Firing Line

39 I see no other way. It's over.


Notas iniciais
Pois bem, princesas... Continuação aqui. como eu tinha dito anteriormente, isso é só a ponta do iceberg :B Kkkkk Bom, espero que curtam. Boa leitura ;)

Selena:

Eu não estava raciocinando direito. Quando dei por mim já estava entrando no meu carro e tomando o caminho do departamento. Eu ainda não sabia o que ia fazer, mas algo definitivamente tinha que ser feito. Além do mais, eu não conseguia tirar da minha cabeça a idéia de que aquilo era em parte por minha causa.

Estacionei meu carro na esquina do grande prédio e esperei por cerca de uma hora até que avistei algumas viaturas saindo seguidas de dois carros enormes. Mesmo sem ter certeza de que se tratava da equipe de Demi, segui os veículos pelas ruas de L.A até uma área afastada onde eu nunca havia ido antes. Apesar de assustada, não voltei atrás. Tudo que eu precisava agora era me certificar de que Demi estava entre aqueles oficiais e por fim, tentar fazer com que ela desistisse dessa missão idiota. Foi quando vi uma movimentação vinda dos veículos que estacionaram próximo à entrada de uma grande favela. Demi desceu primeiro de um dos carros menores seguida por Zac e outros policiais. Minha cabeça dizia pra eu sair dalí, mas meu coração ordenava que eu fizesse alguma coisa. Saí do meu carro e segui em direção ao grande portão preto que estava aberto. Uma música tocava em um bar mais acima. O lugar era como um grande morro, cheio de escadinhas e pequenas casas. Pessoas iam e vinham por todo lado e eu meio que me senti perdida.

— E aí, gatinha. Tá perdida? — Olhei assustada dando de cara com um rapaz loiro.

— Não, eu... — Tentei manter a voz o mais firme possível.

— Ah, acho que já sei. Você é uma das garotas que mandaram pra fazer aquelas baboseiras de coisas beneficentes, não é? — Ele apontou o dedo pra mim distraidamente. — Você parece muito com a garota que esteve aqui semana passada.

Analisei a situação por alguns segundos me dando conta de que estava tendo uma certa sorte, afinal. Confirmei o que ele disse e minha entrada foi liberada.

A pequena conversa que tive com o garoto loiro me atrasou, fazendo com que perdesse Demi e os outros de vista. Comecei a ficar meio nervosa olhando pra todos os lados à procura de algum sinal. Estava entrando em pânico quando senti meu corpo ser agarrado e minha boca ser tampada. Fui arrastada pra trás de um monte de pedras e meu corpo foi rudemente encostado contra um muro.

— Mas que merda você está fazendo aqui? — Arregalei os olhos ao ver Demi em minha frente bufando de raiva.

— Vim atrás de você. — Consegui responder com dificuldade. O olhar dela estava me dando medo, mas me mantive firme. — Você tem que vir pra casa comigo.

— Selena, você faz idéia de MERDA que está fazendo? — Ela aproximou mais seu rosto do meu e elevou a voz. Definitivamente, ela estava com muita raiva.

— Demi, eu tinha que fazer alguma coisa, eu...

— Que porra, Selena! Você vai sair daqui agora e...

Mas Demi não pôde completar a frase porque nesse momento ouvimos um disparo. Depois outro, e em seguida uma sequência de tiros que vinham só Deus sabe de onde.

— Fique perto de mim. Faça o que eu digo pelo menos uma vez na vida. — Ela me encarou brevemente e segurou minha mão prendendo a arma maior nas costas e tirando a pistola prateada do coldre do uniforme.

Seguimos abaixadas na direção oposta a que eu tinha vindo. Demi tinha os olhos atentos e a expressão tensa. Eu tentava ficar o mais próxima a ela possível, quase como se pudesse fundir nossos corpos. Avançamos mais uns passos e fui parada bruscamente pelo braço direito dela.

— Não se mexa. — Ela sussurrou soltando minha mão e segurando a arma estrategicamente com as duas mãos.

Estávamos paradas atrás de uma espécie de trailer. Demi arriscou levantar a cabeça rapidamente pra se situar e uma bala passou muito perto de sua cabeça indo se instalar no muro à nossa frente. Por puro instinto, puxei ela pra baixo agarrando-a pelo uniforme preto.

— Merda! — Ela disse abaixando-se novamente e estudando a munição.

— Demi, como sairemos daqui? — Perguntei nervosa sentindo lágrimas começarem a brotar. — Eu estraguei tudo, me perdoa.

— Não é hora pra isso. — Ela respondeu friamente e levou a mão até o ponto em seu ouvido. — Zac! Zac, responda!

Ela balbuciou algumas coisas com o sargento pela escuta que usava enquanto mais tiros eram disparados. Eu já começava a me dar conta da besteira que tinha feito. Nos embrenhamos em uma viela escura onde encontramos Zac e mais três soldados, sendo duas mulheres. Os tiros haviam cessado.

— Demi! — Zac olhou-a nervoso e em seguida seus olhos caíram sobre mim. — Selena?

— Olha a merda que você fez! — Demi empurrou Zac violentamente fazendo-o dar dois passos pra trás. — Ela não deveria estar aqui! A missão foi arruinada pela irresponsabilidade de vocês!

— Demi, ele não teve culpa. — Coloquei a mão em seu ombro. — Só me deixe...

— Você já fez demais por hoje, Selena. — Ela levou a mão até sua escuta. — Tenente Jonas?

Fiquei paralisada diante daquilo tudo. Ela falou algo sobre retirar os oficiais e replanejar.

— Vamos sair daqui. — Demi falou firme. — Nick e os outros nos encontrarão do lado de fora.

O caminho pra fora da favela foi complicado. Ainda foram trocados muitos tiros, alguns deles disparados por Demi. Ela tinha o maxilar rígido e os olhos eram pura raiva. Eu não saberia decifrar aquela expressão tendo em vista que nunca havia visto no rosto da minha garota. Tinha plena consciência dos meus atos e me arrependia muito. Não que valesse de algo naquele momento.

Chegamos sãos e salvos do lado de fora do grande morro. Demi me puxava forte pelo braço enquanto segurava a arma defensivamente na outra mão. A força que ela colocava no aperto chegava a me causar um pouco de dor, mas não reclamei. Lágrimas copiosas preenchiam meu rosto.

— Pro Batalhão. Vamos. — Ela coordenou seus oficiais. — Selena, onde está seu carro?

— Logo alí. — Apontei na direção do meu veículo.

— Me dê as chaves.

O silêncio naquele carro era perturbador. Demi tinha os olhos fixos na estrada e não havia pronunciado uma só palavra desde que ficamos à sós. Chegamos no departamento depois de uns 20 minutos. Demi saiu rapidamente do veículo e deu a volta abrindo a porta pra mim. Desci meio incerta. Logo tive meu braço novamente segurado e fui guiada em silêncio pra dentro do prédio. Eu tinha um mal pressentimento.

Seguimos pelos longos corredores e encontramos seus oficiais juntos na porta de uma das salas.

— Espere aqui. — Ela disse seca.

Durante o tempo em que fiquei alí sentada mil coisas passaram pela minha cabeça. Eu nunca tinha visto Demi tão furiosa, mas quando eu esperava gritos e xingamentos, ela só me deu silêncio. E era isso que me preocupava. Alguns minutos depois vi Demi sair de dentro da sala juntamente com os outros, todos já vestidos com roupas normais.

— Vem, vamos pra minha sala. — Ela disse já andando na minha frente. Segui-a pelo corredor deserto, por passar da meia noite, até a porta já conhecida por mim.

Ela entrou e se afastou dando espaço pra que eu entrasse também. Dei alguns passos lentos na direção da grande mesa enquanto ouvi a porta ser fechada.

— Demi... — Me virei pra ela que passava uma das mãos pelo cabelo. — Me perdoa. Eu não queria.

— Você sequer tem noção do que quase aconteceu hoje, Selena? — Seu olhar encontrou o meu e senti calafrios.

— Talvez... Não sei. — Tentei responder.

— Acho que você não tem. Eu passei meses planejando essa missão, desde o maldito dia em que Brian McBaine causou seu acidente. Ele tentou matar você pra me atingir e quase foi bem sucedido. Eu estava sendo seguida por um bandido perigoso e por isso insisti pra que você aceitasse segurança. — Ela tinha as mãos na cintura e sustentava o olhar no meu. — Passei esses meses sem saber o que era sossego, preocupada com o que ele pudesse fazer com você. E por vocêeu resolvi enfim montar uma força-tarefa desse tamanho e me agarrar talvez à unica chance de acabar com esse pesadelo de uma vez por todas.

— Amor, eu sei, eu... — Tentei começar, mas ela ergueu a mão me fazendo parar de falar imediatamente.

— Você seguiu minhas viaturas, entrou numa favela só Deus sabe como, estragou a missão, se colocou em risco quando a unica coisa que eu estava tentado fazer era te deixar segura. Meu oficial foi baleado, e o pior, McBaine não foi capturado e agora sabe o que eu tentei fazer, ou seja, o que já estava ruim, acaba de ficar dez vezes pior.

À essa altura eu já soluçava baixo. Eu havia estragado tudo, não sei onde eu estava com a cabeça, a unica coisa em que pensava era que Demi poderia não sair viva de lá e essa idéia me aterrorizava mais do que qualquer coisa.

— Demi, eu não pensei, eu fiquei com medo, você não me ouvia! — Cheguei mais perto dela que não moveu um músculo sequer.

— Eu não sou uma criança, sei me cuidar e estava fazendo o meu trabalho. Agora foi tudo por água abaixo e não vejo outra saída. — A voz dela vacilou na ultima frase e pude notar seus olhos lacrimejarem.

— O que você quer dizer? — Perguntei já sabendo da resposta. Aquilo não podia estar acontecendo.

— Não podemos continuar com isso, Selena. Está perigoso demais.

— Não... — Assimilei o que ela tinha dito. — NÃO!

Andei rapidamente até ela agarrando-a pela cintura. Seu queixo tremeu e uma lágrima solitária escapou de seus olhos.

— Selena, não dificulte as coisas. — Ela não desfez meu aperto, mas não me abraçou de volta. — Vai ser melhor se...

— EU JÁ DISSE QUE NÃO! — Quando percebi já estava gritando ainda agarrada a ela que desviava seu olhar do meu a todo custo. — DEMI, POR FAVOR!

— Selena...eu... — Ela olhava pro chão e agora chorava. — Eu não te quero mais.

— O que? — Me afastei dela andando alguns passos pra trás sentindo um buraco se abrir em meu peito. — Repete. Olhando nos meus olhos.

— Eu não te quero mais. — Ela sustentou o olhar no meu e repetiu as palavras. — Está acabado.

Aquilo me atingiu mais do que qualquer coisa. Eu havia estragado tudo, mas ouvir aquilo dela me magoava absurdamente. Senti uma falta de ar e era como se o chão tivesse sumido. Com certeza depois daquilo ela não me amava mais e a partir daquele momento, eu havia perdido o amor da minha vida. Simbolicamente falando, era como se meu coração estivesse destroçado em milhões de pedaços. Fora tudo isso havia a mágoa. Não sei se eu tinha esse direito, mas ainda assim fui tomada por uma mágoa enorme.

Demi:

Olhá-la alí tão triste era como levar uma facada. Eu sabia que ao dizer aquelas palavras, estaria magoando Selena severamente e que aquilo poderia não ter volta. Mas diante de tudo que havia acontecido, fui obrigada a tomar tal decisão.

Ela me olhou mais uma vez e balançou a cabeça negativamente. Seus olhos estavam banhados por lágrimas. Eu lutava contra um acesso de choro que ameaçava surgir. Observei ela pegar sua bolsa em cima de um dos armários e sair da sala lentamente. Só então me permiti cair sobre meus próprios joelhos chorando copiosamente uma dor que eu mesma havia causado.

Notas finais
Essa birosca é de vcs u.u