Fita de Seda

17 Capítulo 17 - Um Dia que Tinha Tudo Para Acabar Bem


Notas iniciais
Ohayo, personas adoráveis (só pessoas legais e poliglotas sabem misturar o japonês com o espanhol - que é primo do italiano - e português) o/ Cá estou eu para postar um novo capítulo para vocês, amores de my life... Bem, eu estava dando uma olhadinha na vida de Hime nessas últimas semanas e pensei: "Coitada, só rola maluquice na vida dessa menina!" Então, resolvi dar uma dose de normalidade na vida dela, algo que ela está precisando... Bem, pelo menos um pouco de normalidade hehehe Queria agradecer a Wina, minha leitora fiel com seus comentários que me arrancam risadas, YuukiKuran, que eu acho que vai matar a Hime se ela se aproximar demais do Kaname hehehe - Yuuki, depois da sua ameaça até EU fiquei com medo rsrs - e agradeço também a Luna por comentar o capítulo anterior... Vocês me inspiram demais da conta, suas pessoinhas liendas o/ E você, fantasminha? Está esperando o que para comentar também, deixar sua opinião e me fazer feliz? Eu sou uma pessoa legal, vou responder de maneira muito legal... Dependendo do que você comentar hehehehe *carinha de anjo* Agora chega de blábláblá! *Boa Leitura*

Zero havia voltado a me tratar da mesma maneira indiferente e ignorante durante os últimos dias em que eu ainda era uma integrante daquela casa, agindo comigo como fazia com todos os outros alunos – como se eu não existisse.

Aquilo me fez questionar se quinta-feira, o dia em que ele havia sido tão normal, tinha mesmo acontecido ou não tinha sido nada mais que um delírio – ninguém devia passar por uma quase morte sem se afetar de algum modo, então esse podia ser o meu efeito colateral: a perda da lucidez.

Independente do que tivesse sido, estava satisfeita por ele parar de agir tão estranhamente comigo só porque sentia culpa e pena. Que ele seguisse a vida dele e esquecesse que um dia bebeu do meu sangue.

Bebeu do meu sangue...

Um arrepio percorria meu corpo sempre que eu recordava; parte mórbido e parte prazeroso, o que explicava com precisão o que eu sentia em relação ao acontecimento fatídico – ui, falei bonito.

Quando suas presas perfuraram meu pescoço e Zero deu a primeira forte sugada, senti uma dor de tirar o fôlego, o único sentimento que eu acreditava ter sido verdadeiro naquele momento, mesmo que muito breve. Logo depois veio o que eu acreditei ser um delírio, uma forma que o meu corpo encontrou para suportar – pois não fazia sentido nenhum eu sentir um prazer tão intenso e insano a ponto de me tirar toda a percepção de tempo e espaço, e me fazer desejar aquela situação e, por mais assustador que fosse afirmar, não ansiar que acabasse tão cedo.

Não gostava de pensar naquilo... Tinha medo que se tornassem verdades inegáveis e se enraizassem em meu cérebro, então sempre que apareciam pra me encher, eu varria aquelas tolices para o fundo de minha mente. Eu tinha que me concentrar em coisas muito mais sérias do que eu me tornando uma possível viciada em mordidas – e eu esperava que não estivesse, pois seria ridículo e terrível.

Estava jogada no sofá da sala de Kaien, assistindo ao filme “O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei” com Mitsuo em uma vazia e entediante tarde de sábado – e eu sentia que aquela devia ser a milionésima vez que o assistia... Algo sobre eu murmurar as falas junto com os personagens me fazia desconfiar.

A maioria dos alunos estava aproveitando o final-de-semana com a família, restando apenas os órfãos (como eu provavelmente era), os sem dinheiro e os largados (como Mitsuo); então convidei meu colega de escola para assistir um filme e melhorar minhas técnicas de interação social. Não queria virar uma versão feminina e não tão bonita de Zero, não devia fazer bem pra saúde ser ranzinza tão novo.

– Não vou visitar meus pais porque eles me colocaram aqui para não me ver – explicou, tentando soar indiferente – Então eu não vou obriga-los a me aturar e fingir que se importam. Não tenho muita paciência pra ceninha de ainda-somos-uma-família-feliz.

Estávamos jogados no sofá com uma bacia cheia de pipoca, garrafinhas de refrigerante e uns chocolates que ele trouxe.

Não importava o número de vezes que eu via o filme (mesmo que eu não me lembrasse das outras vezes, apenas que vi), O Senhor dos Anéis continuava emocionante. A guerra permanecia eternamente épica e digna de mais um Oscar só por estar passando na minha tela.

– Eu não consigo entender como o Legolas pode ser tão afeminado – reclamou Mitsuo – Seria difícil saber que ele é um grande arqueiro com esse jeitinho gay.

De todos os personagens, Legolas era um dos que eu era apaixonada, então falar mal dele era como falar mal de mim.

Olhei para ele com o queixo no chão, meus olhos semicerrados mostravam toda a minha indignação.

– Legolas não é afeminado! – reclamei, voltando meus olhos para a tela. – Ele é perfeito em todos os aspectos; como guerreiro, como homem e tem grau de gostosura muito elevado.

Mitsuo me lançou um você-tem-problema-de-cabeça olhar.

– Oh, por favor! O Aragorn...

– Aragorn é um mero mortal, – o interrompi, mesmo que eu gostasse do Aragorn também – e ele nunca poderia vencer o Legolas. A especialidade dele é com espada, e Legolas manja das artes de espadachim e arqueiro, sem contar os milhares de anos de experiência. É difícil até para eu admitir, mas ele faria o rei em picadinho.

– Você não pode ter certeza – retrucou – Aragorn pode muito bem conseguir combater Legolas. Só porque aquela Paris Hilton Élfica tem um milhão de anos, não o torna grande guerreiro. E não se esqueça de que ele é só um seguidor do Aragorn, porque o cara é fodástico.

– Ele não é um mero seguidor, não fale assim do meu namorado número um.

Mitsuo riu e arqueou uma sobrancelha.

– E são quantos?

– Nesse filme são apenas quatro...

Ele balançou a cabeça lentamente, tentando conter outro riso.

– Quanta sem-vergonhice.

Ignorei-o, voltando minha atenção para a batalha ocorrendo.

Havia sido uma excelente ideia convida-lo para minha casa, estava precisando de uma dose de normalidade adolescente – mesmo que nerd. Minha vida estava sendo uma bagunça enlouquecida, com criaturas mitológicas muito lindas e muito sangue derramado – deveria até ter minha própria série, fazer uma concorrência com True Blood e Diários de um Vampiro.

Mitsuo era uma ótima companhia, mantinha minha mente ocupada com debates fúteis e as questões que eu não queria pensar distantes – mesmo que metade das questões citada estivesse trancada no quarto acima e a outra metade escondida em algum recanto desconhecido de minha mente.

Mas como meu cérebro já havia provado que não era meu aliado, fazendo de tudo para me incomodar e constranger, me trouxera um flash de outra cena que eu certamente não estava interessada em lembrar: Eu oferecendo meu sangue para Zero.

Soltei um suspiro frustrado e me arrastei para mais perto de Mitsuo, sentindo raiva de mim mesma por não me permitir um dia de normalidade na minha vida sem que questões sobre vampiros ficassem me assaltando a mente.

Use demais essas questões que elas ficarão velhas e morrerão.

Bem, era uma ideia idiota, mas não custava nada tentar.

Sem qualquer animação, permiti-me recordar da surpresa ao descobrir que Zero dormira na poltrona e provavelmente estivera me observando dormir, o horror quando recordei tudo o que havia acontecido e a amargura em seus olhos enquanto me contava a verdade. Lembrei-me de sentir pena e divagar bastante sobre a ironia cósmica de Zero estar fadado a aquele destino – ainda sentia um aperto esmagador no coração quando pensava. E por último, pensei nos motivos de eu ter feito a minha proposta e me perguntei se era tão idiota fazer aquele sacrifício por Kaien, Zero e as inocentes pessoas que ele atacaria.

Oh, pelo amor do saco plástico, eu não estou cogitando isso! De novo!

Franzi a testa e mordi o lábio, frustrada. Encarei as almofadas que haviam sido jogadas no chão para que nós pudéssemos nos espalhar no sofá; remexendo-as com o meu pé, enquanto minha mente viajava.

Mas é tudo que posso fazer por Kaien, e não estava errada quando disse que tinha uma dívida com Zero… mesmo que a ideia não me pareça agradável.

Então não é incompreensível, certo? Quer dizer, é uma boa ação eu estar adiando o futuro trágico de Zero, não é? Supostamente estou diminuindo o número de vítimas e etc... Não é por que eu estou querendo ser mordida de novo, por curiosidade sobre o que aconteceu ou por vontade de sentir de novo, não acha? Bem, pelo menos eu espero...

Balancei a cabeça para me livrar de todas aquelas ideias, sentindo-me meio idiota e decidindo sair dali antes que as almofadas começassem a me responder.

Cutuquei Mitsuo com o cotovelo.

– Hey, vou à cozinha.

Ele assentiu vagamente, os olhos muito concentrados na televisão. Eu duvidava que ele tivesse prestado atenção no que eu tinha falado, não quando a última guerra contra os orcs estava para começar e Frodo prestes a jogar o anel na Montanha da Perdição.

Estava prestes a levantar quando o som de passos na escada chamou nossa atenção.

Viramo-nos a tempo de ver Zero passando sem sequer nos olhar ou ao menos dar um “oi” educado – ele adorava agir como se as pessoas ao seu redor não estivessem ali, o que naturalmente me irritava.

Ele estava sempre imerso em seus próprios pensamentos, com um semblante que transparecia que estava desinteressado em iniciar uma conversa – e se você ignorasse essa impressão e tentasse, com toda certeza a reação dele confirmaria as suspeitas.

Zero usava uma calça jeans lavada e uma T-shirt preta que o realçava – ele ficava muito bem de preto... Ou talvez eu pensasse isso porque gostava muito de preto.

Fuzilei as costas dele com o olhar antes que desaparecesse pela porta da cozinha.

– Uh, parece que o destino une vocês – zombou Mitsuo, e eu lancei meu pior olhar revoltado – Eu espero que vocês não sejam parentes de sangue, porque isso seria nojento... – continuou inabalavelmente – Ou não, quero dizer, eu adoro uma história com incesto.

Bati com a almofada na cara dele, arrancando-lhe apenas gargalhadas.

– Pelo amor do saco plástico, não ouse ficar me shippando com aquela pessoa – apontei para o caminho que o desbotado seguira – E felizmente não compartilhamos nenhum vínculo sanguíneo.

“Ele bebeu de você, então tecnicamente seu sangue corre nas veias dele”, soprou uma parte rebelde da minha mente, que eu soquei e afoguei.

– Concordo com a última parte – Mitsuo falou, sobressaltando-me com a possibilidade de ele ter lido minha mente – Sem parentesco torna todo o relacionamento mais simples.

Ele colocou mais pipoca na boca e voltou sua atenção para os minutos finais do filme, mastigando com tanta tranquilidade que poderia até convencer que estava alheio ao olhar homicida que eu o lançava.

– Não há “relacionamento” – fiz aspas no ar –, não existe possibilidade de tal coisa. Nós nos aturamos, só isso.

Mitsuo balançou a cabeça, incrédulo.

– Oh, por favor, Hime, vai dizer que não o acha bonito? Que nunca olhou para ele e pensou “Mama mia, queria experimentar esse corpinho pálido”?

Estava cogitando sufoca-lo com a almofada quando Zero retornou, bebericando de uma garrafa de suco de laranja.

– Não beijaria Hime nem se ela fosse a última mulher do planeta.

Minhas bochechas arderam em um vermelho nada atraente, envergonhada por ele estar escutando todas aquelas bobeiras – sem contar que meu ego e orgulho (e autoconfiança) feminino foram completamente destruídos.

Mitsuo pareceu momentaneamente surpreso com a intromissão de Zero no nosso assunto, como se um panda houvesse entrado na sala de monociclo e cantando “We Are The Champions”.

– E-eu duvido – gaguejou quando conseguiu se recuperar – Hime é uma fêmea sadia e em idade fértil, os machos costumam farejar jovens como ela.

“Horrorizada” é uma palavra fraca demais para explicar como me senti com aquela explicação idiota e constrangedora.

– Mitsuo, você não está falando de uma cabra, está falando de mim!

Mitsuo revirou os olhos de maneira teatral.

– Ninguém pode culpa-lo por se confundir... – Zero resmungou baixinho, e eu tive vontade de pegar uma das almofadas e jogar nele.

– Ok... Ela é uma jovem bonita – consertou Mitsuo – Com esses grandes olhos e sedosos cabelos negros, um porte de modelo. – eu tive que me esforçar para não gargalhar – É difícil acreditar que você não a ache atraente.

“Não é difícil nada... Ele acabou de me comparar a uma cabra”, pensei, revoltada, colocando mais pipoca na boca.

Zero me avaliou brevemente e com certo desdém, antes de descartar minha imagem.

– Você não tem algo melhor para fazer? – inqueriu Zero a ele – Assistir algum episódio de Glee ou alimentar esperanças vãs de ter Aidou Hanabusa?

Engasguei com a pipoca.

Foi uma crise de tosse admirável, que conseguiu até me arrancar lágrimas dos olhos e tudo mais. Zero se moveu com uma velocidade impressionante para o meu lado, dando “tapinhas” (que quase me jogaram do sofá) nas minhas costas e me oferecendo o suco que ele estava bebendo para ajudar a descer o milho agarrado.

– Eu não alimento esperanças por Aidou. – respondeu Mitsuo, muito na defensiva – Eu sei que ele nunca irá se interessar por mim, mas olhar não é pecado. E também eu não gosto de Glee.

“Eu gosto de Glee...”, pensei enquanto lutava por minha vida.

Zero ainda estava sentado ao meu lado com a mão em minhas costas, seus olhos atentos a mim e a possibilidade de eu cair dura por causa da pipoca – o que daria uma manchete de jornal muito vergonhosa para minha pobre alma.

Com a ameaça de morte por engasgamento afastada, voltei minha atenção para Mitsuo.

– Mitsuo, você é gay? – quis saber, incrédula.

Eu conversava com ele desde o meu primeiro dia de aula, almoçávamos juntos e eu nunca havia desconfiado que Mitsuo pudesse ser gay.

– Sou meio-gay, Hime – brincou – Eu sou bissexual, entende?

Eu assenti, quase aliviada. Quero dizer, nada contra os gays, mas Mitsuo era um cara humanamente bonito (sem todo aquele exagero de beleza; uma beleza simples, mas admirável), e se nada desse certo na minha vida... Era bom saber que eu tinha uma chance.

Eu podia ter esperanças de seduzi-lo (só que não) já que não éramos tão próximos como irmãos – embora eu estivesse cogitando essa possibilidade, pois ele mesmo admitira que gostava de um incesto.

– Entendo. Então, você tem uma paixonite pelo Aidou?

Ele deu de ombros, desconfortável. Eu já estava quase não me contendo de curiosidade.

– Não uma paixonite, é algo mais físico. Eu só o acho terrivelmente bonito e não vejo problema algum em dar uns beijos nele.

Foi impossível não gargalhar com a explicação, o que o deixou ainda mais desconfortável. Eu o entendia perfeitamente, mesmo que não me interessasse por Aidou Hanabusa – mas eu não veria problemas de beija-lo também... Hehehe.

– E como você sabia? – questionei Zero, notando que estávamos tão perigosamente perto que nossos braços se tocavam.

Seus olhos lilases se voltaram para mim, tão atentos que me incomodaram – vai que ele estava pensando em me morder...

Meu pescoço esquentou em antecipação, e eu não sabia se era por desejar ou temer que ele viesse a me morder outra vez.

Vai sonhando...

– Só porque eu não era monitor, não quer dizer que eu não andava pelos arredores da Night Class de vez em quando para me certificar que qualquer idiota não tentasse invadi-lo. – apontou o queixo para Mitsuo – Peguei esse idiota tentando deixar uma cartinha romântica para o Aidou.

Tive três segundos de choque profundo, demasiadamente incrédula e alternando os olhares entre ambos os rapazes, antes de cair na gargalhada.

Era quase impossível imaginar que Mitsuo, o meu amigo razoável, que era totalmente contra o desespero e o fanatismo das fãs de Aidou, que chamara a Night Class de “esquisitões”, estivera tentando fazer a idiotice de enviar cartinhas de amor para Aidou.

“Você já fez essa idiotice”, soprou a parte da minha mente que adorava fazer mistério.

Eu não me lembrava de mandar cartinhas pra ninguém (e eu me lembrava do que? Ah, sim, nada), então conclui que aquilo foi apenas uma suposição, já que todo adolescente apaixonado tem uma inclinação a atitudes ridículas que irão fazê-los se revirar na cama de madrugada, questionando-se o que havia em suas cabeças.

Primeiro vem a tona a descoberta de Naomi e seu amor secreto por Kaname, agora Mitsuo e sua paixonite por Aidou? Esses meus amigos andam escondendo muita coisa...

– Isso foi há dois anos – retrucou – E é melhor eu ir antes que comecem uma sessão de histórias Mitsuo-só-faz-idiotice.

Ele se levantou com a postura tensa, e saiu da casa, deixando-me sozinha com Zero pela primeira vez em dias.

Durante aqueles dias, nós nos tratamos como se tudo estivesse normal, com uma educação fria e nunca ficando sozinhos. De alguma forma, quando estávamos acompanhados era mais fácil olha-lo sem me lembrar de tudo que ocorrera entre nós naqueles últimos dias.

O cabelo prateado estava úmido e uma completa bagunça, caindo sobre seus olhos – parte de mim queria erguer a mão e arrumar seu cabelo, pois estava me dando nervoso.

Ele ainda parecia bastante saudável, as fortes olheiras abaixo dos olhos que eu estava tão acostumada já não existiam mais e ele estava mais bonito do que nunca esteve – ele tinha a beleza etérea dos anjos em pinturas, e era inegável que tinha um brilho divino, mesmo com aquela aura escura ao redor dele.

Zero me olhou com uma grande interrogação na testa.

– O que você está olhando? – perguntou de forma arrogante.

Meu estômago afundou e meu coração tropeçou.

Minhas bochechas coraram pela minha estupidez de encara-lo tão descaradamente, e principalmente por eu ser pega – eu tinha que perder essa mania...

Por que ninguém atira em mim nesse momento?

Não conseguia manter meus olhos nos dele por mais de dois segundos, então ficava revezando entre ele e qualquer ponto ao nosso redor.

– Sinais de que você está mal – admiti –, levando em conta que estamos no mesmo cômodo.

Ele bufou pelo nariz, uma reação mais impaciente do que irritada.

– Eu estou bem – afirmou de forma evasiva.

Algo em mim dizia que ele estava incomodado com a pergunta, aquela mesma vozinha da última vez em que estivemos a sós, mas eu não me importava com isso, pois eu precisava ter certeza.

Devo estar me tornando perita em Zero Kiryuu para ter essas suposições.

– Com toda essa merda de transformação? Tenho certeza que tudo não está indo as mil maravilhas para você.

Eu devia ter alguma parte em minha alma que se deliciava com irrita-lo tanto quanto adorava desafiar a morte, mas ao invés de tentar pular de paraquedas ou fazer escalada, preferia cutucar o leão albino.

Ele analisou meus olhos como se não acreditasse no tamanho da minha estupidez.

– Jura? – a voz estava carregada de sarcasmo.

– Só achei que seria bom conversarmos sobre tudo que está acontecendo, é bom desabafar, às vezes.

Ele bufou.

– Vai dar uma de psicóloga agora?

Revirei os olhos.

– Só estava preocupada com o que você podia estar passando.

– Mas isso não é realmente da sua conta.

Semicerrei os olhos, começando a me irritar.

– Oh, céus, você tem mesmo que ser todo desprezível? Ficar me olhando como aquelas pinturas de anjo, olhando para baixo como se nós não fossemos grãos de areia sem valor. Então, Anjo do Desdém, eu não entendo o que eu faço para merecer todo esse seu rancor, principalmente quando sou eu que estou te oferecendo algo que pode te dar mais alguns meses.

Seu rosto se contorceu em uma careta, como se eu tivesse lhe dado um tapa.

Ele rosnou, os lábios retesando o bastante para exibir os dentes brancos e perfeitamente alinhados, seus olhos lilases com um brilho líquido ardente e feroz. Eu me encolhi de medo, um nó cresceu em minha garganta e meu coração acelerou de uma forma que pensei que ele sairia da caixa torácica. Ele parecia um perfeito predador quando me olhou, e eu tive uma incomoda sensação de que naquela equação, eu devia ser a ovelha exasperante.

Arrastei-me para a outra ponta do sofá instintivamente, temendo que ele viesse a arrancar minha jugular no dente.

Algo na minha reação o fez vacilar na sua. Zero fechou os olhos e suspirou pesadamente, tentando controlar sua raiva antes de falar.

– Não me venha com essa insanidade de me dar sangue, novamente – resmungou a voz dura e inflexível.

Eu não tinha me recuperado do susto de ter um vislumbre do Zero Predador, o mesmo que me atacara, mas como eu nunca fui sensata, era orgulhosa e tinha uma boca atrevida, não teria uma reação normal.

– Seu temperamento é muito volátil, sabia? – observei.

Ele revirou os olhos, o maxilar duro.

– E você não tem qualquer escrúpulo, sabia? – contra-atacou.

Dei de ombros.

– E você é um idiota orgulhoso que prefere decair a receber ajuda.

Ele me fulminou com os olhos.

– Correção: prefiro decair a receber sua ajuda.

A ira ardeu em mim dessa vez, o suficiente para esquecer o temor anterior e me arrastar para mais perto como se isso pudesse intimida-lo – pois é, eu devo ter algum problema mental pra sequer cogitar que um dia eu poderia intimidar Zero.

– Oh, claro, porque meu sangue deve ter um gosto muito ruim...

– Não, sua idiota, é porque eu posso matar você!

Éramos como fogo e pólvora – no pior sentido da analogia –, não podíamos ficar no mesmo espaço, pois corria o risco de explodirmos.

Eu não concordava com essa de ele poder me matar, pelo menos não enquanto ele mantivesse sua sede administrada o suficiente para que não cometesse erros.

– Você é mais teimoso que uma mula-empacada, seu idiota, cabeça-dura, estúpido e orgulhoso. Vai condenar muita gente por causa dessa sua idiotice! – esbravejei.

Então fiz a coisa mais sensata naquele instante, joguei uma almofada nele com toda a minha força (que ele conseguiu segura-la sem esforço antes que atingisse seu rosto) e fui para o meu quarto.

Notas finais
Eu já disse que amo "O Senhor dos Anéis"? Pois é, acho que vocês notaram... Enfim, Zero é uma criaturinha cabeça-dura, não acham? Oh pessoinha mais enfezada e teimosa, menha gente!! Outro detalhe: Alguém mais aí sentiu que no fundo, mesmo com toda aquela baixa quota de paciência, Zero se importa? Ele ficou todo ágil quando a Hime engasgou hehehe Acho que vou engasgar também, pera... Cof-cof-cof Zero??? Cof-cof-cof Albino seduçããão? Cof-cof-cof ... *~le silêncio profundo* Éh... não funcionou... Acho que não engasguei bem o suficiente... *sinto olhares questionando minha sanidade* Certo, parei com minhas bobagens... Agora, vocês, meus babys, deixem suas opiniões, críticas e tals... Mereço reviews? *olhinhos brilhando de maneira Kawaii para amolecer o tumtum de vocês* Espero que sim... E até a próxima, pessoal o/