If this is to end in fire. Then we should all burn together. Watch the flames climb high into the night. Watch the flames burn over on.

Já sentiu como se tudo o que você mais odiasse na vida aparecesse na sua frente e se recusasse a se retirar, barrando sua mente e te deixando ainda mais irritada com isso, te fazendo perder o controle?

Eu me sentia assim agora, encarando a Hebe, vendo ela morrer aos poucos aos meus pés. Simplesmente não conseguia explodir seus miolos sem lembrar do meu ódio irracional por ela, porém eu tinha que ser rápida, era questão de tempo até o Hipnos aparecer aqui.

– Não... Me... Não... Por... Favor... Não — ela gaguejava com sangue saindo dos seus lábios, respirei fundo e apertei o gatilho, mantendo meus olhos fixos nos seus olhos violetas quando soltei o mesmo e a bala voou em direção a sua cabeça, explodindo seus miolos. Mais dois tiros e eu tinha a certeza absoluta de que ela estava morta.

Caminhei até a cama e abri a minha maleta, pegando os silicones e precionando eles na arma, deixando a digital de Hipnos ali, então joguei a arma no pé da cama e peguei o cilindro de nitrogênio, tirando os espermatozoides dali e os espalhando pela cama bagunçada. Por fim peguei o sangue e caminhei até o corpo morto de Hebe, espalhando o sangue por todo seu braço e clavícula.

A mensagem de Nico chegou no mesmo momento em que tirei minha máscara e passei pelos fundos da casa do Hipnos, as câmeras voltariam a funcionar em alguns minutos, então corri até o meu carro e entrei lá, ligando ele e dando partida no mesmo, sem olhar para trás. Ninguém havia mê visto, atrás da casa havia nada menos do que nada, era apenas um terreno aberto.

– Matou?

– Sim, também implantei as pistas — disse tirando as luvas pretas que usava, jogando elas no banco do passageiro — Nico, eu vou chegar ai em dez minutos, não deixe ninguém ir até o estacionamento.

– Por que?

– Não é todo dia que vemos alguém sair de um carro com luvas, uma maleta e com roupas pretas — arqueei minha sobrancelha, mesmo sabendo que ele não estava me vendo. — Depois nós nos falamos.

❤

Empurrei a porta do ateliê com delicadeza, olhando para o lugar mais uma vez e tendo a sensação de que estava fazendo a coisa certa. Já havia se passado dois meses desde a última vez que vim aqui e eu sabia que precisava disso, tinha um significado para mim, assim como as luas e os pássaros.

Dizem que depois da primeira tatuagem você sente a necessidade de fazer mais outras, como um vicio, mas não tinha a necessidade de fazer outra por que eu estava com vontade de sentir a agulha passando na minha pele, tinha a necessidade de fazer outra pois eu queria esse significado em mim.

– Olá — sorri para a Clarisse, tendo a visão da tatuagem nos seus ombros nus pela regata. Não estava calor, mas também não estava frio, era a primavera chegando.

Era uma coroa com uma espada passando nela e saindo do outro lado, não era colorida, era com tinta preta e eu acho que eu sabia o significado dessa coroa para a Clarisse.

Nao eramos amigas na época de escola, mas no baile, o mesmo baile em que o carro pegou fogo comigo dentro, ela concorreu junto com um garoto para rainha e perdeu para Rachel. Aquilo significava muito para ela, então a coroa significava a perda do baile e a espada atravessando ela significava que ela havia superado aquilo.

– Olá, Annabeth — ela deu um sorriso pequeno, se apoiando no balcão de maneira tediosa. — Veio rabiscar novamente?

– Sim.

– Uau, até você é mais corajosa que o Perseu — ela gargalhou alto — Mas sinto lhe informar que o meu pai não está e é ele quem faz as tatuagens, eu só aplico os piercings...

– Sério que não sabe tatuar nada? — fiz um careta, decepcionada.

– Eu até sei, mas meu pai que é o fodão com as tatuagens grandes — ela deu de ombros, folheando a pasta de tatuagens. — O que você quer rabiscar?

– A Triskle, o símbolo celta...

– Para o passado, presente e futuro. Nascimento, vida e morte — ela ampliou seu sorriso, levantando a regata e tirando ela, ficando apenas o o top e virando de costas, aonde ela tinha uma bem grande no centro das costas — Para mim significa amor, ódio e ciúmes... O que a sua iria significar para você?

– Além dos significados oficiais dela e o que a sua significa, a minha também iria significar equilíbrio, controle e emoção — dei de ombros — Sobrenatural, natural e sonho.

– Legal — ela disse com os olhos brilhando enquanto vestia a regata novamente, então me encarou — Aonde quer tatuar?

– No pulso — respondi por fim.

– Vamos, eu sou capaz de fazer isso por você — ela sorriu folheando com mais rapidez a pasta e arrancando de lá o desenho com várias triskles, de diferentes tamanhos.

Segui ela até a sala em que fiz as duas tatuagens e me sentei na mesa, e não na maca, de frente a ela, enquanto ela passava rapidamente o desenho de uma triskle para um outro papel.

Sempre soube da arte de desenhar que a Clarisse tinha, naquela época eu já sabia que o pai dela era tatuador e naquela época ela já andava com piercings no nariz e na língua pela escola. Quando me mudei para Londres a Thalia também tinha alguns piercings no nariz e na orelha, mas quando entrou na faculdade, um ano antes de mim, ela já havia arrancado tudo e feito sua primeira tatuagem na parte interior do braço. Eram duas penas que acabavam em pássaros voando e se juntando até o seu cotovelo, segundo ela significava que tudo era passageiro, que as penas iriam cair e os pássaros iriam embora um dia.

Hoje eu via a razão disso, ela era apegada demais a família e quando ela tomouna decisão de vir comigo ela viu que estava criando uma maneira de andar com as próprias pernas, sem a intervenção dos seus pais, que ela poderia tomar as próprias atitudes e cometer seus erros... Mas ela também viu que estava deixando uma parte dela para trás, a parte da menina indefesa que ainda queria a proteção dos pais. Eu, de alguma maneira, nunca senti isso, nunca tive a necessidade de que estava perdendo uma parte de mim, eu já havia me perdido por completo e então havia renascido das cinzas, como uma fênix.

– Sabe, a Rachel não demorou para achar uma substituta para o seu lugar depois que você se foi — Clarisse falo me despertando do meu devaneio — Ela não era muito diferente de você, magrela com cabelos loiros e os olhos azuis assustados...

– Meus olhos são cinzas — falei encarando a agulha que passava pelo meu pulso, correndo o desenho.

– Eu sei, mas a sua família era a única com olhos cinzas de Chigaco, acho que você é a única dessa cidade que tem olhos cinzas, além dos cegos, é claro — ela revirou os olhos — Mas o que estou tentando dizer é que: deu a perceber que a Rachel queria você ainda, ela fez de tudo para a menina se parecer o máximo possível com você... O nome dela era Stella Martin, foi embora da cidade para a faculdade na Califórnia e nunca mais voltou.

– Interessante — disse sem grandes emoções. — A Rachel fez da vida de muita gente um inferno depois que me fui?

– É óbvio que sim, até a Calypso sofreu na mão daquela louca — ela falou encarando o desenho enquanto passava a agulha — Ela teve uma crise de loucura, alucinações sabe? Ficou um tanto agressiva e vivia se fazendo de vítima, até pessoas que ela nunca viu na vida pagaram pelas loucuras dela. Foi terrível.

– Imagino — dei de ombros, sorrindo por ver que isso estava indo mais rápido do que eu esperava — E você?

– O que tem eu?

– Como ficou com tudo isso?

– Na minha, ela não queria mexer com quem mexia com ela — ela deu um sorriso sarcástico — Depois fui para a faculdade de artes e agora trabalho aqui com o meu pai, acho que irei assumir essa galeria quando ele se aposentar da vida de tatuador.

– Você leva jeito para tatuagem, a minha está ficando incrível! — não menti, realmente estava incrível. — Devia dar mais crédito a você mesma, sei lá, pegar algumas tatuagens maiores sabe? Assim irá conseguir mais.

– Eu estou indo aos poucos, quando digo tatuagens maiores, são tatuagem que cobrem toda a pele, me entende? — ela sorriu de maneira compreensiva — Como tatuagens nas costas toda...

– Não são feitas em sessões? — perguntei enquanto ela limpava a minha pele, dando fim na tatuagem. Ela me encarou e concordou, se levantando e trocando a agulha e a tinta, depois pegando um desenho já pronto e se sentando na minha frente novamente.

– Como já disse, estou indo aos poucos — ela falou começando a passar a agulha pelo braço, fiquei ali vendo o que ela fazia, até perceber que ela estava tatuando três estrelas no pulso. — É a primeira tatuagem que faço em mim mesma, meu pai tem um monte nos braços dele que foi feita por ele mesmo.

– Por que três estrelas?

– São apenas estrelas, nem toda tatuagem precisa ter um significado específico no momento, as vezes você acha ele depois — ela disse enquanto terminava de preencher a última, eram tão pequenas que foi rápido de se fazer. — Rachel já veio aqui fazer uma tatuagem... Faz umas duas ou três semanas que isso aconteceu, eu mesma tatuei para ela.

– Estaria pedindo muito se me dissesse o que era?

– Não, nada é confidencial aqui — ela riu limpando a sua pele e então se levantando. Segui ela até o saguão de entrada, ela foi para trás do balcão e eu retirei meu cartão da bolsa, para pagá-la. — Foi uma frase abaixo do seio esquerdo, ela disse que era apenas uma frase, mas no fundo tinha algo a mais, eu sabia que tinha... Era assim "A maior arma que alguém pode usar contra nós mesmos, é a nossa própria mente."

A maior arma que alguém pode usar contra nós mesmos, é a nossa própria mente. Claro, a Rachel queria deixar gravado nela mesma quando se apoderou da minha mente frágil e fez parecer que eu queria morrer, pois ela me queria morta e usou essa arma contra mim: a minha mente. Agora era a minha vez de revidar.

– Interessante — disse por fim, digitando a minha senha — Deve haver algum significado especial para ela, mas não sabemos qual é.

Ela concordou folheando o catálogo mais uma vez, pisquei tentando entender a reação dela, então por fim guardei meu cartão na minha bolsa novamente e dei mais uma olhada na minha tatuagem. Triskle, para muitos representam o passado; presente e o futuro, mas para vim representava as três fases da minha vida: dócil; ingênua e vingativa, mas não iria deixar isso claro para a Clarisse.

– Espere! — ela falou quando comecei a caminhar para a porta — Percy também esteve aqui... Sei que disse que era mais corajosa do que ele por fazer outro rabisco tão rápido, mas ele tatuou a letra japonesa para lealdade a uns três dias.

– Por que está me contando isso?

– Eu não sei, mas enquanto eu fazia a tatuagem dele, ele falava ao telefone e disse algo assim: "A família da Rachel já tirou as minhas irmãs, não irei deixar ela tirar meus pais de mim também. Eu irei fazer isso primeiro com ela." — Clarisse me encarava receosa — Eu acho que ele vai matar os pais da Rachel.

– Não, ele não vai... Ele apenas tem vontade, me entende? Ele não quer mais se casar com a Rachel, mas nessa cidade é tudo um jogo de poder e os pais da Rachel querem ganhar, Percy é apenas uma peça.

– O que quer dizer com isso?

– O casamento é faixada, não se assuste se o Percy aparecer morto após o casamento, Rachel afirmou que iria casar com ele por causa do dinheiro e que depois iria dar um jeito de ficar com tudo — me virei para ir embora, dando passos elegantes até a porta. — Eu só tenho a impressão de que a elite de Chicago irá cair e se tornar cinzas. Isso já começou.

Empurrei a porta e sai na direção do meu carro, sem olhar para ver a reação da Clarisse, não queria saber. A elite iria cair, iria queimar e se transformar em cinzas nas minhas mãos, eu sabia que não adiantava eu jogar o carvão quente em cada um deles, eu acabaria me queimando, mas se eu desse a gasolina e o esqueiro, eles se queimaram por si só.

Eu era a faísca no meio da queimada, era apenas o começo e tinhana certeza absoluta de sairia ilesa dessa queimada, não fazia parte da elite, não dá elite de Chicago. Eu era apenas a socialite londrina que veio passar uns tempos em solo americano.

Eu tinha que ir mais fundo com isso, já fazia quase quatro meses que estava aqui e apenas tinha removido três peças do jogo, era muito pouco e a festa de noivado da Rachel seria em algumas semanas... Precisava da confiança do Cameron, do desejo do Percy e do sangue ao meu redor. A brincadeira acabou, agora é fogo.

Notas finais
Letícia Lerman amor da minha vida, capítulo totalmente dedicado a você! Sim, sua recomendação linda me fez postar mais cedo ♥ Quanto aos meus outros leitores, isso me define em uma palavra: decepção. Cheguei a seguinte conclusão: Não sei quantos capítulos FS terá, havia dito a uma leitora que teria de 25 a 30, mas agora eu vejo que provavelmente terá bem mais do que isso. Mas a minha decisão é: Ou eu termino Fire Starter com no minimo 700 comentários ou não vou fazer a segunda temporada, que será, sem duvida nenhuma, tão foda quanto essa. Sei que alguns fantasmas apareceram, pode ter conflitos melhores e também digo: Se não tiver segunda temporada, o Percy morre, sem brincadeira alguma. Vocês querem Percy e Annabeth juntos? Querem ver os fantasmas do passado da Annie? Querem ver os mais novos conflitos e um possível bebê salvador da pátria? Comentem. 700 até o final ou goodbye Percy. A decisão está na mão de vocês e eu detesto ter que fazer isso, mas é necessário.