Firing Line
39 I see no other way. It's over.
Notas iniciais
Pois bem, princesas... Continuação aqui. como eu tinha dito anteriormente, isso é só a ponta do iceberg :B Kkkkk Bom, espero que curtam. Boa leitura ;)
— E aí, gatinha. Tá perdida? — Olhei assustada dando de cara com um rapaz loiro.— Não, eu... — Tentei manter a voz o mais firme possível.— Ah, acho que já sei. Você é uma das garotas que mandaram pra fazer aquelas baboseiras de coisas beneficentes, não é? — Ele apontou o dedo pra mim distraidamente. — Você parece muito com a garota que esteve aqui semana passada.Analisei a situação por alguns segundos me dando conta de que estava tendo uma certa sorte, afinal. Confirmei o que ele disse e minha entrada foi liberada. A pequena conversa que tive com o garoto loiro me atrasou, fazendo com que perdesse Demi e os outros de vista. Comecei a ficar meio nervosa olhando pra todos os lados à procura de algum sinal. Estava entrando em pânico quando senti meu corpo ser agarrado e minha boca ser tampada. Fui arrastada pra trás de um monte de pedras e meu corpo foi rudemente encostado contra um muro.— Mas que merda você está fazendo aqui? — Arregalei os olhos ao ver Demi em minha frente bufando de raiva.— Vim atrás de você. — Consegui responder com dificuldade. O olhar dela estava me dando medo, mas me mantive firme. — Você tem que vir pra casa comigo.— Selena, você faz idéia de MERDA que está fazendo? — Ela aproximou mais seu rosto do meu e elevou a voz. Definitivamente, ela estava com muita raiva.— Demi, eu tinha que fazer alguma coisa, eu...— Que porra, Selena! Você vai sair daqui agora e...Mas Demi não pôde completar a frase porque nesse momento ouvimos um disparo. Depois outro, e em seguida uma sequência de tiros que vinham só Deus sabe de onde.— Fique perto de mim. Faça o que eu digo pelo menos uma vez na vida. — Ela me encarou brevemente e segurou minha mão prendendo a arma maior nas costas e tirando a pistola prateada do coldre do uniforme.Seguimos abaixadas na direção oposta a que eu tinha vindo. Demi tinha os olhos atentos e a expressão tensa. Eu tentava ficar o mais próxima a ela possível, quase como se pudesse fundir nossos corpos. Avançamos mais uns passos e fui parada bruscamente pelo braço direito dela.— Não se mexa. — Ela sussurrou soltando minha mão e segurando a arma estrategicamente com as duas mãos.Estávamos paradas atrás de uma espécie de trailer. Demi arriscou levantar a cabeça rapidamente pra se situar e uma bala passou muito perto de sua cabeça indo se instalar no muro à nossa frente. Por puro instinto, puxei ela pra baixo agarrando-a pelo uniforme preto.— Merda! — Ela disse abaixando-se novamente e estudando a munição.— Demi, como sairemos daqui? — Perguntei nervosa sentindo lágrimas começarem a brotar. — Eu estraguei tudo, me perdoa.— Não é hora pra isso. — Ela respondeu friamente e levou a mão até o ponto em seu ouvido. — Zac! Zac, responda!Ela balbuciou algumas coisas com o sargento pela escuta que usava enquanto mais tiros eram disparados. Eu já começava a me dar conta da besteira que tinha feito. Nos embrenhamos em uma viela escura onde encontramos Zac e mais três soldados, sendo duas mulheres. Os tiros haviam cessado.— Demi! — Zac olhou-a nervoso e em seguida seus olhos caíram sobre mim. — Selena?— Olha a merda que você fez! — Demi empurrou Zac violentamente fazendo-o dar dois passos pra trás. — Ela não deveria estar aqui! A missão foi arruinada pela irresponsabilidade de vocês!— Demi, ele não teve culpa. — Coloquei a mão em seu ombro. — Só me deixe...— Você já fez demais por hoje, Selena. — Ela levou a mão até sua escuta. — Tenente Jonas?Fiquei paralisada diante daquilo tudo. Ela falou algo sobre retirar os oficiais e replanejar.— Vamos sair daqui. — Demi falou firme. — Nick e os outros nos encontrarão do lado de fora.O caminho pra fora da favela foi complicado. Ainda foram trocados muitos tiros, alguns deles disparados por Demi. Ela tinha o maxilar rígido e os olhos eram pura raiva. Eu não saberia decifrar aquela expressão tendo em vista que nunca havia visto no rosto da minha garota. Tinha plena consciência dos meus atos e me arrependia muito. Não que valesse de algo naquele momento. Chegamos sãos e salvos do lado de fora do grande morro. Demi me puxava forte pelo braço enquanto segurava a arma defensivamente na outra mão. A força que ela colocava no aperto chegava a me causar um pouco de dor, mas não reclamei. Lágrimas copiosas preenchiam meu rosto.
— Pro Batalhão. Vamos. — Ela coordenou seus oficiais. — Selena, onde está seu carro?— Logo alí. — Apontei na direção do meu veículo.— Me dê as chaves.O silêncio naquele carro era perturbador. Demi tinha os olhos fixos na estrada e não havia pronunciado uma só palavra desde que ficamos à sós. Chegamos no departamento depois de uns 20 minutos. Demi saiu rapidamente do veículo e deu a volta abrindo a porta pra mim. Desci meio incerta. Logo tive meu braço novamente segurado e fui guiada em silêncio pra dentro do prédio. Eu tinha um mal pressentimento. Seguimos pelos longos corredores e encontramos seus oficiais juntos na porta de uma das salas.— Espere aqui. — Ela disse seca.Durante o tempo em que fiquei alí sentada mil coisas passaram pela minha cabeça. Eu nunca tinha visto Demi tão furiosa, mas quando eu esperava gritos e xingamentos, ela só me deu silêncio. E era isso que me preocupava. Alguns minutos depois vi Demi sair de dentro da sala juntamente com os outros, todos já vestidos com roupas normais.— Vem, vamos pra minha sala. — Ela disse já andando na minha frente. Segui-a pelo corredor deserto, por passar da meia noite, até a porta já conhecida por mim. Ela entrou e se afastou dando espaço pra que eu entrasse também. Dei alguns passos lentos na direção da grande mesa enquanto ouvi a porta ser fechada.— Demi... — Me virei pra ela que passava uma das mãos pelo cabelo. — Me perdoa. Eu não queria.— Você sequer tem noção do que quase aconteceu hoje, Selena? — Seu olhar encontrou o meu e senti calafrios.— Talvez... Não sei. — Tentei responder.— Acho que você não tem. Eu passei meses planejando essa missão, desde o maldito dia em que Brian McBaine causou seu acidente. Ele tentou matar você pra me atingir e quase foi bem sucedido. Eu estava sendo seguida por um bandido perigoso e por isso insisti pra que você aceitasse segurança. — Ela tinha as mãos na cintura e sustentava o olhar no meu. — Passei esses meses sem saber o que era sossego, preocupada com o que ele pudesse fazer com você. E por vocêeu resolvi enfim montar uma força-tarefa desse tamanho e me agarrar talvez à unica chance de acabar com esse pesadelo de uma vez por todas.— Amor, eu sei, eu... — Tentei começar, mas ela ergueu a mão me fazendo parar de falar imediatamente.— Você seguiu minhas viaturas, entrou numa favela só Deus sabe como, estragou a missão, se colocou em risco quando a unica coisa que eu estava tentado fazer era te deixar segura. Meu oficial foi baleado, e o pior, McBaine não foi capturado e agora sabe o que eu tentei fazer, ou seja, o que já estava ruim, acaba de ficar dez vezes pior.À essa altura eu já soluçava baixo. Eu havia estragado tudo, não sei onde eu estava com a cabeça, a unica coisa em que pensava era que Demi poderia não sair viva de lá e essa idéia me aterrorizava mais do que qualquer coisa.— Demi, eu não pensei, eu fiquei com medo, você não me ouvia! — Cheguei mais perto dela que não moveu um músculo sequer.— Eu não sou uma criança, sei me cuidar e estava fazendo o meu trabalho. Agora foi tudo por água abaixo e não vejo outra saída. — A voz dela vacilou na ultima frase e pude notar seus olhos lacrimejarem.— O que você quer dizer? — Perguntei já sabendo da resposta. Aquilo não podia estar acontecendo.— Não podemos continuar com isso, Selena. Está perigoso demais.— Não... — Assimilei o que ela tinha dito. — NÃO!Andei rapidamente até ela agarrando-a pela cintura. Seu queixo tremeu e uma lágrima solitária escapou de seus olhos.— Selena, não dificulte as coisas. — Ela não desfez meu aperto, mas não me abraçou de volta. — Vai ser melhor se...— EU JÁ DISSE QUE NÃO! — Quando percebi já estava gritando ainda agarrada a ela que desviava seu olhar do meu a todo custo. — DEMI, POR FAVOR!— Selena...eu... — Ela olhava pro chão e agora chorava. — Eu não te quero mais.— O que? — Me afastei dela andando alguns passos pra trás sentindo um buraco se abrir em meu peito. — Repete. Olhando nos meus olhos.— Eu não te quero mais. — Ela sustentou o olhar no meu e repetiu as palavras. — Está acabado.Aquilo me atingiu mais do que qualquer coisa. Eu havia estragado tudo, mas ouvir aquilo dela me magoava absurdamente. Senti uma falta de ar e era como se o chão tivesse sumido. Com certeza depois daquilo ela não me amava mais e a partir daquele momento, eu havia perdido o amor da minha vida. Simbolicamente falando, era como se meu coração estivesse destroçado em milhões de pedaços. Fora tudo isso havia a mágoa. Não sei se eu tinha esse direito, mas ainda assim fui tomada por uma mágoa enorme.Demi:Olhá-la alí tão triste era como levar uma facada. Eu sabia que ao dizer aquelas palavras, estaria magoando Selena severamente e que aquilo poderia não ter volta. Mas diante de tudo que havia acontecido, fui obrigada a tomar tal decisão. Ela me olhou mais uma vez e balançou a cabeça negativamente. Seus olhos estavam banhados por lágrimas. Eu lutava contra um acesso de choro que ameaçava surgir. Observei ela pegar sua bolsa em cima de um dos armários e sair da sala lentamente. Só então me permiti cair sobre meus próprios joelhos chorando copiosamente uma dor que eu mesma havia causado.
Notas finais
Essa birosca é de vcs u.u
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