Fire Starter

4 Come and Get It


You ain't gotta worry it's an open invitation. I'll be sittin' right here real patient. All day all night I'll be waitin' standby

Encarei o teto do meu quarto, pensando na possibilidade de poder voltar a dormir e esquecer por uns minutos do motivo que me levou a acordar as quatro da madrugada, mas não podia, teria que fazer isso pelo menos três ou quatro vezes por semana. Maldito seja o Nícolas di Angelo.

Suspirei e me sentei, não deixando o sono me vencer, passei os dedos no meu cabelo e retirei o cobertor tão quentinho e convidativo de cima das minhas pernas, rumando a caminho do banheiro.

Deixei a água quente cair nos meus músculos e me acordar realmente, estava frio demais para fazer isso com a água gelada, então fiquei lá por bons quarenta minutos, deixando a água levar todo o sono, sabão do meu corpo e a espuma do meu cabelo. Quando sai, tive que secá-lo as pressas e fazer um rabo de cavalo alto e bem puxado, deixando apenas minha franja solta.

Coloquei uma legging preta e uma bata da mesma cor, coloquei um casaco cinza e o meu celular dentro a capinha apropriada, prendo a mesma no meu braço esquerdo e conectando o fono nele, depois passando pelo meu pescoço. Calcei tênis esportivo e fiz uma maquiagem básica, que se resumia em base, pó, lápis marrom, rímel e gloss. Escovei meus dentes e desci as escadas silenciosamente.

O motivo de eu levantar uma hora e meia antes de sair era simples, sabia que iria enrolar para me arrumar, minha tia reclamava muito disso, mas não tenho culpa se trabalho lentamente com sono.

– Não, eu não sei quando voltamos — era Thalia, não sabia com quem ela falava até colocar o pé na sala. Lá estava ela, enrolada em um edredom fofinho, com uma panela de brigadeiro, a televisão ligada e o laptop aberto, conversando com alguém.

Ela me encarou e eu rosto assumiu um ar preocupado, achei que seria surpresa por me ver acordada, mas ela estava preocupada!

– Quem está aí? É ela? Deixa eu falar com ela! — era Jason, esse era o motivo da preocupação. Balancei minha cabeça freneticamente e fiz sinal de silêncio com o dedo sobre o lábio, ele não podia me ver, não assim.

– Não é ela não, Jason — Thalia disfarçou — É um garoto que eu trouxe da balada ontem.

– Você é nojenta – Jason disse e eu mordi meu lábio para não rir. Mas fiz sinal positivo com o dedo para a morena, que revirou os olhos para nós dois.

– Fala como sé nunca tivesse transado com uma garota... Mas espera, eu ainda me lembro dos gemidos da Annabeth misturados com os seus, os gritos e vocês quase quebrando a cama! Maldita hora em que meu quarto foi ser próximo ao seu, ainda tenho pesadelos por causa disso — ela se arrepiou, revirei meus olhos e pedi mudamente para ela acabar com isso — Agora se me dá licença, eu tenho uma noite para terminar — ela deu piscadela e encerrou a conversa, mas só arrisquei passar para o outro lado quando ela fechou o laptop.

Fui para a cozinha e comecei a preparar meu café da manhã, que se resumia em café puro e algumas torradas. Eu tinha vinte e cinco minutos, porém Nico disse que me mandaria um sms falando que o Percy estava quase saindo.

– Deveria perder um pouco o contato com ele... Já pensou na possibilidade dele rastrear as ligações e vir atrás de você? Vir atrás de mim? — repreendi Thalia, eu não havia feito tudo o que fiz para ela estragar com o irmão dela, eu adorava Jason, acho que chegava a amá-lo, mas fiz grandes sacrifícios para chegar aqui.

– Seja menos chata — ela falou enquanto mudava de canal, revirei meus olhos e coloquei as torradas em um prato. Peguei geleia de frutas vermelhas e comecei a espalhar sobre a torrada, terminei no mesmo momento que meu café ficou pronto.

Enquanto comia, repassei o plano na minha cabeça, sabendo que as chances dele dar certo eram mínimas, mas eu tinha que tentar, era o único jeito de saber se daria certo ou não.

Precisava da confiança de Percy, precisava que ele visse em mim exatamente o que ele não viu na Rachel, o que seria meio complicado, por que eu não sabia o que ele havia visto na Rachel.

Escovei meus dentes e passei o gloss rosa que havia separado, dei uma última olhada no meu reflexo no espelho e gostei do que vi. Fechei o casaco e desci as escadas novamente, pegando minhas chaves e colocando no bolso.

– Vai sair? — Perguntei a Thalia.

– Sim, vou ir treinar tiro — ela sorriu. Ela havia me ensinado a atirar por causa do seu amor por armas, flechas ou qualquer outra coisa que possa matar — Tenho que encontrar um jeito de te balear sem causar danos consequentes... Sei lá, estava pensando na perna ou no braço, quem sabe no ombro. Te machucaria mais não causaria um dano profundo, não seria o pulmão, o estômago ou qualquer outro órgão, até por que, Calypso não deve saber atirar.

– Esperta você — disse no momento em que o toque tão conhecido anunciou a mensagem. Dei um beijo na bochecha da morena e corri para fora, Nico foi bem claro, dizendo para que eu pegasse o elevador da direita e fingisse tranquilidade, assim o fiz.

Descer três andares foi fácil, mas quando ele entrou no elevador pude sentir sua tensão, ele havia exitado na entrada e possivelmente pensou na possibilidade de voltar atrás. Sorri de maneira dócil para ele, fingindo surpresa.

– Olá — disse animada, tirando o fone do ouvido — Tudo bem?

– Sim... E com você? — ele perguntou entrando por fim. Entrando na jaula do leão.

– Mais ou menos... — mordi meu lábio e abaixei o olhar. Minha tia tinha razão, teatro me fez bem.

– O que ouve?

Exitei em responder e deixei uma lágrima cair, não era falsa, era totalmente verdadeira. Os últimos anos tinham sido "fáceis", talvez por que eu não estava em Chicago, perto de tudo, mas tudo pareceu desmoronar quando vi que a realidade era a melhor das desculpas.

– Hoje faz sete anos que meus pais morreram — solucei. Era disso que ele precisava, de alguém frágil, alguém que ele pudesse proteger... Eu seria essa pessoa, hora verdadeira, hora tão falsa quanto os políticos — É o primeiro ano que estou em Chicago desde a morte deles... Decidi ir visitá-los no cemitério, sei lá, dizer que sinto saudades e pedi ajuda, um conselho a minha mãe — tentei controlar, mas não consegui. Queria realmente estar mentindo; atuando; fingindo. Assim as lágrimas seriam menos dolorosas e a verdade menos cruel.

– Shi — ele me puxou contra ele, me abraçando. Enterrei meu rosto no seu peito e deixei as lágrimas que eu havia guardado todos esses anos caírem e talvez levar a minha dor embora — Se você quiser, posso te levar até lá... Não está em condições de dirigir.

– Não precisa — solucei me afastando e limpei as lágrimas que ainda teimavam em cair — Eu vou correndo... O cemitério não é tão longe daqui e é uma forma de aliviar a dor. Mas muito obrigada, gentil da sua parte.

Ele sorriu e limpou as últimas lágrimas que caíram na minha bochecha, a mesma esquentou um pouco com seu gesto, não estava acostumada com carinho. Quando meus pais eram vivos, eles me davam o amor necessário e eu perdi praticamente tudo depois que eles morreram, pois meus tios não sabiam de certo o que fazer com uma adolescente que acabará de perder os pais e o Jason tinha apenas doze anos, era um criança que achava meninas nojentas. Tanto que meus primeiros anos em Londres foram terríveis por causa dele, hora era brincadeiras de mal gosto e na outra era besteiras na frente de seus amigos.

– Se isso te serve de consolo, hoje faz três anos que a minha irmãzinha morreu.

– Quantas anos ela tinha? — mordi meu lábio.

– Um e meio — respondeu se colocando para fora do elevador. Segurei seu braço e avancei contra o seu pescoço, o abraçando apertado. Ele demorou um pouco, mas correspondeu.

– Sinto muito.

Soltei ele e tentei dar um sorriso aceitável, porém não funcionou muito. Dei-lhe um beijo na bochecha e caminhei para fora do prédio, dando uma última olhada para ele antes de sair correndo pela esquerda, a cidade estava calma, com apenas alguns carros perambulando e outros pedestres atravessando a rua e abrindo suas lojas.

Não cheguei a virar a esquina sozinha, logo Percy já estava correndo ao meu lado com um sorriso maroto, porém reconfortante.

Soltei um riso sem ânimo e arqueei a sobrancelha, ele riu com um pouco de humor e saiu correndo na minha frente. Percy estava brincando com os leões, ou melhor, com o fogo!

Corri mais rápido e consegui passar ele, sem antes mostrar a minha língua e atravessar a rua parada por causa do semáforo, que abriu assim que ele chegou a esquina. Me virei e o encarei por cima dos carros, mandando um beijo e voltando meu trajeto para o cemitério.

Ele conseguiu me alcançar novamente quando eu estava perto de um parque, um daqueles onde crianças são levadas por suas babás, pessoas correm e andam de bicicleta e casais se encontram. No momento, ela estava pacata, apenas com a presença dos pássaros e pombos, a do Percy e a minha.

Percy agarrou a minha cintura antes que eu pudesse pensar em aumentar a minha velocidade, mas como ambos estávamos correndo em alta velocidade, quando ele me agarrou acabou perdendo o equilíbrio e acabamos por cair na grama coberta por uma camada generosa de neve.

Nós dois acabamos por cair na gargalhada, mas com o moreno em cima de mim, com todo aquele peso e músculo, foi difícil distinguir minha risada com a minha falta de ar.

– Desculpe — ele riu, me encarando com um sorriso de se tirar o ar, literalmente.

– Tudo bem — corei, vendo a proximidade entre nós dois. Ele notou também e se levantou, me ajudando logo em seguida — Sem mais competições? O cemitério fica a duas ruas daqui.

– Acho que é desnecessário, já percebi que você é incrivelmente rápida — ele disse me encarando.

– Isso é bom, caso contrário, teria que te mostrar novamente — sorri e comecei a correr. Logo ele estava ao meu lado.

A caminhada silenciosa foi confortável e nós apenas conversamos novamente sobre coisas alheias depois que visitei os túmulos dos meus pais e fiz companhia para ele no túmulo da sua irmãzinha. Ela havia nascido com um doença grave e passou toda a sua vida na UTI do hospital, depois de um ano e meio sendo submetida a várias cirurgias, os pais decidiram desligar os aparelhos que a mantinham viva.

Na volta para o prédio as ruas estavam mais movimentadas e nós não competimos, conversamos sobre nossos gostos e sobre coisas que sonhávamos em fazer. Descobri que o Percy sonhava em passar sua lua de mel em alto mar, mas a Rachel já havia deixado bem claro que eles iriam para Veneza e que ela odiava alto mar.

Ja eu? Bem, eu achei romântico, verdadeiramente.

– Não vai para o seu apartamento? — ele arqueou a sobrancelha, quando o acompanhei pelo hall de entrada do apartamento dele com o Nico e com o Luke.

– Não. Thalia saiu e eu não estou nem um pouco afim de passar o sábado alone, entende? — mordi meu lábio, enquanto ele abria a porta — É tão solitário passar o dia sozinha.

Ele riu da minha frase e deixou que eu entrasse na frente, o acompanhei na risada por causa da bobeira que eu mesma havia dito e tranquei ao ver a Rachel sentada tranquilamente no sofá enquanto Nico mexia no seu MacBook.

Engoli em seco e vi que era a hora de ser falsa novamente. Sim, estava sendo verdadeira com o Percy, em todo momento falei a verdade para ele, só não contei o motivo pelo qual estava aqui.

– Oi, Rach — sorri me aproximando dela e lhe dando um beijo na bochecha — Olá, Nico.

– Oi, loira — ele respondeu levantando a cabeça e me dando um sorriso — Percy, sua noiva está te esperando a quase meia hora, eu avisei que você havia ido correr...

– Mas eu preferi esperar, não vou demorar muito aqui, já estou atrasada — ela respondeu dando um selinho nos lábios do Percy — Só passei aqui para avisar que estou indo para Paris, a semana de moda está começando e eu preciso cobrir a mesma para a revista e tudo mais.

Semana de moda em Paris... Meu deus! Como pude esquecer que a melhor e maior semana de moda estava começando?

– Quando volta?

– Vou cobrir a semana inteira e depois vou aproveitar para falar com alguns estilistas sobre o meu vestido de casamento e o da festa de noivado — ela parou por um minuto, fazendo as contas — No mínimo umas duas ou três semanas.

– Mínimo? — arqueei minha sobrancelha.

– Sim, a Caly vai comigo e vamos comprar algumas coisas também... Eu juro, amorzinho, que se você não estivesse tão atolado de casos eu chamaria você para ir comigo! Mas como os nosso casamento já é em fevereiro e a festa de noivado é em Janeiro, é melhor você adiantar tudo e quem sabe finalizar todos eles para nossa lua de mel.

A Rachel estava fora, encarei Nico com um sorriso e ele retribiu. Percy iria se divertir muito nessas semanas de férias da Rachel.

Notas finais
Feliz pascoa e etc e tal. O próximo terá mais emoções do que esse, podem ficar tranquilos e ansiosos haha Gente eu não to bem, não mesmo. DIVERGENTE NOS CINEMAS!