Fireflies
5 Cafés e livros
Notas iniciais
–Ninguém mandou me provocar... –ele disse ainda malicioso.
~.~
Fiquei ali, raciocinando o que acabou de acontecer. Desviamos o olhar,para a janela que começou a chover algo brilhante.
–Estrelas viajantes! –ele me explicou. Eram vários riscos prateados, viajando na escuridão que já estava o céu. –Rápido! Pegue essa jarra! –ele apontou para uma jarra em forma de um cilindro de vidro, tirei as flores e o entreguei. Ele colocou o braço para fora com a jarra e esticou o máximo que pode. E vi maravilhada, algumas estrelas entrarem dentro da jarra.
–Uau! –disse quando ele colocou de novo a jarra no lugar e o cobriu com um lençol que estava encima de um dos sofás.
–Deixe esfriar e elas vão se acalmar, aí poderemos tirá-las e apreciá-las!
–Isso é tão impossível! –não conseguia vê-las por causa do lençol mas o brilho era intenso.
–Nada é tão impossível! –ele se aproximou e me deu um beijo na testa –Que tal jantarmos?
–Será que dá pra pedir a comida?
–Acho que não, mas posso pegá-la para nós!
–Valeu! Vai trazer mais La patee? –disse irônica
–Não! Pode deixar! –ele saiu. Fiquei imóvel olhando para algumas estrelas que ainda caiam pelo céu, e para as que hospedamos na nossa cabine. Ivy, estrelas, beijar Nathan, voar em algo que não sai do chão... Acho que minha vida nunca foi tão bela quanto agora! Deitei por um instante e minha mente viajou junto com as estrelas da janelas. Ouvi o barulho de algumas baterem no trem e nos trilhos e ate que era bom. Porque era novo e lindo. Tive ate uma ideia em que eu... podia por no iCarly...ai! isso ta me matando, enquanto quero voltar para Seattle quero continuar aqui!
–Aqui! –Nathan entrou carregando uma bandeja, todo atrapalhado. –Trouxe macarrão, conhece?
–Ah, não vou experimentar! –fiquei com vontade de rir, mas segurei
–É muito bom! Aqui! –ele puxou a mesa para ficar de frente para os dois sofás e pôs meu prato em minha frente.
–Vou experimentar! –enrolei no garfo e comi- Nossa, é bom!
–Falei! –ele era tão ingênuo. Realmente acreditou.
–Posso te fazer uma pergunta? –disse enrolando o macarrão.
–Já ta fazendo...-ele riu e o olhei de cara feia
–Outra pergunta... No que te deu pra me beijar? –fui direta, não tinha nada a perder mesmo
–Eu não sei. Quando te vejo meu coração queima, é uma coisa boa sabe. Eu não sei ao certo mas... quando te vi, queria beijá-la na hora. Eu não sou assim! –ele disse parecendo pedir desculpas.-Sou mais do tipo romântico, e você me fez perder o controle.
–Ta pedindo desculpas por ter me beijado? –disse confusa e tentando não rir
–Queria que fosse mais...bonito! Espontâneo, não surpresa!
–Em minha opinião foi ótimo! –disse bebendo um pouco de água, e encerrando a refeição
–Então...você gostou? –ele parecia surpreso
–Sim... Mas mesmo assim, vamos conversar sobre isso amanha! Eu to cansada. –disse já me levantando e indo em direção ao sofá.
–certo! –ele empurrou a mesa para o canto, e me ajudou a arrumar a cama. E logo em seguida se deitou. –Bons sonhos! –Olhei para o teto e vi o reflexo que as estrelas que estava ali dentro faziam. E era relaxante, adormeci...
“ Já ligou para o celular dela?”
“Já, só da caixa postal”
“Oh meu Deus! Não devia ter deixado sozinha!”
“A culpa é minha, eu demorei...”
“Não foi culpa de nenhum dos dois! Só se passou duas horas, talvez ela queira ficar sozinha! Vamos esperar, se não ligamos para a policia!”
“Vou avisar Carly... Ela esta bem, eu sei que esta”
Acordei com um enorme susto. O coração acelerado e a respiração alterada. Nathan já havia acordado e não estava na cabine, e por mais que estivesse nublado, a claridade era tamanha. Cocei os olhos, e levantei com dificuldades, que sonho foi esse? Uma escuridão, ouvia claramente as vozes de Pam, Freddie e Trevor. O que é isso? Tentava pensar, mas isso não era meu típico pela manha e minha cabeça começou a doer. Fechei a gaveta-cama e fui para a janela. O céu estava inteiramente nublado, não se via nada além de enormes bolas acinzentadas no céu.Nem céu se via.
–Bom dia. –Nathan entrou com uma sacola em mãos
–Bom... Dia! O que é isso?
–Nada de mais! Como dormiu?
–De olhos bem fechados! –disse voltando a olhar para a janela a fitando e pensando na minha mãe.
–Algum problema? –ele disse se aproximando
–Nenhum! –disse ate meio fria.
–Serio? –ele tocou no meu ombro. Isso subiu meu sangue. Não sei porque essa raiva que estou tendo, mas estou! –Pode falar...
–posso falar... –sussurrei. –Eu vou falar! Eu quero sair daqui! Quero ir embora. Quero Seattle de volta, quero Carls ao meu lado, quero minha mãe irritante, meu Freddie... –ele me interrompeu
–Seu Freddie...-ele parecia pensativo, irritado e surpreso.
–Sim, meu Freddie! –disse me virando e o encarando.
–O que ta na sua carteira né! –ele disse sorrindo com desdém. O olhei chocada e irritada.
–Mexeu nas minhas coisas?!
–A deixou em cima do sofá, não me admira ter correspondido o beijo...Achou que eu era ele né?! –ele quase gritava de raiva.
–Não! Impossível, ele é melhor do que você!
–Ah é? Não parecia muito ontem!
–Senti pena! –gritei também. –Agora se me der licença, eu vou dá uma volta!
–Se quiser não precisa voltar!
–E não vou! –disse pegando minha mochila e a sacola de compras
–Espera! Aonde vai?
–Ah! Agora ta preocupado né?! Quero distancia de você! E achar um jeito de ir embora.
–Não pode fazer isso! –ele me segurou
–Posso sim! Quero ir para casa!
–Você não...quer saber? Pode ir! Vai!
–Hurg! – o empurrei com força e sai dali. Comecei a caminhar. E com o tempo minha cabeça foi limpando, o que me deu? Eu não sei, mas não posso voltar atrás. E além disso, se eu seguisse o plano dele nunca ia sair daqui e talvez esse era o plano dele, me enrolar só pra ficar comigo. Que ridículo, essa demora toda, não deve ser difícil sair daqui, isso não é Alice no país das maravilhas. Abro uma porta ampla de madeira com janelinhas de vidro e vejo uma biblioteca com cafeteria. Algumas pessoas liam ou conversavam baixo enquanto comiam e bebiam, uma parte mais clara ficava os livros e , mais escura a cafeteria com pequenas lâmpadas no teto iluminando dava um ar mais sofisticado. Andei em direção a cafeteria e me lembrei que não tinha dinheiro algum. Então relutante, fui caçar algum livro para distrair minha mente.
–Sam? –uma voz sussurrou ao longe. Para meu alívio e alegria sorri para aquele ser
–Jack –disse sorrindo ao ver o menino alto com belos cachos ruivos.
–Sim, o que faz aqui? –ele segurava um livro bem grande na minha opinião, marcando uma pagina com um dedo dentro do livro.
–Bem... na verdade, só tava dando uma volta! –menti.
–Hum...me acompanharia num petisco? –ele sorriu. Inclinando a cabeça a uma mesa que tinha uma mochila em cima e alguns cadernos abertos com um copo de café. Devia ser a mesa em que sentava
–Claro, estou faminta!
–Ótimo! –o segui e sentei a sua frente
–O que esta fazendo? –olhei para o caderno cheio de coisas escritas, tinha mais marcas pretas de escritas do que o branco do papel.
–Estudando o futuro e o passado! –ele sorriu ao ver minha careta. Ele levantou a mão direita chamando uma garçonete.
–Bom dia, vai querer mais alguma coisa senhor Sprout. –ela fez uma reverencia exagerada, ele acenou com a cabeça
–Não precisa disso, por favor! Sam, escolha à vontade. –ele disse reabrindo o livro e pondo um marca-paginas dentro e voltando a fechá-lo.
–Certo... Eu quero aquela torta de maçã ali! –apontei para uma torta de maçã que uma mulher comia enquanto lia um livro –e um achocolatado!
–Já volto! –a mulher de cabelos bem curtos negros, sorriu para Jack com admiração e saiu apressada.
–Para que a reverencia? –disse o fitando
–Nada de mais... quer me ajudar?
–Ler? Escrever? Entender? Não, obrigado! –ele riu, parecendo gostar muito do que disse.
–Bom... já que é assim, posso terminar mais tarde... Me diga, esta sozinha aqui?
–Depende...
–Do que? –ele disse dando uma golada no café com a mais perfeita paciência
–Estou com ...o meu irmão. Mas não o aguento! Sabe o próximo horário de desembarque?
–sim... A meia noite! –ele sorriu conformado- Mas não acho que fugir do seu “irmão” vai lhe ajudar! –ele fez as aspas no ar rindo.
–Porque as “aspas” –gesticulei da mesma forma
–Bom... Se esta se referindo a Nathan Truskott, tenho certeza de que ele não tem irmãos, e nem se parece com ele.
–Como sabe...?
–Os vi jantando... –ele parecia calmo olhando a capa do caderno, agora fechado.
–Aqui esta! –a garçonete, apareceu com o meu pedido –Bom apetite. Mas alguma coisa senhor?
–Não obrigado! –ele sorriu para a mulher, que parecia que ia desmaiar pelo ato.
–As mulheres sempre te olham assim? –disse meio irônica
–Não as quem eu quero. –ele me olhou sob a caneca e sorriu, fiz o mesmo. –Vai ao baile com ...
–Não! –não o deixei terminar de responder – Quero dizer...nem vou ao baile, só vou esperar para o trem tocar o chão, que partirei!
–Hum... Devia ir! Mas também não quero ir ao baile, mas sou obrigado... Se quiser me fazer companhia, por uma ultima vez... me encontre as 21:00 horas, no ultimo vagão. É onde costumo ficar aqui.
–Não lhe prometo nada! –disse terminando de comer a torta- Muito obrigado, tava muito bom!
–eu que lhe agradeço! –me levantei, pondo a mochila no ombro.
–Adeus...
–Adeus...ate as nove, se aparecer!
–Vou ver...-disse já saindo
–Sam! Aguente mais um pouco seu irmão. Seja compreensiva... –só acenti com a cabeça.
Continua...
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