Fire and Faith
5 Trevor, The Elfin
Notas iniciais
Hurricane o segurava pelos braços. Estava sem ar, nunca tinha ouvido falar de seu pai, e descobrir de repente que ele estava vivo o deixava atordoado e abalado.
– Jason! Respire! – Ela lhe deu um tapa no rosto, não com muita força mas o assustou e o trouxe de volta para terra abruptamente. Tomou uma grande lufada de ar.
– Eu estou bem... só me deixe... descansar um pouco... – Hurricane o soltou devagar com medo dele cair. Aquele garoto era muito sensível, ela pensava.
– Se controle. Seu pai está vivo, não é uma coisa boa? E minha irmã também... escute! Nós vamos encontra-los, tá bem? Não se preocupe, eu juro que vamos encontra-los! E vou torrar cada um dos malditos que estragaram as nossas vidas! – Jason olhou aquela garota furiosa nos olhos e via que ela também estava abalada. Então ela achava que a irmã estava morta, e agora que sabe a verdade ia querer ajuda-lo, isso era um coisa boa, certo?
– O... o que vamos fazer?
– Vamos atrás dos seus poderes primeiro, você tem grande potencial...
– Nós temos que achar meu pai primeiro! – Gritou. Hurricane o segurou pelo colarinho com força, quase o erguendo do chão.
– Escute! Quer que eu passe o resto da viagem te protegendo? Eu não tenho vocação para babá, se quiser vir comigo vai ter que ficar mais forte ou te largo aqui e vou sozinha, entendeu??
– Você não entende! Eu nunca conheci meu pai, eu tenho que encontra-lo! – Ela o olhou com um desprezo tamanho, que durou meio segundo mas depois foi escondido, e logo em seguido o atirou ao chão.
– Minha irmã foi tirada de mim há anos, e nesse tempo inteiro eu achei que ela estava morta, mas nunca parei de procurar. Ela está sendo torturada e espetada por agulhas por humanos idiotas e você acha que eu quero perder tempo com você?? Eu devia te largar aqui, mas eu sei que você é um bom garoto, e visivelmente tem potencial para ser poderoso. Vou te ajudar, mas... – Hurricane agachou no chão, para poder olhar nos olhos de Jason. Estava assustadora. – Você vai me obedecer direitinho ou vou torrar a sua cara, entendeu? Não vai me atrapalhar mais do que já está!
Jason podia ver que ela estava falando muito serio. E a razão também estava com ela, ele não podia deixar ela cuidar dele, não era mais uma criança, e a melhor maneira de irem atrás de suas famílias, era ele ficando mais forte primeiro.
– M-me desculpe. Eu vou fazer o que você quiser... Mas como...? – Hurricane levantou, o puxando para se erguer também, olhou para dentro da floresta e disse calmamente:
– Os duendes da floresta vivem por centenas de anos, e são rápidos e espertos. Sabem de muita coisa, se Sadler não mentiu eles vão saber onde está o amuleto.
– Como vamos fazer para pegar um duende? – Jason lembrava das historias de sua mãe, ninguém nunca tinha visto um duende – Eles existem mesmo?
– É claro que existem. Eu sei onde tem um, o nome dele é Trevor. É verdade que são muito difíceis de pegar, mas sabe o que atrai um duende? – Ela olhou para Jason com um sorriso.
– Ouro... – Ela pensava em atrair o duende para pega-lo, admitia que talvez desse certo.
– Exatamente! – Seu sorriso era travesso, e Jason a achava legal quando não estava sendo incrivelmente assustadora. – temos que achar ouro para tira-lo de sua toca!
– Tem alguns pilastres de ouro naquele templo... Mas foi tudo soterrado...
– Eu vou até a vila arrumar ouro, e você fica aqui me esperando. Toma cuidado, não fique muito a vista, pivete. – Jason a olhou desconfiado.
– Como vai arrumar ouro?
– Não faça perguntas idiotas. Fui! – Hurricane saiu correndo antes de Jason a impedir. Ele olhou em volta, e decidiu montar acampamento atrás do templo, ninguém o veria lá.
Estava esfregando gravetos para fazer uma fogueira sem sucesso quando escutou uma voz atrás de si.
– Corram! Um dragão! – Ele pulou de imediato e olhou na direção da voz e aos céus ao mesmo tempo. Era Hurricane, estava com um sorriso zombeteiro no rosto, tinha mudado de roupas e trazia uma mala de couro consigo.
– Pare de me assustar, pensei que estava destruindo a aldeia – Jason ficou emburrado, e sentou novamente, tentando fazer o fogo. Hurricane se aproximou por trás dele.
– Pare de ser chato, eu trouxe presentes. – Ele nem a olhou, continuou com os gravetos
– Estou ocupado. – A garota revirou os olhos e deu uma cuspida onde estavam as madeiras para fogueira, e elas pegaram fogo na hora. Jason suspirou e se virou para ela. – Tá bom, você venceu. Me mostre o que roubou.
– Trouxe roupas, você está fedendo. Trouxe um pouco de comida também, e as moedas de ouro do burguês da vila. Ah, e isso é para você. – Hurricane tirou uma espada de mão unica que estava presa nas suas costas e jogou para Jason. – Até você aprender aquele lance com o vento, é melhor saber usar uma espada.
– Por que está me dando isso? Afinal, onde você arranjou? – Hurricane olhou para baixo, um pouco envergonhada.
– Na verdade, a maioria das coisas eu fui buscar na minha casa. Essa espada era de Storm, ela sempre gostou de aço de Lihim. – Aquilo pegou Jason de surpresa, ele estava tentando deixar claro que não gostava de roubos, mas aquele gesto o deixou sem palavras.
– A espada de Storm? Por que está...
– Eu sinto muito ter falado daquele jeito. É o seu pai, eu não devia ter sido tão grossa, a sua perda não é maior do que a minha. – Jason ficava cada vez mais chocado, e feliz ao mesmo tempo. Estava sentindo que começava a criar um tipo de amizade com Hurricane, mesmo que perigosa.
– Obrigado, Hurricane. Nós vamos acha-los, e eu vou ficar forte, você vai ver! – A garota corou mais um pouco antes de disfarçar com a sua habitual grosseria.
– É bom mesmo, e se perder essa espada eu...
– “Torro você” , já sei, já sei – Os dois riram, e com a luz da fogueira azul pela chama de Dragão, comeram pouco e tentaram descansar, cada um pensando em seus entes queridos, Jason preocupado em ficar forte, e Hurricane preocupada em como fariam para acha-los.
Quando a manhã chegou, Hurricane acordou Jason com um chute nas costelas e oferecendo um pedaço de pão com uma caneca de água.
– É hoje, pirralho. Pegue essa espada, tenho pouco tempo para te ensinar a se defender antes de irmos atrás de Trevor.
Jason pegou no cabo da espada e a tirou da bainha, desajeitado e sem habilidade. Hurricane revirou os olhos e foi até ele.
– Preste atenção, segure com firmeza, não deixe a espada cair, use seu peso para impulsionar o golpe, mas evite fazer movimentos muito abertos para não gastar toda a energia. Eu aconselho tentar perfurar ao invés de cortar, você não é muito experiente. Fique atento aos pés do oponente, e aja rápido de acordo, entendeu?
– É, mais ou menos... – Jason apertou o cabo mais firmemente, endireitou as costas e deu uma estocada com a lamina na direção de Hurricane, ela simplesmente desviou.
– Mais rápido. – Ficaram treinando umas duas horas, e Hurricane só parou quando Jason caiu sentado no chão, ofegante. – Você aprende rápido. Temos que ir atrás do duende agora, consegue cuidar de si mesmo?
– Sim... eu acho... – Hurricane sorriu.
– Também acho. Agora, isso só vai acontecer uma vez na sua vida... – Ela o agarrou pela roupa e o atirou para cima, e quando Jason começou a descer gritando se chocou com as costas escamosas de um Dragão negro. Olhou fascinado para baixo, e tocou a pele resistente e gelada, começando a rir. Os olhos do Dragão se reviraram e Hurricane levantou voo.
Jason podia ver a aldeia inteira e dentro de segundos, a floresta. O vento batia no seu rosto como se fossem um só, lentamente ele soltou as mãos das costas de Hurricane e abriu os braços, sentindo como se estivesse voando sozinho. Seu sorriso era resplandecente, e de dentro de seu peito veio um grito de alegria e adrenalina. Estava em um dos melhores momentos da sua vida, até um redemoinho de vento grande atingir Hurricane, os fazendo cair.
Hurricane na queda, se transformou de volta para não destruir as arvores e espantar o duende, mas acabou parando muito longe de Jason, ele ia acabar batendo direto no chão.
– Jason! – O garoto gritou com o medo da morte, e seu panico criou novamente a lufada de ar que os tinha derrubado, amortecendo a queda dele. Hurricane caiu logo em seguida, agachada ao seu lado –Você está bem, pivete??
– Estou, acho... que estou – Seus ouvidos estavam meio errados pela perda repentina de altitude, mas ele não estava machucado, não até Hurricane lhe dar um tapa na cabeça. – Ai!
– Que diabo foi isso, menino?? – Jason a olhou confuso
– Isso... fui eu de novo? – Hurricane respirou fundo duas vezes e se levantou
– Pelo menos chegamos ao lugar certo, Trevor deve morar em uma toca perto daqui, vamos montar a armadilha do ouro. Pegue a corda.
Depois da armadilha criada, e uma pilha de moedas de ouro amontoadas no chão em local aberto, Hurricane se escondeu atras de uma árvore e Jason atras de outra, empunhando a espada. Alguns minutos se passaram e ouviram um barulho de alguém assoviando.
– Ele está vindo.
Uma coisa pequena e ruiva se aproximava saltitando, tinha uma barba enrolada, e não era muito velho tambem. Parou sorridente na frente das moedas e agachou para pega-las. Jason pensou que seria facil, ele era meio gordinho e baixinho, então logo se precipitou
– Eu pegoooo.. – gritou, pulando encima de Trevor. O duende desviou rapido, e apareceu encima da cabeça de Jason dando risada.
– hahaha, achou que pegaria Trevor facilmente, garotinho tolo ?
– AAhh você vai ver ..
Jason pulava e corria atrás de Trevor que só se divertia na fuga, já Hurricane que observava escondida, não estava gostando muito da brincadeira.
– Isso só pode ser brincadeira. Garoto burro. — deu um pulo na frente de Trevor que se assustou. Ele tentou correr para o outro lado, agora sem se divertir. Trevor sentia a encrenca que era aquela garota.
– Ah, de mim você não foge. — Hurricane cercou Trevor com um circulo de chamas, o duende que tinha medo de fogo, logo se rendeu dizendo:
– Pode levar todo meu ouro, mas não machuquem Trevor! – Ele caiu sentado e cobriu a cabeça com os pequenos bracinhos.
– Eu devia te dar uma surra. — disse Jason.
– É mais facíl ele te dar uma surra, seu bebê. -Hurricane zombava do garoto. — Não vamos te machucar, se você nos ajudar com uma coisa.
– Em que? sou apenas um duende. – Hurricane suspirou irritada, ela não era conhecida por sua paciência e gentileza.
– Você não é só um duende, você sabe tudo sobre tudo e não tente me enganar, eu sinto cheiro de mentira.
– Trevor vai ser bonzinho. Vou dizer o que quer saber... Mas sem fogo, por favor...
– Agora sim esta ficando melhor as coisa. Eu apago, mas se fugir te torro. — Hurricane fez um gesto com as mãos e as chamas se apagaram.
– Oque vocês querem saber ? – Hurricane sentou de pernas cruzadas junto ao duende, e Jason se aproximou respondendo a pergunta
– Precisamos saber onde esta um amuleto.
– Ora, tem muitos amuletos por ai, eu mesmo tenho um no meu gorro se quiser eu...
– Não é qualquer amuleto duende, pare de se fingir de sonso. O pai do pivete aqui fez um amuleto pra ele e precisamos pega-lo.
– Fez um amuleto ? Não se fazem amuletos assim tão fácil. — o duende colocou a mão no queixo, pensativo. Não sabia se devia acreditar naquelas duas crianças.
– É um amuleto muito importante pra mim, se chama Sacred Amulet, você conhece ?
– Como é que é ? Vocês não pode estar falando sério, Sacred Amulet ? Isso é muito perigoso, não sabem onde estão se metendo, vão morrer. — O duende fez cara de espanto, era algo serio mesmo.
– Não temos medo e também não temos muito a perder, não me importa as consequências. – Ela estava perdendo a paciência, e aquilo nunca significava coisa boa para Jason.
– Calma Hurricane, — pediu — Porque é tão perigoso esse amuleto ?
– Ele foi criado por um dos maiores alquimistas já conhecidos, já ouviram falar sobre ''Merick Folks'' ?
– Folks ? -Jason ficou espantado — esse é meu sobrenome.
– Seu? — O duende logo sorriu para Jason.
– calma, você conhece o alquimista? não
– Não, nem sei o que são alquimistas...
– Merick é seu pai, Jason. E eu o conheço a muitos anos, ele era um alquimista e tanto, um dos melhores, foi ele quem criou o Sacred Amulet, mas era muito perigoso, ninguém o conseguia controlar, ou aguentar a força que ele liberava.. Seu Pai dizia que ele foi feito extinguir a magia de dentro de um dominador de elementos...
– Ei garoto, você faz aquelas paradas com o vento, certo ? — Perguntou Hurricane dando um soco em Jason e dando de ombros.
– Sim mas é só vento, não são todos os elementos...
– O que você faz com o vento, jovem ?
– Ah, as vezes quando fico com algum sentimento muito forte, acabo gerando algum tipo de força estranha, algo com o vento, uma vez eu arremessei um mago longe como se ele fosse uma pena.
– Então é isso !!!
– É isso o que ? Fale logo, duende não temos tempo para seus joguinhos. — Hurricane ficava cada vez mais curiosa.
– Seu Pai não criou o amuleto para qualquer pessoa, ele o criou para você, ele teve que sair de sua terra natal para estudar os elementos e criar esse amuleto para eliminar seus poderes, acredito que com o objetivo de você ter uma vida normal e segura.
– Então o amuleto não é pra liberar meus poderes e sim para os prender ?
– Sim isso mesmo, o poder já esta com você, basta treina-lo...
– Sadler mentiu! – Hurricane explodiu de repente, dando um salto. Se ele mentiu sobre o amuleto, devia ter mentido sobre a sua irmã estar viva, então não havia mais esperanças. Mas ainda havia vingança. – Eu devia ter matado aquele mago desgraçado!
– Você é muito instável, não é mesmo... – Hurricane estava ao auge do mau humor no momento, agarrou o duende pela gola da blusa o erguendo até a altura do seu rosto.
– Então, ótimo. Não preciso ir atrás de amuleto nenhum. Agora duende...Eu quero que me conte como eu posso matar Shadow.
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