Fire Starter
1 Starting
Make your blood run faster. I melt hearts like water. I'm a sweet disaster.
Os sorrisos mais bonitos, escondem os segredos mais profundos. Os olhos mais bonitos, são os que mais choraram. Os corações mais gentis, foram os que mais sentiram dor.
Eu sempre soube disso, porém nunca levei para a vida como uma lição ou como um aviso de cuidado... Eu não tinha noção do que as minhas atitudes poderiam causar a algumas pessoas, ou na vida de apenas uma pessoa.
– Por que faz isso? — indaguei com curiosidade.
– Por que é assim que eu consigo me sentir melhor.
– Não era essa a resposta que eu esperava de você — admiti. Tirei o pequeno saquinho de sua mão e dei um sorriso.
Seu sorriso me encantou e me fez aproximar mais ainda de seu corpo quente — se é que isso era possível. Sorri de voltar, com mais intensidade, e mordisquei seu lábio inferior com safadeza.
– O que esperava?
– Algo mais profundo, sabe?
Riu, um som rouco e adorável preenchendo o quase silencioso quarto, que raramente era preenchido pelo som dos nossos sussurros e anteriormente, gemidos e alguns gritos.
– Ainda se arrepende?
– Somos tão jovens ainda, não temos que pensar em arrependimentos... Ainda mais agora, que não temos absolutamente nada para nós atrapalhar!
– Sempre aparece algo — seus olhos se retiraram. Me permiti calar sua boca com um beijo.
– Pare de ser assim! Quem merda — disse por fim, me jogando na cama — Durma, é a melhor coisa que pode fazer.
As minhas palavras teriam um efeito forte, eu sabia disso, já passei por isso mais vezes do que se pode imaginar, porém teria que arcar com as consequências das minhas palavras novamente. E novamente...E novamente.
Baladas, drogas, álcool e sexo. Noites acordadas e dias de ressaca, coisas comuns na vida de adolescentes.
Segundo Albert Einstein, a felicidade não se resume na ausência de problemas, mas sim na nossa capacidade de lidar com eles.
Eu, sem a menor dúvida, tinha aprendido a lidar com meus problemas e a transformá-los em felicidade de uma só maneira: A vingança.
– Já está tudo pronto, Annabeth — a voz de Thalia ecoou na porta do quarto. Sorri.
– Ótimo. Tenho uma vida para estragar — me levantei da cama com cuidado para não acordar o rapaz ao meu lado, ele não merecia.
Minha próxima parada era clara, simples e longa. Só de ida e sem previsão para volta. Sem previsão do que poderia acontecer a mais lá. Era claro que eu estava indo para Chicago, ou como eu prefiro chamar: Cidade das cinzas, por causa do meu fogo.
Thalia se encostou ao batente, fazendo uma certa careta enquanto encarava o menino adormecido. Revirei meus olhos, adentrando no banheiro do quarto dele.
– Não tinha ninguém melhor? Tinha que ser o Jason? — ela me seguiu. Bufei ligando o registro da ducha — que era mais rápida — e me colocando sob a água quente — Tudo bem que vocês são primos e tudo mais. Só que, é nojento... Ele é mais novo do que você.
– Três anos — murmurei enquanto ensaboava meu corpo. A morena torceu o nariz.
– Não importa.
– Eu sei que não — dei de ombros.
Elá bufou e escorregou as costas pela parede, até estar sentada no chão. Dobrou as pernas e apoiou a cabeça nos joelhos, soltando um longo e deprimido suspiro arrasado. Minha vontade era lhe socar a cara.
– Faz quinze dias — disse com a voz embriagada por causa do choro. Quem bufou foi eu, dessa vez — Nenhuma mensagem, ligação, e-mail... Nada!
– Sinal de que você precisa acordar para a vida e levantar esse balão que você chama de cabeça, para poder seguir em frente — respondi enquanto deixava a espuma do meu cabelo ser levada pela água — Ele não merece suas lágrimas.
Desliguei o registro e me enrolei na toalha felpuda, colocando meu corpo para fora do box e atravessando o quarto de Jason com passos mudos, porém rápidos e ágeis. Estava cansada de aguentar Thalia reclamar do seu triste fim de relacionamento, era patético demais.
Fui até o fim do longo corredor cor de marfim e abri a porta do meu quarto com o pé, fechando ela da mesma maneira. Era outono, o frio em Londres era constante, porém não congelante, mas também não era nada inteligente ficar andando de toalha e com os fios molhados. Já fui mais esperta do que isso.
Vesti a lingerie que havia deixado separada e logo em seguida a roupa. Uma calça preta e uma camiseta branca com o número 86 estampado grandiosamente nela, havia também uma listra preta dois dedos acima da sua barra e duas da mesma listra em cada manga. Coloquei Ankle Boots com sprikes no salto e desembaracei meu cabelo rapidamente e fiz a minha maquiagem, pegar o voo da madrugada foi uma escolha minha, para que Jason não me visse ir embora e para que ele não me perguntasse. Os pais dele prometeram mentir, iriam inventar que eu estava viajando pelo mundo com a Thalia, que queria curtir minha vida.
Peguei meus óculos de grau e fui escovar meus dentes, passei meu batom vermelho e peguei a bolsa que estava repousada sobre a minha cama.
Antes de fechar a porta dei uma última olhada para o quarto no qual eu morei por seis anos, aonde eu passei a maior parte da minha adolescência e aonde eu me recuperei mentalmente e fisicamente. Aonde eu mudei.
O quarto com detalhes em diferentes tons de azul, branco e preto estava organizando, como sempre foi. As almofadas arrumadas sobre a cama lisa e macia, a cortina branca estava aberta e a janela bem fechada. Eu amava esse lugar, porém sentiria falta.
Eu voltaria para Londres, voltaria para Jason e quando isso acontecesse ele já estaria formado na faculdade, espero eu. Ele me esperaria, eu sei disso, eu também esperaria por ele, foi um melhor amigo; um irmão e um namorado que eu pedi a deus.
– Vamos? — Thalia falou na minha frente, ela havia retocado a maquiagem. Fechei a porta com um suspiro e concordei, agradecendo a minha maravilhosa tia por ter colocado carpete por todo corredor, assim os meus saltos não iriam acordar o Jason, seria duro me despedir dele. Não estava psicologicamente preparada para isso.
Prestando atenção em cada dregau em que pisava, tentando não deixar meus pensamentos voarem para a terceira porta do corredor, aonde um garoto loiro com dezenove anos dormia como um anjo. Não podia ser fraca.
– Tem certeza disso? Eu sei que estou perguntando a mesma coisa a dias, porém tenho medo do que pode acontecer com você, Annie, tenho medo de que se machuque novamente — Hera falou puxando meus ombros e me abraçando. Apenas Zeus levaria Thalia e eu ao aeroporto.
– Não tenho mais quinze anos, tia.
– Eu sei! — ela exclamou baixinho. A abracei novamente e apertado — Se cuide.
– Eu irei — sorri e me afastei dela, para que Thalia pudesse se despedir. Menos de cinco minutos depois estávamos dentro do carro a caminho do aeroporto com meu tio, a neve caia de maneira fina.
Peguei a mão de minha prima eu apertei, ao vê-la engolir em seco por causa do seu medo com altura. Eu estava encorajando ela, eu estava com ela, como ela sempre esteve comigo. Ela iria se vingar comigo.
Estas alegrias violentas têm fins violentos.
Falecendo no triunfo, como fogo e pólvora.
Que num beijo se consomem.
Romeu e Julieta, Ato II, Cena VI.
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