Fix Me

11 Gravatas


Notas iniciais
Um pouquinho de drama para meus queridos fantasmas... e a foto! ^.^ ESpero que dê certo minha experiência. Boa leitura, Kiss

— Para com isso.

Senti o olhar fulminante de meu pai de canto, enquanto mexia minha perna direita para cima e para baixo, uma mania que eu faço quando estou nervosa. Parei com aquilo e me sentei direito no banco de couro do civic preto do meu querido advogado, que no passado já foi meu príncipe encantado. Olhei para a janela onde mostrava as luzes dos postes passando rapidamente, e simplesmente sussurrei, quase para mim, com voz triste.

— Desculpe.

Ouvi um resmungo. Virei para meu pai e fiquei olhando para aquele ser. Um homem com seus 40 anos, bem sucedido que sempre se veste de um jeito elegante e social, cabelos grisalhos e sempre bem arrumado, com camisa, terno e suas infinitas gravatas. Como pode um homem gostar tanto de gravatas?! Desde pequena vejo meu pai assim, sempre bem arrumado e ocupado. Na minha imaginação eu pensava que cada cor significava seu humor do dia. Azul: calmo e brincalhão, quando volta do trabalho cedo e gasta esse tempo livre com a familia; Branco: em paz, está de folga e quer sair ou descansar; Vermelho: Mamãe, vai á um encontro com ela (o que é um pouco raro); Verde: Sorte no trabalho, sabe que vai trabalhar muito; Rose: seus filhos, mesmo com muito trabalho terntávamos animá-lo com um doce ou desenhos, mas isso acabou quando eu fui chamá-lo para brincar comigo, e naquele dia ele estava com uma gravata preta. Preta: não queria conversar com niguém, pois o trabalho está o irritando;

Nesse dia eu fui dar um chocolate que ganhei na escola e mostrar meu desenho que havia ganhado numa competição de mais bonito do dia, eu tinha apenas oito anos e só queria ficar ao lado do meu pai, mas foi besteira minha. Entrei no escritório dele sem bater, ouvi ele falando alto no telefone e esperei encostada na porta até ele desligar, quando isso aconteceu corri até ele gritando “papai” e contando as novidades e dizendo que tenho um presente. Ele não se mexeu, apenas abaixou um pouco a cabeça e respondeu sério, ainda de costas para mim.

— Alice, o que eu já disse em entrar sem bater, ou entrar enquanto estou trabalhando?

— Mas, papai, olha o que eu fiz para você! Eu até ganhei...

— Eu já disse para não ser teimosa! — Ele virou rapidamente e vi a pior expressão de meu pai que nunca imaginei que veria. — Você é grande o suficiente para saber que o mundo não é cor de rosa e feliz do jeito que você imagina!

Ele falou quase gritando, mesmo assim ainda tentei acalmá-lo.

— Mas, papai, eu fiz isso para você – Estiquei o desenho para ele, que estava dobrado ao meio num papel sulfite.

— Alice, aprenda que não é hora de desenhos ou bonecas, você precisa ser uma menina esperta e dedicada! Chega de criancice! Você não é mais bebê!

— Mas é para você, até ganhei um chocolate como prêmio.

Falei quase gaguejando, sem perceber que seus punhos já estavam fechados de tanta raiva.

— CHEGA!

A única coisa que me lembro após isso é meu coração se quebrando aos poucos e uma forte dor na bochecha. Abri o olhos e me vi no chão, com a bochecha queimando e lágrimas caindo. Olhei para frente e vi Lucas me abraçando e minha mãe grintado com meu pai, que estava com a mão na boca e uma expressão de espanto. Desde então nossa relação de pai e filha foi fria. Ele trabalhava mais e mais e ficava pouco tempo em casa, cresci e me transformei na filha perfeita, boas notas, boa aparência, boa educação, tudo para ver se eu poderia ser sua princesinha novamente, mas anos se passavam e nada mudava, foi quando fiquei fria novamente, pelo menos com ele. Mesmo não querendo, tenho medo dele, e principalmente de deixá-lo bravo novamente.

Essa foi minha infância com meu pai, ou seja, nada. Apenas um silêncio quando estamos pertos, mas eu consigo ver agora, o grande precipício que se criou entre nós, quando nos transformando em dois estranhos que tem apenas o sangue como o único fio que nos liga.

Voltei ao presente quando senti o carro parar. Pisquei algumas vezes por causa do sono e me vi na entrada sul daquele pesadelo, o hospital. Saimos do carro e deixamos o moço pegá-lo para estacionar em um lugar coberto, já estava frio e esqueci de pegar uma blusa em casa, então apenas esfreguei meus braços com as mãos que também estavam frias. Aquele vestido era fino demais para usar de noite, e a legue não ajudava nem um pouco. Senti algo grande e quente cair sobre meus ombros, olhei para o lado e vi meu pai esticando seu terno sobre mim. Ele estava com uma camisa branca que mostrava o resultado de anos na academia e a gravata, preta.

— O-Obrigada.

— É meu dever como pai não deixar ficar doente.

Dei uma risada irônica bem baixinho, e segui em frente deixando-o para trás. Já sabia o que fazer então não precisava dele aqui. Peguei a senha e quando fui chamada para fazer o cadastro respondi todas as perguntas da moça, enquanto Mark Wayne ficava sentado com olhares femininos para seu lindo corpo. Me aproximei e sentei ao seu lado, ele estava com o celular em uma mão, e a outra ele esticou e colocou atrás de mim e apoiando na cadeira que estava sentada. Senti olhares nada agradáveis vindo em minha direção, fazendo minha espinha se arrepiar.

— Tudo bem?

Mark perguntou olhando de canto.

— Sim.

Falei curta e grossa procurando meu celular no bolso do vestido e tentando me distrair. Percebi que ele não estava lá, procurei na minha mochila que deixei ao meu lado e nada.

“ Será que esqueci no carro dele? ”

Fechei os olhos coloquei minha mão no meu rosto.

— Como pude fazer isso?!

— O que houve?

— N-nada. Apenas esqueci meu... — Não posso falar para ele que perdi meu celular novo com um estranho. — Livro com uma amiga.

— Liga para ela e pede para te entregar amanhã.

— Quando chegar em casa faço isso.

Essa foi a maior conversa que tive com ele durante esse ano todo, e olha que estamos apenas em fevereiro! Peguei um livro na mochila e fiquei lendo para passar logo o tempo, até ouvir meu pai limpar a garganta.

— Então, seu aniversário está chegando, não é?

“ Ele.. ele lembra? Não pode ser, aposto que alguém falou para ele, ou ele viu no celular agora! Impossível ele lembrar! “

— Mamãe te contou?

— Não.

Falou com uma voz nêutra.

— Lucas?

— Não.

— Você viu no celular?

Olhei para o celular dele, mas estava apenas mostrando o contato de um cara que trabalha com ele. Ele suspirou, bloqueou o celular e olhou para mim com aqueles olhos castanhos claros quase verdes. Ainda sem expressão, ele não fala nada esperando que eu acredite nessa besteira impossível. Sabendo que eu não acreditaria ele simplesmente continuou a falar.

— Vai fazer alguma coisa no dia?

Levantei a sombrancelha.

— Porque você quer saber.

Ele olhou para baixo, soltou o celular no colo e coçou a cabeça, uma mania que ele faz quando está com vergonha ou sem-graça.

“ Impossível. Ele não pode estar assim. Não comigo! ”

— Quer sair para um jantar comigo depois?

Ele voltou a olhar para mim e se assustou com minha expressão. Eu estava de queixo caido, isso mesmo, CA-I-DO!

— Vo-vo-você está me convidando para sair?

— Só se você quiser... — Voltou a coçar a cabeça. — Só nós dois.

Tentei me segurar para não me iludir, mas não consegui segurar o sorriso. Isso só pode ser um sonho! Vou sair com meu pai! Nem lembro a última vez que saimos juntos, o que será que visto?! Olhei para o outro lado e coloquei uma mão em meu rosto, eu estava quente, seria vergonha? Olhei para ele com os olhos brilhando e com uma grande sorriso respondi.

— Aceito.

Ele soltou a respiração aliviado e depois de quase dez anos, consegui ver novamente aquele sorriso perfeito que apenas meu pai tem, aquele sorriso que faz minhas pernas tremerem e me deixar mais vermelha do que um tomate! Ele abaixou a mão que estava na cabeça e percebi que ele iria tocar em meu rosto, até ouvirmos alguém gritar.

— Alice Wayne.

Mark parou a mão no ar e olhou para o lado onde um moço havia gritado meu nome. Ele levantou e esticou a mão para mim.

— Vamos?

Peguei em sua mão me sentindo uma princesa, levantei e praticamente desfilei no corredor do hospital ao lado do meu príncipe que havia voltado do além.

Entramos na sala do médico e senti uma atmosfera diferente naquele lugar. Além de ser frio, era muito claro, mesmo estando de noite.

— Olá senhorita Wayne. Senhor Wayne.

— Olá doutor, alguma novidade? Já posso voltar as minhas aulas na academia? Posso fazer educação fisica? Quando você vai tirar essa faixa de mim? E...

Senti uma grande mão tapar minha boca, respirei fundo e olhei para meu pai que estava sério e incomodado.

“ Ótimo! Lá se vai meu príncipe! Tudo por causa da minha forte agonia de saber as coisas logo! “

— Desculpe minha filha.

— Tudo bem senhor Wayne, eu já estou acostumado com esse excesso de energia que sua filha tem.

O médico era alto, parecia descendente de asiático, com cabelos pretos, rosto esbelto, tinha carisma e era educado. Fazia qualquer mulher se apaixonar, ou ter um ataque de tão gato!

— Então Doutor Izumi, quando posso voltar a fazer natação?

— Calma, Alice. Preciso ver se está tudo bem. Vamos?

Ele esticou a mão e me deu passagem para eu sentar na cama que ali havia. Ouviu minha respiração, viu meu ouvido, boca e pediu para eu falar se sentia dor enquanto levantava os braços. Infelizmente fiz careta quando cheguei perto da altura do ombro.

— Está bem, pode abaixar.

Ele parecia sério.

— Espera, eu posso levantar mais.

Antes de levantar mais um pouco, o doutor segurou meus pulso com delicadeza e baixou para mim.

— Alice, você tem que parar de ser teimosa.

— Do-do que você está falando?

— As enfermeiras me disseram o que aconteceu no andar onde você estava.

— O-o que exatamente elas disseram?

Ele ficou sério.

— As enfermeiras me contam tudo o que acontece com os pacientes, e nos dias em que você estava aqui, foi motivo de fofoca quase o mês inteiro.

Fiquei surpresa, mas não tanto quanto meu pai, que se levantou e se aproximou do médico.

— O que exatamente aconteceu lá?

Izumi estranhou a pergunta.

“ Lógico, ele não sabe o quanto meu pai é “responsável” quado o assunto é os filhos! “

— Alice, você pode esperar lá fora, por favor? Preciso conversar umas coisas sérias com seu pai.

“ Ótimo, é hoje! “

— Está bem.

Passei pelo médico e depois pelo meu pai, que estava com uma expressão misturada com raiva e preocupação.

Fiquei com medo do que o Doutor iria falar, sentei em uma cadeira que ficava ao lado da porta da sala de consulta, mas não me acalmei. Levantei e andei de lá para cá até ver um telefone pendurado na parede. Nem sabia que isso existia ainda, mas foi algo para me distrair.

Liguei para meu celular, para ter certeza de que estava com Thomas. Tocou, tocou e finalmente alguém atendeu.

— Alô?

Era uma voz feminina, mas não uma voz feminina qualquer, eu conhecia e senti minha alma congelar ao relembrar a pessoa. Era ela, aquela vaca!





Notas finais
E então? Comentem! Kiss