Fix Me
35 Ideia
Por incrível que pareça, eu estava viva. Como sei disso? Sentia meu corpo queimar e gotas ecoando no ambiente. Com muito esforço, abri os olhos e me encontrei nua em uma banheira com água e gelo. Percebi que meu corpo estava anestesiado por causa do frio e dava para aturar a dor dos cortes e outros.
Olhei em volta e percebi que era um quarto enorme com várias outras banheiras vazias. Tentei me mexer e, com muito esforço, consegui sair de lá. Olhei para minha situação: corpo cheio de hematomas e cortes se cicatrizando. Senti uma fúria esquentar meu corpo e meu pensamento apenas passava a palavra vingança.
Encontrei uma pequena toalha que, por sorte, cobria meu corpo. Sai daquele quarto com a ajuda da parde para meu sustento. A porta estava destrancada, abri e me encontrei num corredor enorme, de novo. Olhei para os dois lados e sai de lá indo para a direita com a intenção de encontrar meus amigos em algum lugar. Após várias portas apresentando quartos vazios, finalmente encontrei um todo decorado. Parecia um pequeno apartamento com uma cama de casal simples, criado-mudo, mesa com duas cadeiras e um banheiro. Entrei e encostei a porta atrás de mim sem fazer muito barulho. Olhei em volta e percebi que não estava abandonado, peguei umas roupas quentes e simples que estavam sobre a cadeira e vesti-as. Ouvi vozes femininas vindo do banheiro. Vozes familiares rindo. Corri com a esperança de ser quem eu pensava. Abri com tudo fazendo Lauren e Alex pularem de susto. uma delas estava sentada na privada enquanto a outra tomava banho, mas as duas correram para me abraçar com lágrimas nos olhos. Eu fiquei inerte ao ver a aparência das duas.
— Vo...vocês estão... GRÁVIDAS?!
Alex sorriu e olhou para Lauren que ficou vermelha na hora.
— É uma longa história. Mas e você? Está bem?
Perguntou Alex com sua doce voz que não mudou.
— Alex, de.. de quem é essa criança?
Ela sorriu e passou a mão na barriga já grande.
— Do seu irmão.
— Tem quanto tempo?
— Cinco meses. Queria tanto Lucas ao meu lado. Mas estamos presas aqui sem ver ninguém todo esse tempo.
Meu coração acelerou.
Ele não a viu? Esse tempo todo ele prendeu ela, e ela nem sabe. Pior. Por cinco meses deixou ela presa aqui e Alex nem sabe.
Tapei minha boca e tentei segurar as lágrimas.
Lauren percebeu que algo estava me incomodando. Pegou uma toalha, se vestiu e me puxou para o quarto. Ela fechou a porta e me sentou na cama, se ajoelhando na minha frente.
— Alice, o que está acontecendo? Cadê todo mundo? Porque separaram a gente?
— Estamos presas em um lugar que não sei onde é. Evan e David estão bem, pelo menos na última vez que os vi. Thomas também está vivo. Cameron é a causa disso tudo e Lucas...
Olhei para Alex que já ficou preocupada.
— O que houve com Lucas? Ele está bem? Você o viu?
Falou Alex desesperada.
— Eu... — Não posso contar. Ela não merece sofrer. Pelo menos não assim. — Eu não sei. Desculpe.
Desviei o olhar dela. Percebi que Lauren não acreditou muito, mas não questionou.
— O que houve com você? Onde você esteve?
Alex sentou ao meu lado. Expliquei tudo a elas, tirando alguns detalhes das torturas e sobre Lucas. Elas mostravam sempre expressões diferentes a cada parte da história. Dó, agonia, raiva e tristeza, e só me cortavam para perguntar algo a mais.
— Precisamos sair daqui. Urgente! Não quero que meu filho nasça nesse cubículo!
Lauren levantou-se determinada.
— A propósito, quando foi que você e Evan...
Ela ficou vermelha novamente e Alex riu comigo.
— Um dia antes do acidente, naquele encontro.
Ela falou tão baixo, quase para ela. Eu ri novamente imaginando a cara de Evan.
— Alice. Estou com saudade dos meninos e preocupada com eles. Você consegue ver eles?
Perguntou Lauren com uma voz meiga.
— Desculpe amiga, mas não nem como encontrei vocês. O lugar onde eu estava ficou aberto por acidente, acredito eu. Aqui é pior que um labirinto.
— Alice, você já foi atacada mais de quatro vezes desde que te conheci. Brigou com várias pessoas. Nos salvou de uma explosão, encarou o cara mais perigoso do mundo da máfia e ainda acha que não consegue nos tirar daqui?! Eu confio minha vida em você! Bom... — ela colocou a mão na barriga. — Nossas vidas. Por favor. Nos ajude.
Suspirei, pensei muito e assim, uma luz se acendeu em minha cabeça.
— Eu não acredito, mas tive uma ideia.
— Qual?
Alex perguntou.
— Vou trabalhar para Dragon e descobrir onde estamos. Depois distraio-o e corremos.
— Legal, mas você esqueceu de alguns pequenos detalhes. — Falou Alex mostrando o dedão apertando o indicador. — O que você fará com o grande exercito de ghost e também o meio de transporte para sair daqui.
— Não se preocupe. Se eu não estiver muito louca, tenho alguém para... nos ajudar.
— Quem?
Alex perguntou curiosa. Suspirei indo para a porta e me preparando para fugir das bombas de perguntas futuras.
— Lucas.
Olhei para ela séria e sai correndo antes dela levantar e começar a falar.
Eu não acredito que estou fazendo isso, mas preciso da ajuda dele agora. Droga!
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