Steve caminhava devagar em direção ao apartamento onde morava. Apartamento cedido pela S.H.I.E.L.D., para que pudesse ficar de prontidão caso algo acontecesse e precisassem dele para uma emergência.

Mas o mundo parecia em paz naquele momento, diferente do seu coração, que batia mais descompassado que uma bateria tocada por um guitarrista.

Chegou ao edifício, tirou as chaves do bolso e as balançava na mão, enquanto subia as escadas até chegar ao seu apartamento. Era um hábito que gostava de manter. Andar. Ele podia subir pelo elevador, mas gostava de andar. Podia por em dia tudo o que perdeu durante os anos que “esteve fora”, enquanto caminhasse. Parecia que a vida, assim, passava mais devagar.

Chegou em frente a porta e a abriu. Entrou e jogou as chaves num canto qualquer do sofá. Sentou no mesmo e começou a pensar em tudo que aconteceu naquela noite.

Quando resolveu ir a casa de Stark, era para pô-lo a parte das coisas que o Capitão estava sentindo. Steve não conseguia guardar o que sentia por muito tempo dentro de si mesmo. As impressões que tivera de Stark, no início, haviam mudado completamente com a convivência. E Steve era sincero, queria dizer o que sentia, porque ele era assim.

Por isso resolveu ir andando até a casa de Stark. Quando o moreno lhe abriu a porta, mal podia respirar com o que viu. Ficou confuso e até perdeu as palavras que havia ensaiado algumas vezes antes de sair de casa.

Mas não foi preciso dizer muito coisa. Stark fez todo o trabalho por ele, quando pegou em sua mão ainda em frente a porta e o beijou logo em seguida.

“Deus, foi mais do que eu merecia” pensou o Capitão. Havia sido seu primeiro beijo. Aquele que ele queria compartilhar com uma pessoa especial. Que tivesse significado. Que ele esperou longos anos para compartilhar com alguém.

E depois desse primeiro houve um segundo, terceiro, quarto... cada um melhor que o outro. Não que Steve tivesse muito com o que comparar, mas era o que sentia.

Sentados no sofá da sala, ambos tinham se entregado a essas carícias pequenas, quando duas pessoas estão começando algo grande. Para Steve era assim que deviam começar todos os relacionamentos, de todas as pessoas.

Mas era difícil lidar com tudo, agora que estava em casa, largado no sofá do pequeno apartamento. Ele não era uma pessoa experiente nessas coisas e ficou inseguro. E se não era isso que o Stark queria? E se fosse só fogo de palha para o moreno? E se não tivesse significado nada para ele?

Porque para Rogers, aqueles momentos o levaram direto para o céu. Assim que viu Stark aparecer atrás da porta, tinha certeza. Ele era a sua pessoa especial, a pessoa certa, como ele costumava pensar.

Mas agora ele tinha medo. Medo da sua inexperiência. Afinal, ele era o Capitão América. Havia lutado contra Hitler na Segunda Guerra Mundial. Desbaratado as forças do Caveira Vermelho. Infelizmente, isso não ajudava em nada quando o assunto era sentimentos.

Por um momento, pensou que era o ser mais inseguro do mundo. Mas também não podia exigir nada. Para começar, quem amava era ele. Concluiu que levaria algum tempo até descobrir se era recíproco. Enquanto isso, não sabia o que faria.

“Melhor não tocar no assunto, por enquanto. Preciso por os pensamentos em ordem, antes de falar qualquer idiotice pra ele”.

Então, com um “plano” definido, foi tomar um banho. Assim que terminou, vestiu uma bermuda qualquer que viu no guarda roupa e se jogou na cama.



Era mais de onze horas da manhã quando Rogers escutou batidas na porta da frente. Não sabia que havia dormido tanto. Lavou o rosto rapidamente, pegou a toalha pendurada e secou o rosto ao mesmo tempo em que se dirigia a porta.

− Você?

− Quem achou que fosse, madre Teresa?

− Não, é só que... – o Capitão hesitou – eu não estava esperando ninguém... – Só então Rogers reparou que Stark não tirava os olhos do seu tórax. Só agora se lembrou que estava apenas de bermuda, segurando uma toalha de rosto em uma das mãos. Ele não queria, mas não pode evitar: provavelmente estava mais vermelho que um sinal de trânsito fechado.

− Eu sei que eu causo essa reação nas pessoas, mas não precisa se envergonhar. Tímido e bonito. São os melhores. – Enquanto dizia isso, Stark foi entrando no apartamento, sem esperar um convite.

− Bem, já que entrou, fique a vontade enquanto eu vou vestir algo mais adequado...

− Não se incomode com isso – disse Stark, virando para Steve e balançando a mão, como se fizesse pouco caso – eu gosto assim. Para você não ficar roxo de vez, eu até tiro a minha camisa. Para mim, não é incômodo nenhum.

Para Steve, o moreno estava perto demais e sorrindo demais para ele. Tentador. Agora que havia decidido não agir precipitadamente, Stark aparece na sua casa. Não havia mais como negar, o loiro havia caído direitinho.

Stark extinguiu a pouca distância que havia entre os dois e tocou o corpo do loiro com suas mãos. Como se precisasse se certificar que aquilo que seus olhos viam era real e não um sonho.

Sua mão escorregava pelo tórax definido de Steve e este não pode segurar um gemido rouco vindo de sua garganta e derrubou a toalha de rosto no chão da cozinha.

Stark sabia como deixar o loiro louco, de todas as formas possíveis.

O moreno beijou, bem de leve, o peito de Steve. Seu cavanhaque roçou a pele alva do loiro. Steve simplesmente não aguentou mais aquela tortura. Colocou as mãos embaixo das axilas de Stark, o ergueu e pôs contra a parede, beijando-o. Como o moreno era mais baixo, teve que segurar com força os ombros de Rogers, para não cair enquanto o loiro o beijava como se sua vida dependesse daquilo.

Se houvesse como transmitir sentimentos por um simples beijo, Steve estava fazendo um bom trabalho. Pôs todo o seu coração, amor, desejo, tesão, tudo naquele beijo. Que durou bem mais tempo, pois nenhum dos dois queria largar um ao outro.

Depois de se habituar a estar pendurado, Stark se firmou, cruzando as pernas ao redor da cintura de Rogers, podendo soltar as mãos e tocar a nuca do loiro com a mão direita. A esquerda ele usava pra tocar as costas de Steve, sentir a pele quente dele, o arrepio que o loiro experimentou quando Stark encerrou o beijo por um momento e mordeu o ombro do Capitão.

A respiração de ambos era ofegante, como se tudo o que sentiam tivesse extravasado, saído pelos poros naquele momento.

Deus, Stark estava apaixonado. Não sabia se Steve tinha essa noção de quão grande era o sentimento dele. Por isso fora para casa do loiro. Steve era transparente demais e todas as ações dele não deixavam dúvidas, mas Stark era diferente. Achou que era importante dizer, e de qualquer forma era isso que iria fazer mesmo, depois que o uísque lhe ajudou a clarear as ideias.

− Se eu soubesse que iria ficar pendurado, teria vindo de armadura. – disse Tony, fingindo estar ofendido − É injusto ser só um ser humano enquanto o seu parceiro é um super humano criado em laboratório com tudo o que um super humano tem direito.

− Ah... desculpe, Anthony. – disse Steve, colocando gentilmente o moreno no chão – Não era essa minha intenção.

Quando olhou que Stark estava segurando o riso, teve vontade de bater nele. Injusto, Tony sabia como enganar ele direitinho.

− Sabe, eu vim para dizer a você uma coisa, que eu me esqueci de dizer ontem. – disse Stark, dando tapinhas de leve no ombro de Rogers – Mas não tenho certeza se depois disso ainda é preciso dizer alguma coisa...

− Por que você não tenta falar, e eu julgo se era preciso dizer ou não. – Cheque mate.

Stark já era menor em estatura e com essa pressão se sentia um anão. Reuniu toda a coragem que como Homem de Ferro dispunha e preparou seu psicológico. Não era tão simples quanto parecia, ainda mais com um par de olhos azuis esperando tão avidamente as palavras que viriam.

− Eugostodevocê. – disse quase num sussurro. Coragem, cadê? Acabou de vestir a armadura dele e voou pelo teto.

− Eu não entendi nada. – desconversou Steve.

− Eu gosto de você, caramba. – declarou Stark enquanto escondia o rosto no peito do loiro – Não obrigue um homem a ficar repetindo essas coisas em voz alta. Pega mal.

− Para mim está bom assim – disse Rogers, abraçando Stark mais uma vez. Beijou o pescoço do moreno e disse um “eu também, mas você já sabe disso”, fazendo o outro sorrir e o desculpar por tê-lo feito repetir a declaração.

De repente a cozinha não parecia o lugar mais adequado para os dois ficarem. Automaticamente ambos foram andando em direção à porta do quarto. Rogers a abriu e imediatamente fora deitado na cama pelo moreno, que ficou por cima.

Rogers sentou por um momento, para tirar a camisa de banda do Stark e pode finalmente ver aquilo que tentava imaginar. O tórax de Stark era tão definido quanto o dele. O moreno o deitou novamente e o beijou. Cada vez que suas línguas se tocavam era como se um choque elétrico percorresse o corpo de ambos. O desejo, a tensão que as carícias causavam só aumentava a vontade de vaporizar as roupas um do outro.

Stark estava no comando da situação toda. Tirou a bermuda de Rogers e constatou que ele não usava nada por baixo. Não resistiu. Tocou o pênis do loiro com sua mão, massageando com movimentos de vai e vem, fazendo Rogers gemer insanamente.

Era uma sensação que nem em seus sonhos mais pervertidos o Capitão havia sentido. O desejo de se entregar completamente àquele homem tomava conta do corpo do loiro. Cada espasmo, cada pulsação do seu ser era um recado para o moreno: “eu estou me entregando a você, viu!”.

Stark diminuiu o ritmo, até cessar completamente os movimentos. Steve não disse nada, mas reprovou a atitude do moreno com o olhar. Sentou-se e beijou o moreno, descendo suas mãos pelo tórax do outro, alcançando o cós da calça jeans. Desabotoou e a tirou. Constatou que Stark também não vestia nada por baixo e riu.

− O que foi? Eu não gosto de nada apertando o dia todo as minhas partes, tá bem?

− Eu não disse nada. – riu o loiro.

− Bobo.

− Pervertido.

E retomaram os beijos e as carícias. Agora de forma mais intensa, mais profunda. Sentindo cada milímetro do corpo um do outro, querendo conhecer todos os pedacinhos de heróis que viviam em cada parte do corpo deles.

Stark segurou firme as mãos de Rogers, entrelaçando os dedos, envolvendo em amor e entrega o momento que estavam vivendo. Queria sentir mais, queria sentir tudo de Rogers, cada canto oculto do corpo embaixo dele.

Só Deus pra entender como Stark gostava daquele homem.

Em meio ao turbilhão de sensações, Steve estava entregue. Todos os medos e inseguranças haviam ido embora quando ouviu que Stark gostava dele.

O loiro já havia se rendido há muito tempo.

− Anthony... eu quero sentir você... – disse baixinho, só para o moreno se certificar de que Steve era todo dele.

Com isso, foi como se um sinal houvesse sido ligado na mente de Stark. Tudo, todos os sentimentos ainda guardados foram libertados naquele instante. Tudo o que queria, o que desejava como um esfomeado precisava de pão, era sentir Rogers completamente. As carícias, beijos e toques se intensificaram a níveis estratosféricos.

Rogers finalmente sentia Stark da forma como desejava, dentro dele, ditando o ritmo, fazendo o loiro se entregar completamente aquela insanidade que era amar Stark. Ele era invadido por um turbilhão de novas sensações, de um desejo cada vez maior de estar assim todos os dias.

Entregue. Era assim que Rogers se sentia.

Faminto. Era assim que Stark estava naquele momento.

Cada vez mais depressa, mais rápido, para não dar tempo de pensar nem de deixar o outro respirar. Era assim que Stark se movia enquanto ouvia seu nome sendo dito pelos lábios do loiro sob ele. Com a voz falha, grave, sexy, deliciosa. Cada gemido ele aumentava a força, tirada não sabia de onde.

Quando o loiro chegou ao ápice, Stark ouviu seu nome sendo dito da maneira mais excitante possível, fazendo o moreno se extasiar completamente.

Ambos estavam entregues. Exaustos. Porém mais felizes que em muito tempo para um, e uns 70 anos para o outro.

Stark deitou no peito do Capitão, totalmente relaxado.

− Steve, queria perguntar uma coisa.

− E o que é? – respondeu o loiro, parecendo incerto.

− Por que você me chama de Anthony, e não de Tony.

O loiro ainda tinha a capacidade de ficar vermelho, no fim das contas.

− Todos que eu conheço te chamam ou de Tony, ou de Stark. Eu queria ter um jeito próprio, só meu, de chamar você.

Stark fechou os olhos, e sorriu.

Notas finais
Own, people. Gente, tesão nesse dois, sério. Gamei totalmente neles. Espero que vocês gostem deles juntos tanto quanto eu. Bjo e obrigada por lerem *-*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!