da última vez que eu vi, ela vestia um vestido super curto, assim como seus negros cabelos, e tinha pele branca.
Percebi que ela ficou que nem uma estátua.
— P-por acaso o cabelo dela não era channel, era?
Fiquei surpresa e com medo ao mesmo tempo.
— Sim, porque?
— Alice, é melhor você ter cuidado. Não sei se é a mesma pessoa, mas quem eu vi … — Ela fez cara de nojo. — beijando o Evan, era do mesmo jeito que você falou.
Senti um frio passar pela minha espinha.
“Era possível?”
Assenti e fomos para fora daquele lindo jardim. Ouvi um toque de celular, e percebi que era de Lauren. Evan estava a chamando, em particular.
— Tudo bem eu ir?
— Claro, talvez haja esperança para você.
Dei um piscadinha e ela saiu de lá correndo. Quando me toquei, eu estava perdida no meio de tanto mato, sem celular.
— Droga! O que eu faço? — Comecei a gritar por ajuda. — OLÁ, TEM ALGUÉM AI? ESTOU PERDIDA, ME AJUDEM POR FAVOR. OOIII.
Essa última frase fez com que meus pulmões se esvaziassem, me obrigando a puxar todo o ar em minha volta. Isso fez minha barriga doer. Me encolhi onde estava, sentei no chão úmido e apoiei minha cabeça nos joelhos.
— James.... me ajuda...
Sussurrei na esperança de aparecer alguém. Fechei os olhos, que já estavam pesados, e cai.
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