Fire Signs
8 Five Minutes to Midnight
Notas iniciais
A trilha sonora desse capítulo é Five Minutes To Midnight, da banda Boys Like Girls - se você tem uma sugestão de banda ou música deixa no review :D
Boa leitura
Seguro o punhado de grama queimada em minhas mãos.
Não é possível que o meu devaneio seja real.
Ou é?
Levanto-me e corro até o meu cômodo. A porta está encostada.
Apalpo a parede áspera, a procura do interruptor.
Ligo a luz.
O relógio de parede marca cinco minutos para a meia-noite.
Eu não vou conseguir dormir, meu sono dissipou-se há muito tempo.
Dou meia volta, deixando a porta aberta. Não ligo, pois sei que ninguém entrará aqui, afinal os corredores estão vazios e o toque de recolher foi há duas horas.
- Matthew – digo ao o ver passar – não foi coisa da minha cabeça. A grama estava mesmo queimada.
Ele sibila.
- Não fale isso alto. Amanhã conversamos.
- Mas é que...
- No mesmo horário, no mesmo lugar – ele afasta-se abruptamente – Amanhã...
Vejo-me sozinha no corredor escuro novamente. Pela primeira vez, percebo que Matthew está inseguro.
- Não tente impedi-lo – Ouço uma voz atrás de mim.
Uma voz feminina.
Viro-me.
- Eu sou Lissa – Diz uma garota de cabelos curtos. Mesmo com a luz fraca, percebo reflexos avermelhados em suas mechas e um piercing no nariz. Ela parece adorável, apesar de tudo – Quem é você?
— Ahn... June – digo.
Ela aperta a minha mão um pouco forte demais.
- Ah! A novata...
- É, acho que sim – digo, franzindo o cenho. Percebo que os apelidos se espalham rápido por aqui.
- Eu sei o que deve estar pensando... O Matthew é bem estranho mesmo. Depois de um tempo você acostuma.
- Liss! – escuto um sussurro do outro lado do corredor – você não vem?
Ela olha para trás, acenando positivamente com a cabeça.
- Venha aqui – ela puxa o meu braço.
- Quem é essa? – Pergunta uma garota de cabelos ondulados, referindo-se á mim.
- Essa é a June – Acrescenta Lissa.
— Sou Fallena – ela diz – Vem conosco?
— Ela vem, sim – Lissa responde por mim.
Fallena sorri, enquanto olha de um lado para o outro, garantindo que não há mais ninguém conosco.
— Então siga-nos.
Ela guia-nos cuidadosamente, até nos afastarmos dos corredores estreitos do Via Solis.
— Para onde estamos indo? – pergunto, olhando em volta.
A única coisa que vejo é uma densa floresta, logo á nossa frente.
— Vamos entrar aí? – assusto-me.
— Vamos – responde Fallena, decidida.
Olho para trás.
Os pequenos cômodos do Via Solis estão a quilômetros de distância.
— Não acho que seja uma boa ideia... – falo, tentando não parecer covarde.
— Você não vai voltar. Não andamos quase trinta minutos no meio da noite para nada.
Suspiro, enquanto Lissa abre caminho por entre alguns galhos secos. Mal consigo enxergá-la por conta da escuridão.
— Está conseguindo ver alguma coisa? – pergunto, seguindo-as cuidadosamente.
Fallena ri, como se eu tivesse acabado de lhe contar uma piada.
— Não precisamos ver – ela diz, num tom assustadoramente despreocupado.
É, a gente vai morrer.
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