And I just ran out of band-aids. I don't even know where to start. 'Cause you can't bandage the damage. You never really can fix a heart.

Mordi meu lábio, revesando meu olhar entre os olhos da mulher a minha frente e a minha xícara com chá gelado. Chá me lembrava das formidáveis tardes que a minha tia passava me ensinando etiqueta de maneira rígida, afinal, chá da tarde é muito formal na Inglaterra e eu era uma adolescente que dormia a base drogas.

– Ainda me pergunto o por que aceitei me encontrar com uma completa estranha, quando deveria estar me preparando para ir buscar minha filha na escola — Chloe bufou, sem perder os modos, deixando sua xícara com café puro sobre o piris.

Durante esse meio tempo em que eu fiquei dividida entre a minha vida e o meu amor pelo Percy, passei a pesquisar mais sobre o seu passado e sobre a irmã morta e desaparecida do mesmo, descobrindo através da ajuda de um detetive particular que Chloe Jackson estava viva, morando em Vancouver e ela seria meu presente de agradecimento ao Percy por nunca contar a ninguém sobres os crimes que cometi, talvez no fundo ele soubesse que eu nunca queria ter me tornado ruim, mas eu escolhi o caminho errado e agora estava procurando a volta para casa da maneira mais desesperada.

Eu não podia ter começado isso.

– Você tem os olhos da Sally — soltei, por fim, um suspiro, percebendo os ombros dela ficarem tensos e seus olhos verdes escuros lacrimejarem. — Tem pouca traços do seu pai, diferente do Percy.

– Conhece toda a minha família?

– Sim... Conheço mais uns do que outros, mais eu sei, eles sentem a sua falta, sempre irão sentir... É difícil de se esquecer alguém que nos amamos — minha voz foi se perdendo conforme eu falava. Eu queria poder chorar, mas não podia deixar minhas fraquezas aparecerem durante o dia. — Sua mãe era uma grande amiga da minha, as duas fizeram a faculdade juntas.

– Columbia — ela concordou séria. — Queria poder dizer a eles que estou viva, que estou bem e que também sinto falta deles... Mas eu não posso, eles não deixam, se eu ousar colocar o meu pé em New York ou em Chicago, eles me matam e matam a minha família... Eles deixaram bem claro que seria um massacre caso isso acontecesse.

– Eles já fizeram esse massacre... Eles mataram a minha família, atentado terrorista, explosão do Chase Memorial — controlei mais ainda meu emocional — E não foi apenas a minha família, várias outras famílias foram destruídas na explosão e eles conseguiram se esconder por mais de sete anos.

Um tornado de lembranças repassou pela minha mente. Anos perdidos, corações partidos e a dor de saber que nunca mais teria aqueles que mais amava... Os Dare haviam matado a minha família, matado a mim e me transformado na última pessoa que um dia imaginei me tornar.

– Eu soube da explosão — Chloe soltou um suspiro decepcionado — Não imaginava que havia sido com você... Faz tanto tempo.

– Quase a mesma faixa de tempo em que você não vê a sua família — olhei para o meu chá, que já não se parecia mais tão saboroso assim. — Eles não irão mais machucá-la, o império dos Dare caíram, já que pai e filha estão na cadeia e a mamãe do mau foi conhecer o inferno... Eu me tornei alguém ruim por causa deles, mas acabei conseguindo colocar eles e todos aqueles que colaboraram para todo o mal que eles causaram. Não fiz apenas por mim, fiz por aqueles que não existem ainda, por aqueles que já se magoaram ou viviam em chantagem diária por causa deles e também por causa daqueles que partiram pelas mãos deles. Eu não gosto nem um pouco da pessoa que eu me tornei, mas uma pessoa da sua família me fez enxergar na escuridão. Ela foi como glitter para o mundo preto-e-branco em que eu vivia, como a luz no fim do túnel e eu a decepcionei no final.

– Criasor ou Percy? — ela arqueou a sobrancelha, da mesma maneira que Percy fazia. — Foi um dos dois, pelo colar, eu sei... Era da minha mãe, se olhar atrás tem uma frase parecida com "I will I love you unconditionally..." foi meu pai que deu para a minha mãe quando eles se casaram, seria repassado para aquele que tivesse um amor real, que a minha mãe sabia que iria ser intenso, todavia difícil, como uma corda bamba, mas ele seria real.

Toquei o colar com as pontas do dedos, deixando os meus olhos se encherem de lagrimas, mas não permitindo que elas caíssem. Sally havia me dito uma vez que sabia que o Percy não amava a Rachel, então havia dado o colar para ele depois e, poucos dias antes da nossa ida para a casa do lago ele havia me dado o colar.

Nunca havia reparado na frase que existia atrás dele, mas eu sabia que de alguma forma tinha algo a mais. Ele tinha o formato de uma gota caindo, com algumas safiras e era de ouro branco. Nunca virá nada parecido com ele, era lindo e diferente.

– Posso ver? — Chloe pediu, estendendo a palma de uma das mãos. Concordei com a cabeça, levando meus dedos até a minha nuca e tirando ele do meu pescoço, mas logo senti a falta de tê-lo ali, fazendo companhia para a minha Lua e para o pequeno botão de diamante que eu tinha com gargantilha. Era apenas um botão de diamante.

Ela começou a analisar o colar, passou o dedo por ele e deixou um leve sorriso tristonho se formar nos seus lábios cheios. Ela era linda, tinha o mesmo tom de cabelo que a Sally e o Percy, um preto tão escuro quanto o petróleo, mas também tinha alguns reflexos vermelhos nos fios. A pele dela era clara, os cílios eram longos e o rosto tinha um formato de coração.

Chloe podia ser facilmente uma réplica da deusa da beleza e juventude.

– Hm... Isso é interessante — ela disse sorrindo, virando a gota na minha direção e mostrando que ela estava aberta.

Ali dentro tinha uma foto minha com o Percy, uma foto que fora tirada a tanto tempo que nem me lembrava mais. Ela foi tirada na noite do dia dos namorados, eu me lembro perfeitamente que naquele dia ele havia levado Rachel para almoçar em um restaurante que a mesma gostava e depois, no final da tarde, ele aparecerá no meu apartamento. Aquela havia sido uma das várias noite em que tive o meu rudeboy comigo, e, quando estava quase dormindo, ele exigiu que tirássemos uma foto juntos.

Ela havia parecido ridícula na época, mas agora era linda. Ele estava atrás de mim, batendo a foto com a câmera frontal do celular, tinha um sorriso largo e aberto, com os olhos esmeraldinos brilhando. Eu tinha a minha pele limpa de qualquer maquiagem, com meus cachos caindo em um dos meus ombros e um sorriso tão largo quanto o dele, eu me lembro que tinha sorriso de verdade naquela noite. Os meus pássaros do meu ombro estavam visíveis na foto, porque a alça da minha camisola havia caído.

– Foi o melhor dia dos namorados da minha vida — murmurei deixando algumas lágrimas caírem. Chloe sorriu gentil, olhando para a foto, provavelmente para o irmão e então prendendo a respiração.

– Imaginei que fosse o Percy, Sally não é a mãe do Criasor — ela disse fechando a gota e me devolvendo o colar. — Formam um casal bonito.

– Eu magoei seu irmão, ele desistiu de mim e bem, nunca realmente chegamos a ser um casal — acariciei a gota com a ponta do dedo. — Eu amo ele, amo tanto que me colocaria na frente da morte por ele. Eu já me vi na frente da morte várias vezes, Chloe, sempre sobrevivi, mas era por mim. Nunca achei que um dia iria amar alguém, eu não queria, não queria ninguém sofrendo por mim. Mas o seu irmão mudou todas as minhas perspectivas, mudou toda a história que eu escrevi para mim ao longo dos anos... Ele me fez amar, não digo que ele trouxe de volta a Annabeth Chase de sete ou oito anos atrás, porque ela morreu, mas ele mudou a pessoa que eu havia me tornado hoje. Não sou mais a Annabeth Chase de oito meses atrás, a garota que queria vingança pela morte dos pais, que acabaria com qualquer um que entrasse no seu caminho, uma garota fria e sem compaixão. Ele me fez ser capaz de amar outra pessoa, me fez querer ter todo aquele clichê idiota de felizes para sempre... Ele me fez querer uma família de novo, mas eu estraguei isso e eu acho que nada poderá concertar.

Respirei fundo, não querendo chorar mais ainda. Era doloroso dizer aquelas palavras que rondavam a minha mente e o meu coração a dois meses em voz alta, era como voltar a noite em que nós dois terminamos e pedi para arrancarem o meu coração.

– Volta para a sua família, mostra para os seus pais e para os seus irmão que você foi capaz de ser feliz, conta toda a verdade para eles. Chloe, eu sei que eles vão adorar recebê-la, eles a amam — coloquei meu colar no meu pescoço mais uma vez, disposta a nunca mais tirá-lo dali. — Eu sei que você sente falta, que quer que a sua filha conheça os avós, os tios e saiba que a mãe dela tem uma família, não prive ela disso, pois um dia meus filhos serão privados disso, não tenho pais e muito menos irmãos. Eu sei que os meus pais me amavam, que eles olham para mim e que as vezes querem me ajudar, as vezes, tudo o que eu quero é o abraço apertado da minha mãe, poder chorar no seu peito por causa da dor que estou sentindo agora e ouvir seu concelho. Eu sei que você também quer isso, então corra atrás, eles também vão partir um dia e eu não quero que você se corroa por dentro por não ter feito nada a respeito. Eu me corroí, não é agradável, não é fácil e é muito doloroso.

Ela encarou os dedos, aflita. Eu havia pegado pesado, mas também havia sido sincera com ela, pois essa era a realidade. Posêidon e Sally também iriam partir um dia, eles mereciam partir sabendo que tinham uma filha viva, que tinham uma neta e que ambas estavam feliz ao lado do homem que uma chama de marido e a outra de pai.

Mesmo com toda a confusão, mesmo sendo privada de ir atrás da sua família, Chloe encontrou o seu verdadeiro amor. Ela teve um casamento, ela criou a sua filha e se formou na faculdade, ela fez a vida dela a maneira dela, mesmo longe da sua família e mesmo sentindo falta.

Eu admirava isso nela. Eu queria ter tido essa opção também, eu preferia ter me afastado dos meu país, ter sido sequestrada a ter eles mortos de maneira tão rude e ignorante. Eu queria poder te colocado a vida deles na frente da minha, mas não tive essa opção.

– O que me garante que o massacre não irá acontecer?

– Eu perdi o seu irmão para fazer jus ao nome dos meus pais e isso incluía acabar com os Dare. Já te disse, Rachel está em uma prisão de segurança máxima, assim como o pai dela, sem contato com o mundo daqui de fora, eles pegaram a pena máxima, eu vi essa pena ser dada sem nenhuma chance de reversão ou diminuição... A Sra. Dare faleceu a um mês e meio atrás, tinha um tumor no cérebro, não resistiu por muito tempo após isso. — bebi o meu chá, tentando tirar o gosto salgado da minha boca. — Eu vi tudo isso acontecer, sei que eles não irão aterrorizar mais ninguém.

– Como iria aparecer lá do nada? Não posso simplesmente chegar e dizer:"Olha quem voltou dos mortos!" — ela disse tentando arrumar uma desculpa — Eu não posso abandonar tudo aqui e voltar, eu tenho uma vida aqui.

– Não estou falando para abandonar tudo, Chloe, estou falando para ir visitá-los, pelo menos por dois dias, para contar a sua versão da história e se reaproximar deles, você merece isso e eles também. — murmurei fitando seus olhos preocupados. — Sabe que não estou mentindo, eu te contei toda verdade da minha vida, você viu o colar e sabe que é da sua mãe. Eu realmente amo seu irmão e preciso me desculpar com ele de alguma forma, eu preciso que ele saiba a verdade sobre você e que pelo menos não me odeie tanto assim... Estarei ajudando a muita gente, não só a mim mesma, estarei te ajudando e ajudando a sua família, seus pais... Não fique pensando muito, porque pensamentos não levam a lugar nenhum, faça isso que falei, vá para Chicago e reveja seus pais, mate a saudade.

Quando eu havia me tornado alguém com um coração partido, impossível de se curar, com um objetivo tão forte de fazer o bem? Eu queria o bem para a Chloe, ela não podia mais viver escondida dos pais, morrer escondida deles, não era justo, ela merecia ter o que eu não tive, ainda não era tarde demais para isso, era o momento certo.

Nunca se é tarde para reencontrar a sua família, pelo menos não se é tarde quando eles estão vivos e você sabe que ficará feliz em vê-los, não o contrário. E, se tinha uma coisa que eu queria muito, era ver o Percy feliz por reencontrar a irmã caçula.

– Não é tarde, Chloe, não ainda... Não deixe passar, tudo bem?

Ela concordou com a cabeça, deixando um sorriso pequeno e sincero se formar e os seus olhos atingirem um brilho emocionado. Seus lábios tremeram, indicando que ela estava segurando o choro e eu não pude deixar de ficar feliz, ela se importava, ela queria.

Peguei a minha bolsa, deixando ela no meu colo e abrindo a mesma. Tirei dali a minha carteira e paguei a nossa conta do café, então passei meus dedos pelo envelope preto.

– Eu irei para Chicago no próximo final de semana. Realmente, não há mais porque esperar...

– Poderia entregar isso ao seu irmão? — estendi o envelope preto pra ela.

Notas finais
461, eu li direito isso? 461 comentários? AI QUE LINDO, BORA GENTE, PRÓXIMA PARADA 500 COMENTÁRIOS. Sério, falta tão pouco ♥ E o que acharam da Chloe hein? E a carta da Annie, o que acham que está escrito ali? Podem ter certeza de uma coisa: É BOMBÁSTICO! Gente, eu to escrevendo uma One Poseitena, mas ainda não sei se vou postá-la e quando vou postá-la. Ainda estou trabalhando nela, uma one não é tão simples assim não. Deem a opinião de vocês okay? Quanto mais comentarem mais rápido irei postar, sério, não estou mentindo. E antes que perguntem, a fase ainda não está acabando e vai levar um tempo para o Percy abrir essa carta, se ele receber. Dramas a caminho! Beijos my babies ♥