Fire meet Gasoline
20 Capítulo 20 - But, maybe you're hoping for a fairytale too
Notas iniciais
— Você precisava mesmo trocar de trailer? Agora me sinto perdida aqui dentro. – Jade reclamou enquanto mexia nas gavetas a procura do secador de cabelos.
— Bom, você não esperava que eu ficasse para sempre com aquele velho trailer minúsculo, não é? – o moreno sorriu com os cantos da boca, e com a mão ligeira, ele passou o braço por trás dela e tirou o secador da primeira gaveta. – Aquele RV era muito gasto para nós dois, e hoje não posso me dar ao luxo de gastar tudo que temos.
Jade entendia bem sobre aquilo. Eles estavam tendo problemas financeiros, ela continuava a morar com Julie, mas os pais de Beck havia se mudado para a Carolina do Norte, e ele precisou se mudar. E se sustentar na universidade não é fácil. – Tudo bem, baby. – ela se virou lentamente e deu um beijo demorado nele. O novo trailer não era um RV comum, era um Motorhome, um completo, uma casa móvel inteira. E a morena não poderia mentir, ela estava adorando brincar de casinha naquele lugar.
— Minha irmã vai vir com o marido dela nos visitar essa semana. – ele gritou, tentando sobrepor sua voz ao secador que Jade usava.
— Ah, Beck, ela vai ficar reclamando de tudo. Vai dizer que o trailer tá sujo, que minhas roupas são estranhas, e eu juro que vi aquele cara olhando para os meus peitos da última vez. – a morena reclamou o encarando pelo espelho, Beck sabia bem como ela estava odiando a sua irmã desde que ela se tornou uma cigana Romnichal.
Os Romnichals pregam que a esposa deve sempre estar perfeita, cuidando da casa, a espera do marido. E Jade não faz muito o estilo que gosta de limpar a casa todos os dias, ou usar roupas chamativas demais.
— Você poderia ter avisado antes. – ela sorriu para ele, sabia que agora não tinha escolha.
— Eu avisei no mesmo dia que avisei sobre essa saída com nossos amigos. – ele brincou, a morena andava muito atrapalhada com os horários da faculdade e seu trabalho. Ela estava estagiando em um set de filmagem, ajudando o diretor do filme com tudo que ele precisava, e aprendendo com os chefões. – Você anda muito esquecida.
— Eu ando com a cabeça cheia, desculpa. – ela desligou o secador e andou na direção dele amaciando os cachos. – Não se preocupe, vou fazer alguém deixar o trailer brilhando.
— Não era isso que eu esperava. – Beck sorriu para ela.
— Eu não vou limpar o trailer, bobão. Eu sou uma moça moderna, e isso quer dizer que não sou do tipo que fica o dia molhando a barriga na pia lavando roupa, e queimando-a cozinhando.
— Tudo bem. – ele sorriu fraco, sabia que não poderia discutir. – Vamos? Tori e Andre devem estar esperando já.
— Eles que esperem mais, a perfeição demora a ser atingida. – Jade brincou borrifando seu perfume distraidamente.
O caminho até o Nozu foi bem silencioso, assim como vinha sendo o relacionamento deles nos últimos meses. Beck evitava qualquer tipo de briga, e Jade estava distante por causa do trabalho. A partir de um momento ele também começou a ficar distante, mas essa é a dinâmica dos relacionamentos.
Eles ficavam juntos o dia todo. Iam para a universidade no mesmo carro, tinham a mesma aula em diversos momentos, iam para a casa juntos. O único momento separados que eles vinham tendo ultimamente era quando estavam em seus respectivos trabalhos.
Quando chegaram ao Nozu, Tori e Andre estavam realmente sentados em uma mesa de canto, abraçados e conversando. Desde que começaram a namorar eles estavam meio insuportáveis, mas Jade procurava ignorar isso. Bom, na verdade, Beck a forçava a ignorar esse detalhe.
— E ai, pombinhos? – Beck brincou se sentando, e puxando Jade para sentar-se ao seu lado. – Já pediram?
— Oi Beck, Jay. – Tori sorriu – Não, a Jade quase me bateu da ultima vez que pedi antes dela. – os quatro riram, por mais que a relação delas tenha sido abalada no ensino médio, quando Tori tentou juntar Beck com uma menina que Jade odiava, e tentado arrumar um namorado para a morena, pagando garotos para convida-la para sair, a morena superou isso, e tinha uma quase amizade se fortalecendo ali novamente.
Depois que pediram seus pratos, Beck e Andre foram até o palco improvisar uma música para ganhar uma aposta que fizeram com as garotas, quando o inesperado aconteceu. Dois garotos, que ao abrirem a boca Jade e Tori logo reconheceram, se aproximaram e se sentaram no lugar onde os namorados estavam há pouco.
— Ora, ora, ora, garotas, quanto tempo? – o garoto com o mau hálito falou bem próximo a Tori que não conseguiu evitar a careta de nojo.
— Não tempo o suficiente, imagino. – Jade respondeu grossa, encarando a forma como garoto ao seu lado tentava colocar a mão por trás dela. – Se você encostar essa mão em mim, vai ser a última vez que vai vê-la.
— Achei que tinham entendido o recado que demos da última vez que nos encontramos. – Tori disse gentil, procurando se afastar o máximo daquele garoto.
— Bom, você sabe como garotas são... – Alan, o garoto ao lado de Jade disse – Não é, Chad?
— E vocês sabem como garotos são. – Chad respondeu sorrindo – Nós entendemos até onde queremos entender. – brincou com um sorriso.
— Ok. – Jade disse por fim, a respiração calma, mas por dentro fervilhando – Vou ter que falar bem claramente com vocês já que vocês não queriam entender antes. – ela os olhou com raiva. – Tão vendo aqueles caras no palco olhando para vocês com cara de assassinos? São nossos namorados. E mesmo que não fossem, nós não queremos vocês por perto. E acho que agora é hora de vocês aprenderem a linguagem corporal de uma mulher: primeira lição, se a mulher não está se aproximando quando vocês conversam, ela não quer conversar. Segunda lição: se uma mulher faz careta quando você fala, é porque você precisa parar de falar e ir comprar um chiclete, ou simplesmente sumir. Terceira lição: Se uma mulher ameaça te socar, você deve sair de perto, no exato momento. – Jade fechou o punho e ergueu na direção deles. – Ou em três, dois...
— Querida, vocês tem algum problema? – Beck perguntou encarando o garoto sentado ao lado de sua namorada. – Cara, você tem um bom motivo para estar sentado tão próximo da minha namorada?
Essa é uma das cenas raras onde Beck demonstrou o ciúmes que sentia por Jade, ele podia não mostrar isso sempre, mas droga, como ele sentia ciúmes quando qualquer cara se aproximava indevidamente dela.
— Nós só estávamos conversando, cara, relaxe. – Alan levantou as mãos em rendição – Como velhos amigos. – Jade riu ao ouvir isso.
— Vocês nunca conseguiriam serem meus amigos. – Jade brincou – Tori tem tentado há anos, e olha onde estamos, não é?
— Ei, se a Jay disse que vocês não são amigos, é bom que levantem antes que eu mostre como lidamos com isso de onde venho. – Andre ameaçou se aprumando, o peito inflado, o queixo erguido, pronto para o ataque.
— Tudo bem, desculpa, cara. – Chad pediu se levantando.
— Vocês pedem desculpas aos nossos namorados, e não a nós duas? Se eu não tivesse percebido o quão idiota vocês eram, bom, agora eu teria certeza. – Tori disse séria, a morena vinha estudando literatura feminista na universidade, e bom, era incrivelmente prazeroso vê-la tornando-se tão defensora das mulheres.
— Desculpa, gatinhas. – Alan pediu e saiu de lá quase correndo, seguido pelo amigo.
— Nossa, que idiotas. – Jade suspirou – E que cena estúpida.
— Nunca achei que eles voltariam depois daquela noite. – Tori sorriu para a amiga.
— E vocês não vão nem nos contar sobre isso? – Beck perguntou, um tom irritadiço em sua voz, o qual Jade não deixaria passar sem uma levantada de sobrancelha.
— Acho que não tem o que contar. – Jade respondeu séria. Não queria que ele tivesse uma crise de ciúmes, ou algo assim, Beck não funcionava bem com ciúmes.
— Tudo bem. – ele disse apenas, deixou o dinheiro sobre a mesa e se dirigiu para a saída, com Jade bufando logo atrás.
Após duas semanas, Beck continuava irritada, e Jade mais ainda por ele ter tido uma reação tão... ridícula. Ele não a levou mais ao estágio todas as tardes, muitas vezes um imprevisto surgia. Ela trabalhava até tarde, e por isso nunca tinha tempo para ficar com ele. E isso durou por mais um mês, até que um dos dois cedesse. Só para deixar claro, desta vez foi Beck que cedeu – apenas depois de Tori ter contado sobre Chad e Alan -, mas ao menos pediu desculpas pelo ataque de ciúmes, e eles seguiram em frente.
Mas algo, durante o próximo mês não estava normal. Beck estava mais quieto que o normal, e Jade deixou claro que tudo bem. Mas não estava tudo bem com aquilo. No fim de semana do aniversário do retorno oficial deles, Jade o encarou, sentada na cama do trailer, e os olhos baixos.
— Você quer dar um tempo? – perguntou, a voz embargada de um choro que viria se a resposta fosse positiva.
— O que? Não. – ele gritou, se virando para ela, e encostando as costas na parede fria. – Você quer?
— Não... Não sei. – Jade disse calma, uma dificuldade enorme em erguer o olhar até ele, mas mesmo assim se forçou a fazer isso, e encarou aqueles olhos castanhos com tamanha intensidade – Eu só acho que tem alguma coisa trincada no nosso relacionamento, você anda distante, trabalhando mais do que seria preciso. Nunca tem tempo para mim, e quando tem, você tá viajando. Eu só achei que você queria isso.
— Mas eu não quero, Jay. – ele respondeu se aproximando lentamente para se sentar no banco da “cozinha” de seu trailer novo. – Eu não quero isso, não mesmo.
— Então o que você quer, Beck? Eu juro que não te entendo mais. – a morena disse o encarando firmemente, ela queria respostas e as teria naquele momento.
— Eu quero você ao meu lado para sempre, vampirinha.
— Então por que estava daquele jeito? – ela gritou, sem a intensão de o fazer, apenas não conseguiu segurar.
— Porque eu estava procurando a melhor maneira de fazer isso, idiota. – Beck disse se ajoelhando em frente a ela, vestia apenas uma samba canção e meias, e por isso aquela cena poderia ser considerada engraçada. E então pegou debaixo da cama uma caixinha pequena de veludo. – Eu queria decidir a melhor maneira de te pedir em casamento, mas como sei que grandes declarações só te irritam, e como você sempre diz que é ridículo os caras pedindo suas namoradas em casamento, eu queria fazer isso de uma forma que você gostasse. Mas aqui estou, seminu, ajoelhado, segurando uma caixa de veludo que não tem um anel dentro ainda porque não tenho dinheiro para comprar. – Beck suspirou ao ver o sorriso de deboche se formar no rosto claro dela.
— Você estava distante porque queria me pedir em casamento? – ela perguntou com um deboche interessado, um deboche que não estava realmente debochando. – Você é estranho, Albert Oliver.
— É por isso que combinamos. – Beck sorriu se sentando ao lado dela, o joelho marcado pelas fibras do carpete que cobria o chão e um sorriso no rosto. – Eu só acho que viveríamos muito bem com uma marquinha não bronzeada na mão esquerda.
— Achei que tínhamos combinado que não faríamos esse tipo de coisa. – ela o encarou séria.
— Eu sei, mas algumas coisas me fizeram mudar de ideia. – a mão dele procurou a dela – Jadelyn West – a morena fez uma careta absurdamente engraçada ao ouvir o nome que ela tanto odeia – você aceita ficar ao meu lado pelo resto de nossas vidas? Por mais que isso se torne chato. E aceita o fato de que eu sentirei ciúmes de você, assim como você sente de mim, ou que moraremos nesse trailer, e você terá que acordar ao meu lado todos os dias e me deixar fazer café para você?
— Eu não acredito que estamos fazendo isso, mas ok, eu aceito, tá? Mas com uma condição, não quero nada grande. – Jade pediu antes que Beck apenas concordasse com a cabeça e a beijasse.
Beck vinha pensando em pedi-la em casamento, pois tudo mostrava que era aquilo que ele precisava fazer. E no dia 29 de março, eles correram ao lugar menos óbvio, ela com um vestido vermelho e preto, rendado, com um buquê de orquídeas nas mãos – esse é a única flor que ela não odeia. – e Beck apenas vestido como um bad boy dos anos 80, com uma gravata solta ao redor do pescoço, se encontraram no letreiro de Hollywood, com apenas quatro antigos colegas e velhos amigos e um ministro para celebrar a união deles.
Após uma troca de palavras apaixonadas que Jade jurou nunca mais proferir em voz alta, eles trocaram seus colares, em uma demonstração típica do casal, que substituiu a troca de alianças que geralmente é observada por olhares marejados. Tori como a manteiga derretida que era chorava com um sorriso no rosto, enquanto Andre, seu namorado, a abraçava de lado. Cat e Robbie batiam palminhas entusiasmadas, enquanto cantavam uma música romântica ao melhor estilo do casal.
Jade poderia não assumir facilmente, mas ela não se arrepende em nenhum momento de ter casado com o acelerante que ela precisava, ele continuava sendo a gasolina que alimentava o seu fogo. Assim como não assumiria tão rapidamente, que depois daqueles quatro anos juntos, ela esperava um pivetinho ou uma pivetinha em seu ventre. Provavelmente faria uma cena como Beck fez para pedi-la em casamento, o esperaria em casa, apenas de calcinha e meias, e contaria a novidade.
Mas isso não importa agora. O que importa é que Beck e Jade tinham um no outro uma coisa rara de se encontrar, um amor verdadeiro e eterno. Bom, na verdade, ainda é muito cedo para assumir isso. Mas eles se amam de verdade, e não é isso que importa? Isso não é nenhum conto de fadas, apesar de Jade, secretamente, desejar o seu próprio.

PS: essa é a última foto que recebi dos dois, podem ver o quão animados eles estão com a chegada do pequeno bebê, alguém tem ideia do possível nome?
And I've always been shit at computer games and your brother always beats me
And if I lost, I'd got cross then chuck all the controllers at the tv
And then you'd laugh at me and be asking me, if I'm gonna be home next week
And then you'd lie with me, 'til I fall asleep and flutter eyelash on my cheek between the sheets
And you will never know, just how beautiful you are to me but maybe I'm just in love
when you wake me up
Fale com o autor