Fita de Seda

15 Capítulo 15 - Visitante Imprevisto


Notas iniciais
Yoo, pessoas!!!! Eu to meio distantezinha da internet, ai quando eu vou olhar a fanfic... BUM! Gente nova favoritou e acompanha... Bien venidos (que espanhol de merda hahaha) Olha eu aqui postando um capítulo super novinho! Quero agradecer a Wina, menha gautah, que comentou o capítulo anterior, a YuukiKuran também, sá linda, e a Vee, a nova integrante da facção FDS o/ Capítulo de hoje tem Kaname, bebê hihihi Enfim... Boa leitura

– Ah, Hime, é tão bom saber que você está bem! – exclamou Kaien pela milésima vez.

Eu continuava na enfermaria da Academia Cross, o que se mostrava absurdamente chato, já que eu não tinha muitas visitas para me animar além da enfermeira Himiko, uma mulher magra e curvilínea na base dos trinta anos, de cabelos castanhos claros e olhos verdes folha seca; eu reconheci o nome dela assim que se apresentou, pois Kaien a citara como alguém que havia ajudado a conseguir roupas para mim. Meus colegas de escola e professores acreditavam que eu estava em uma viagem, visitando o suposto irmão de Kaien de quem eu era filha.

Fiquei bem surpresa quando descobri que ela sabia sobre os vampiros da Night Class, mesmo que fosse muito sensato ela estar ciente quando seria ela a cuidar das possíveis vítimas caso as coisas saíssem do controle.

Fiquei muito feliz quando não precisei mais ter aquela agulha intravenosa me furando e injetando sangue em minhas veias, mesmo que agora tivesse outra maldita agulha, esta contendo soro – já disse que odeio agulhas? Pois é, eu ODEIO agulhas.

Eu me recuperara muito rápido, mais rápido do que parecia possível para a enfermeira Himiko. Eu havia perdido tanto sangue que poderia ter me matado e em um recorde de algumas horinhas, eu já estava consciente e bem o suficiente para entrar em uma discussão com certa criatura albina e ranzinza. O que importava era que já podia andar sozinha e sem ajuda, o que era muito bom, pois eu não gostava de ter companhia no banheiro, mesmo que fosse uma pessoa do mesmo sexo e enfermeira.

Infelizmente ainda não havia recebido alta, estava em observação, sentindo-me uma pateta. Quer dizer, eu já tive toda a “Recuperação Milagrosa”, eles não podiam simplesmente me liberar?

– Pois é – foi tudo que consegui responder para Kaien.

Mantive meus olhos atentos à comida que ele me trouxera; feliz por não precisar mais comer a sopa insossa e sem graça da enfermaria – aquela coisa não tinha tempero e nem gosto, e eu estivera pensando em aconselhar Kaien a trocar a cozinheira. Pense comigo, as pessoas já estavam doentes, para que elas precisariam ser torturadas com a comida?

Kaien não tocara no assunto sobre Zero ser um Nível-E e ter quase me matado, apenas dizia que estivera preocupado e era muito bom saber que eu havia me recuperado de tudo – aparentemente, ele não queria tocar no assunto da minha quase morte. Talvez ele se sentisse culpado por tudo que havia acontecido e por ser cúmplice de Zero nessa chatice de me deixar desinformada.

Por mais que eu o adorasse, não podia dizer que estava bem com ele por ter escondido essa informação de mim, deixando que eu descobrisse da pior maneira possível... Ou talvez não tão ruim.

O pensamento totalmente me assustou.

Oh, Deus, sou uma viciada em mordidas?

– A cada visita sua aparência parece melhor – continuou alegremente.

Bufei, irônica, contendo minha vontade de revirar os olhos.

– A cada dia pareço menos um zumbi – murmurei, colocando um pedaço de salmão em minha boca.

Na primeira vez que me olhara no espelho, na manhã seguinte ao ataque, fiquei horrorizada com o que vi; olheiras roxas e profundas, como se Zero tivesse me socado e não me sugado. Eu fiquei surpresa com a resistência daquele espelho, já que minha aparência estava mais que horrível.

– Deixe de ser boba, Hime! Você está bonita, sim. Você é uma jovem muito bonita.

Precisei morder o lábio para não rir em descrença. Eu estava com a boca cheia de arroz, não queria me engasgar com o arroz em minha boca, eu já tinha sobrevivido ao ataque de um quase Nível-E, morrer entalada com a comida não seria legal.

E elogios de Kaien eram como elogios paternos; não contavam de verdade.

A realidade era que ninguém achava atraente uma garota com corpo de alfinete, mais alta que todas as colegas de classe e com olhos enormes e tão escuros que quase pareciam negros. Sem contar o rosto redondo como a lua cheia e a aparência tão infantil que só devia ter chance com garotos de 13 anos – oh, Céus... Acho que vou ser a velha dos gatos.

– Você não tem trabalho hoje? – inqueri, desejando mudar de assunto. – É quarta-feira, Kaien, não domingo.

Como eu estava hospitalizada, agora tinha permissão para matar aula e fugir das tietes vampirescas, por um tempo. Uma pena que esses dias foram todos desperdiçados em uma cama de hospital – embora Kaien houvesse me trazido os livros “normais” que eu separara em sua biblioteca. Com tanto tempo livre, eu devorara toda a trilogia d’As Peças Infernais e estava tentando ocupar minha mente com outra história já que meu coração ainda sofria com o final – ficaria em depressão por uma semana, mesmo que a protagonista tivesse tido seu final feliz. Estava a um passo de ligar para Cassandra Clare e perguntar como ela pôde matar o amor da minha vida.

Estava lendo um clássico de Jane Austen chamado “Orgulho e Preconceito”, ultimamente, e já estava na metade graças ao tempo de sobra – mas não podia ficar me remexendo e trocando de posição na cama como eu fazia em casa, por causa daquele monte de fios agarrados em mim, o que me deixava incomodada e com o bumbum dormente.

Kaien olhou o relógio na parede, os ponteiros indicando que já passava de uma da tarde.

O diretor se levantou num salto, sobressaltado.

– Oh, estou atrasado! – me deu um beijo rápido na testa – Te vejo mais tarde, Hime.

Kaien saiu correndo do quarto, arrancando-me algumas risadas.

Ele era adorável, era impossível ficar zangada com ele por muito tempo, ainda mais quando agia como um louco.

Peguei meu livro da vez e o abri, dedicando o meu tempo a exasperar-me com o Sr. Darcy. Era bom ter pelo menos alguns livros para distrair minha mente do tédio sem fim e das questões da minha vida.

Como por exemplo, Zero não ter retornado a me ver ou respondido minha oferta de sangue, e eu não posso dizer que não estava muito satisfeita com isso, afinal eu já havia me arrependido. Aquilo só provava como eu era maluca e sem noção, uma completa anormal que provavelmente perdeu o bom-senso junto com a memória. Eu devia mesmo estar muito grogue pela falta de sangue para oferece o meu a um Nível-E, e logo após ele ter quase me matado.

Lembrei-me da experiência, quando Zero cravou as presas no meu pescoço e sugou meu sangue... No começo havia doído tanto que tirou meu fôlego completamente, mas depois... Um sentimento tão intenso me tomou, e eu sequer me preocupei com a possibilidade de morrer nos braços dele.

Minhas bochechas queimaram furiosamente com a lembrança de que ele estivera entre minhas pernas, segurando meu pulso acima de minha cabeça e que eu estava de vestido.

E o que ele me fez sentir...

Fiquei horrorizada comigo mesma. Eu estava afirmando que gostara da mordida? De ele ter quase me matado? Eu provavelmente precisava de terapia – será que havia algum grupo de autoajuda para as vítimas dos vampiros? O nome seria as “Sugadas Anônimas”? OK, isso soava ambíguo demais para um grupo sério...

Fiquei imaginando como seriam os depoimentos e ri comigo mesma.

Houve algumas batidas suaves na porta, me assustando, e levantei meu olhar a tempo de ver Kaname entrando com um sorriso suave em seus lábios. Era extremamente encantador como cada passo dele era saturado de elegância, domínio e segurança do próprio corpo.

Ele estava vestindo uma calça jeans cinza e uma camisa branca de gola V, por onde a pele dourada fluía ininterrupta para dentro da camisa. Nunca havia o visto com roupas informais ou nada que não fosse um uniforme, e fiquei aturdida com o quão normal ele podia parecer – como se fosse só mais um rapaz humano muito, muito, muito, muito bonito.

Fiquei hiperconsciente da minha aparência desastrosa, meus cabelos presos em um rabo-de-cavalo frouxo deviam estar um desastre, a aparência de zumbi – pálida e com olheiras horríveis que mais pareciam hematomas – que ainda não havia ido embora; mas estava feliz por estar usando minha calça de pijama xadrez vermelha e uma camiseta cinza ao invés da roupa de hospital. Sei que não era a roupa mais legal para estar com alguém tão lindo e importante como ele, ninguém iria se apresentar ao Príncipe Charlie usando pijamas, certo? E ele nem era bonito! Mas entre um vestido verde que deixa meu bumbum de fora e o pijama...

Kaname se sentou na cadeira ao lado da minha cama, antes ocupada por Kaien, e analisou-me por um breve instante.

– Você parece melhor desde a última vez que estive aqui – falou com leve satisfação.

Meus lábios entreabriram levemente, surpresa, parte por sua revelação e parte por ter uma leve ideia do quão horrível devia estar quando ele me visitou.

– Você esteve aqui?

Kaname deu de ombros, um sorriso torto nos lábios.

– Você estava inconsciente. Kaien me informou que você tinha acordado, então quis te ver.

Eufemismo dizer que meu coração parou com a informação de que KANAME KURAN quis me ver... Tive que lutar bravamente com o meu rosto para não mostrar que eu estava surpresa e encantada, e com minha vontade de levantar e fazer uma dancinha da alegria. Infelizmente aquele monitor idiota estava registrando meus batimentos cardíacos mais acelerados.

Oh, Raziel, por que tudo tem que dar sempre tão errado?

Meu rosto corou em mil matizes de vermelho vivo, mas torci que ele não notasse, embora fosse uma esperança vã.

– Nossa, – esforcei-me a não gaguejar e manter a voz um pouco alegre, apenas um pouco – que gentileza a sua.

“Só deve estar lamentando ter que enfrentar todas aquelas fãs sem ninguém para segura-las”, falou uma vozinha idiota em minha mente, quebrando toda a magia da situação.

– Não é nada... – Kaname olhou para o livro fechado sobre minhas pernas – Vejo que está ocupando seu tempo com atividades frutíferas.

Contive minha vontade de rir de seu linguajar.

– Vós mecê deve estar impressionado com a descoberta de que eu aprecio uma boa leitura – brinquei.

Kaname tentou conter um riso, seus brilhantes olhos sondaram meu rosto de uma maneira que fizeram minhas bochechas flamejarem.

– Na verdade, não estou. Percebi seu gosto pela leitura quando entrou no meu escritório.

Tive um breve flashback do dia em que fui imprudentemente ao Dormitório da Lua, matando algumas aulas – não que o cidadão modelo Kaname tivesse permitido que eu cabulasse todas elas.

Minha visita ao escritório de Kaname parecia ter acontecido um zilhão de anos atrás, uma época em que as palavras “Zero” e “Perigoso” não pertenciam à mesma sentença... Tanta coisa tinha acontecido desde então.

Pigarreei e resolvi mudar de assunto.

– Então, como você pode ver, estou as mil maravilhas – disse com humor – E tenho certeza que o Líder do Dormitório deve ter mil coisas a fazer, que não incluem visitar monitoras atacadas por parceiros Nível-E.

Kaname não pareceu achar engraçada a insinuação.

– Não tenho nada para fazer, na verdade. A maioria das vezes eu apenas fico sentado em meu escritório, avaliando papéis, cuidando dos outros vampiros...

Fiz uma careta de dissabor.

– Soa como um adolescente que não tem muito tempo para desfrutar sua juventude – acho que o linguajar de Kaname estava me afetando.

– Nunca tive muita vontade de “desfrutar minha juventude”.

Arfei falsamente.

– Oh, não me diga que Kaname Kuran é um caso raro de jovem responsável compulsivo? – inqueri, fingindo estar horrorizada – Por que não há diversão nenhuma em ser assim com tão pouca idade.

O sorriso dele me fez querer derreter numa piscina aos pés dele.

– Eu vejo diversão em ser responsável pela Night Class, cuidar de uns poucos assuntos do Conselho...

Oh, Céus, ele parece até um tiozão careta e engomadinho.

– O Conselho dos Vampiros? – franzi o nariz, horrorizada com a ideia de trabalhar com política – Sinto muito em dizer, Kaname, mas sua vida parece um tédio infinito. Faz até parecer que você é como aqueles caras que tem a vida programada em uma agenda, até quando vai ao banheiro.

– Ir ao banheiro não está na minha agenda... – argumentou.

Não pude me impedir de gargalhar com aquilo.

– Meu senhor, você é maníaco por controle – acusei aos risos.

Kaname gostava de comandar até o decorrer da vida dele... Era horrível!

Ele deu de ombros, rindo baixinho.

– Talvez eu seja... Não posso alegar que não gosto de mandar.

Era engraçado saber um pouco mais sobre Kaname, mesmo que fosse algo tão pouco atraente.

Fora estranho pensar que até uns dias atrás ele não era nada além de um nome em um livro sobre genealogia, e agora ele era basicamente meu amigo extra responsável e que via diversão em política... Não podíamos ser mais diferentes.

– Então esta visita estava programada com três dias de antecedência? – brinquei – Porque você não ligou para minha secretária avisando que viria, e você sabe como eu gosto de ter minha vida organizada...

– Ok, já sei que minha organização diverte você – interrompeu-me, humorado.

Então seu olhar caiu para o curativo em meu pescoço, a alegria desvanecendo lentamente de seus orbes castanhos avermelhados.

Fiquei hiperconsciente da coisa tapando a ferida em meu pescoço, e lembrei-me da primeira imagem que tive do estrago quando Himiko trocava os curativos. Havia um roxo enorme circundando dois furinhos – a imagem do que Zero me fizera sempre me causava uma náusea no fundo do estômago.

Levei uma mão para cobrir o curativo, envergonhada.

– Não precisa se preocupar, está tudo bem – garanti.

– O ataque me pareceu bem feio... Se o Conselho de Caçadores soubesse do que aconteceu, desassociaria o Zero e designaria um caçador da Associação para destruí-lo.

Lembrei-me do livro falando sobre o Conselho de Caçadores, que era composto por sete melhores caçadores da Associação, e que eram estes os responsáveis por todo o tipo de política e decisões importantes.

A revelação me sobressaltou, pensar que por um erro Kaien poderia perder seu filho adotivo – e tudo porque eu não havia ido a maldita aula entediante.

– Você não disse nada para o conselho, certo? – perguntei, tentando não parecer tão preocupada quanto estava.

Kaname sondou meu rosto por alguns poucos instantes, a expressão ilegível.

– Não. Por quê? Não acha que deveríamos denuncia-lo?

– Oh, não! – arfei, horrorizada com a sugestão.

Notei que Kaname estava me estudando, confuso, então recuperei o controle sobre mim e sorri amarelo.

– Foi só impressão todo o horror do ataque – disse rapidamente – Quero dizer, parece pior do que é, entende? Zero só perdeu um pouquinho o controle, e como eu sou fraca...

O suspiro chateado de Kaname encerrou minha tagarelação imediatamente.

Ele não acreditava em uma palavra minha.

– Você o está defendendo – afirmou, nem um pouco feliz. – Por quê? Ele quase a matou.

Meus ombros caíram, e não pude mais olhar para seus olhos, dando toda minha atenção à janela a frente da minha cama.

O céu estava coberto por uma fina película de nuvens, por onde os raios solares conseguiam passar com um pouco de luta. O tempo mais fresco aquela tarde, mesmo que fosse o horário em que o sol ainda estava em força total.

– Porque ele não teve culpa, Kaname, – confessei – e eu não vou tortura-lo por isso.

Lembrei-me com amargura do que Zero me dissera aquela noite em que o peguei dormindo na poltrona.

Não acha que já sofro o suficiente sendo obrigado a me tornar o que mais odeio? Transformar-me nas malditas coisas que mato?

– Tudo bem, – ele se levantou da cadeira, parecendo desapontado – não vou força-la a depor contra ele. Mas saiba que eu não concordo com sua decisão, Hime. Não há salvação para ele, e Zero vai fazer de novo. Você talvez não tenha tanta sorte da próxima vez.

– Eu posso me cuidar – retruquei.

Ele assentiu, nada feliz, e então seguiu para a porta do quarto, onde se deteve apenas por um instante.

– Lembra o que falei sobre seu sangue? – ele falou suavemente – Lembre-se que isso vale para Zero também – e me deixou sozinha.

Sobre meu sangue...

Recordei da insinuação sobre o aroma de meu sangue imediatamente, quando Kaname disse que ele era muito atraente...

Merda, será que posso me cuidar mesmo?

Notas finais
Eai?? Que acharam? Kaname é um intrometido ou ele ta certo? Bem que eu queria q ele se intrometesse nos meus assuntos hehehehehe Será que Hime gostou da mordidinha?? Uiii heuhaheua (risada de zoeiros) Bem, comentem !!! E até o próximo capítulo o/