Firebird
2 Origem - Parte 2
Notas iniciais
10 de setembro de 2017
Uma imensidão branca penetrou nos olhos de Gabrielle como vidro, dificultando para focar a vista, apenas ouvindo o som de “bips” intercalados. Contudo, aos poucos, sua visão foi tomando forma e direcionado numa imagem loura de olhos azuis.
— Acordou finalmente! — foi o primeiro comentário de seu pai, expirando rapidamente depois de carregar o ar. — Achamos que não viveria.
Ajeitou-se na cama hospitalar, olhando para os lados e observando a vista focar na janela, na porta, e, por fim, no seu corpo. Encontrou diversas manchas de queimados e alguns machucados. Porém, ficou curiosa com a sua queimadura do braço, e mirou nele, mas estava bandado com um lenço branco.
— Bem, avisarei a médica. Talvez amanhã ou depois você consiga finalmente sair.
Victor levanta da poltrona ao lado da cama e caminha em direção à porta.
— Espera! — chamou-o, que virou para a filha. — Como está o Victor?
Victor sorriu.
— Ele está bem, graças a você. Teve algumas queimaduras e ausentou em oxigênio, mas agora está de alta.
— Que bom! — expirou aliviada e sorriu, porém lembrou. — Mas e a nossa casa?
— Isso já foi resolvido. Quando chegarmos lá, você saberá. — virou-se e saiu, deixando uma Gabrielle confusa.
…
11 de setembro de 2017
Enfim a Gabrielle ficou em alta, depois de uma semana, e partiram rumo ao lar, o que a brasileira não conseguia imaginar já que a casa deles foi destruída com o incêndio.
Estavam os dois no carro comprado pelo pai, sendo que ela sentava na lateral direita, vendo a Torre Eiffel aparecer na paisagem. Parece que retornou ao primeiro dia, porém com as marcas de queimadura e uma sensação de calor que a cansava. Perguntou-se se isso pararia algum dia, ou se talvez melhorasse.
Porém, achou estranho ver o pai ir para um caminho diferente da casa. Olhou para os lados e percebeu que não conhecia aquela parte de Paris. Apenas conhecia o caminho de casa para a escola.
— Pai, aonde estamos indo?
— Numa casa antiga, — respondeu, sem tirar os olhos da estrada. — onde eu vivia durante a minha infância com os meus pais. Esteve fechada quando sua avó faleceu e seu avô foi embora, depois que conheci a sua mãe.
Passados 5 minutos, eles chegaram ao novo lar.
A estrutura da residência era pouco diferente: era uma esquina de tons de verde vibrantes , era mais fino que sua casa anterior porém com mais andares. Fora isso, era semelhante à Rua Olivier de Serres de número 23, pela porta central e duas janelas para cada andar.
Seu pai desliga o carro, estacionando em frente à casa e, sai e aproxima da filha.
— Enquanto a casa estiver em reforma, — diz, e a primogênita o encara. — é aqui que iremos morar. Eu e sua mãe sairemos hoje para o trabalho. E não se preocupe, seu quarto está pronto. É no último andar.
— Como conseguiram dinheiro para arrumar o meu quarto?
— Seguro dos móveis. Resolvemos isso rápido.
Ela virou-se novamente para a casa e enfim adentrou. De imediato foi recepcionada por um abraço apertado, e segundos depois, percebeu que era o caçula.
— Gabrielle! Que bom que está bem!
Abraçou de volta.
— Fico feliz por você também, Victor.
Notou que, atrás do seu irmão, estava sua mãe com semblante contente. Logo soltou de Victor e abraçou Sandra.
— Que bom que está bem!
Gabrielle nada disse. Fechou os olhos e apreciou a companhia de sua mãe depois de dias que brigaram. Não gostam de discussões, mas defendem suas opiniões. São parecidas nesse ponto, junto ao amor delas por açaí, feijoada, brigadeiro e a Dona Sônia. Isso fez a filha lembrar dos bons momentos que viveram no Brasil. As praias de Fernando de Noronha, os passeios nas dunas do Ceará, o Cristo Redentor do Rio de Janeiro, o carnaval de Santa Catarina. São momentos que só o seu país lhe presenteou. E quando encarou a nova casa, notou que os seus momentos acabaram.
Porém algo além disso Gabrielle notou. duas gaiolas de pássaros em cima da mesa de refeições, e ela sabe que nunca criaram um animal de estimação qualquer, embora tenha sido o seu sonho desde criança.
— Por que tem duas gaiolas aqui? — perguntou, desfazendo o abraço e apontando para os objetos.
— Por que não vai ao seu quarto e encontre a resposta? — seu pai propôs.
Encarou o pai e, como o vento, correu e subiu as escadas até o último andar, onde, de acordo com Victor Louis, ficava o seu quarto. De primeira, notou que a cor rosa dominava o quarto. O cheiro de tinta era forte, e então supôs que foi pintada e organizada a pouco tempo. A cama nova e arrumada, o armário branco com espelho na porta, que sabia que não tinha as roupas do seu país. O teto era o mais estranho, pois tinha uma abertura coberto com uma janela de vidro. Porém, o que chamou mais atenção foi no objeto sobre a escrivaninha ao lado da janela aberta, do outro lado do quarto. O computador dela, o qual acreditou que tinha sido queimado com os restos de seus pertences.
Aproximou e esticou os braços para tocá-la, sem acreditar que era o seu PC, mas repeliu o ato ao reparar que uma faísca de fogo emanou de sua mão. Cambaleou para trás depois do susto, caindo sentada na sua cama de lençol vermelho. Piscou duas vezes, atordoada, e na sequência mirou seus olhos nas suas mãos novamente, a qual as faíscas intensificaram, chegando a formas pequenas bolas de fogo. Assustada, gritou e sacudiu os braços para apagar as chamas.
— Gabrielle, pare! — ordenou uma voz feminina.
De imediato, a brasileira estagnou-se. Olhou para a esquerda, direita, atrás dela. Não encontrou a pessoa que a chamou.
— Olhe para cá, menina!
Ouviu uma voz masculina acima dela. Encarou novamente o teto e notou dois pássaro avermelhados sobrevoando a sua cabeça. Como não disse mais nada, a ave de tom mais claro disse:
— É muito bom conhecer você, Gabrielle. Meu nome é Vivi.
— E o meu é Bibi. — disse a outra ave, de voz masculina.
— Desculpe por não atendermos a senhorita antes. Estávamos lá fora conhecendo a cidade.
— E arrumando o que comer, pois deu uma fome!
Gabrielle continuou a encará-los, não acreditando que aqueles eram seus animais de estimação. Isso estava deixando-os envergonhados. Acompanhou com os olhos os dois pousando na escrivaninha da menina, e Vivi perguntou:
— Não vai falar nada?
Levantou de sua cama, aproximou das aves e, por fim, Gabrielle disse:
— Não sabia que existe papagaios vermelhos.
— Nós não somos papagaios, — contrariou Bibi, rindo do comentário da menina. — somos fênix.
— Fênix?
— Sim, — respondeu Vivi. — e viemos resolver o seu problema.
— E que problema é esse? — arqueou a sobrancelha direita, duvidando da fala do pássaro.
Bibi encarou para baixo, na direção das mãos da brasileira.
— Olhe suas mãos.
Foi então que Gabrielle ergueu os membros para olhá-los, e viu que novamente apareceu bolas de fogo, surpreendendo-a. Chacoalhou as mãos para apagá-las.
— Não vai adiantar. Você tem que controlar seus poderes. — Vivi disse.
Gabrielle parou, e encarou a Vivi com semblante de dúvida.
— Poderes?
— Sim, os seus poderes. — Bibi respondeu, e voou até o travesseira da cama de Gabrielle, retirou algo embaixo dela com o bico e trouxe, com a ajuda da amada, para o pescoço da menina. — E trouxemos isso para você.
Era o colar em forma de coração dourado, e Gabrielle encantou pelo acessório. Andou rapidamente até o espelho do armário para verificar como ficava nela.
— Que bonito! Adorei o colar! Obrigada!
— Não é um colar, na verdade. — Disse Vivi, pousando no ombro esquerdo de Gabrielle e a encarou pelo espelho, e notou a face de dúvida da garota. — É um medalhão, e dentro dele encontrará a sua marca de ativação.
Gabrielle então abriu o medalhão e viu que havia uma marca de rosto de ave vermelha, que a assustou e, ao mesmo tempo, encantou. Porém ficou curiosa com o termo que a ave utilizou.
— Marca de ativação?
— Sim, — respondeu Bibi, voando até o seu braço esquerdo. — como este.
Com o bico, desmanchou o laço do lenço que cobria a queimadura e retirou-o, mostrando algo estranho: a mesma marca de ave que continha no medalhão estava no braço de Gabrielle. De primeira, ela cambaleou para trás e quase caiu, mas as aves ajudaram-na a ficar em pé. Depois, passou a mão na marca, achando que fosse tivesse alguma protuberância, algo típico de inchaço, mas é como se passasse a mão pelo braço inteiro, com se fosse dela própria.
— Como…
— Nota-se que as suas mãos não estão mais produzindo fogo, por conta do medalhão. — disse Vivi, voando ao lado dela enquanto observava as mãos da brasileira.
Encarou as mãos e notou isso também, e, como se não bastasse, tinha mais isso que acontecia com ela: Primeiro veio a mudança, e na sequência a nova casa, a nova escola, o incêndio, a internação, o calor e o cansaço, a nova casa outra vez, o computador, as aves, os poderes, o medalhão, a marca… Tudo estava deixando a cabeça de Gabrielle prestes a explodir.
— O que está acontecendo?
Vivi voou até o seu rosto, com poucos centímetros de espaço entre elas.
— Primeiro, transforme-se.
— Como?
— Invoque o Pássaro de Fogo e transforme-se.
— Eu não entendi. — o semblante de Gabrielle mostrava o quão apavorada estava.
— O medalhão — apontou com o bico para o objeto. — dá esse poder. Invoque o Pássaro de Fogo e transforme-se.
— E use rimas, de preferência. — Bibi complementou, voando ao lado da amada.
Primeiro Gabrielle apenas ficou calado, encarando os rostos sérios que via sem saber o que fazer, sem saber o que era tudo aquilo. Transformação, invocação do Pássaro de Fogo… O que era tudo isso? Porém, um pensamento surgiu que a acalmou e até mostrou um sorriso sarcástico.
“Deve ser mais uma brincadeira do Victor, até nessas condições”.
— Pois bem, eu farei a tal invocação.
As aves pousaram na cama vermelha e esperou a ação da menina, que pensava num modo de rima que tratava do Pássaro de Fogo. Depois de construir a frase com a sua mente, segurando o medalhão aberto, utilizou seus métodos de atuação que aprendeu na infância e declamou:
— Senhor do Fogo, Deus do Vulcão. Traga seu poder de sua maior consideração…
De repente, a marca do medalhão começou a brilhar, surpreendendo a menina, que achou que não funcionaria. Percebeu que não tratava de algo do irmão, e a deixou hesitante novamente, tanto que não terminou de falar. Foi incentivada pelas aves a continuar, e então clamou:
— Me transforme!
Saiu, de dentro do medalhão, uma espécie de ave feita de chamas, que circulou pelo quarto e encarou a Gabrielle, que mirou seus olhos nela. Assustou quando a ave de fogo aproximou dela, e cobriu o rosto com os braços para protegê-la, mas foi em vão. Ao atingir a menina, o corpo de Gabrielle foi coberto por um fogo, porém estranhou pelo fato de não a machucar ou queimar. Não sentia nada. Retirou os braços do rosto e notou que suas roupas estavam mudando. As suas sapatilhas e a calça viraram botas e shorts vermelhas; a camiseta escolar virou uma blusa vibrante de manga até o cotovelo, cobertando a sua marca; seus braços foram cobertos por luvas longas com asas e de cores quentes; e criou nas suas costas o que se parecia com uma cauda de pavão que estendia até os pés. Terminou a transformação.
Depois disso, Gabrielle virou até o espelho e percebeu outra coisa: Seus olhos estavam amarelos; não possuía mais sardas; e seu cabelo estava vermelho.
— O que é isso? — perguntou enquanto contemplava-se no espelho. — Por que meus olhos estam assim? E a minhas sardas?
— Acalme-se, — disse Vivi aproximando da Gabrielle. — é o poder do Senhor que a deixou assim para que ninguém saiba quem é você de verdade. Agora pode controlar o fogo enquanto seu real poder está em desenvolvimento.
— Você pode também modificar algo com o poder, se quiser. — Bibi complementou. — Por exemplo o cabelo.
Então Gabrielle fez o primeiro teste: modificar o penteado, uma vez que os cachos estavam soltos e não combinava com a vestimenta, na opinião dela. Encarou o espelho, fechou os olhos e concentrou o seu poder para a cabeça. Quando abriu, assustou-a pela chama envolvendo a cabeleira, mas ao apagar, notou que seu cabelo estava preso em rabo de cavalo alto com uma mecha cacheada na testa. Depois de tudo, sorriu.
— Gostei. Vai ficar assim.
Bibi e Vivi ergueram-se para acima da menina, encararam-se e acenaram-se como se fosse um código que apenas as duas aves conheciam. Circularam em cima da brasileira, que não entendia o que estava acontecendo, até que notou que o quarto dela, de forma quase que imediata, tornou uma vista de prédio e casas iluminadas num dia escuro, e que embaixo dela estava uma construção enorme de metal: Torre Eiffel.
Era a primeira vez que via a cidade pelo alto do monumento que representa Paris, e vê-la trouxe a sensação, por estranho que parecia para a menina, de uma casa. Remeteu diretamente a São Paulo vista de cima na noite, quando voltava da viagem de avião. Embora sentisse como se voltasse a sua terra natal, ainda não compreendia como nem o porquê de estar lá.
— Usamos teletransporte e viemos para cá para o seu próximo teste: voo. — disse Vivi como se tivesse lido os pensamentos de Gabrielle.
— Voar? Como eu vou fazer isso? — questionou, afastando da beirada da torre, porém foi interceptada pelo Bibi.
— Não se preocupe. É só bater as asas. — disse, e empurrou a menina para fora do edifício.
Gabrielle se apavorou. Tentou mexer os braços como forma de “bater as asas”, porém falhou, e sentiu o seu fim se aproximar a cada metro que diminuía entre ela e o chão. Até que ouviu uma voz estranha interromper seus pensamentos.
— Mire num ponto, estica o corpo e bata as asas.
— O quê? Quem é?
A voz apenas repetiu sua fala anterior, e pela falta de escolha que Gabrielle tinha, decidiu seguir o conselho. Mirou os olhos num homem que a encarava assustado, e seguiu na direção dele. No momento em que sentiu que estava pronta, com alguns centímetros perto do chão, ergueu os braços e fechou os olhos. Poucos segundos, visto que não sentiu nada, abriu os olhos e notou que seu corpo estava elevando.
— Estou… voando?
Olhou para o chão, que se distanciava, e viu o mesmo homem ainda assustado prestes a desmaiar. Deu um sorriso amarelo. Na sequência foi acompanhada pelas suas aves.
— Desculpe pelo que o Bibi fez. — Vivi falou, lançando seu olhar de reprovação para o amado, que riu de vergonha.
— Tudo bem, — Gabrielle contradisse, para a surpresa dos pássaros. — eu precisava mesmo de um “empurrãozinho”. E a sensação de voar é ótima! — sorriu.
— Como conseguiu aprender tão rápido? — Bibi perguntou.
Gabrielle ia responder, mas a voz adiantou.
— Fui eu.
Finalmente a menina soube de onde vinha: dentro do medalhão, o que deixou mais surpresa.
— Quem é… — ia perguntar, porém Vivi respondeu:
— Esse é o Senhor. O Pássaro de Fogo.
— Ele está no nosso mundo, mas comunica-se com o medalhão. — Bibi complementou. — Qualquer pedido que queira fazer, ele atende.
Depois de respondida, Gabrielle decidiu conversar com o “Senhor”.
— Muito prazer! Meu nome é Gabrielle.
— Eu sei quem você é, — Senhor respondeu, e ela notou que a cada fala, o medalhão brilha. — e sinto-me lisonjeado em conhecê-la.
Gabrielle sorriu, e depois encarou o cenário de Paris a noite. Distraiu-se com a vista da cidade, até que notou um carro familiar correndo nas ruas.
— É o carro dos meus pais. — apontou para o automóvel, e seguiu com o olhar até onde se presume que ele vai.
Outro incêndio, porém não na casa deles, e isso assustou os três. Depois de uma semana que aconteceu o primeiro, surgiu mais um. Vivi ia contar algo, porém Gabrielle não hesitou e apressou para ir até o local em chamas.
Estava cheio de civis, bombeiros e policiais, e pelo que ouviu, era um colégio do ginásio e que tinha mais uma aluna presa dentro do edifício. Adentrou a construção e procurou a criança. Realmente o fogo não machucava mais, e não sentia ausência de oxigênio. Seus poderes a protegiam agora.
Dentro de uma sala no segundo andar, encontrou uma menina encolhida de cabelos pretos num canto perto da janela. Encarou os olhos azuis na brasileira, mas não conseguia distinguir do fogo, uma vez que sua vestimenta era de mesmo tom. Porém Gabrielle enxergava com nitidez. Apressou para pegá-la, mas a menina afastou-se.
— Venha comigo. Tirarei você daqui. — tentou convencer, e ergueu sua mão para segurá-la.
Embora tenha hesitado, a menina apertou a mão e aproximou, e Gabrielle rapidamente a carregou pelas costas como fez com Victor, pois ambos pareciam ter a mesma idade, altura e peso. Foi para o corredor e tentou descer as escadas, mas o fogo intensificou e ficou preocupada com a menina. Olhou para as janelas e repentinamente uma ideia surgiu na sua mente. Mandou a menina segurar bem forte o seu pescoço e fechar os olhos, e feito isso, a brasileira correu em direção a janela inteira e pulou nela, fazendo-a quebrar e sair fumaça do incêndio. Apressou a erguer os braços e bater as asas, distanciando do colégio,
Por não sentir mais o calor e nem o perigo, a menina em suas costas abriu os olhos e, no mesmo instante, ficou maravilhada pela vista e mais segura. Abraçou de alegria para Gabrielle, que riu de cócegas.
Aproximou do povo e dos repórteres que assistiam a cena encantados. Gabrielle pousou e tirou a menina nas costas e cuidou de colocá-la no chão.
— Jeanne! — uma mulher alta e loira correu até a menina, e a ruiva presumiu que fosse a mãe, pois logo a pequena correu até a moça e a abraçou.
Gabrielle ficou satisfeita por salvar uma vida, e sorriu ao ver a cena fraternal. Preparou-se para voar, mas foi interceptada pelo próprio pai, que erguia a câmera, e pela mãe, que esticava o microfone até ela.
— Você é uma super-heroína? Qual é o seu nome?
Logo veio mais pessoas ao redor dela, e pensou que não conseguiria sair se o número aumentar. Então adiantou e logo abriu voo, elevando tanto o seu corpo quanto a sua alma entusiasmada, mas não se esqueceu da pergunta de Sandra. Por não ter um nome fixo e por não querer revelar o seu nome verdadeira, pensou um pouco até chegar a um pseudônimo que encaixasse com sua vestimenta.
— Meu nome é Bird... Firebird! — e sumiu, tantos das câmeras, quanto das pessoas presentes.
…
Enfim no seu quarto, depois de as aves a encontrarem e a levaram com o cômodo, Gabrielle se destransformou, notando que voltou a ser a mesma de sempre. Apressou para sentar na cadeira da escrivaninha e ligar o computador. Começou a teclar palavras em francês, sem que Bibi ou Vivi entendesse. Ao parar de teclar, exclamou:
— Terminei!
— Terminou o quê, Gabrielle? — Vivi por a primeira a perguntar, pousando na mesa ao lado do PC.
— De escrever uma nova história: Les aventures et Firebird. — respondeu, acomodando as costas no encosto da cadeira. — Tive a inspiração agora com tudo isso que aconteceu hoje. Achei fantástico!
— Você gosta de escrever? — Bibi perguntou, voando ao lado da cabeça da menina, que acenou positivamente.
Verificou novamente a sua escrita, reparando se há algum erro ortográfico. Depois da sensação de aventura e de toda a adrenalina, podia ter se esquecido de algum ponto ou algum acento. Desligou o PC depois dos ajustes e de salvar a nova história, trocou de roupa na frente das aves, o que deixou Bibi um pouco envergonhado, pôs o novo pijama e foi até a cama e deitou para dormir, porém o Senhor decidiu dialogar com a nova heroína.
— Você aceita ser a portadora deste medalhão?
Levantou a cabeça para conversar.
— Achei que já tivesse aceitado.
— Deve primeiro dizer o nome completo seguido com a afirmação de aceitar o medalhão e que sempre a protegerá.
— E quem me protegerá? — questionou.
— Não se preocupe. Eu a protejo.
Depois disso, aceitou fazer a declaração.
— Eu, Gabrielle-Marie de Almeida Bourguignon, aceito proteger hoje e sempre o medalhão do Pássaro de Fogo.
Com isso, pôde enfim dormir depois do grande dia que teve.
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