Fire and Faith
2 Thirst for revenge
Notas iniciais
A fumaça já tinha se dispersado completamente quando Jason terminou de enterrar sua mãe. Não tinha tempo nem forças para enterrar todos os seus conhecidos, pelo menos os que estavam inteiros... mas rezou por cada um deles ajoelhado naquele chão frio coberto de fuligem e sangue.
– Mãe, o que eu devo fazer? A senhora sempre me disse para ser bondoso e não carregar raiva dos meus inimigos, mas também me disse para ser forte, e que a família era a coisa mais importante que um homem poderia possuir...
De fato, a vingança era uma vontade latente em seu interior, mas não queria desrespeitar as vontades de sua mãe.
– Mas o que estou dizendo? Minha mãe está morta. Não pode ter vontade nenhuma graças aquela sombra maldita. Se... eu conseguir o poder do mago, eu posso vinga-los. Todos os que me foram tirados... todos. – Jason se levantou, sabia que o mago era de Lihim e não era tão distante dali, talvez duas horas de viagem a pé. Se tivesse um cavalo demoraria menos, mas tudo foi destruído e ele teve que ir andando.
Durante o caminho através dos campos, as imagens do terror passavam pela sua cabeça e imagens da sua mãe e seu amigo que morreu em seus braços também. Todos eles foram mortos sem motivos por aquela sombra.
– Como se mata uma sombra? – Jason falava consigo mesmo, para não sentir que estava tão sozinho de fato – é muito bom que aquele mago me ensine um jeito de acabar com ela.
Chegou a Lihim com os pés doendo de tanto andar, exausto, com fome e sujo. As pessoas daquele lugar o olhavam como se estivesse com uma praga no corpo, mas era um lugar bonito. O mago tinha fama até mesmo em sua aldeia, diziam que ele era temido por conversar com demônios, matar virgens, e fazer sacrifícios a deuses pagãos, mas nada daquilo importava para Jason contanto que conseguisse o que lhe foi prometido.
Da entrada do vilarejo, era possível ver uma casa simples, no topo de uma colina mais afastada do que de costume, e era meio lógico que se penssasse que um mago odiado por todos fosse meio isolado, então ele seguiu direto para aquela casa. Quando chegou, se descobriu paralisado na frente da porta. Estava com medo de entrar, medo do que pudesse acontecer com ele... e quando criou forças para bater na porta, sua mão ficou erguida por que o mago ja a abria para ele
– Sabia que viria, garoto. – Jason estava muito cansado, acabou tombando na porta com os olhos pesados e fracos. – Talvez queira um pouco de comida. Entre logo.
A casa de Sadler era assustadora e escura por dentro, tinha inúmeras prateleiras empoeiradas com frascos de cores diferentes e ossos de animais que nunca tinha visto. Na sala tinha uma pequena mesa ao lado de uma lareira grande onde um caldeirão era fervido, Jason ficou curioso com que tipo de magia Sadler estaria fazendo mas pelo cheiro era apenas um ensopado de carne. O mago estranho o apresentou uma cadeira de carvalho e colocou um prato de ensopado com um pedaço de pão de azeitona na sua frente, Jason atacou tudo como se seu estomago tivesse vontade própria e quando terminou de comer se sentiu envergonhado, mas Sadler olhava pela janela como se ele nem estivesse ali.
– Uhn... senhor? Agradeço pela refeição...
– Eu não sou um lorde para me tratar assim. Está aqui pelo poder certo? Não poderíamos conversar com você quase morrendo de fome.
– Como tem certeza que eu tenho poderes?
– Não me faça perguntas tolas. Apenas você estava lá, e com certeza pode sentir que a força saia de dentro de você... – Jason estava se sentindo um idiota. Mas de repente percebeu algo que antes havia lhe escapado.
– Você estava lá. Você viu tudo acontecendo, então por que não ajudou? Todos foram mortos...
– Alto lá, garoto. Primeiramente, pode ver que sou um ancião e já não tenho mais da metade da força que um dia eu já tive, estou fraco. E mesmo nos meu melhores dias meus feitiços não foram criados para batalhas, sinto muito sobre sua mãe.
– Não... tudo bem, eu entendo. E sobre o pergaminho... – Jason pegou o papel do bolso da calça rasgada, e abriu para ler novamente. – O que quer dizer com “trazer o coração verdadeiro do fundo de um Dragão” ?
– Você não é dos mais brilhantes, não é mesmo? Isso quer dizer... para você trazer o coração de um Dragão, nada mais nada menos do que isso.
Como assim ? Caçar e matar um Dragão ? Jason que não havia dado sinal de habilidade com nada, com certeza é impossível. Como um garoto que nem ao menos destreza havia conseguido poderia caçar algo tão divino e poderoso ? Mas a sua necessidade era maior que o seu medo.
– E como eu posso fazer isso? Quer dizer...
– Fique calmo, não quero que você o enfrente diretamente. Já ouviu a historia de Davi e Golias?
– Entendo... quer que eu vença... com inteligencia?
– Sim, isso, e uma adaga de vidro de dragão. – Sadler mostrou a lamina para Jason, sem duvida era bela, mas parecia frágil. – Ela é fraca contra aço bruto, mas é bem afiada. Se enfia-la no peito do dragão, e puxar enquanto ele estiver dormindo, vai obter sucesso
– Isso é loucura...
– Você não tem opção. Se quiser despertar seus poderes e vingar sua aldeia, vai ter que me trazer o coração.
– E onde vou achar um dragão? Todos dizem que estão extintos.
– Os que dizem isso não passam de tolos, embora realmente seria difícil acha-los. Eu tenho a localização de um. Fica em Spic, na montanha sul. O nome do Dragão é Hurricane, se chegar pela noite terá a chance de pega-lo dormindo e assim completara sua missão facilmente.
– Mas já esta de noite, não posso ir hoje, sem falar que estou cansado, preciso repousar.
– Pode dormir aqui essa noite garoto e partir amanhã cedo, deixarei um simples mapa para que não se perca.. o resto só depende de sua sede de vingança.
Então repousou na casa de Sadler assim como ele havia sugerido, e pela manhã partiu em sua jornada atrás de Hurricane, o suposto Dragão.
Jason guardou a adaga em uma bolsa que Sadler lhe dera e com a mão na bolsa não parava de imaginar se teria coragem pra encarar um Dragão e quem dirá feri-lo. Ele passou pela Floresta de Turk que atravessava a montanha sul, esse era o caminho que o mago disse ser mais tranquilo, mas por essa floresta se ouvia ruídos e animais grunhindo, Jason se via espantado, ele era mesmo apenas um camponês.
Sadler disse que no final da Floresta de Turk estaria a um passo de chegar em Spic, uma caverna que ficava no pico de uma colina não muito alta, mas o suficiente para um desafio físico para Jason. Enquanto encarava a floresta começou a ouvir gritos, como se alguém estivesse lutando e ouvia um ruido fino de um pássaro. Quando Jason atravessou pro final da Floresta ele viu um enorme pássaro dando um rasante como se caçasse algo, mas não era um pássaro qualquer, era uma Harpia, criatura a qual ele só ouvira em historias contadas por livros que ele lia em sua aldeia quando não estava cortando lenha.
A Harpia estava lutando contra alguém, Jason já imaginou que seria algo tão grande quanto a Harpia, ele que estava escondido em uma pedra para não ser visto, se inclinou-se para ver quem estava sendo atacada pela mesma e quando se inclinou, viu uma garota. Ele arregalou os olhos espantando, achando que a garota ia morrer a qualquer momento, ela não teria chance alguma contra uma Harpia, uma humana, e pior que isso, uma garota... Garotas são consideradas frágeis, e só trabalhavam em fazendas e fazendo comida, nunca treinavam para batalhas, apesar de que a aldeia de Jason não era treinada para batalhas.
Então quando ele reparou a Harpia se preparava para mais um rasante e o mais curioso disso foi que a garota começou a correr em direção a Harpia, como se fosse se chocar contra o pássaro enorme, e Jason já sabia o resultado, ou ao menos achava que sabia.
Quando a Harpia estava preste a dar de bico matando a garota, algo impressionante e ao mesmo tempo fisicamente impossível aos olhos de um mero camponês, a garota da um pulo alto o suficiente para desviar da Harpia completando com um giro e antes mesmo que toca-se o chão um clarão cobriu-a como se ela fosse atingida por algo divino, e do meio do nada, como se ele nascesse de dentro da garota, um Dragão enorme apareceu, substituindo seu corpo pequeno e frágil. O Dragão que havia aparecido planou pousando de leve no chão e como se estivesse exibindo sua graça, solta uma chama azul cobrindo tudo o que Jason podia ver olhando para o céu. O Dragão se posicionou para atacar a Harpia que volta de encontro com ele, ela era ao menos a metade do tamanho do Dragão.
Quando a Harpia se aproxima do Dragão, ele bate as asas com uma força incrível dando um giro e desviando dela e em seguida solta uma rajada de fogo azul brilhante que acerta as costas do pássaro, o fazendo se chocar no chão com força o suficiente para derrubar duas arvores que estavam ali.
A Harpia chacoalhou a cabeça se recuperando do ataque, deu um grito fino indo de encontro ao Dragão novamente, então ele voa como se fosse fugir e isso gera uma perseguição em alta velocidade, desviando de arvores e montanhas. Jason ao mesmo tempo que tem medo não consegue tirar os olhos, admirado com a batalha nos céus. O Dragão olha para trás e avista Jason escondido entre as pedras e quando faz isso a Harpia o percebe e volta na intenção de pegar Jason, o Dragão tenta atacar a Harpia com bolas de fogo, mas ela desvia de todas. Quando a Harpia aparece na frente de Jason ele não consegue nem se mexer para tentar fugir e o Dragão que supostamente seria sua única chance de sair vivo de lá, acaba de desaparecer no ar como se tivesse aproveitado a isca que foi feita inconscientemente por Jason para fugir... A Harpia abre o bico na intenção de ataca-lo e na hora que ia acertar seu rosto o Dragão da um rugido feroz que assusta a Harpia, e em seguida solta uma chama enorme que a cobre por inteira, uma chama densa e muito forte que deixa Jason de joelhos no chão queimando só de sentir o calor.
A Harpia vira cinzas, e Jason cai mole encostando-se na pedra onde se escondia, nesse momento aparece a mesma garota do começo da batalha segurando sua cabeça dizendo:
– Você esta bem garoto ? — Jason abre os olhos com dificuldade.
– Han? Eu vi você, a harpia não te matou ?
– Claro que não !! Não vê que estou viva ?
– Mas eu vi ela te acertando e o Dragão aparecendo... Quem é você afinal ?
– hahaha... Eu me chamo..... Hurricane.
Fale com o autor