Fix Me

69 Come Back


Acordei no sofá com o sol na minha cara. Me estiquei e depois um aroma doce invadiu minhas narinas. Fui para a cozinha e encontrei Lucas fazendo panquecas.
— Bom dia, pequena.
Meu coração saiu um pouco do ritmo ao ouvir pequena novamente saindo de seus lábios.
— Bom dia, Lu. Quer ajuda?
Ele sorriu e assentiu. Coloquei a mesa na sala de jantar, que era junto com a sala de estar e fomos tomar café da manhã. Nos arrumamos e fomos passear pelo parque que havia ali perto.
— O que foi, Alice? Você está muito quieta. Além do fato de te ver dormindo no sofá hoje, de novo.
Ele parou na minha frente e fez cara de preocupado.
— Estou bem, maninho.
Sorri, mas por dentro eu estava confusa e perdida. Como ficaria essa criança sem um pai? Droga, eu deveria ter aguentado Thomas mais um pouco e talvez as coisas tivessem outro destino.
Suspirei.
— Esta bem. Estou cansada, Lucas. Apenas quero achar paz, mas não consigo. Não sei o que fazer e a cada dia que passa essa barriga fica maior, e o meu medo também.
Olhei para baixo, mas ele levantou meu rosto e sorriu.

— Estarei com você e protegerei vocês dois. Serei o melhor tio do mundo, e se for menina, farei ela se apaixonar por mim.
Ele sorriu de um jeito sedutor e eu ri.
— Obrigada, Lu. Te amo.
— Também, minha pequena.
Nos abraçamos e depois voltamos a caminhar. Ao voltar para casa, fui tomar banho enquanto Lucas atendia o telefone. Me arrumei e voltei para a sala.
— Quem era?
— Mary Ann.
— Você sabe que ela prefere que você chame ela de mãe, não sabe?
— Desculpe, é que eu ainda não estou muito íntimo com ela.
— Tudo bem. Vamos?
— Sim.
Fomos ao medico e Lincoln logo veio nos atender.
— Alice, tem certeza que não quer que eu conte? Você pode se arrepender.
— Tudo bem, doutor. Eu prefiro assim. Eu acho.
Ainda estava insegura sobre o sexo do bebê, já que eu não sei que nome colocar para ele, ou ela.
Lincoln suspirou e me olhou triste. Ele sabe de tudo que passei.
— Está tudo certo. Vocês estão bem e saudáveis. E agora, eu consigo te liberar para a viagem que queria.
— Espera. Viagem? Que viagem?
Lucas perguntou perdido.
— Vou para o refúgio ficar um tempo lá antes das férias da faculdade acabar.
— E quando você pretendia me dizer isso?
— Eu disse para você três dias atrás! Mas parece que você não me ouve mesmo!
Cruzei os braços e virei a cara, parece que Lucas não se lembrava.
— Esta bem. Esta bem. Vocês são mesmo bem engraçados juntos.
Lincoln riu com nossa pequena discussão.
— Desculpe.
Falei para o médico.
— Tudo bem. Então, você viu Charlie ultimamente.
— Não, parece que ele está com Pietro e... com Thomas na América ainda.
— Entendo.
Respondeu neutro.
— Então é só isso? Posso viajar amanhã?
Falei sorrindo.
Ele suspirou enquanto Lucas havia se espantado.
— Sim. Mas quero você de volta mês que vem!
Ele riu. Gente, como esse homem parece com Charlie!
— Obrigada, doutor.
Apertei sua mão e fui embora com meu irmão atrás de mim, perdido em pensamentos.
Parei no meio do corredor do hospital e virei para ele, o encarando.
— Lu, eu não vou embora amanhã e não vou te abandonar, ok?
Ele logo acordou e me abraçou.
— Desculpe, te deixar preocupada. É que eu não conheço ninguém, só consigo confiar em você.
— Então vamos para o refúgio juntos!
— É sério?
— Sim!
Sorri com minha decisão.
***
Três dias depois, dois aviões e várias visitas ao banheiro, finalmente chegamos ao refúgio.
— Me lembre de ir de jatinho na volta.
Falei com a mão na boca. Lucas riu e me abraçou.
— Aqui é lindo!
Ele olhou para o lugar amplo com várias casinhas, uma casa enorme um pouco elevada por causa da montanha, o verde da grana e o rio calmo que havia ali por perto.
— Verdade.
Falei encarando o lugar calmo e lindo. Logo uma asiática nos avistou e abriu a boca, depois correu por toda parte gritando.
— Salvadora! A salvadora voltou! Alice voltou, gente!
Em menos de cinco minutos havia uma multidão em nossa volta, apertando minha mão e me dando Boas vindas pela volta.
— ALICE!
Ouvi alguém gritar de longe, mas reconhecia essa voz desafinada de longe. Ela logo apareceu e me abraçou.
— Oi, Lauren.
Ela sorriu para mim e depois olhou para Lucas e ficou com a boca aberta, em seguida mirou na minha barriga já evidente e ficou pálida.
— Alice! Você já está barriguda?! E... LUCAS?!
Ele se espantou e deu um passo para trás discretamente.
— Te explico tudo depois. Longa história.
Ela assentiu enquanto recuperava o fôlego e voltava para uma das casinhas para pegar a filha no berçário e voltar.
— Alice, lembra da Lorena?
— Oi, meu amor!
Falei numa voz fina e peguei-a no colo. Ela parecia uma boneca de tão pequena e leve. Ela era linda, com os cabelos claros como a mãe e os olhos escuros como o pai. Seu sorriso com certeza era do Evan, delicado e tímido.
— Ela é linda, Lauren.
Falei sem tirar os olhos da bebê.
— Puxou a mãe.
Falou se achando. O pessoal me levou para a fogueira que estavam montando na frente da casa maior e todos começaram a fazer perguntas ao mesmo tempo.
— JÁ CHEGA!
Gritei e todos ficaram calados.
— Um de cada vez. Quem tem perguntas, levante a mão. Várias pessoas perguntaram e eu fiquei apontando um de cada vez para responder todas.
— Onde você esteve?
— O que houve?
— Você Está grávida? Quanto tempo?
Respondi todas, umas sérias e outras bestas, tipo, se eu tinha poderes para fugir toda hora. Pode uma coisa dessa?!
Mas o que mexeu comigo foi algumas das últimas mãos levantadas.
— Alice, quem é o pai?
— Thomas.
Todas sorriram pois já sabiam disso.
— E cadê ele?
— Eu... eu..
— É, cadê ele? Thomas saiu daqui sem avisar para onde ia, nem nada.
— Espera, o que?!
— Ele esteve aqui durante três meses construindo as cabanas conosco, mas sumiu sem dar notícias.
"Thomas esteve aqui há duas semanas?! Então, quem me dava aquelas flores?!"
Senti um arrepio invadir meu corpo, mas respirei fundo e coloquei uma máscara para não preocupar ninguém.
— Sério? Nossa, ele não me avisou, senão eu teria ido junto.
— Ele explicou que não te chamou para você aproveitar a volta de um ente querido, mas não sabia que era seu irmão!
Lauren exclamou. Após muita conversa, churrasco e música, todos arrumaram as coisas e voltaram para as cabanas fofas. Lucas fez amizade com alguns caras, que convidaram ele a beber um pouco na cozinha e falar sobre coisas de homens. Eu estava perdida e Lauren me ajudou a achar a "casinha dos meus sonhos" que meu... que Thomas construiu com a ajuda dos meninos. Era a primeira da fileira de casas iguais, porém, com cores diferentes. A minha era azul claro, tinha dois andares e estava bem arrumada. Havia dois quartos com camas de casais, três banheiros e uma sala de estar com televisão.
— Uau! Quem foi o arquiteto?
— Seu marido, é claro! Com ajuda de um americano que não lembro o nome.
— Lauren, eu preciso falar com alguém sobre isso. Não aguento mais esconder.
Choraminguei enquanto fechava a porta e sentava no sofá com ela.
— O que houve?
— Tudo começou a desmoronar depois que eu ia começar a trabalhar, eu vi Thomas com uma garota no elevador, depois ele fazia escolhas sem me dar alguma opinião e, pior. Fui raptada por Dragon porque Thomas havia roubado um pen drive que incriminava ele e o próprio matou a Cameron.
— O-O que?! Aquela morena de cabelos curtos que vivia de nariz empinado?!
— Essa mesmo. Bom, meu nervosismo me causava dores e desmaios constantes, além de afetar o bebê. Mas quando soube do pen drive, eu explodi e decidi ir embora.
— Fez bem! Aquele idiota não valorizou o que tinha!
Falou de cabeça erguida e braços cruzados, mas meus olhos começaram a marejar e choro logo veio.
— Eu sei que foi o certo a fazer, mas dói. Dói saber que o filho não vai viver com os dois pais. Que o pai tem sérios problemas enquanto a mãe é super desequilibrada. Que a família é de mafiosos e ele nunca estará seguro ou terá uma vida normal. Dói saber que tudo isso vai acontecer porque não aguentei mais um pouco, porque fui fraca.
— Você não é fraca, Alice. Olha quantas pessoas você salvou em menos de um ano?! Você está no último ano da faculdade, vai ter um lindo bebê que te amará demais e vai esquecer Thomas rapidinho.
— Esse é o problema.
Falei entre soluços.
— O que?
— Eu ainda o amo, e não sei se amarei alguém como amo ele. — Falei quase gritando. — Eu quero meu marido de volta! Quero que ele me proteja, que me ajude a cuidar desse bebê, que confie mais em mim. Eu quero o Thomas!
Falei enquanto tentava enxugar as lágrimas que não paravam de cair e machucar meu rosto.
Lauren sentiu minha tristeza e me abraçou forte.
— Vai ficar tudo bem, Alice. As coisas só estão começando a melhorar.
Assenti e ficamos assim por mais um tempo. Depois eu fui tomar banho enquanto ela fazia pipoca e escolhia um filme. Ficamos o final da tarde e a noite assistindo filme. Eu, Lauren e Lorena no tapete com sucos e pipocas para todo lado. Cai num sono quando senti alguém me carregar e me levar até o quarto e me cobrir.
— Lu?
Resmunguei, mas não conseguia abrir os olhos de tanto sono, apenas sentia um aroma que lembrava menta.