Notas iniciais
Nesse capítulo vamos entrar um pouco na vida da Elizabeth, boa leitura!

Após Anthony sair do “meu” quarto, comecei a revistar e olhar todas as gavetas e armários a procura de alguma pista dessa inimizade. Quando já estava dando por vencida, encontrei em cima de um armário um caderno com chave, deve ser algum tipo de diário da Elizabeth, agora só me resta saber onde está essa chave. Continuei revistando o quarto inteiro e finalmente achei, embaixo de um tapete, uma chave que parece dar certo na fechadura, ela é bem bonita inclusive, parece aquelas chaves que aparecem em filmes antigos ou de princesa. Quando a encaixei no diário, ela entrou perfeitamente, então comecei a folheá-lo.

2 de fevereiro de 2014: Querido diário, amanhã começo a fazer o ensino médio na minha nova escola. Só espero poder fazer amigos dessa vez, porque as pessoas não gostam muito de mim, não sei se por eu sempre ser a melhor aluna da sala ou por ter inimizade com uma das garotas mais populares da minha antiga escola. Tenho esperança de que dessa vez as coisas saiam diferentes, pois Anthony, meu irmão, está no 2º ano e faz parte do time de futebol da escola, o que o torna popular e desejado entre as garotas. Dessa vez, eu sinto que vou conseguir fazer amigos.
3 de fevereiro de 2014: Querido diário, deu tudo errado! Além de não conseguir fazer amigos, eu fui totalmente humilhada e pior de tudo é que Anthony viu e não fez nada pra me ajudar! Assim que coloquei os pés na escola, já fui recebida com um empurrão da Paty, aquela garota popular que é minha inimiga, depois disso, na aula de educação física, fizeram de tudo pra me acertar com as bolas de vôlei e por último, no intervalo, jogaram comida em mim, isso fez o refeitório inteiro rir de mim, então saí correndo e como se não bastasse, Paty ainda me derrubou. Isso foi o suficiente para eu ir embora, mas não sem antes olhar uma ultima vez para Anthony, que parecia estar se divertindo muito com a situação. Quando cheguei em casa, ainda recebi diversas críticas da minha mãe, que insistiu em dizer que sou uma Kannenberg e não deveria deixar as pessoas me humilharem desse jeito, que eu é quem deveria humilhá-las. Bem, de qualquer jeito, no jantar de hoje, meu pai disse que vai me mudar de escola e não deixará que isso aconteça novamente, é o que eu espero.

Agora acho que estou começando a entender melhor a situação, então, há 3 anos a tímida garota foi humilhada e desprezada até mesmo pelo irmão, o que a fez guardar ressentimentos. Clássica história de filmes adolescentes, exceto, é claro, pela viagem à Paris e toda essa história de substituição. Já que agora as coisas foram esclarecidas, acho melhor eu arrumar o quarto e guardar o diário e a chave onde os encontrei e ir dormir.

Novamente, acordei, estranhei o ambiente, tomei um banho e desci para o café da manhã, desta vez tomando o cuidado de não me atrasar. Estava planejando o que iria fazer com a informação que descobri ontem, quando Arabela me tirou dos pensamentos.
—Elizabeth, estava pensando em irmos hoje ao clube, tenho algumas amigas que não vejo há algum tempo e seria bom para você tomar um ar fresco, pois passou ontem o dia inteiro trancada em seu quarto.
—Claro, mãe, seria ótimo passar uma tarde com a senhora.
—Está resfriada? Sua voz parece um pouco mais... Grave.
—Deve ser impressão, não estou resfriada.

—Deixe a menina, Arabela, você implica com tudo! — O patriarca disse desinteressado e sem tirar os olhos do jornal.
—George, se você não liga para a saúde da nossa filha, eu ligo! É importante que ele esteja em boas condições, porque Bruno estará no clube hoje. Lembra-se dele, Elizabeth?
—Bruno? — Dessa vez fui pega de surpresa, Elizabeth não me disse nada sobre esse tal Bruno.
—Sim, o Bruno aquele rapaz que você brincava quando era criança, o filho da Clarice. Não se lembra mesmo?
—Ah, claro, Bruno, isso mesmo... — Isso deve ser informação suficiente para eu não passar vergonha, ou melhor, para Elizabeth não passar vergonha na frente de algumas peruas.

O restante da manhã se passou bem lentamente e tedioso, fui ao jardim da casa, dei uma passada pela biblioteca e estou ficando decepcionada pela falta de variedades. Antes de descer para o almoço, dei uma passada no quarto para trocar de roupa porque essas roupas de rico pinicam bastante. Eis que recebo uma ligação.
*—Alô?
*—Alô, já estava estranhando a falta de notícias, Isadora, você ficou de me ligar ontem!
*—Foi mal, Lizzie, estive ocupada demais lidando com seu irmão. Ele já sabe de tudo.
*—E você fala isso com toda essa calma? Como assim ele sabe de tudo?
*—Alguém mandou pra ele uma foto sua no avião e ele logo deduziu que eu não sou você, principalmente porque você não me disse que vocês são brigados.
*—Deve ter sido Rod, um amigo dele que estava no voo. Mas como foi que você descobriu isso? Ele vai contar pra alguém?
*—Fica calma, Liz, ele me disse, fiquei curiosa pelo motivo e acabei lendo seu diário, mas ele me garantiu que não vai contar nada a ninguém.
*—Espera, você leu meu diário?
*—Li só as duas primeiras páginas para descobrir o motivo da briga, só isso. Ah, antes que eu me esqueça, quem é Bruno?
*—Bruno, o que você quer com o Bruno?
*—Sua mãe vai me levar ao clube hoje e disse que esse tal Bruno vai estar lá. Se quiser que eu me comporte bem vai ter que me falar sobre ele!
*—Bruno é meu amigo de infância, a gente tá sem se falar há um tempo e...
*—E você gostava dele, é isso?
*—Digamos que sim, mas você não vai fazer nada a respeito! Só aja como se estivesse conversando com meu pai, só que com mais intimidade, acho que é isso. Mais alguma coisa?
*—Não, acho que não tenho mais nada, e você, tem algo mais que eu precise saber?
*—Acho que não, Isadora, mas tome cuidado com o que você vai fazer no clube!
*—Quanto a isso não precisa se preocupar, tchau, Liz.
*—Tchau, Isa.
Agora o jogo vai finalmente começar, estou entendendo melhor a história da Liz e cada vez mais fica parecida com uma comédia romântica adolescente. Não quero bancar a heroína, até porque isso não faz parte do meu caráter, mas vai ser interessante dar uma lição no Anthony, na Arabela e quem sabe nesse tal Bruno também.

Notas finais
E olha só, a impostora tem um nome: Isadora.