Fire Starter
40 Out Of The Woods

We were built to fall apart. Then fall back together. When you started cryin' I did too. But when the sun came up, I was looking at you.
Nós estávamos no Central Park, mas especificamente no Loeb Boathouse, um restaurante a beira do lago do Central Park, agradável e tranquilo para um domingo entre amigos. Só que os amigos do Percy.
Eu havia colocado um longo vestido florido de frente única, ele era justo no meu busto e depois caia solto até os meus pés, deixando a minha barriga de grávida bonitinha. Como não podia mais usar saltos, optei por uma sandália de dedos dourada que mal aparecia por causa do comprimento do vestido e também coloquei várias pulseiras.
Caminhei pelo restaurante, seguindo a recepcionista do mesmo, na direção da mesa onde John estava. A ideia do almoço havia sido dele, ele havia chegado em New York City ontem para ajudar Percy com as reuniões e decisões da empresa, uma vez que ele era vice diretor da Jackson.
Eu pude ver ele de longe, ele era fácil de se destacar em meio as famílias e casais que almoçaram por ali. O cabelo louro escuro dele estava mais longo que da última vez que eu havia visto, dividido no meio e com as mechas batendo no seu queixo e, eu realmente me surpreendi ao ver ele com uma mulher morena.
– Olá — dei meu melhor sorriso possível. Eu ficava um pouco desconfortável ao lado do John. — Percy teve que atender um telefonema do Dillon...
– Em pleno domingo? — John arqueou a sobrancelha, mudando totalmente seu semblante. Me sentei de frente para a mulher, que não deveria ter mais de vinte e cinco anos, com o lago ao meu lado. Olhei ele novamente, pousando a minha mão na minha barriga rapidamente ao sentir o chute do bebê e concordei com a cabeça, ouvindo ele estralar a língua. — Eles querem que ele tome a decisão errada para terem argumentos para tomar a presidência da Jackson.
– Sim, eles querem... Mas Percy é esperto, não vai errar nas decisões dele — disse convicta, com um sorriso sincero. — Faz tempo que não nos vemos, John, não sabia que namorava.
– Faz pouco tempo... Aliás, Marie, essa é a Annabeth. Annabeth, essa é a Marie, a minha namorada. — a garota me olhou com um sorriso sincero. Seus olhos verdes cristalinos brilhavam e a sua pele ficava mais pálida por causa da escuridão do seu cabelo, que caia com leves cachos por seus ombros.
– É um prazer conhecê-la, Marie
– Eu que o diga, nunca me imaginei na frente da Annabeth Chase. — ela disse com um forte sotaque inglês. Ela era inglesa? — E, não querendo ser puxa saco, você é a grávida mais linda que já vi.
– Obrigada — agradeci, deixando meu equívoco de lado. — É inglesa?
– Sou, nasci em Liverpool e fiz a faculdade em Oxford... Foi lá que eu conheci o John.
– Achei que se conheciam a pouco tempo.
– Não, nós namoramos a pouco tempo, mas nos conhecemos na universidade. E, só para constar, você também ficou linda quando estava grávida — ele deu um leve beijo na têmpora de Marie, fazendo ela corar. — Eu também nasci em Londres, passei um tempo em orfanatos, mas quando tinha cinco anos uma família me adotou e me criou... John Walker, ficou legal, eles eram legais.
– Conhece seus pais biológicos?
– Não, desisti depois de um tempo, na adolescência, sabe? Tudo que eu sei é que a minha mãe me deixou na porta do orfanato quando eu tinha um mês e meio e depois desapareceu. — ele respondeu não tão mais descontraído como antes. Era por isso que ele era contido, ele fora abandonado pela mãe em um orfanato! — Era inverno, quase morri congelado na porta do orfanato... As mulheres que trabalhavam lá disseram que ela devia estar muito apavorada, porque esqueceu de tocar a campainha.
– Sinto muito por você — falei solidária e arrependida com a maneira que havia tratado ele tantas vezes. — Quando veio para a América?
– É complicado dizer, fiquei um ano em Chicago antes da universidade, aquele ano da explosão da Chase Memorial, desculpa tocar no assunto. — fiz descaso com a cabeça, dando um leve sorriso. — Eu cuidava da Liz enquanto fazia um curso de administração na Chase Memorial... Quando o curso terminou voltei para a Inglaterra e fiz a faculdade de advocacia e economia... Acho que faz dois anos que voltei para a América depois da faculdade.
– A Chase Memorial já havia explodido quando voltou para a Inglaterra?
– Não, voltei um mês antes do acidente. — ele falou tranquilamente. — Então eu conheci a Marie, nós fizemos faculdade juntos e eu cuidei dela quando ela ficou grávida e foi abandonada.
– Ele é um doce, apesar da decepção de não ter pais biológicos.
– Os adotivos são ótimos pais, sério.
– Quem são ótimos pais? — Percy questionou puxando a cadeira e se sentando ao meu lado. Sorri quando senti seu lábio contra a minha têmpora, relaxando com o toque. — Que seja, Dillon quase me deixou surdo de tanto que gritou dizendo que precisa da minha decisão urgentemente.
Eles começaram a conversar sobre negócios enquanto eu puxei assunto com Marie, que era realmente um doce e me deu várias dicas para dores e como cuidar do meu bebê, já que eu era mãe de primeira viagem e não tinha nenhuma figura materna para me dar apoio.
Ela contou que a filha dela tinha três anos, se chamava Katerina e que estava com o pai nesse fim de semana, provavelmente em algum parque de diversões ou zoológico das redondezas.
– Então, Annabeth, o bebê chuta muito? — Jason questionou cortando a minha conversa sobre roupas, sim roupas, com a Marie e me fazendo olhar rapidamente para ele.
– Não muito, ele tem seus dias — respondi com um sorriso brincalhão, desviando meu olhar do dele para a minha barriga.
– Qual o sexo? — Marie questionou olhando para mim com deleite.
– Desiste, ela não vai contar. Nem eu sei o sexo do meu próprio filho, ela é maligna quando quer — Percy fez drama, chamando a atenção de meia duzia de pessoas do restaurante. — Já tentei de tudo, tudo mesmo, eu juro.
– Faz greve de sexo que ela te conta na hora.
– Ele vai terminar a greve dois minutos depois de começá-la, acredite. — sorri convencida, recebendo um olhar incrédulo de Percy. — É a realidade, não vou me desculpar por ser sincera.
– Mas então Perseu Jackson é um grande safado? Me surpreende que você não tenha engravidado antes — John soltou uma gargalhada, fazendo Percy variar em diferentes tons de vermelho.
Dei um leve sorriso, acariciando o braço do meu namorado — mesmo que isso nunca realmente tenha se tornado oficial, o que não era um problema para nenhum dos dois. Ele relaxou o corpo pouquíssimo tempo depois, voltando a sua cor normal e dando o melhor sorriso sarcástico do mundo.
Eu odiava esse sorriso, mas tinha um motivo óbvio para isso: ele escondia e revelava várias intensões, o que me deixava intrigada. Em toda a minha vida eu odiei segredos e mentiras, até ela se tornar uma vida de segredos e mentiras.
– Não tinha como eu engravidar antes, nosso relacionamento começou pouco tempo depois do acidente de carro, que levou Cameron, meu ex-namorado, a morte. — disse calmamente, mentindo sobre quase tudo. — Ele foi um grande apoio para mim nesse período, estava com o coração pesado por causa da morte do Cameron, que era um amor de adolescência e ainda me recuperava do acidente de carro.
– Ouvi dizer que você saltou do veículo. — Marie comentou impressionada e eu concordei com a cabeça, apagando meu sorriso por completo. — Por que? Você por acaso sabia da bomba?
– Não, ela não sabia — Percy respondeu entrelaçando nossos dedos e me dando conforto.
– Cameron e eu estávamos discutindo a alguns dias por coisas, que hoje, são ridículas... Minhas tatuagens, as roupas que eu costumava usar e até mesmo se eu usava ou não maquiagem. — balancei minha cabeça levemente. — Aquele dia, dentro do carro no caminho de volta para Chicago da casa da mãe dele, as discussões saíram fora de limite e... Com medo dele, eu saltei, mas acabei batendo com a cabeça e desmaiei. Apenas me lembro de vê-lo perder o controle do carro, provavelmente assustado com o meu salto.
– E isso levou a morte dele. — John concluiu, tão desconfortável quanto eu sobre tal assunto. — Podemos mudar o assunto? Hoje era para ser um dia animado.
– Mas é um dia animado — Marie sorriu largo, enquanto eu sentia o polegar do Percy acariciar as costas da minha mão. — Annie, você vai deixar de ser socialite?
– Sinceramente? Eu não sei. — soltei um leve riso descontraído. — É complicado, antes da gravidez eu pensava em reabrir a Chase Memorial, mas eu acho que não quero ser consumida por uma empresa e deixar o crescimento desse bebê de lado... Mas eu também não quero ficar sem fazer nada, então irei continuar como socialite, todavia, irei selecionar os eventos mais importantes e também irei focar na organização de eventos. Eu fiz um memorial muito bom alguns meses atrás.
– É um ramo interessante — John se interessou pelo assunto. — Mas, desistiu tão fácil da Chase Memorial?
– Não foi tão fácil quanto eu fiz parecer, mais a realidade é que: por mais que eu seja boa no que faço, a Chase Memorial que eu fizer nunca será igual ou parecida, muito menos chegará perto, da Chase Memorial que Atena e Frederick fizeram a vinte e cinco anos atrás e que, infelizmente, desapareceu com a catástrofe de sete anos atrás. — respondi calmamente para ele. — Eu nunca serei tão boa quanto Atena Minerva Chase foi. É essa a realidade.
– Se você tentar, você pode ser melhor que ela em outros aspectos. — ele disse e rapidamente mudou de assunto, chamando a atenção do Percy para o resultado de um jogo de beisebol.
Não, eu não via aspectos em que eu poderia ser melhor que a minha mãe, ela era boa em exatamente tudo o que ela fazia. Ótima filha, número um em tudo o que participava, foi uma ótima mãe para mim. Ela era ótima, não boa, mas então, por quê diabos eu estava com uma pulga atrás da orelha?
Não era nada, isso tudo era ridículo e besteira. Eu conhecia a mãe que eu havia tido. — disse a mim mesma, sentindo um chute do bebê.
Estamos fora de perigo, tudo havia acabado e recomeçado.
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