Fire Starter
32 Gone Too Soon
You changed my life. I hope you know. Cause now I'm lost. So unprotected. In a blink of an eye. I never got to say goodbye. You were gone too soon. You're part of me.
Passei minhas mãos pelo meu rosto, olhando mais uma vez para a papelada na minha frente e sentindo falta de quando eu era apenas advogado e não um CEO, eu tinha menos compromissos pelo EUA inteiro, tinha menos reuniões estressantes e também não tinha tantas dores de cabeça.
Eu fiquei cerca de dez dias em Boston, tento reuniões e mais reuniões para discutir dividas de filiais, a troca de diretores na filial de Boston e para assinar um monte de papéis.
Meu pai havia me avisado que seria assim, agora tudo tinha que conter a minha assinatura e as viagens estavam apenas começando.
Por um lado isso foi bom, me afastar de Chicago consequentemente me afastava dela, o que deixava as coisas melhores e piores. Já era ruim o suficiente odiá-la e amá-la ao mesmo tempo, sobre tudo morar no mesmo prédio que ela, mas as vezes parecia que a distância era a pior parte.
– Sr. Jackson? — Marlee me chamou, me fazendo levantar o meu rosto da pilha de contratos. — Já são sete horas, estou indo.
– Tudo bem, Marlee, eu irei terminar de assinar esse papéis e já irei também — dei um sorriso falso para ela. A mesma concordou e se preparou para sair. — Você consegue para amanhã a lista de todos os diretores que já passaram pela filial em Boston? Simplesmente não entendo porque nenhum diretor consegue parar lá por mais de dois anos... Se isso continuar, o correto vai ser fechar a filial.
– Ela realmente não dá muito lucro, Sr. Jackson, e sim, eu consigo — ela deu um sorriso gentil. — Boa noite, chefe.
Ela se virou e fechou a porta. Olhei mais uma vez para o contrato para um novo diretor para a filial e pensei no que Marlee havia dito, se ela dava um lucro tão baixo, quase nulo, e tinha tantas dívidas, eu estava correto em fechá-la. Poderia distribuir os funcionários por outras filiais, para que, pelo menos uma boa porcentagem, não ficassem sem empregos.
Era um assunto delicado e eu não podia decidir e chegar a uma conclusão quando, tudo o que eu mas queria, era voltar para o meu apartamento e tomar banho. Eu mal havia colocado os pés no aeroporto de Chicago quando me ligaram avisando da reunião de emergência, então meu destino foi direto a empresa.
Guardei os papéis dentro da pasta e a enfiei na segunda gaveta, jogando meu corpo para trás e deixando um suspiro escapar dos meus lábios.
Fechei meus olhos por um segundo, lembrando das mãos habilidosas de Annabeth em meus ombros, relaxando meus nervos. Me recordei da primeira vez que ela havia feito isso, de maneira ousada e inconsequente, me provocando. Ela sabia o que fazia, quando fazia e porque fazia, mas o que me deixava irritado com ela era o motivo pelo qual ela fazia.
Vingança, era isso que ela queria desde o início. Tantas vezes ela falou comigo, tantas vezes eu a tive do meu lado e tantas vezes ela pode contar tudo na maior tranquilidade, antes que eu me apaixonasse por ela. Mas ela escolheu guardar segredo e então contar no momento em que achei que tudo estava bem.
Me levantei da cadeira de couro, vendo Chicago escurecer e o seu céu em diferentes tons de azul, até o mais claro, no horizonte. Peguei as minhas coisas e sai do meu escritório, vendo a recepção vazia, chamei o elevador e esperei ele chegar, olhando para o nada e tentando não pensar em tudo.
Não era exatamente hora do rush, mas as ruas estavam movimentadas e em certos pontos existia um pouco de congestionamento. Não foi grande coisa, algo que me atrapalhasse demais, ainda havia conseguido chegar em casa em quarenta minutos.
No elevador quase apertei, novamente, o andar errado. Havia me acostumado a ir direto para o apartamento dela, e agora estava sendo complicado desapegar desse costume. Mas eu não tinha outra opção.
Nico estava em casa, trabalhando em seu laptop, com sempre. Dessa vez ele não se importou em perguntar com foi a viagem ou se eu tinha resolvido meus problemas, ele murmurou um "Oi" seco e continuou a digitar furiosamente.
E quando eu voltei para a sala, depois do meu banho, as coisas só tinham piorado mais ainda. Hera andava de um lado para o outro, passando hora ou outra as mãos pelo cabelo louro. Thalia estava sentada no sofá, balançando as pernas rapidamente e com o seu celular no ouvido, murmurando "Atende" a cada segundo, seguidamente.
– O que aconteceu? — Perguntei quando Nico impediu Thalia de jogar o celular na parede.
– Ela sumiu, desapareceu! Não atende o celular, não usa o cartão de crédito e muito menos aparece em público... A Annabeth virou um fantasma no mapa.
– Ela foi embora? — questionei sentindo o chão sumir dos meus pés.
– Antes fosse... Se ela estivesse em Londres estava bom, mas esse é o problema, ela não está lá — Hera se virou para mim. Era visível a sua preocupação com a sobrinha. — A última vez que ela foi vista, foi a três dias atras, em Vancouver.
– O que ela iria fazer em Vancouver? Tinha algum evento lá?
– Não, não tinha nada lá — Thalia bufou se jogando para trás.
– Já pensaram em ir até lá? — perguntei dando de ombros, indo até a cozinha. O que ela estava fazendo no Canadá?
O silêncio foi carregado e eu me virei para ver o que tinha acontecido. Thalia encarava o chão e a sua mãe voltará a andar, enquanto Nico ainda batia os dedos no teclado rapidamente.
Peguei um copo d'água para mim e bebi tudo rapidamente, tentando ver o lado bom daquilo. Ela havia ido embora, cedo demais, antes do que eu queria, mas ela havia seguido a sua vida, da mesma maneira que eu não deixei a minha parar naquela noite.
– Ela acabou de usar o cartão — Nico soltou um suspiro — Ainda está no Canadá, em Vancouver... Que horas são lá? Quatro? Cinco?
– Seis — Thalia murmurou olhando para seu relógio e fazendo as contas do fuso horário de Chicago para Vancouver. — Por que?
– Ela deve estar indo em algum lugar importante... Comprou um vestido de quatrocentos dólares para ela e também comprou uma boneca infantil — ele franziu o cenho, olhando para a tela do laptop. — Ela conhece alguém com criança lá?
– Não sei... Annabeth tem muitos segredos, ela conta grande parte deles para mim, mas tem coisas que só apenas ela sabe — Thalia disse olhando para a mãe. — Ela tem parente paterno lá?
– Não, eu acho que os tios dela se mudaram para Toronto a cerca de dois anos, mas não tenho certeza. E, bem, não me lembro se eles tem crianças em casa, além do Magnus, que já deve ter uns dezessete anos e eu tenho certeza que é um homem. — ela respondeu se sentando ao lado da filha. — Se ela está fazendo compras, ela está bem.
– Mamãe, você sabe que ela não está bem — Thalia foi perdendo a voz. — Os desmaios pararam um pouco, as tonturas também e ela me deu certeza de que estava bem... Mas, desde o acidente com o carro, ela não é mais a mesma.
– Os exames dela estavam ótimos, amor, ela está bem — Hera revirou os olhos.
– Até quando ela vai ficar bem? Ela já foi viciada uma vez, ela já foi suicida uma vez e ela já ficou louca uma vez... O que nos garante que ela não está tendo crise emocional novamente? O que nos garante que ela não está do mesmo jeito que estava com dezesseis anos? — algumas lágrimas caíram nas bochechas da Thalia, e ela não se importou e limpá-las. Mas ela me encarou, como se eu fosse o culpado pelo surto de loucura da Annabeth. — Podia ter sido menos grosso com ela, podia ter pedido um tempo para ela... Seria muito mais fácil para ela suporta desta maneira do que do jeito que você fez.
– Thalia, Annabeth nunca gostou de coisas fáceis — murmurei, me lembrando das suas próprias palavras. "O que é fácil é patético, e eu não quero uma vida patética." — E não me culpe por isso...
– Eu me culpo por isso! Eu dei a ideia ao meu pai que falou sobre isso na cabeça da Annabeth até ela se cansar de ouvir e dizer sim! Fui eu, Percy, eu sou a culpada de tudo, ela simplesmente aceitou porque estava sem paciência de tando ouvir. Ela tinha um objetivo de vida, ela ia reabrir a Chase Memorial em Londres, iria fazer a empresa crescer de novo, ela ainda era doce e sensível... Ela não queria ter que voltar para Chicago, mas eu e o meu pai ficamos falando na cabeça dela como discos arranhados... Atena e Frederick não criaram a Annabeth para se vingar... Eles criaram ela para fazer o que é certo, o que é justo, sincero e leal, mas não para ser tão sangue frio como meu Pai a moldou com a ajuda do FBI.
– Eu não conheço essa Annabeth doce, sensível e sincera de quem você está falando...
– Conhece sim! Ela era ela mesma com você, atrevida ao jeito natural dela, sensual como ela sempre foi, mas escondeu... Você podia não ver, ela podia não ver, mas eu via — Thalia diminuiu o tom de voz, me olhando por cima dos seus cílios. — Você ter desistido dela a fez desistir dela também.
Cruzei meus braços, fingindo não ter me afetado com as palavra dela, com o seu tom de voz cortante ou com o seu olhar magoado.
Dei de ombros, indo na direção da porta e ouvindo a Thalia bufar, mas não me importei, continuei caminhando até o elevador e entrei ali. Apertei o andar da cobertura e me encostei no metal gelado, contando até o elevador parar três andares acima.
Procurei a chave que abria a porta e a coloquei na tranca, girando até ela estar destravada. O apartamento estava escuro, mas não precisei acender luz alguma para ir até o quarto dela e perceber que ele estava vazio.
Não totalmente vazio, Danger estava deitado encarando a cama de maneiras fixa, piscando hora ou outra. Ele me viu, mas não pareceu se importar com a minha presença, ele também me culpava pela ida de Annabeth.
O que eles queriam que eu fizesse? Eu havia agido sem pensar na hora, ou nos últimos meses, mas não conseguia entender porque ela tinha que matar para honrar os pais dela.
Me sentei ao lado do Danger e acariciei seu pelo, enquanto pensava nas palavras da Thalia sobre tudo o que levou Annabeth a aceitar fazer aquela loucura, de como ela tinha medo da prima voltar a ser o que era e de como ela sabia que a Annie, a minha Annie, não estava estável.
Eu não sabia mais o que achar sobre essa história de vingança. Eu não sabia o que a Annabeth achava sobre isso, afinal, a única coisa que fez ela levar esse plano adiante foi a insistência da Thalia e do seu tio.
Me levantei, assustando Danger que não esperava o meu gesto e fui na direção do closet dela. Estava tudo no lugar, grande parte das suas roupas estavam ali, incluindo seus vestidos de festa, como o da Dior que me fez ouvir muito da Rachel no dia em que a Annie usou ele, a meses atrás. O vestido que ela usará no natal também estava ali, protegido por uma capa transparente como todos os outros. Continuei a passar meus olhos pelos vestidos, todos eu já quis rasgar pelo menos uma vez, mas ela nunca deixava.
Fiquei um longo tempo encarando as suas coisas organizadas. Os vestidos iam dos tons frios para os quentes, consequentemente terminando no último vestido longo que ela usou, o vestido vermelho e ousado da minha festa de promoção.
O vestido azul do meu noivado falho também estava ali, eu lembro de como ele era longo no corpo pequeno dela. Mas era justo demais, marcando tudo o que ela tinha de curva no corpo, cobrindo os seus pés e fazendo ela ficar segurando a barra do vestido para não cair ou então, para que ninguém acabasse pisando.
Ela mesma havia dito que a sobra ao redor dos seus pés era um charme.
Caminhei até a parede falsa do espelho e empurrei ele sem dificuldade, vendo a Caixa Da Lua lá, fechada e provavelmente vazia, ela havia queimado tudo na minha frente. O tabuleiro de xadrez também estava lá, com as suas peças guardadas dentro de uma caixa de vidro, de maneira organizada e, ao lado da caixa existia um álbum grande.
Puxei ele, imaginando ser o álbum que o tio dela havia entregado, então recordei que aquele álbum e os outros estavam na delegacia, armazenados e guardados como provas de um crime que realmente aconteceu.
Além do mais, aquele álbum era diferente, branco com detalhes finos em dourado, com fios de ouro. Sem exitar eu o abri, vendo uma foto grande da mãe da Annabeth grávida, sobre o plástico de proteção da foto, estava algumas manchinhas parecida com manchas de água, imaginei Annabeth chorando ao ver este álbum, então continuei a folhear ele.
Tinha um punhado de fotos, em diferentes fazes da vida de Annabeth. Ele era grande, tinha algumas fotos parecidas com a foto do porta retrato da Casa do Lago, da Annabeth com a sua família na Disney e, quando a última foto apareceu, com a álbum ainda por finalizar, Annabeth deveria ter uns quinze anos, ou menos, estava fantasiada e provavelmente iria comemorar o Halloween.
Ela havia me dito que adorava o Halloween.
Meu celular vibrou com um sinal de mensagem, me assustando e quase me fazendo derrubar o álbum. Tirei ele do bolso e abri a mensagem, ficando surpreso ao ler ela.
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