First
1 First
Notas iniciais
Zain foi o primeiro em tudo.
E isso é tão clichê, piegas, não tem como negar.
O “badboy” com a “menininha indefesa”. Brega, mas a verdade.
Meu primeiro amigo.
Eu estava no parque, chorando, como sempre, embaixo de uma árvore com os braços em volta das minhas pernas dobradas. O dia estava lindo, o céu aberto com poucas nuvens e totalmente azul, o ar estava fresco, os pássaros estavam cantando, tinha famílias brincando, típico de parques.
Já passava das cinco quando você chegou, lindo, tímido, sentou ao meu lado e ficou me encarando por um tempo, sem dizer nada. Perguntou porquê que eu estava chorando; eu havia me esquecido disso e limpei meu rosto com a mão, mas não o respondi.
“Por que estava chorando, anjo?”, perguntou docemente e sério, sua voz era perfeita, não o respondi. “Não vai me dizer?”, assenti. “Tudo bem, vamos fazer um acordo.“, afirmou. “Você gosta de sorvete?”, afirmei. “Eu te levo para tomar soverte, mas em troca você vai ter que me dizer porquê estava chorando.”, levantou-se e pegou minha mão puxando-me.
Foi o primeiro contato dele comigo e ele me tratou como uma criança.
Meu primeiro amor.
Já fazia seis meses que éramos amigos, eu estava totalmente confusa em relação à Zain, poderia ser um amor de irmão que eu estava confundido por ser meu primeiro amigo e ainda ser homem. Eu me afastei pouco a pouco dele, e quando isso estava definitivo ele mandava mensagens todos os dias, foi em uma dessas mensagens que ele disse que gostava de mim. Que romântico, não?
Meu primeiro beijo.
No dia seguinte da mensagem ele apareceu em minha casa, carregando um buquê de flores, mas acho que na tentativa de ser romântico diferente da mensagem acabou se esquecendo de que sou alérgica a flores em geral. Ele jogou as flores no gramado e me pediu desculpas segurando meu rosto e olhando para meus olhos.
Não acho que ele pensou ou planejou isso, mas ele simplesmente me beijou, de primeira foi apenas um selinho, mas depois ele fez com que realmente virasse um “beijo de verdade”. Eu sentia meu rosto esquentar, minhas pernas ficarem moles, borboletas na barriga, adolescente apaixonada.
O primeiro a me fazer ter um pensamento pervertido.
Nós estávamos na parte de trás da minha casa, sentados na beirada da piscina com nossos pés submersos na água.
Zain fumava um cigarro, apesar d’eu reclamar. Ele se levantou depois de um tempo e deixou o cigarro cair ao seu lado no chão, tirou a blusa preta cavada a jogando também no chão, e pulou na piscina, jogando água em mim.
Agora todas as suas tatuagens estavam à mostra, a minha favorita era a do peito, as asas com um beijo no meio. Ele estava do outro lado da piscina de costas para mim, possibilitando a vista da tatuagem na nuca. Zain submergiu em minha frente e ficou no meio das minhas pernas, todo molhado, com o cabelo sempre em um topete caído sobre a testa meio que o deixando fofo e sexy ao mesmo tempo, apesar de magro ele era bem gostoso.
Fiquei um tempo o observando e desejei que ele estivesse molhado por suor ao invés da água da piscina, desejei que eu pudesse arranhar a tatuagem da nuca e do peito, desejei que pudesse beijar a tatuagem da arma ao lado da barriga ou a do coração.
O primeiro a me tocar, na inocência, com abraços carinhosos ou simples beijos na testa, e na malícia, com beijos quentes e mãos indevidas.
Zain foi meu primeiro.
Zain foi paciente em me esperar, eu totalmente inexperiente, ele totalmente experiente.
Zain foi cuidadoso, devagar, mas não conseguiu fazer com que não doesse. Foi meio desconfortável na primeira vez, mas as outras vezes com certeza foram bem melhores e prazerosas.
O primeiro a me fazer sentir segura.
Eu sempre achei que fui um erro, uma coisa indesejada por todos, o que de fato era verdade, digamos assim.
Na escola sofria o típico bullying por não me acharem bonita o suficiente, por ser quieta ao contrário de uma vadia, por ser inteligente; em casa sofria por causa do meu pai que falava que não era para eu ter nascido uma mulher e sim um homem, minha mãe sofria junto, mas não podia fazer nada, ela eu sei que me amava, já aquele cara que é meu “pai” não.
Zain provou que eu não era um erro ou uma indesejada. Que eu era sim bonita o suficiente, que ser quieta e tímida era uma “qualidade”. Que o que meu pai achava não importava, e eu não deveria ligar, pois minha mãe me amava e eu deveria conversar com ela sobre meu pai.
Zain me fez segura sobre o que eu tinha dúvida e sofria, me fez confiante.
O primeiro a conseguir fazer eu meu abrir com palavras ou gestos.
Pouco a pouco Zain fez com que eu me “abrisse” mais com ele, depois com outras pessoas. Eu me tornei mais carinhosa com todos, principalmente minha mãe. Fez com que na escola eu conseguisse fazer amigos. Que eu desse conta de dizer com palavras meus sentimentos.
Afinal, a primeira vez que eu disse “eu te amo” foi para Zain, eu lembro que seus olhos brilharam e um sorriso faltava rasgar-lhe o rosto.
Se Zain não tivesse aparecido nada teria mudado, talvez pudesse estar pior. Ainda bem que eu fui chorar aquele dia no parque.
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