Fix Me

67 Decepção não familiar


Já se passou uma semana desde que voltei a morar com Lucas na Itália. Cancelamos a reunião e adiamos para uma data não definida ainda. Fiz algumas provas da faculdade para adiantar meus estudos e, com a influência da minha mãe, consegui ficar na sala dos veteranos de contabilidade do último ano. Era difícil sem Lauren e Evan, porém, consegui conversar com Gabriel Torres e Henrique Torres, senhores de 40 anos nas costas, gêmeos, porém, um loiro e o outro moreno. Eles eram engraçados, enquanto Gabriel era alegre e safado, Henrique era mais reservado e não gostava que os outros o encarava, como uma fobia. Mesmo sendo tão diferentes, ainda tinham o mesmo desejo, ajudar a mãe na empresa espalhada pelo mundo, já que o irmão mais velho fugiu para seguir os passos do pai. Ambos eram casados, mas apenas Gabriel tinha filhas, quatro para ser mais exato!

— Todas entrando na fase dos infernos!

— Fase dos infernos?

Perguntei.

— Onde você tem que ser o príncipe delas 27 horas ao dia! — Lógico que era uma piada, e foi engraçada com sua careta. — Não tem graça! Aquelas meninas são um terror! Um hora choram falando que odeiam garotos e na outra gritam histericamente por uma olhada de nano segundos desses parasitas!

— Não se esqueça que você também era um desses parasitas na nossa adolescência, irmão.

Rick — como gosto de chamar — falou sem tirar os olhos de um livro. Me aproximei e olhei a capa. — "Como perder a timidez em um mês" — Olhei para Gabriel e começamos a rir.

— Não tem graça! Lara mandou eu ler esse livro de novo para ver se funciona no dia da nossa formatura.

— Esse livro deu certo alguma vez?

Perguntei, mas Gabriel riu de um jeito falso.

— Uma vez, e agora ele usa essa algema dourada no dedo, chamado aliança!

— Você também tem um, seu idiota!

Ele riu mais ainda nos contagiando. Então o professor chegou e voltamos a prestar atenção na aula.

Lucas sempre me leva e busca na faculdade e o tempo está se passando rápido e o primeiro semestre finalmente acabou. Hoje era o último dia de aula, vista de provas. Saímos mais cedo e mandei uma mensagem para meu irmão, avisando que iria a pé, já que ainda estava cedo e eu não almocei ainda.

— Minha amada, nos conhecemos a quase seis meses, gostaria de sair comigo?

Gabriel se ajoelhou na minha frente e pegou em minha mão. Rick apenas revirou os olhos e eu tentava prender a risada até ouvir alguém limpar a garganta atrás de mim. Ao virar, encontrei uma mulher de calça jeans, blusa folgada, salto, maquiagem e cabelos negros e curtos.

— Sa-sa-Sabrina? !

Gabriel gritou com medo.

— É só eu te liberar por poucas horas que você já faz a festa, Gabriel Torres?

Ela se aproximou e eu virei para vê-la melhor, até ela encarar minha barriga.

— E ainda por cima com uma gorda?!

— Eu?!

Perguntei inocente.

— Amorzinho, eu estava brincando... na verdade, não estava não.

Ele se levantou e ficou sério.

— O QUE? ! ESTA QUERENDO MORRER, VELHO?!

— Deixe-me explicar. Essa é Alice Wayne, nossa colega de sala. Foi transferida aqui no começo do ano e nos ajudou em momentos que parecia o fim do mundo! Eu convidei ela para comer lá no seu restaurante, querida.

Ela levantou a sobrancelha e hesitou um pouco.

— Está bem. Você vai agora?

— Sim. Quer carona?

— Não, eu só vim para te ver, mas já que você vai ao meu trabalho, te seguirei com meu carro. E você! — Ela apontou para mim. — Vai comigo.

— Eu O QUE?!

Nos fim das contas eu estava no banco do passageiro do fox azul ciano com Sabrina enquanto os gêmeos iam com um outro carro.

— Não fique brava com seu marido, ele só estava brincado. Não tenho interesse em homens tão velhos.

— Primeiro, ele não é tão velho assim! Sou dois anos mais velha que ele, ok? Segundo: eu confio no meu marido, ele provou a muito tempo que só terá seis mulheres em sua vida.

— Seis?!

— A mãe , eu e as nossas quadrigêmeas.

— Qu. .. qu. .. Quadrigêmeas?!

Ela riu com minha reação.

— E eu reclamando de um pesado!

— De quanto tempo você está?

— sete meses.

Falei acariciando meu bebê.

— Já sabe o nome?

— Pra falar a verdade não sei nem o sexo.

Falei rindo fraco.

— O que?! Porque?!

— Eu... Não sei. Não consegui ver. Ainda não tive coragem.

— Então você fez o teste, mas não abriu o papel com o resultado?!

— Não. É que, na hora eu pedi para o médico não dizer. Ele apenas riu um pouco e sorriu depois. Ele parecia ser um senhor bem fofo.

Falei sorrindo ao lembrar.

— E o pai? Ele não quer saber?

— E-ele... decidiu se afastar pelo nosso bem.

Falei sem muitos detalhes.

— Me... me desculpe ser tão indelicada.

Falou séria ainda olhando o trânsito.

— Tudo bem. Você não sabia.

Depois disso aatmosfera no carro ficou um pouco tensa.

— Então. .. Alice... Você gosta de comida japonesa?

Olhei para ela surpresa.

— Você trabalha num restaurante japonês?! Deve ser o melhor emprego! Comer alimentos asiáticos todo dia, além de emagrecer, eles são deliciosos!

Me empolguei e começamos a conversar sobre diversas coisas até parar em um lindo restaurante com detalhes pretos e vermelhos. Entramos, comemos e conversamos até a tarde. Estava tudo bem até alguém me ligar. Desconhecido. Hesitei um pouco mas atendi ainda rindo da piada de Gabriel.

— Alô?

Ninguém respondeu?

— Lu, é você? Está tudo bem?

Mudo.

Logo senti um frio passar em meu peito e arrepio na minha nuca. Virei para a janela que dava de cara com a rua, mas não encontrei ninguém. Desliguei o celular e olhei o horário.

17:50

— Meu Senhor!

— O que foi, Alice?

Henrique perguntou preocupado.

— Meu irmão vai me matar. Fiquei muito tempo aqui. Quanto deu, Sabrina?

— Não se preocupe. Hoje foi por nota da casa.

— Mas eu...

— O Biel e Rick fazem isso sempre. Pode ir.

Eu abracei ela e me despedi do pessoal.

— Eu a levo.

Rick se ofereceu e saímos de lá.

— Entramos no carro e o encarei séria.

— Corre! Minha vida depende disso.

Ele riu de um jeito fofo, um jeito que lembrou meu pai.

— Calma, menina. Não queremos ariscar a vida do pequeno. Não é?

— Ah... É.

Olhei para baixo e passei a mão na barriga.

— Desculpe, Amor. Você sabe que sua mãe é sem noção.

Rimos e seguimos nosso caminho ouvindo música. Chegamos rápido no prédio e eu me despedi, correndo para o elevador. A porta se abriu e havia três pessoas lá dentro, mas já no segundo andar se foram duas, deixando apenas eu e um cara com roupa de playboy e boné. Ele só olhava para baixo, então me afastei um pouco. Meu andar chegou e ambos saímos. Apertei um pouco o passo e coloquei a chave na porta, mas logo ouvi Lucas gritar.

— É MENTIRA!

Abri a porta com tudo e encontrei Lucas com uma faca apontada para...

— Rodrigo?!

Me assustei. Ele se aproximou e me abraçou.

— Oi, Alice. Há quanto tempo. E sua barriga cresceu.

— Obrigada e. .. espera... Você sabia?!

Ele riu fraco.

— Você não achou mesmo que em eu acreditaria para sempre que você estava com virose por um mês, não é?

Deixei a boca aberta até Lucas se aproximar e me encarar sério.

— Alice, me explique isso!

Ele apontou para Rodrigo.

— Lu, este é Rodrigo Salvatore. Seu pai, também conhecido como Dragon.

— Dragon?! Tipo, o cara que sequestrou todos os herdeiros e torturou você e Thomas até cansar?!

Ele abriu os braços irado.

Suspirei junto com Rodrigo.

— É mais ou menos assim. Vem, vamos te explicar tudo.

Fechei a porta e comecei a fazer café enquanto Lucas ficava sentado do lado de dentro da cozinha (perto de mim) e encarava Rodrigo, que estava sentado na frente do meu irmão.

Deixei a água esquentar para começar logo essa conversa.

— Lucas, Rodrigo pode até ter infernizado a vida de vários herdeiros, raptando-os. No começo, na nossa infância, ele fez isso para te procurar e revoltado, começou a mostrar para os outros chefes de família o que é perder um filho. Quando ele me sequestrou e depois me soltou, ficou de olho em mim, e em um dia desses viu você comigo e te reconheceu na hora e não parou de nos seguir. Mas ele achou que foi o Mark que havia pego você e te sequestrado. Tanto que, ele apareceu uma vez na sua frente e você não o reconheceu.

— Aquilo foi o fim do mundo para mim. Eu havia te encontrado, porém você se assustou e correu ao encontro de Alice e sumiu.

Rodrigo me cortou e finalizou.

— É muita informação para um dia.

Falou enquanto esfregava as têmporas. Eu peguei o café, agora pronto e ofereci em xícaras de porcelana que ganhei de Amélia. Fiquei ao lado de Lucas e conversamos mais um pouco, desta vez, de um jeito devagar e tranquilo para não abusar da memória de Lucas.

A noite chegou e Rodrigo já estava indo embora. Se despediu do filho, que depois foi tomar banho e abriu a porta virando para me encarar.

— Sei que não posso ficar com ele e voltar a ser uma família, sei que meu Jason se foi, mas por favor, cuide de meu filho. Eu ainda o amo.

Ele olhou com brilho nos olhos e então sorri e pousei minha mão em seu rosto.

— É mais fácil ele cuidar de mim, mas pode confiar que nunca o deixarei.

— Obrigado.

Demos um aperto de mão formal, um " boa noite" e logo fechei a porta indo para meu quarto em busca de um banho.

Vinte minutos depois eu estava limpa e relaxada, fui para o quarto de Lucas e bati na porta.

— Entre.

Abri e encontrei meu irmãozinho colocando a blusa e escondendo esse corpo de deus grego.

— Oi. Tudo bem?

Ele suspirou e sentou na cama. Andei e sentei ao seu lado.

— Sim. Apenas decepcionado por não ser seu irmão de sangue.

— Também me senti assim. Mas isso não muda o fato de você ser meu irmão, de qualquer maneira!

Sorri e, para tirar essa tensão, decidi assistir um filme de terror com direito a pipoca com manteiga. Lucas aceitou na hora e assim começou minhas férias da faculdade.