First Love
1 One-shot
Notas iniciais
Estavam os dois garotinhos encarando o céu nublado através da janela.
- Que dia feio...
- Verdade.
- Acho que teremos que ficar em casa hoje. – suspirou o de cabelos claros.
- Como assim?! Não vamos deixar de sair só porque está frio! – falou o moreno, cruzando os braços.
- Mas Yuu...
- Pra isso que existem roupas de frio, oras!
- Tem certeza?
- Claro que tenho. Agora vá lá se trocar. Nos encontramos no corredor.
- Tá bem.
Kouyou então saiu do apartamento e foi para o da frente. Era realmente bom e conveniente ser vizinho do melhor amigo. Seus pais e a mãe de Yuu trabalhavam durante o dia todo e só voltavam à noite, então, ambos sempre brincavam juntos.
Kouyou foi para o quarto e colocou todas as roupas quentes que encontrou: touca, cachecol, casaco, luvas e botas. Só seus olhos ficaram de fora. Estava bem aquecido, e foi se encontrar com o amigo.
Ao sair do apartamento, deu de cara com Yuu, encostado na parede com os braços cruzados. Não estava tão exagerado como o loirinho: usava apenas um casaco e um cachecol comprido.
- Você demorou! – ralhou o moreno.
- Desculpe...
- Mas também com a quantidade de roupas que você está... não está nevando, Kouyou.
- Eu sei, mas você sabe que eu sou friorento.
- Tá, ta, vamos logo.
Cumprimentaram o porteiro ao passar pela portaria.
- Oi tio porteiro.
- Olá garotos. Vão sair nesse frio?
- Só vamos até o parque. Byebye.
- Até mais.
Saíram do prédio em que moravam. Não ventava, mas a temperatura estava muito baixa, fazendo com que saísse vapor da respiração dos garotos.
Andaram até chegar as parque onde costumavam ir. Não era muito longe de casa, e tinha várias coisas, como brinquedos, quadras, e até um lago.
Ficaram andando sem rumo pelo parque. Provavelmente devido ao frio, estava mais vazio que de costume. Caminharam em volta do lago, até que pararam para sentar num banquinho em frente a ele.
- Ahh que chato. Não tem nada pra fazer... – resmungou Yuu.
- D-devíamos voltar para casa. – sugeriu o loiro, tremendo de frio.
- Olha Kouyou! Dá pra ver a água respirando! Ela está soltando fumacinha igual a gente! – falou empolgado.
- Hm? Ah, é verdade! Mas é bem pouquinho...
- Vamos lá na ponte pra podermos ver melhor.
Foram então para a ponte. Era relativamente comprida e atravessava o lago de um lado a outro.
- Wow! Está mesmo saindo vapor da água!
- É-é mesmo. Yuu... Podemos voltar agora? – falou gaguejando, tanto seus dentes batiam.
- Você está com tanto frio assim? – olhou incrédulo para o outro. Seu corpo sempre suportara o frio melhor que do amigo.
- S-sim.
- Tudo bem, mas vamos fazer uma corrida pra ver quem sai da ponte primeiro!
O loiro até tentou argumentar, mas o moreno já gritara “Já!” e havia disparado. Não teve jeito, então, correu atrás dele. Nesse momento, começou a ventar, e com o impacto do corpo de Kouyou correndo, o cachecol do mais baixo se desenrolou do pescoço claro e voou sobre a ponte até pousar lentamente na água gelada.
- Há, venci! – gritou vitorioso o moreno.
- Yuu... Meu cachecol! Caiu na água! – disse choroso o loiro, tentando cobrir a pele exposta com a pequena gola de seu casaco.
- Ixi... – debruçou-se a tempo de ver a lã molhada afundar na água.
- Ah não! Minha mãe vai me matar! Começou a ventar, e eu estou com mais frio! – gritou Kouyou.
- Calma Kou, a gente explica pra ela. Agora vamos procurar algum lugar para nos escondermos, que o vento está ficando mais forte.
Vendo que o loiro estava paralisado, pegou na mão dele o obrigou a andar. Todos os quiosques estavam fechados, e a entrada do parque ficava um pouco longe de onde estavam.
Yuu já estava ficando com medo que o amigo tivesse um ataque de hipotermia, e entrou no primeiro lugar que viu: entraram num daqueles túneis de cimento feito para crianças que normalmente se tem nos parquinhos.
Era meio tosco, mas pelo menos dava para se abrigar do vento mais forte.
- Você ta bem, Kou? – perguntou, olhando preocupado para o loiro, que já tinha os lábios roxos, e estava encolhido, abraçando as próprias pernas.
- Yuu, eu vou morrer congelado. – falou com dificuldade, tamanha violência seus dentes batiam.
- Não, não vai. – pegou a ponta de seu cachecol e ajustou-o de forma que cobrisse o pescoço de ambos. O loiro sentiu o perfume de Yuu que estava no cachecol, e depois do próprio Yuu, que prendera os braços em volta do menor, tentando aquecê-lo um pouco.
Ficaram nesse posição até Kouyou dizer:
- Y-yuu, está nevando.
Olharam para fora do túnel, e viram que no vento agora estavam presentes pequenos flocos brancos.
Talvez frio fosse mesmo psicológico, porque depois de ver a neve caindo, o loirinho começou a tremer mais.
Yuu já não sabia o que fazer. Tocou o rosto de Kouyou com as pontas dos dedos, que estavam tão frios que não soube dizer qual estava mais gelado.
Kouyou notou que Yuu não usava luvas e envolveu as mãos do morenos nas suas.
- Agora estamos quites. Você me emprestou o cachecol, e eu te empresto o calor das luvas. Desculpe, não estou conseguindo nem falar direito... – forçou um sorriso fraco.
- Kou... – o moreno se aproximou do rosto do outro. Tocou a pele alva com a ponta do nariz, e deu um leve suspiro na bochecha do loiro. Este estremeceu sob o toque, mas não de frio dessa vez.
Yuu fechou os olhos e repetiu o gesto em todo o rosto de Kouyou. Fez isso até se aproximar perigosamente dos lábios do menor, e quando percebeu, já compartilhavam um beijo calmo e agradável.
O contato dos lábios os aquecia de forma mágica, e ambos perceberam como era boa aquela sensação nova e inexplicável. Nisso, o moreno levou uma de suas mãos aos cabelos claros de Kouyou, e sentiu a bochecha deste quente.
Separaram-se lentamente. Kouyou estava estático, arfando um pouco, e Yuu se afastara o suficiente para ver o rosto corado do loiro e seus lábios um pouco inchados, mas não mais roxos ou tremendo.
Não conseguiu evitar um sorriso. Pelo menos sabia que de frio Kouyou não morreria; não com ele ali.
O menor nem conseguia encarar o moreno, mas Yuu não tinha vergonha nenhuma, e disse:
- Melhor que uma xícara de chocolate quente, hein?
Kouyou para algum ponto no lado oposto e ficou calado.
- Não se preocupe. Eu falei pro tio porteiro eu nós vínhamos aqui. Daqui a pouco aparece alguém para nos buscar.
O mais novo ainda continuou calado, mas relaxou um pouco. Ficaram alguns minutos em silêncio, até Kouyou juntar toda a coragem que tinha e falar baixinho:
- Y-yuu... E-estou com frio d-de novo.
- Oi? Fala mais alto, Kou. Com essa ventania, não dá pra ouvir nada.
O loiro apertou os lábios. Já fora difícil falar da primeira vez, não conseguiria repetir.
Era embaraçoso demais!
Ao invés disso, debruçou-se sobre o moreno e tomou seus lábios, que correspondeu instantaneamente. A verdade era que Yuu tinha entendido o que o outro havia dito, mas fazer o que? Era tão divertido e adorável ver Kouyou tímido, com as bochechas coradas!
- Sua boca tem gosto de caramelo, Yuu.
- É que eu estava comendo uma bala de caramelo. Quer uma?
- Pode ser.
E beijou o moreno de novo.
- Você já está viciado em mim. – disse o maior, após ser atacado.
- Nada. Eu gosto é de bala de caramelo. – respondeu o loiro.
Os dois riram, até que ouviram vozes, e uma lanterna os iluminou. Finalmente voltariam para casa, já preparados para os sermões.
Contudo, aquele seria um dia que jamais esqueceriam.
Um dia cheio de aventuras e descobertas.
Porque nada pode ser tão legal quanto descobrir o primeiro amor. Descobrir o primeiro amor num dia de neve.
Descobrir um primeiro amor com sabor de caramelo.
Fim. ♥
Notas finais
Wahh! Não me matem! el çei qe çol uma velya talrada que fica desvirtuando a inocência das crianças, mas o que posso fazer? É essa minha alma pedófila u_u /q
Eu ia fazer um epílogo, mas achei que ia ficar muito parecida com a outra, então, é isso
Ficou meio tosco, mas isso tava na minha cabeça faz tempo <3
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