Fire Starter
10 Stand Down

So, you see, there's no point in underestimating me, to me. Lock up all your thoughts and throw away the key. No, I don't want to hear it. 'Cause you're, no, it doesn't bother me.
Irritada. Era assim que eu me sentia depois de uma noite que, supostamente era para ser relaxante e divertida, passei ouvindo Will falar sobre como a Rachel manipulava as pessoas, professores e diretores para conseguir suas notas no curso de moda.
Voltei tarde o suficiente para apenas me jogar na cama e relaxar, mas ao encontrar Percy no meu closet percebi que isso não era uma opção minha. Não transamos, minhas pernas doíam por causa do longo tempo que permaneci em pé e eu estava imensamente atordoada, ele compreendeu porém fez questão de me ajudar a retirar o vestido. Ele não dormiu comigo, já estava quase amanhecendo.
Suspirei lendo mais um trecho que Will havia me mandando por e-mail enquanto fazia um coque frouxo nos meus fios. Quando ficava irritada, qualquer coisa me deixava sem paciência.
– Olá — a voz de Calypso me fez dar um pulo de susto. Com os olhos arregalados encarei ela, não estava sorrindo ou acompanhada de Rachel, estava com a expressão neutra.
Uma coisa eu podia afirmar sobre Calypso: ao longo desses anos que passei em Londres ela mudou fisicamente e mentalmente. Antigamente ela não era relaxada, como eu, mas também não seguia o que a Rachel dizia, ela era mesma, com seu jeito meigo e incrivelmente tolerante. Hoje ela continua bem meiga e sem dar ouvidos as ruiva, mas sua tolerância tinha acabado.
– Oi — sorri para ela, colocando a minha franja para trás — O que te trás aqui? A Rachel?
– Sabe muito bem que eu detesto seguir a Rachel — ela revirou os olhos, era ai que eu via sua intolerância — Eu estou aqui por causa do Will.
Acho que o meu sangue parou de correr, meu ar sumiu dos meus pulmões e a minha mente ficou totalmente confusa. Ela sabia do Will, talvez por causa das fotos da festa e porque o tapete vermelho estava sendo transmitido ao vivo pela televisão.
– Will... A sim, o Will da festa da Vogue! Aquele que é apresentador de moda mundial na televisão? — arqueei minha sobrancelha. Ela bufou e se jogou ao meu lado, agradeci e me amaldiçoei pelo protetor de tela.
– Quem é esse fofinho?
– Jason Grace... Meu ex-namorado, eu acho — sorri para ela, fechando o MacBook e dando um sorriso amarelo — Então... O que tem o Will?
Ela não respondeu, puxou os fios para trás e os prendeu em um rabo com o elástico que se encontrava em seu pulso. Ele era tão bonito que diria que era uma pulseira. Depois de colocar a franja rebelde atrás da orelha, me encarou sorridente.
– Vamos começar pelo início. Os pais da Rachel mataram os seus e a minha mãe, junto com mais um punhado de pessoas da empresa, isso ficou quieto ou porque a polícia não tinha prova contras eles, ou porque você foi dada como morta após seu sumisso para a Inglaterra ou porque os Dare subornaram os investigadores e manipularam as provas... Em qual você acredita? — não conhecia esse lado da Calypso, me surpreendi ao ver que ela também sabia sobre os pais de Rachel e que ainda estava ao lado ela — Todo mundo tem duas faces, uma nós mostramos ao mundo e a outra deixamos guardadas para nós... Eu sei que você tem duas faces, te conheço e você nunca foi uma garota provocativa, equivocada e sedenta por fazer a Rachel se sentir rebaixada.
Mordi meu lábio, encarando atentamente seu rosto. Sua expressão continuava serena, tranquila e neutra... Neutralidade, não conseguia ser assim, quando me propuseram a vingança eu queria descer em Chicago e matar a família inteira de Rachel de uma só vez, para voltar o mais rápido possível para Londres e continuar a minha vida tranquila, sem consciência pesada.
– Por que acha isso?
– Annabeth, eu sei que você tem um motivo específico para ficar aqui, eu sei que detesta Chicago por causa das lembranças que essa cidade te trás. Cada centímetro dela te faz lembrar de algo sobre seus pais... Já parou para pensar por que está alojada no outro lado do bairro? — ela arqueou a sobrancelha novamente, me estudando — Porque no lado oposto fica a casa dos seus pais, a sua casa.
A minha casa... Uma mansão de três andares com uma vista linda da cidade durante a noite, com um biblioteca dos sonhos, um local perfeito para observar as constelações. O local onde eu nasci, cresci e passei vários momentos maravilhosos com os meus pais, então sim, Calypso tinha razão sobre eu escolher o lado oposto do bairro.
– Vai me dizer que você também não sente dor ao olhar para o lado vazio na cama do seu pai? — digo com a voz embriagada — Agradeça por você ainda tê-lo, Calypso, pois eu sei o quanto dói perder seu pai e a sua mãe de uma só vez e ainda mais saber que eles foram mortos pelas mãos dos pais da garota que você um dia chamou de amiga, de irmã. Elas mataram meus pais por poder e adivinha o que vai acontecer. Eles vão continuar a fazer isso com quem quer que seja que rebaixe eles... Meus mais podem ter sido os primeiros, ou quem saber mais um da lista deles... Porém o que acontece com aqueles que ainda vão sofrer por causa disso? Que ainda, provavelmente, vão sofrer pela morte de seus familiares quando os Dare virem que estão caindo.
– Eles já caíram, Annabeth... O casamento da Rachel foi adiado por causa disso, por falta de money para pagar tudo o que aquela ruiva gananciosa quer — ela soltou um suspiro, mas controlada — Os Dare estão falindo e já estão planejando o próximo alvo deles...
– Os Jackson — falamos juntas, num murmuro solitário.
Ela se surpreendeu por eu estar sabendo, por eu ter falado junto a ela e por que agora ela sabia que eu também investigava a vida da Rachel. Isso me surpreendeu e me deixou assustada, afinal, o que ela poderia fazer contra mim, usando isso?
Controlei a vontade de engolir em seco, de coçar a palma da minha mão ou de arfar. Qualquer gesto me entregava.
– Sabe o verdadeiro motivo pelo qual ainda estou ao lado da Rachel? Pelo qual ainda sou "amiga" dela? — mordi meu lábio, temendo a responda dela — Vingança.
– Quer vingar ela do que? — sussurrei, sorrindo internamente.
– De tudo — ela riu — A Rachel é uma pessoa desprezível, ridícula e que só tem amor a ela própria. O Luke é idêntico a ela, que poder, é ganancioso e adivinha com quem ele aprendeu isso? Com os Dare, pois ele foi um namorado secreto da Rachel desde o colegial. Enquanto ela estava lá, passando por nossa amiga e pegando nossos admiradores ele estava em outra escola, fazendo a mesma coisa que ela enquanto os pais dela trabalhavam em matar os nosso. Apenas uma ligação entre isso tudo.
Precionei as minhas têmporas, sentindo uma leve pontada na cabeça por causa das informações se misturando com a noite mal dormida e cheia de altos e baixos sobre apenas uma pessoa: Rachel.
Parecia que mesmo longe, sem saber de nada, ela conseguia ser o centro das atenções. Falando bem, falando mal, criticando ou elogiando. Ela sempre conseguia ser o centro das atenções.
– O que isso tem haver comigo? — arqueei a sobrancelha, ainda precionando a minha têmpora.
– Quero que se junte a mim! Você consegue deixar a Rachel puta da vida, consegue fazê-la perder o controle com apenas um palavra e ainda tem a atenção de Percy para você... Sabia que a Rachel vê o Percy como um troféu? Por que quando ele estava despedaçado, isolado e totalmente imune a qualquer tipo de relacionamento com uma pessoa ela apareceu e supostamente o tirou de uma escuridão, colocando ele em outra.
Droga. Ela sabia de muita coisa e eu nem me toquei disso! Calypso esteve aqui, ao lado da Rachel e por cima de tudo, tendo em primeira mão as notícias e segredos da ruiva... Ter a Calypso ao meu lado valia muito mais do que ser a melhor amiga da Rachel.
– Percy foi sequestrado a oito anos atrás, Annabeth. Ele viu a irmã ser estuprada, torturada e assassinada a sangue frio e não podia fazer nada a respeito disso porque estava amarrado e com uma arma apontada para a cabeça enquanto a pequena e indefesa Chloe sofria nas mãos de sequestradores manipulados por quem mesmo? Ah, pelos Dare! — ela curvou a cabeça — Vamos, Annabeth, não podemos fazer o Percy sofrer mais ainda por causa dos Dare.
– Ele me falou que tinha uma irmã de um ano e meio, que morreu na UTI.
– Realmente, porém ela também morreu — Calypso falou — Infelizmente não por causa dos Dare, senão seria apenas mais um crime para a lista deles...
Me levantei, sentindo aquela intolerância sobre ficar sentada por muito tempo e comecei a caminhar pelo meu quarto, pensando sobre isso e sentindo a minha enxaqueca apenas piorar... Contava ou não para a Calypso? Confiava ou não nela?
Tudo bem que ela sabia de muita coisa, mas e se tudo isso não passasse de uma invenção dela para depois me denunciar a Rachel, para que depois de descobrir a verdade ela me entregasse para que a Rachel e seus pais acabassem com o que começaram a sete anos atrás.
– O que pretende fazer?
– Além de ferrar ainda mais a vida deles? Proteger o Percy e a sua família, acabar com Luke antes que ele acabe com alguém, entre outros... Annabeth, não estou brincando, eu quero acabar com a vida dos Dare, assim como eles acabaram com a minha... Com a sua! Se junte a mim, acho que juntas temos mais valor do que separadas.
Franzi o meu cenho, olhando atentamente para quase tudo. Calypso não brincava com isso, sua voz era controlada e firme, seus olhos atentos e predadores como de um leão. Ela realmente queria vingança, assim como eu.
– Só vai sair ganhando com isso — murmurou. Rapidamente me lembrei de Jason, de quando ele me falou que essa vingança só me traria mais inimigos, porque violência gera violência. Eu podia acabar com os Dare, mas ele podiam ter outras pessoas ao seu lado.
Estava brincando em um campo minado que, a partir do momento em que a primeira mina explodisse, todas as outras explodiram junto.
– Tudo bem. Vamos brincar com os Dare, então.
Eu saberia tudo sobre a vingança da Calypso, mas ela não saberia sobre a minha.
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