Firing Line

28 I had not taken any idea of the read.


Notas iniciais
E aí, babys... Mais um cap. Boa leitura ;)

Demi:

— Será que você consegue andar mais rápido, Tenente Jonas?

Já passavam de 16:00, estávamos vasculhando uma área próxima à South Coust. Recebemos denúncias de moradores dizendo que haviam gangues lutando pelo domínio do território e as pessoas estavam amedrontadas. A polícia da região não conseguiu dar jeito e quando isso acontece, o Batalhão de Operações Especiais entra em ação.

— Não tem mais nada por aqui. — Zac falou atrás de mim. Como sempre, cobríamos a retaguarda um do outro.

— Esse lugar está detonado. — Falei observando o local com o fuzil em punho.

— Com certeza os caras foram avisados da nossa chegada. Acho perigoso entrar naqueles becos mais à frente, capitã. — Nicholas falou.

A área era bem difícil de ser visualizada pelo grande número de becos e vielas. Estava tudo muito quieto pro meu gosto.

— Devemos avançar, capitã? — Zac perguntou indicando os becos.

— Esperem um segundo. — Falei observando uma pequena movimentação atrás de um dos muros que levavam aos becos. Indiquei aos meus agentes através de sinais e eles apontaram suas armas pro suposto alvo.

Não demorou nem dois segundos depois de eu ter falado e um homem saiu correndo de seu esconderijo em direção a uma viela mais à direita.

— POLÍCIA! PARE JÁ AÍ! — Gritei apontando o fuzil pro rapaz que parecia aflito ao se virar na minha direção com as mãos pra cima.

Foi quando ouvimos um estampido. Um tiro. Procurei me proteger puxando o rapaz comigo. Me camuflei atrás de uma grande lixeira.

— PROTEJAM-SE! — Gritei pros meus oficiais, que já estavam se dispersando de forma estratégica. — Você fica aqui, rapaz.

— Eles querem me pegar, doutora! Eu que entreguei eles pra polícia! — O rapaz aparentava ter seus 18 anos e estava desesperado.

— Ninguém vai encostar em você. Fique junto de mim. — Tentei acalmá-lo.

Foi difícil conseguir sair dalí. Estávamos teoricamente cercados e não tínhamos idéia de onde partiam os tiros. No fim das contas, efetuamos três prisões de membros da gangue, o que não nos interessava muito. Se fomos até alí e não encontramos os chefes do local, podíamos dar o dia como perdido. E isso me deixava extremamente aborrecida. Ainda mais porque durante o processo de retirada pra proteção da testemunha, tive que me jogar do alto de um muro, o que me rendeu uma dor chata nas costelas. Mas no geral, conseguimos tirar o garoto de lá em segurança. Já era muita coisa.

— Você vai ficar sob custódia da polícia da área até que eles saibam como te ajudar. — Expliquei ao rapaz ainda amedrontado que já estava sendo cuidado por um médico já que havia machucado o braço direito enquanto tentava fugir dos bandidos.

— Obrigada. — Ele respondeu.

Voltamos ao departamento por volta das 19:00. Eu estava exausta. Dispensei minha equipe e fui ao vestiário tirar aquele uniforme pesado e quente. Guardei os equipamentos em seus devidos lugares e tomei uma ducha fria. Troquei de roupa e peguei minhas coisas já indo na direção do carro. Guardei minha pistola no porta-luvas e olhei o celular. Doze chamadas não atendidas. Selena. Droga, me atrasei de novo e esqueci de avisar. Ou será que... Ah, merda. Disquei o número do agente Summers.

— Summers falando. — Ele atendeu com a voz grave de sempre.

— Agente Summers? Capitã Lovato.

— Pois não, capitã.

— Onde está Selena? — Perguntei ansiosa dando partida e colocando o celular no viva-voz pra que eu pudesse dirigir.

— Ela está em casa, capitã. Verifiquei agora à pouco. Ela perguntou pela senhora, mas eu não sabia responder.

— Ah, ok. — Suspirei de alívio e culpa ao mesmo tempo. — Já estou à caminho. Tem alguém com ela?

— A Sta. Stone saiu a pouco tempo, mas a Sta. Gomez pemaneceu em casa. Parecia bem agitada.

— Ok, Summers. Obrigada e até já. — Desliguei.

Estacionei do lado de fora da garagem espaçosa. Desci apressada fazendo um sinal positivo pro agente Summers que se encontrava na esquina da rua. Era a permissão pra que ele deixasse o posto. Pode parecer exagero, mas depois de tudo que aconteceu e ainda com McBaine solto por aí, eu não podia me arriscar. Quase perdi Selena uma vez e eu não deixaria acontecer novamente. Ela às vezes me enchia de perguntas sobre esse assunto, mas até agora consegui desconversar. À muito custo consegui convencê-la a aceitar proteção. Sei que ela fez pra me deixar tranquila, mas mesmo assim eu sempre ia trabalhar preocupada e ligava pra ela várias vezes ao dia. Mas devido à missão em campo de hoje, acabei não podendo.

Cheguei até a porta destrancando-a com minha cópia da chave.

— Sel? — Chamei fechando a porta atrás de mim.

— Demi! Graças a Deus... — Ela disse já jogando os braços finos em meu pescoço num abraço apertado. — Por que demorou tanto?

— Trabalho, princesa. Desculpe não ligar mas não tive como. — Retribuí o abraço largando a bolsa no chão de qualquer jeito.

— Eu devia brigar muito com você, sabia? Faz idéia de como eu fico quando você some assim? — Ela disse se afastando pra poder me olhar.

— Sei, e me desculpe. Eu realmente não pude avisar. — Ela respirou fundo mas acentiu conformada. — Mas e você, me conta o que fez hoje.

Fomos até a cozinha enquanto Selena falava de seu dia. Eu ouvia atentamente enquanto ela falava sem parar em algo sobre corpos e corações e órgãos vitais.

— E você precisava ver, amor... O coração do cara ainda batia! — Ela disse entusiasmada.

— Nossa, que história doida... — Ri baixo da explicação dela de como um coração continuou batendo depois da morte de um homem num acidente de carro qualquer.

Pedimos pizza e subi pra tomar banho enquanto esperávamos. Apesar de já ter tomado aquela ducha no departamento, nada se comparava a um banho decente em casa. Vesti uma calcinha box de ursinho e uma camiseta lilás de tecido confortável com um top por baixo. Fui pra cozinha onde Selena já estava colocando a pizza em cima da mesa redonda da sala de jantar.

— Te ajudo. — Falei despertando a atenção dela pra mim. Fui na direção do armário da cozinha em busca de pratos.

— Err... claro. — Respondeu meio gaguejando. Me olhava como se eu fosse comestível e ela, uma garotinha faminta.

— O que foi? — Me fiz de desentendida.

— Você está de calcinha no meio da minha cozinha. E eu consigo sentir seu cheiro de bebê daqui. — Ela disse trincando o maxilar.

— Selena, é uma calcinha box de ursinhos. Não é nada do tipo renda vermelha nem algo assim. — Falei pra ela que continuava me olhando de cima à baixo.

— Só prestei atenção na palavra 'calcinha'. — Eu ri da perversão da minha namorada.

— Vamos jantar, então. — Andei até ela dando-lhe um selinho demorado e fui em direção à mesa de jantar. Não pude deixar de perceber seu olhar cair sobre a minha bunda. Ela respirou fundo e balançou a cabeça antes de me acompanhar e sentar-se também.

Jantamos sem pressa nenhuma e depois deitamos no sofá pra ver um filme qualquer. Eu estava deitada com as costas no estofado enquanto Selena se aconchegou em cima de mim. Entrelacei minhas pernas nas suas e ela recostou a cabeça no meu peito. Eu acariciava seus cabelos enquanto meus pensamentos iam pra longe dalí. Só percebi que ela estava me olhando minutos depois.

— Por que tá me olhando assim? — Perguntei baixando a vista pra encarar melhor os olhos castanhos que me observavam tão atentamente.

— Demi, você não tem nada pra me contar? — Ela me surpreendeu com a pergunta.

— Na-não... porque? — Desviei meu olhar do seu.

— Você tá meio distante, ultimamente. Às vezes te pego com pensamento longe, às vezes parece preocupada... Tá acontecendo alguma coisa? — Ela levantou a cabeça do meu peito concentrando toda a sua atenção em mim.

— Não tá acontecendo nada, princesa. Só estresse do trabalho, normal. — Sustentei meu olhar no dela torcendo pra parecer convincente.

— Tem certeza? — Ela franziu a testa ainda sem se convencer muito.

— Tenho.

— Ok... Mas se estivesse acontecendo algo você me contaria, certo?

— Certo. — Respondi e ela continuou me olhando como se tentasse ler através de mim. — Selena, basta que você saiba que eu te amo mais que tudo nesse mundo. E eu vou te proteger sempre.

— Você fala de um jeito... — Ela disse apertando os lábios. — Eu tô com uma sensação ruim, Demi.

— Que sensação? — Afastei uma mecha de seus cabelos.

— Não sei... Você já tirou aquela idéia maluca da cabeça de querer ir atrás do cara que causou meu acidente naquele dia, né?

Droga. Eu queria muito compartilhar meus pensamentos com Selena, dizer como eu me sentia e as coisas que eu pensava. Mas se eu dissesse, ela tentaria me impedir. Não, eu não havia tirado idéia nenhuma da cabeça. Pelo contrário, eu estava cada vez mais perto do meu objetivo. Eu estava na cola de McBaine e faltava muito pouco pra saber seu paradeiro. Mas eu preferia planejar tudo em sigilo. Era mais seguro.

— Claro, princesa. Fica tranquila. — Sorri de lado pra ela que parecia nervosa. Resolvi mudar de assunto pra aliviar o clima tenso. — Ah, sabe do que mais?

— Quê. — Sua expressão mudou de nervosa pra curiosa.

— Vou colorir meu cabelo. Talvez rosa ou azul. Talvez os dois.

— Não, sua doida. Uma cor de cada vez, né. Senão vai ficar uma bagunça na sua cabeça. — Ela riu me beijando no rosto ainda deitada em cima de mim. — Pinta de rosa! Amanhã eu te ajudo.

— Ok. Rosa, então. Agora vem aqui. — Encerrei o assunto puxando-a para um beijo caloroso.

Subimos pro quarto e logo fomos dormir por conta do cansaço. Durante a madrugada senti Selena agarrar-se à minha cintura e cheirar meu pescoço como se fosse um calmante, ferrando no sono em seguida. Apertei sua mão que estava firme envolta de mim me sentindo a mulher mais sortuda do mundo por ter a garota dos meus sonhos dormindo ao meu lado.

Notas finais
E aí? ^^