Firing Line
26 Recovery.
Notas iniciais
Continuação procêis, à noite volto aqui e escrevo outro. Xêro, boa leitura ;)
Selena:
Eu tinha a sensação de estar flutuando o tempo todo. Eu ouvia vozes e estas pareciam estar tão longe... Vez ou outra conseguia mexer um dedo, mas por mais que eu me esforçasse, não conseguia abrir os olhos. A ultima coisa que me lembro é de estar fugindo de um perseguidor no meu carro enquanto falava ao celular com Demi. A partir dai tudo era um borrão. Eu lembrava de sentir dor, de sentir medo. E lembrava da voz dela me pedindo pra não deixa-la. Foi o que me manteve firme. Por diversas vezes a ouvi falando comigo. Tentei responder, mas algo mais forte do que eu impedia. Ela parecia tão triste, tão arrasada. A vontade que eu tinha era de pular daquela cama e abraça-la, fazer toda a tristeza ir embora. Minha mãe também falava comigo. Eu só conseguia lembrar dos seus soluços enquanto suas lágrimas molhavam meu pescoço. Tudo isso acontecia sem que pudesse reagir a nada.— Ela respondeu bem aos medicamentos. Pode acordar a qualquer momento. — Ouvi alguém dizer.— O senhor acha que ela terá alguma sequela, doutor? — Era a voz da minha mãe.— É cedo pra dizer, mas acho que não.— Quanto tempo teremos que esperar? — Minha mãe parecia angustiada.— Só depende dela. Converse, estimule-a. Logo ela acordará.Ouvi um barulho de porta fechando e um toque suave em minha mão esquerda.— Selena, filha... Ow minha linda, volta pra mamãe. — Senti meu corpo tensionar e tentei abrir os olhos. Sem sucesso, mais uma vez. — Sabe, filha... Todos estão muito felizes por você estar bem de novo. Depois de tudo que passou... Você é uma guerreira, estamos ansiosos pra que você acorde logo.Ela ficou mais um bom tempo alí comigo até que saiu dando lugar a outra pessoa. Eu ouvia tudo perfeitamente bem e continuava tentando reagir aos estímulos.— Oi, princesa... — Ouvir aquela voz perfeita fez com que eu aumentasse ao máximo meus esforços. — Sua mãe disse que você pode acordar a qualquer momento. Eu quero estar aqui quando isso acontecer.Aos poucos fui conseguindo sentir por completo cada parte do meu corpo. Pernas, braços, mãos... Com um esforço tremendo consegui apertar a mão dela que estava sobre a minha assustando-a.— Selena? Amor, você pode me ouvir? — Apertei novamente a mão macia. — Oh meu Deus, você está voltando! Abre os olhos pra mim, princesa...Consegui franzir a testa me acostumando com a claridade e abri os olhos lentamente. Estava tudo muito embaçado e levou um certo tempo pra que as coisas entrassem em foco. Me vi num quarto de hospital muito espaçoso. Ergui a vista pro meu lado esquerdo encontrando uma Demi que não conseguia decidir se chorava ou se ria.— Oi... — Minha voz saiu rouca demais pela falta de uso. Demi alargou um sorriso magnífico e eu teria ficado com as pernas bambas se já não estivesse deitada.— Graças a Deus... — Senti as duas mãos dela segurarem meu rosto selando nossos lábios com saudade.— Onde eu estou? O que houve?— Você está no hospital. Sofreu um acidente a alguns dias atrás e... Ah meu Deus, eu mal posso acreditar que você está aqui, eu tive tanto medo, eu...— Shh... Está tudo bem. — Acariciei sua mão. Ela encostou nossas testas e respirou fundo.— Vou chamar o médico. Fique quietinha.Os dias que se seguiram foram bem chatos. Eu estava louca pra sair daquele lugar. Recebia visitas constantes de minha mãe, Miley, Jenny e uns amigos da faculdade. Demorou um pouco mais de 5 dias pra que eu tivesse alta. Eu me sentia perfeitamente bem, apesar de um pouco fraca. Demi era extremamente cuidadosa comigo. Mesmo depois de eu ter me recuperado completamente e mesmo eu já tendo reiniciado minha rotina normal, ela continuava cuidando de mim como se eu fosse uma recém operada.— Amor, eu consigo perfeitamente carregar uma bolsa até o carro. Mas será possível? — Contestei pela vigésima vez ao vê-la colocando minha bolsa sobre seu próprio ombro.— Não me custa nada levar pra você, não seja chata. — Ela já ia andando na frente e detravando o alarme do carro.Demi me deixou na faculdade antes de ir pro departamento. Ela tinha muito trabalho acumulado, já que dedicou tanto tempo a mim no hospital. Eu também estava atolada de matéria atrasada mas nesse quesito, Miley e Jenny me ajudavam bastante. Miley era a mais nova queridinha do sargento Efron, o melhor amigo de Demi. Ele é muito legal e os dois se aproximaram durante os dias em que estive internada, pois ambos iam me visitar com frequência. Estava tudo nos conformes, na medida do possível. Mas algo me intrigava bastante. Demi nunca me explicou com riqueza de detalhes o que acarretou aquela perseguição contra mim no dia em que sofri o acidente. Sempre que eu tocava no assunto, ela dizia que tinha tudo sob controle e que iria dar um jeito em tudo muito em breve. Pelo que ela me disse, um traficante perigoso foi preso por ela uma vez, a reconheceu na rua e escolheu aquele momento pra se vingar, mas acabou atingindo a mim. Ela usou esse arguento pra me convencer de aceitar seguranças ao redor da minha casa e perto dos locais onde eu frequentava. Mas sinceramente, eu não engolia nadinha daquela história. Demi andava meio quieta demais, misteriosa. Conhecendo ela como eu conheço, acho que está aprontando alguma. E é isso que me preocupa.
Demi:Com Selena fora do hospital e devidamente protegida, eu tinha espaço pra pensar em como eu agiria daqui pra frente. McBaine foi longe demais e mexeu com quem não devia. Ampliei minha equipe e os mandei vigiarem cada passo dos homens que trabalharam pra Brian. Com certeza algum deles ainda mantinha contato com o desgraçado e mais cedo ou mais tarde o denuciaria sem querer. Dessa vez nada ia me escapar. Matt também foi util nas investigações, revelando embora não sem resistência, o endereço da casa da família McBaine que ficava mais ao norte da cidade. Vasculhei de cabo a rabo aquele lugar. Mas o ponto crucial com certeza seria esperar um dos patetas grandalhões de Brian arriscarem uma exposição, aí então... ele não me escaparia outra vez.
Notas finais
E aí? ^^
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