Five Times

1 Capítulo 1


Por cinco vezes Tommy Sullivan havia tentando reconquistar Megan Hunt após sua burrada.

Por cinco vezes ele falhou miseravelmente em alcançar seu objetivo.

A primeira vez que ele correu atrás dela foi logo após sua traição. Tommy literalmente correu atrás de Megan, tropeçando por tentar correr e colocar as calças ao mesmo tempo, ignorando a voz de Sheila DeMarco atrás de si, ainda nua em sua cama, e focando apenas na ruiva a sua frente, completamente fora de alcance e tão perto.

Na saída do prédio ela se chocou contra seu colega de apartamento, Charlie. Ele segurou seus ombros, sorrindo, provavelmente fazendo alguma piada sobre o momento, mas ela não falou com ele, mal olhou em seu rosto, apenas seguiu em frente. Charlie virou-se para acompanha-la com o olhar e, quando percebeu que ela estava chorando, voltou-se para Tommy e o empurrou, atrasando-o ainda mais.

— O que você fez, cara? – Ele havia perguntado.

Charlie costumava não gostar de Megan, achava que ela falava demais, que era mandona demais, que se achava esperta demais, costumava chamá-la de Doctor Sassy. Mas ela acabou conquistando-o, era impossível não se apaixonar por ela.

Durante alguns anos, Tommy se perguntou se Charlie realmente havia se apaixonado por ela.

Charlie não o segurou por muito tempo, mesmo que quisesse, Tommy era consideravelmente mais forte do que o rapaz. Um táxi havia acabo de parar em frente à Megan e ela estava pronta para entrar nele e ir o mais longe possível que conseguisse dele. Tommy apressou-se e segurou o braço de sua namorada forte, virando-a para ele. Ele queria dizer para não deixá-lo, que ele era um idiota, que iria melhorar.

Mas Tommy não disse nada. Ele havia partido seu coração e aquelas lágrimas silenciosas caindo daqueles olhos tão cheios de mágoa e dor eram a prova disso. Tommy nunca teve tanta vergonha como naquele momento, nunca havia sentido tamanho arrependimento.

Megan não disse nada, apenas retirou seu braço das mãos grandes de Tommy e partiu no táxi sem olhar para trás.

Tommy deixou-a ir, ele nem ao menos tinha o direito de ir atrás dela naquele momento.

***-***

A segunda vez ocorreu uma semana depois. Tommy tentou dar o máximo de tempo que conseguiu para ela e então foi atrás daquela que agora ele sabia ser a mulher da sua vida.

Ele dirigiu-se para o apartamento dela, não confiante, mas decidido. Nem ao menos conseguiu vê-la aquele dia. Tommy bateu na porta três vezes, ouviu os passos irem até ele e pararem; Megan deveria estar olhando no olho mágico e a porta não se abriu. Não houve resposta, mas os passos não se repetiram. Tommy suspirou, plantando uma mão sobre a porta que logo foi seguida pela testa.

— Megan, por favor. – De repente todos os textos ensaiados com Charlie à exaustão na noite passada foram esquecidos. – Por favor. – Ele disse apenas o que parecia certo. – Me perdoe.

Um instante de silêncio.

-Vai embora. – Veio a réplica, baixa, chorosa e raivosa.

— Me desculpe. – Ele insistiu.

— Vai embora, Tommy. – Sua voz estava mais alta.

Ele era estúpido, era um covarde. Tommy afastou-se da porta e obedeceu.

***-***

Já haviam se passado alguns meses na terceira tentativa. Ele havia pensado seriamente em desistir depois de todas as ligações ignoradas e, as vezes, repreendidas com palavrões que Tommy nunca tinha ouvido antes, todas as portas fechadas e as ameaças realmente assustadoras da Juíza Hunt.

Mas ele sentia falta dela e não achou que mais uma tentativa fosse piorar qualquer coisa.

Tommy apertou a campainha do apartamento de Megan com certo receio, as mãos esfregando-se uma na outra de maneira nervosa. Ela deveria não ter visto quem era, pois abriu a porta rindo. O sorriso foi substituído por uma carranca quase que instantaneamente, ela cruzou os braços por cima do decote encostando-se na soleira da porta e soltando um suspiro irritado.

— Tom. – Ela disse.

Tommy sorriu, olhando-a de cima a baixo. Seus saltos eram muito altos e sua saia muita curta para quem iria ficar em casa, a maquiagem denunciava que ela planejava sair. Ela estava linda, a única coisa que o incomodava era o comprimento da saia e o fato de que ele não estaria ao seu lado para repreender os olhares de outros homens.

Como ele não falou nada, Megan o fez:

— O que você quer?

Ele enfiou as mãos nos bolsos, tentando manter uma postura cool.

— Você. – E sorriu de lado.

Megan ajeitou o cabelo vermelho comprido atrás da orelha, endireitando sua postura.

— Talvez. – Ela começou. – Você devesse começar a pensar se eu quero você.

Tommy abriu a boca para responder, mas ela foi mais rápida.

— E não, eu não quero. – De repente ela parecia frágil e magoada e aquilo o deixou angustiado por dentro. – Olha, Tommy, você estragou tudo, tá? Pare de agir como se não tivesse sido grande coisa, porque foi. Cresce e comece a agir como um homem. – Seus olhos verdes mantiveram-se fixos nele. Tommy adorava seus olhos quase tanto quanto adorava seus cabelos ruivos. – Agora, se você me dá licença, eu tenho que encontrar alguém.

Ela retirou a chave da porta rapidamente, mas não conseguiu trancá-la, a mão de Tommy segurou seu braço firmemente.

— Eu sei que eu errei, mas... – Ele procurou as palavras certas. Na verdade, ele sabia quais eram as palavras certas e parecia que ela esperava ouvi-las desesperadamente. Mas Tommy não conseguia dizê-las, ao invés disso, disse apenas: — Eu gosto de você de verdade.

Seus olhos verdes foram para o chão e em seus lábios formou-se um sorriso triste. Megan balançou a cabeça.

— Eu não quero que você goste de mim. – Ela olhou para ele. – Eu quero que você me ame, quero que me respeite.

Ele não disse nada e ela virou-se para fechar a porta. Tommy aproveitou que ela estava de costas para passar a mão pelo nariz, apenas para prevenir.

— O que eu posso... – Ele disse quando ela voltou-se para ele. – O que eu posso fazer para você me dar outra chance?

Megan riu, agora com um humor ácido.

— Você teria que virar outra pessoa. – Ela sorriu, balançando as chaves entre os dedos. – Mas quer saber, não se esforce. Eu estou tão bem sem você. – Aquilo doeu e Megan sorriu mais ainda. – Eu tenho uma espécie de charme de solteira. Adeus, Tommy.

Megan passou por ele e Tommy não pode deixar de inclinar a cabeça ligeiramente, porque, Deus, ela tinha um charme de solteira agora. Seu coração afundou porque talvez ele não fosse bom o bastante para ela e talvez Megan realmente estivesse bem melhor sem ele.

Charlie foi visita-la algumas semanas depois e chegou lhe dando a notícia de que Megan Hunt não morava mais em Nova York.

***-***

Já fazia anos após o término quando ele tentou uma quarta vez.

Os anos passavam e ele sentia falta de algo todos os dias, desejando mais do que sexo sem compromisso ou namoradas sem muita inteligência.

Tommy havia namorado algumas garotas, apenas se aproveitado de outras, mas nenhuma era como ela. Nenhuma tinha seus cabelos de fogo, nenhuma tinha seus olhos brincalhões e expressivos, nenhuma tinha a pele tão macia ou o cheiro tão bom; nenhuma delas entendia suas piadas sem graça, nem cuidavam dele quando estava doente; nenhuma delas se agarrava a ele durante a noite como ela, ou beijava-o como ela, ou sorria como ela.

As vezes ele se lembrava dos momentos nem tão bons e se pegava desejando ter pelo menos mais uma briga sobre o restaurante que iam jantar com ela.

Tommy sentia tanto a sua falta que um dia simplesmente arrumou uma mochila e disse a Charlie que estava indo para a Filadélfia. Charlie insistiu em ir junto.

O máximo que conseguiram da mãe de Megan foi o hospital em que ela trabalhava, o que foi mais do que suficiente, porque se existia alguém que gostava de trabalhar, esse alguém era Megan Hunt.

Eles esperaram durante três horas ela terminar a cirurgia e ele quase teve um infarto quando a viu caminhando em direção a recepcionista, que horas mais cedo havia prometido a Tommy e Charlie que iria chama-la assim que acabasse a cirurgia.

Tommy estava ocupado demais a olhando caminhar graciosamente até o balcão, mãos dentro dos bolsos do jaleco, cabelo caindo em ondes um pouco abaixo do ombro, mais curto do que costumava ser. A recepcionista entregou alguns papéis à ela e Megan os pegou, analisando-os como se fossem a coisa mais preciosa naquele momento. Tommy estava muito ocupado observando-a, mas logo sua atenção foi desviada pelo assovio de Charlie.

— O que? – Ele perguntou, bobamente.

Charlie ergueu uma sobrancelha, apontando para Megan.

— Cara você viu a mão naquele anel?

Tommy olhou novamente e lá estava um enorme anel, provavelmente diamante, brilhando na mão direita de Megan.

A recepcionista disse algo e ela virou a cabeça na direção deles. Charlie sorriu e acenou mais ela não devolveu o cumprimento, seus olhos estavam fixos em Tommy. Ele sorriu e ela caminhou na direção oposta no mesmo instante.

Tommy correu atrás dela, porque não importava anel nenhum do mundo, ele só sairia de perto dela de novo se ela o fizesse sair. Sua mão agarrou-se firmemente a fábrica da manga do jaleco e a outra mão de Megan agarrou-se a sua livre, puxando-o para a porta mais próxima.

Para um depósito ou algo assim, não havia muita luz, mas Tommy não ligou para aquilo. Ela estava tão próxima que ele podia sentir o calor irradiando de seu corpo. Ele ergueu a mão direita de Megan, fitando o diamante.

— Você está noiva?

Ele havia planejado dizer outras coisas, algo mais romântico, mas, no momento, aquelas pareciam boas primeiras palavras.

Megan assentiu com a cabeça, o cabelo ruivo formando uma cascata em volta de seu rosto. Tommy esperou que ela dissesse o usual “O que você está fazendo aqui”, mas foi surpreendido quando ela disse um quase inaudível:

— Vai embora, por favor.

— Não. – Ele sussurrou de volta. – Eu quero você.

Megan não olhava para ele, ocupada demais em olhar para qualquer outro lugar.

— O que a gente teve, Tommy, acabou. Eu estou noiva e eu...

— Você o ama? – Ele disse. – Esse cara, seu noivo, você o ama?

Megan ficou sem palavras por alguns segundos, mas é claro que ela nunca deixaria nada passar sem resposta.

— Todd é um bom homem.

Tommy não aguentou mais ouvir, porque ele não queria escutar o resto e ela estava tão perto. Suas mãos encontraram um lugar confortável para descansar, a curva de sua cintura. Ele a puxou para mais perto, colocando seus corpos, fazendo com ela soltasse um suspiro e olhasse para ele nos olhos, finalmente.

— Ele... – Ela voltou a dizer, tentou dizer.

Seus lábios logo estavam sobre os dela e ele se sentiu inteiro de novo. Ela não tentou lutar contra ele, na verdade se entregou no primeiro momento, seus braços cruzando-se em seu pescoço, seus dedos enterrando-se em meio aos seus cabelos loiros. Ele a prensou contra a parede delicadamente e beijou-a até deixa-la sem fôlego e depois disso, querendo devorá-la.

Ele a apertou contra si. Tommy havia sentido tanto a sua falta e sentia que agora sim aquele era um adeus, e ele seria um idiota se não aproveitasse aquele último momento que Megan estava lhe dando.

Tommy aproveitou cada segundo precioso enquanto durou, mas quando Megan o afastou, ele ainda queria mais; ele sempre iria querer mais dela.

— Ele é responsável, gentil e ele me ama. – Ela continuou, como se não tivesse tido seu discurso interrompido. Olhou em seus olhos e foi como se tivesse olhado no fundo de sua alma. – E eu o amo por isso.

Suas mãos ainda estavam em seu peito, segurando firmemente no tecido como um náufrago segura em um pedaço de madeira. Ela o soltou, afastou-o e saiu da sala, deixando-o para trás, de todas as maneiras possíveis.

Ele passou por Charlie cabisbaixo, mas disposto a sair daquela cidade e seu amigo o seguiu.

Tommy achou que nunca mais a veria.

Afinal, qual era a probabilidade de se encontrar com ela na movimentada Nova York. Depois que Charlie foi morar em outro apartamento, eles poderiam passar o ano inteiro sem se encontrarem casualmente. Então imagine seu espanto quando, em um belo passeio pelo Central Park em um domingo, com uma garota loira e bonita ao seu lado, ele a avistou de longe.

Ela estava na ponte, observando os cisnes no lago, um homem ao lado dela, um braço passando por suas costas protetoramente e outro apontando para os animais. O que mais o surpreendeu foi a menina de cabelos castanhos e olhos azuis segura firmemente nos braços de Megan.

Ele sorriu com a cena. Sua companhia o chamou e eles voltaram a caminhada.

***-***

Quase vinte anos depois sua vida deu uma reviravolta. Com a morte de sua irmã e os fatos que se seguiram. Tommy estava decidido que Megan era passado, mas ele precisava de uma vida nova e ele pensou, agora ele era uma pessoa completamente diferente, a Filadélfia sempre pareceu um ótimo lugar para se viver e ele não estava ficando mais jovem, então o momento certo para reconquistar a mulher de sua vida era aquele. Sua quinta tentativa.

Não deu muito certo. Ela ainda achava que ele era um garoto. Megan o empurrou, o mandou para longe, o mandou para o inferno, teria o agredido fisicamente, pediu, implorou para que ele fosse embora, mas ele não foi.

Parou de forçar a barra e simplesmente ficou ao lado dela, ajudando-a com todo o problema com seu pai e, apesar de estar querendo exatamente aquilo, ele se assustou quando ela apareceu em sua casa, quando admitiu que ele não era mais o mesmo e que ela não estava sendo justa com ele.

Quando ele a beijou, dessa vez Tommy sabia que não era uma despedida, longe disso.

***-***

Anos mais tarde, Tommy riu sozinho em sua nova casa com sua esposa ruiva dormindo com a cabeça encostada ao seu peito. Riu porque ele só conseguiu uma chance com ela, quando Megan resolveu lhe dar.

Seus dedos percorreram os cabelos sedosos, até encostar confortavelmente em um pedaço de pele exposta em suas costas.

— Você é tão mandona. – Ele sussurrou.

Megan sorriu, ajeitando a cabeça em seu peito desnudo, o braço em sua cintura ainda mais apertado. Tommy sorriu ainda mais. Seus lábios plantaram um beijo em sua testa e ele fechou os olhos para voltar a dormir.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Deixem reviews.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!