Notas iniciais
Foto de Cari Ann Wayman. Caso não abrir: http://weheartit.com/entry/61310530/via/Tbagmari

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Pessoas passavam de um lado para outro. Carros de todas as cores saiam passando por mim. As conversas e risadas eram altas. Um pop coreano tocava atrás de mim.

Diferente dos corredores do colégio, o estacionamento era bem descontraído. Já estava esperando Travis há cinco minutos e cogitava a ideia de ir embora.


– Hey, Mellery! — ouço me chamarem e viro para trás. Travis corria em minha direção. — Demorei muito?



– Sim, já estava querendo ir embora – resmunguei cruzando os braços.



– Muito paciente você – riu e começou a andar comigo em seu encalço. Chegamos perto de um carro antigo, mas bem cuidado e ele abriu a porta e entrou. Apenas fiquei o olhando, o que fez com que ele revirasse os olho. — Entra logo ai ou vai querer ir em cima do capô?



– Você sabe dirigir? — perguntei enquanto entrava relutante em seu carro.



– Sei – disse óbvio.



– Escuta, se você me levar para um beco escuro e tentar me estuprar eu te mato – falo apontando o dedo pra ele.



– Ah, não, não vou te estuprar – disse e riu pelo nariz. — Você é muito desconfiada.



– Talvez porque ninguém tenta falar comigo, você é um dos primeiros que tenta. E há anos estudando nesse colégio, você é o primeiro que eu direciono mais de cinco palavras, tirando os professores, claro – disse franzindo o cenho. Ele estava saindo do estacionamento do colégio nesse momento.



– Me sinto honrado com isso.



– Eu não me sentiria assim se fosse você – murmurei e o resto do caminho foi em silêncio, no total uns oito minutos.



A casa dele era de uma cor verde claro e havia um jardim bem cuidado na frente. Era tanto verde que me senti na casa do Shrek.


Saímos do carro e eu cruzei os braços na frente do corpo, franzindo o cenho enquanto caminhava por uma estradinha de cimento, que acabava na porta da casa. Haviam muitas flores no jardim e o cheiro era repugnante pra mim.


– Que foi? — Travis perguntou e eu o encarei juntando as sobrancelhas. — É que você está... sei lá. Parece estar incomodada – deu de ombros.



– Não é nada, apenas não gosto de flores – disse dando de ombros também.



– Você é estranha – disse e eu apenas bufei. Ele abriu a porta da casa e logo senti um cheiro maravilhoso de comida.



– Trav, venha aqui – ouço uma voz feminina soar pela casa.



– Vem comigo – Travis disse e começou a andar para algum lugar, que mais tarde percebi ser a cozinha.



– Bom dia filho – uma mulher muito parecida com ele, por ser sua mãe, disse sorrindo. Um sorriso malicioso estampou-se em seu rosto assim que me viu. — Quem é essa linda garota, Trav?



– Essa é a Mellery, mãe. Ela irá me ajudar em biologia – Travis respondeu apontando pra mim e logo apontou pra sua mãe. — Essa é minha mãe, Magnólia.



– Olá Magnólia – a cumprimentei.



– Oi Mellery, pode me chamar de Maggie – ela veio em minha direção e me deu um beijo no rosto. Me contraí com o contato repentino.



– Mãe... a Mellery não é do tipo que... aprecia contato físico – Travis disse de um jeito engraçado e eu lhe lancei um olhar mortal.



– Hm, diferente – Maggie ergueu as sobrancelhas surpresa. — Vocês devem estar morrendo de fome. Tem chili com carne, do jeito que você gosta Trav.



– Vamos só levar nossas mochilas no quarto e já voltamos, mãe – Travis disse para sua mãe e logo se direcionou a mim. — Venha – subimos uma escada e viramos num corredor à esquerda. Ele abriu a segunda porta e entrou no quarto. Entrei cautelosamente e me surpreendi com seu quarto. Eu imaginava algo muito bagunçado, com cheiro de gambá morto e vários posters de mulheres nuas na parede. Mas na verdade não havia uma única peça de roupa no chão, o cheiro era de um perfume masculino – provavelmente o que ele usava – e as únicas coisas na parede eram dois porta-retratos de Londres e Paris e uma placa de moto.



– Sério mesmo? — juntei as sobrancelhas apontando pra placa em cima de uma escrivaninha.



– Eu quis guardar de recordação – deu de ombros colocando a bolsa em cima da cama.



– Recordação?



– Ah, esqueci, você não se socializa. Ano passado eu sofri um acidente de moto, todo mundo do colégio soube. Ou quase todo mundo – sorriu de canto pra mim.



– Hm – murmurei e ele prosseguiu.



– Fiquei no hospital quase um mês e nem foi tão ruim assim – deu um sorriso malicioso.



– Deixe eu adivinhar, as enfermeiras gostaram bastante de sua companhia? — bufei com a resposta óbvia em seus olhos.



– É, mas continuando. Eu queria ter uma recordação do acidente e peguei a placa.



– Não se contentou com as cicatrizes, né? — falei sarcasticamente.



– É verdade que garotas gostam de cicatrizes? — perguntou curioso..



– Sei lá – dei de ombros.



– Mas você é uma garota! — exclamou rindo. — Me surpreendo cada vez mais com você – balançou a cabeça. — Coloque a bolsa na cama e vamos comer, antes que você diga que gosta de garotos gordos e barbudos.



– Eu gosto de barbas – murmurei baixinho. Ele voltou a me encarar com uma careta muito engraçada que não tenho como descrever. Acabei rindo disso.



– Que foi? — perguntou.



– Nada – balancei a cabeça e logo adentramos a cozinha.



– Fique à vontade Mellery – Maggie disse enquanto nos sentávamos na mesa. Apenas assenti.



– Você come muito ou pouco? — Travis perguntou e eu franzi a testa confusa. — Eu vou servir você – ele explicou. Ok, as palavras dele fizeram parecer que ele seria meu servo.



– Não, não. Não precisa. Eu posso fazer isso – falo tentando pegar o prato de suas mãos.



– Eu faço questão, Mellery – disse sorrindo gentilmente. Qual o problema dele? Por que ele é sempre educado, gentil e doce? Eu conheço ele à dois dias e já percebi que ele gosta de fazer as pessoas se sentirem bem com a presença dele. As pessoas se sentem bem com a presença dele.



– Ok – suspirei. Ele me serviu e colocou o prato na minha frente. Me encarou sugestivamente e eu sabia o que ele queria. Revirei os olhos e murmurei baixo – Obrigada.



– Desculpa, eu não ouvi – disse divertido. Me virei pra Maggie que nos observava enquanto comia.



– Como você suporta seu filho? Eu só conheço ele à dois dias e já não o suporto – disse a ela, que rio alto.



– Muitos anos de convivência ajudam – Maggie respondeu e Travis a encarou ofendido, fazendo com que eu risse um pouco.



– Ótimo, fizeram um complô contra minha linda pessoa – Travis disse bufando e se servindo.



– Bem modesto você – reviro os olhos.



– Eu sei – disse e começamos a comer. O almoço foi acompanhado por alguns diálogos entre Maggie e Travis. Eu quase nunca falava, mesmo estando meio à vontade com eles. Era estranho, a casa dos McGuire foi uma das poucas que eu frequentei e me senti bem. Quer dizer, para as únicas casas que eu vou são de meu pai, minha mãe e minha avó.



Após todos terminarem de comer e eu e Travis retirarmos a mesa – viu, sou muito educada — e subimos para o quarto dele pegar os livros e cadernos para estudar. Descemos pra sala e nos sentamos no tapete claro e bem macio que havia lá.



– Pronto pra enfiar alguma coisa que preste nessa cabeça? — perguntei abrindo o livro de biologia na primeira unidade.



– Acho que sim – disse passando as mãos no cabelo.



– Ok, vamos falar sobre a mitose – disse e vi a confusão em sua expressão. Suspiro. To vendo que vai ser difícil dar essas aulas.



Notas finais
Gente, eu sei, as imagens do capítulo não fazem muito sentido, mas se vocês usarem a mesma mente lunática que eu poderão entender e.e
Quinta-feira eu posto novamente se tudo der certo xx'