Yeah, I just closed my eyes and swung. Left me crouching in a blaze and fall. All you ever did was break me. Yeah, you, you wreck me.

Mordi meu lábio, encarando a minha roupa uma última vez antes de sair. A blusa branca básica e de mangas, o macacão camuflado em azul; cinza e branco, o ankle boot de salto fino e o blazer preto. Coloquei vários colares de corrente fina e muitas pulseiras, marquei bem meus olhos com a maquiagem adequada para o dia nebuloso de hoje e passei um batom nude.

Estava perfeita para um encontro que ainda duvidava se deveria ir ou não. Não iria ser um almoço de amigos, pois essa pessoa não era meu amigo, ela havia me destruído de várias maneiras.

– Estou indo — disse passando pela sala, jogando meu cabelo para trás.

– Você é completamente louca — Thalia disse me encarando do sofá. Ela havia tomado conta dele, praticamente. — Se fosse eu, nunca aceitaria.

– Sorte a minha que sou eu não?

Ela arqueou as sobrancelhas negras, me encarando incrédula. Revirei meus olhos e peguei a minha bolsa, mandando um beijo no ar para ela e indo em direção ao elevador, impaciente e ainda duvidosa. Não sabia se isso era o certo, já havia me causado tantas cicatrizes, mas eu teria que enfrentar de uma maneira para provar que era capaz de enfrentar todos os meus medos.

Quando você se vinga de alguém, você não pode ter fraquezas, se você tem uma é questão de tempo para alguém descobrí-la e usá-la contra você. Se o meu passado for uma fraqueza minha, eu tenho que acabar com ela.

– Estou começando achar que isso é perseguição — cruzei meus braços, inclinando a cabeça para o lado e sorrindo para o Percy. — Não deveria estar trabalhando?

– E eu estou! — ele levantou a pasta negra para mim, entrando no elevador e se colocando ao meu lado. Quando a porta se fechou e ainda existia mais vinte andares para descer, ele me prensou na parede e me beijou.

Deus, como eu estava com saudades de ter ele para mim. Dos nossos corpos se chocando um contra o outro. Das dores nas minhas pernas. Eu precisava de sexo, necessitava do Percy transando comigo.

– Ei, eu tenho um compromisso — disse voltando a sanidade e empurrando ele para trás, ofegante. — Você tem um compromisso!

– Aonde vai que não pode nem borrar o batom?

– Um almoço com alguém do passado — mordi o interior da minha bochecha, passando o dedo pelos cantos dos meus lábios. — Você tem que ir trabalhar.

Ele concordou com a cabeça, de maneira rápida e então soltou um suspiro carregado. Percebi que o Percy não se parecia tanto assim com ele, havia a tensão nos seus ombros e a preocupação no seu olhar.

Nao podia me deixar levar por isso, tudo estava em risco aqui, eu iria longe demais, até o último canto do tártaro para me vingar dos Dare. Contar a verdade para o Percy era arriscado, ele podia não aceitar e isso iria fazer de mim imune e exposta.

– Bem, até mais tarde — dei um beijo na sua bochecha e sai, indo na direção do meu carro e soltando um suspiro carregado. Eu cada vez me afundava mais ainda nos meus próprios segredos e mentiras, mas talvez mentir era necessário e ter segredos era essencial.

Joguei a minha bolsa no banco do passageiro e passei os dedos no meu cabelo, engolindo em seco e por fim dando partida no meu carro. O restaurante não era longe, mas eu estava com a mente atordoada e isso fez o caminho parecer eterno.

Encarei o reflexo do meu rosto no retrovisor quando parei no restaurante, dando o melhor sorriso que conseguia e apertando as minhas bochechas com a ponta dos dedos. Respirei fundo e peguei a minha bolsa, abrindo a porta com o melhor sorriso que tinha e me colocando para fora do carro, vendo que o manobrista esperava ao lado da porta, ereto e sério.

Passei por ele de queixo erguido, pisando levemente e deixando um pequeno sorriso se formar nos meus lábios.

– Posso ajudá-la, senhorita? — a recepcionista perguntou quando coloquei meus pés dentro do restaurante. Observei atentamente o local, parando meu olhar sobre a pessoa que me esperava e piscando, encarando a mulher novamente enquanto retirava meu blazer.

– Não, já encontrei meu lugar — dei um sorriso rápido para ela, em seguida caminhei na direção da mesa. Ele continuava o mesmo de sempre, era impressionante como algumas coisas simplesmente não mudavam depois de alguns anos. — Olá, Cameron.

Seus olhos azuis brilhavam, seu corpo ainda tinha o porte esportivo de sempre, seus fios castanhos claros com alguns cachinhos estavam relativamente curtos e um sorriso pequeno, mas bonito se formou nos seus lábios carnudos e vermelhos enquanto ele empurrava a cadeira para que eu pudesse me sentar.

– Olá, Annie — ele falou se sentando na minha frente. Joguei meu blazer e a minha bolsa na cadeira ao lado, vendo como ele ficava bonito usando paletó e a gravata cinza frouxa sobre a blusa azul clara, que deixava o azul dos seus olha realçados, era incrível como ele ainda mexia com a minha mente, mesmo depois de seis anos distantes. — O tempo lhe fez muito bem.

– É um tanto cômico, todos dizem isso a mim — sorri, jogando um cacho do meu cabelo para trás. — Até parece que eu era um extra-terrestre na adolescência.

– Não era, você já era incrível naquela época... Só está ainda mais bela agora — ele falou enquanto cruzava as minhas pernas — Acho que o clima londrino combina com você.

– Eu adoro Londres — falei com sinceridade. Cam umedeceu os lábios com a ponta da língua, enquanto eu mordi o meu encarando ele... Nenhum de nós dois teve alguma reação enquanto o garçom servia nossas taças com vinho branco.

– Já sabem o que irão pedir? — ele questionou e Cam me encarou, esperando uma reação minha.

– Escolha do cheff — encarei ele, rapidamente.

– Igualmente — Cameron disse e o garçom saiu de perto.

– Tudo bem, por que me chamou até aqui? Aliás, eu ainda me pergunto porque diabos eu vim, acho que depois do que me fez a seis anos atrás, eu nunca mais deveria querer olhar na sua cara — falei tranquilamente, porém com o desprezo e a frieza estampada nos lábios.

Ele respirou fundo, então abaixou o seu olhar e abriu o paletó do terno. Quando seus olha caíram sobre mim novamente, estavam mais escuros e a sua pupila estava tão contraída que parecia um pequeno buraco negro na imensidão azul das suas íris.

Respirei fundo, fechando meus olhos por alguns segundos e depois abrindo eles novamente. Detestava saber que Cameron ainda tinha um efeito tão forte sobre mim, mesmo depois de seis anos.

– Exatamente por isso que te chamei — ele disse por fim, atraindo a minha atenção para seu rosto. — Pensa que eu fiz parte daquilo, não pensa?

– É meio óbvio não? Cameron, eu transei com você no seu carro na noite do baile, quando acordei estava sozinha e no meio das chamas! Eu gritava por ajuda, chorava e via o fogo pegar na minha pele...

– Não fui eu quem colocou fogo em você, eu era apaixonado por você naquela época, Annabeth! Sabe quanto tempo eu fiquei ensaiando na frente do espelho antes de te pedir para sair comigo na primeira vez? Quanto tempo fiquei alucinando namorar com você?

– Não, porque isso não aconteceu... O que o capitão do time ia querer com a amiga magrela e estranha da Rachel?

– Podia não parecer, mas eu praticamente beijava o chão que você pisava — ele passou os dedos nos fios. — Naquela noite do baile, depois que você dormiu no meu peito, fiquei um tempo te admirando até que dormi também... Acordei com o meu celular tocando e atendi ele no fim do beco, pois o sinal estava melhor lá.

Ele mordeu o lábio inferior e então levou a taça com vinho aos lábios, dando um grande gole. Fiz o mesmo que ele, porém em uma quantidade menor do líquido e com mais sofisticação.

– Quando voltei ao carro, dez minutos depois, ele já estava em chamas e você estava desmaiada lá dentro... Eu liguei para a emergência e acredite, só não fui visitar você no hospital pois me deixaram detido na delegacia por alguns dias...

– Por que?

– O carro era meu, eles pensaram que tentei te matar e depois me arrependi — ele disse por fim, depois de alguns minutos de silêncio — Quando você foi liberada, havia uma lista de pessoas que podiam te ver e bem, meu nome não estava nela, poucos dias depois você entrou em coma profundo e em seguida foi para Londres, então nunca mais voltou e eu nunca tive a chance de te explicar isso.

– Não acredito em você, Cameron — falei vendo o prato ser colocado a minha frente. Agradeci o garçom e então suspirei — Poucos dias antes do baile você e a Rachel estavam cheios de segredinhos e bem, você sabe que ela quem estava tentando me matar, não é?

– Sei... Quer dizer, eu descobri isso logo depois que você foi embora — ele falou enquanto eu me aproveitava do prato. — Eu estava falando com ela para ter coragem de te pedir para ir ao baile comigo... Ela perguntou e me deu ideias do que fazer, para ser sincero, foi ela quem deu a ideia de fazer daquela noite inesquecível para você, foi ela quem deu a ideia do sexo no carro.

Gargalhei em um tom aceitável, não chamando a atenção de ninguém além dele, que me olhou confuso. Limpei meus lábios com o pano guardanapo que estava sobre as minhas pernas e o encarei.

– Se quisesse fazer daquela noite inesquecível para mim, me levasse para um hotel e não tirasse a minha virgindade no banco traseiro do seu carro — revirei meus olhos. Pela primeira vez desde que cheguei ele tocou em mim, segurou a minha mão e a apertou, pelo seu olhar entendi o que ele queria mê dizer — Como ela te convenceu a isso?

– Falou que era um sonho seu, que a sua primeira vez fosse no banco traseiro de um carro...

– E você como um perfeito idiota acreditou? Cameron, que mulher quer perder a sua virgindade no banco traseiro de um carro? — suspirei revirando meus olhos com a idiotice dele.

– Annie, você era tão diferente das outras meninas... Era tão tímida, mas quando tinha que se arriscar por alguma coisa, você se arriscava — ele falou acariciando as costas da minha mão com o dedo — Eu achei que você não queria muito romance naquela noite, acreditei e quando descobri que era mentira você já havia partido.

Puxei a minha mão da sua, com os dentes precionando meu lábio inferior e então encarei a opção italiana do cheff a minha frente. Algo tão saboroso, que eu adorava e que no momento estava me deixando enjoada, por causa do assunto.

Cameron começou a comer enquanto eu digeria tudo o que havia acabado de escutar. As lembranças estavam me deixando apavorada, escutar isso fazia toda minha estatística de vingança mudar, me fazia querer desistir do que havia começado a meses e fugir para Londres novamente.

Então percebia, não podia fugir. Cameron havia me destruído aquela noite como se ele fosse a bola de destruição e eu fosse ontem prédio a ser destruído, assim como todos nessa cidade haviam feito comigo. Então eu voltei com a minha chama de vingança, incendiando tudo ao meu redor, sem pensar duas vezes.

Era isso, eu era um incendiária, queimaria quem entrasse na minha frente, não podia evitar de queimar alguém, eu era fogo. Percy, Nico e Thalia, acabaria queimando eles de uma forma ou de outra... Tudo após a minha vingança iria se resumir a cinzas, então eu não teria nada a que me apegar.

– Era um truque — disse por fim, levando um pouco de vinho aos meus lábios, na esperança de tirar o gosto de bule da minha boca. — Quem estava no telefone?

– Não faço ideia... Era uma voz feminina gritando por socorro, mas era apenas isso "Socorro" ou "Mê tira daqui" e "Ele vai mê matar"... A menina ficou nisso por dez minutos, mas não me dizia quem era ou um lugar para que eu pudesse dizer a polícia, então quando voltei...

– É, as chamas — disse engolindo com força o que havia colocado na boca — Era um blefe, digo, a ligação... A menina te prendia no telefone pelo tempo necessário para alguém ou a Rachel incendiar o carro comigo lá dentro e você ser culpado.

Ele concordou com a cabeça, dando um pequeno sorriso para mim, um sorriso reconfortante. Cam não era assim tão má pessoa assim, na verdade ele nunca foi o capitão do time popular galinha, se na época do colegial em que eu estive presente em Chicago ele namorou duas garotas, foi muito.

Sorri para ele, da mesma maneira, estendendo minha mão e tocando a dele. Fui dura demais com ele, sabia que quando recebi a ligação e ouvi a sua voz tranquila e rouca, sabia que ele não estava me procurando para ter certeza de que estava viva ou para me matar. Ele estava me procurando por um motivo maior.

– Você é capaz de me dar um segunda chance? — questionou, entrelaçando nossos dedos e levando minha mão aos seus lábios. Um arrepio percorreu a minha espinha, me deixando assustada.

– Não sou mais aquela garota, mas se quiser conhecer a minha nova eu — sorri.

Notas finais
Dedico esse capítulo a mim, pois amo ele, amo o Cameron e deixo vocês shipparem ele com a Annie. Vocês não merecem esse capítulo, não comentaram, mas como sou uma pessoa muuito legal eu estou postando e exijo que esse capítulo tenha no mínimo 20 comentários. ENQUETE: Quem é o ator que me baseei para ser o Cameron? Lembrando o as iniciais do nome e sobrenome dele é D e S. Vamos, quem acertar ganhará um spollier de FS. Bye