Notas iniciais
Pessoal obg por lerem a minha estória, queria avisar que ela também está sendo publicada no wattpad.

– UM –

Abro os meus olhos, e a minha vista doí, a iluminação da sala perfura os meus olhos e umas pontadas de dor na minha cabeça aparece. Judie aparece no meu campo de visão e eu sei que estou ainda nesse inferno de hospital. Me ajeito na cama e me sento, Judie coloca uma bandeja com um prato de mingau de aveia, ela me entrega um copinho com um comprimido vermelho.

– O que é isso? –Pergunto examinando o comprimido.

– É o calmante que o médico indicou, você foi além da conta menina Sophia. Ele tem suspeitado muito ultimamente, tem até rumores na cidade. –Ela fala e posso ver que está zangada, Judie é a única que sabe o que sou e não se assustou, muito menos me chamou de monstro.

– Que rumores? –Pergunto curiosa e ela leva o seu olhar para mim, seu olhar mostra preocupação e cansaço.

– Tem um rumor na cidade dizendo que, existe uma pessoa nesse hospital que está possuída pelo o demônio, e que pode controlar e matar tudo o que vê pela a frente! –Ela sussurra.

– Eles morreram? –Pergunto espantada. Judie olha para mim e deixa umas lágrimas caírem, foi ai que notei. Tirei a vida de dois inocentes, que não sabia de nada, agora sei o que eu sou. Um monstro.

– Sinto muito menina! –Ela lamenta e tenta pegar a minha mãe, tiro ela do seu alcanço e deixo as minhas lágrimas caírem.

– Judie sai daqui, não me encosta. A última coisa que quero e machucar a única pessoa que está ao meu lado. –Falo e vejo ela negar.

– Menina Sophia, sei que não vai me machucar. –Ela fala e a raiva cresce em mim.

– Sai! –Grito e o prato se quebra, deixando cair o mingau de aveia.

Judie limpa os cacos do prato e sai do quarto. Volta com uns lençóis limpos e troca a minha cama, depois de termina ela sai de respiro fundo. Deixo as lágrimas caírem.

Sou um monstro.

Ninguém me quer, ninguém me ama.

Ninguém pode amar um monstro.

Escuto uma batida na porta, olho e vejo o médico entrar. Ele tem quarenta anos, é um pouco gordo e os seus cabelos grisalhos.

– Menina Sophia, como está? –Ele pergunta olhando os meus olhos.

– Normal. –Respondo e ele anota na sua prancheta.

– O que houve menina? –Ele pergunta, penso na desculpa que irei usar dessa vez.

– Fiquei com raiva. –Ótimo Sophia, o prêmio de melhor desculpa do ano vai para você.

Ele me olha confuso e anota na sua prancheta, observo a sua caneta, a forma em que ele escreve. Volto o meu olhar para os seus olhos, olho para o seu castanho mel profundamente. Não sei por quanto tempo fiquei olhando para ele.

– Posso ir pro quarto? –Pergunto e ele se levanta, abre a porta e fica parado lá. Fico lhe observando, ele não pisca os olhos e fica imóvel no lugar. Me levanto e saiu do quarto, corro para o jardim e aproveitar esse dia de sol, me sento na relva e fico observando. As copas das árvores balançam no ritmo do vento, as nuvens têm formatos estranhos. Fico pensando o que deve ter acontecido com ele, apenas perguntei se podia sair, fico tão perdida nos meus pensamentos que nem percebo que uma figura se senta ao meu lado.

– Ei você é a maluca que matou dois enfermeiros? –Olho e vejo uma loira, aparenta ter dezenove anos, seu cabelo louro não tem brilho, a sua pele é bronzeada, ela é magra e os seus olhos verdes e fundos mostra cansaço. – Vai me responder? –Ela pergunta e tira algo do seu bolso.

– Não matei por querer, apenas fiquei assustada. –Falo e olho para o que ela tira do bolso, era um maço de cigarro.

– Não fica assim. Eu já machuquei os enfermeiros muitas vezes. –Ela fala e acende o cigarro. – Que um? –Pergunta e nego com a cabeça.

– Como é que eles deixam você fumar um cigarro aqui? –Pergunto e ela franze a testa.

– Fácil, não deixando que eles descobrirem. –Ela fala como se você a coisa mais óbvia do mundo. –A princípio meu nome é Prince. –Ela fala e é a minha vez de franzir a testa.

– Prince? Que nome diferente! –Falo e riu, ela sorri para mim.

– É somente um apelido, meu nome de verdade ninguém sabe. –Ela fica fumando e olhando pro céu.

– Meu nome é Sophia. –Falo e ela logo joga o cigarro fora.

– Então você é a Sophia, deixa adivinhar. Sophia Miller?! –Pergunta e eu assinto. – Droga! Cara, a minha mãe sempre quis ter uma filha como você, quieta e santinha. Mais eu era totalmente o oposto. Espera! Como você veio parar aqui nesse fim de mundo? –Pergunta assustada.

– Minha mãe me colocou aqui porque fiz uma merda, uma merda das grandes. –Bufo e ela ri.

– Nossa! Serio queria que a minha mãe te visse aqui, iria adorar a cara dela! –Ela ri mais alto e o sinal toca, avisando que o horário do banho de sol tinha terminado.

Saiu dali e entro no hospital, me despeço da Prince e vou até o meu quarto. Entro e tranco ele, me sento na minha velha cadeira de balanço e pego na bainha do meu vestido. Brinco com ela enquanto vou olhando pela a janela, sonhando e esperando por algo que nunca vai acontecer.

As minhas esperanças já tinham acabado, respiro fundo e adormeço.

Corra Sophia, corra!

Monstro!

Te amo Sophia Miller James, e sempre vou te amar! –Uma voz rouca fala, tento seguir a voz mais tudo o que vejo é escuridão.

Sophia me desculpe! –Uma voz chorosa.

Soph cuidado! –Fala uma voz mais rouca.

És minha filha Sophia, pode negar até o fim do mundo mais sempre vai saber que sou a sua mãe.

–Uma voz fala e logo um sorriso malicioso toma conta da minha cabeça.

– Menina Sophia! –Abro os olhos e pulo da cadeira, vejo Judie ao meu lado. –Acordou! Estava a ficar preocupada! –Fala e me abraça.

– Desculpe Judie. –Me desculpo e ela sai do meu abraço.

– Você tem visita menina Sophia. –Ela fala e franzo a testa.

– Quem é? –Pergunto curiosa, uma visita?!

– Pediu para não ser identificado. –Ela fala e logo me arrasta para fora.

Chego na sala de visita e me deparo com um rapaz de cabelo encaracolado e de olhos cinzentos.